sexta-feira, 16 de novembro de 2012



Hércules.
 Nome romano de Héracles filho de Júpiter de  Alcmena; um dos heróis mais venerados na antiguidade.

   A mitologia grega atribui-lhe numerosas aventuras que o fizeram viajar em todo o  mundo conhecido na época, em todo o Mar Mediterrâneo e mesmo até ao inferno.
   Ainda bebé afogou as serpentes que Juno enviou para o devorarem, (há várias versões deste episódio;  umas que as serpentes  foram enviadas por Hera porque Hércules a tinha mordido quando Hermes o pôs a mamar no seu seio, outras, que foram enviadas  pelo rei Anfitrião, esposo de Alcmena).


 Tebas -Século V a.C., Estáter AR 
Anv. Escudo beócio                               
Rev. Hércules afogando as serpentes
   
  As mais célebres das suas aventuras são sem dúvida os doze trabalhos que lhe foram impostos por Euristeu.
  
   Este deus greco-romano meio homem meio herói, meio imortal, efectua os mais difíceis  trabalhos com o objectivo  de alcançar a imortalidade.
   Nao é de admirar que tal personagem filho de Júpiter fosse modelo de alguns imperadores romanos, que com o passar dos tempos tiverem cada vez mais tendência a identificar-se com o semideus.
  Esta identificaçao com Hércules era ainda mais perceptível, por este ser um semideus que aspirava à eternidade.
   Alguns deles como Cómodo, ou Caracala, diziam serem  a reencarnação de Hércules.
   Podemos ver no museu do Capitólio, em Roma,  um busto de Cómodo com a pele do Leão de Nemeia na cabeça, a moca (ou maça)  na mão direita, e as maçãs do jardim das Hespérides na esquerda.
  Há um sestércio, em que o imperador é representado no anverso com a pele do leão na cabeça, e no reverso a moca de Hércules.
 A imagem do imperador Maximiano cunhada no anverso dum aureliano, também representa o imperador com a pele do leão no ombro esquerdo, e a moca no ombro direito. Um exemplo de identificação bem expressiva entre o imperador e o semideus.

Caracala – AE 42  
Anv. AVT K M AVR CEOVHR ANTWNINOC AVG
Rev. PERINQIWN NEWKORWN
(Caracala com bastião e Hércules com a moca  no ato de  um sacrifício.
No meio, um altar aceso.)

Cómodo - Sestércio - AE
Anv. LAEL AUREL COMM AVG P (Cómodo com a pele de leão)                                              
Rev. HERCVL ROM ANO AVGV SC (moca de Hércules)


 Maximiano - Antoniniano   AR 400%
Anv. IMP MAXIMIANVS P AVG
Rev. HERCVLI  PACIFERO 
(No anverso, Maximiano vestido com a pele de leão, e moca no ombro direito).
  
   São muitas as moedas gregas e romanas que fazem referência a Hércules, não as podemos reproduzir todas, apenas mostramos alguns exemplares.

Cízico, Mísia – Héracles (Hércules) ainda criança.                    
Hecto cízico  em electro, século V a.C., (raríssimo)
(electro: liga natural de ouro e prata).


Cízico, Mísia -  Héracles com barba
Estáter cízico em electro, século V a.C., (raríssimo)

Paeonia – Perdicas I, 359/340 a.C., Tetradracma AR
Anv. Zeus ou Apolo à direita.
Rev. Héracles lutando com o leão de Nemeia.

Heracleia Pôntica (tiranos)  cerca de 352/345 a.C., Tridracma AR
Anv. Héracles à esquerda.
Rev. Hera à esquerda.

Lucânia Heracleia, cerca de 300 a.C., Estáter AR
Anv. Atena com capaceto coríntio à direita.
Rev. Héracles de frente com a moca e a pele de leão.

Síria-Antioco I, 280/261 a.C., Tetradracma AR
Anv. Antioco I à direita.
Rev. Héracles sentado à esquerda, com a mão direita apoiada na moca.



OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES

   Aquando duma crise de loucura, Hércules matou sua esposa e filhos.
   Para o punir por este crime, Eristeu impôs-lhe uma série de  trabalhos.

I
O LEÃO DE NEMEIA

O primeiro trabalho que Eristeu impôs a Hércules, foi matar o leão Neméia que matava muitas pessoas  e animais . O leão tinha a pele tão dura, que o ferro e o bronze não a conseguiam furar.

Maximiano – Antoniniano AR, cunhado em Lião em 289.

II
A HIDRA DE LERNA

Em seguida Hércules teve que matar A Hidra de Lerna.
A Hidra (serpente) tinha nove cabeças uma das quais era imortal.
O veneno que ela fabricava era tão forte que o seu hálito era fatal.

Geta - AE 26, cunhado em  Andrinopola (Trácia).
(Hoje Edirme na Turquia)

III
O JAVALI DE ERIMANTO

O terceiro trabalho de Hércules foi o de apanhar vivo o  terrível Javali de Erimanto.
Era um animal selvagem e gigantesco que aterrorizava a região.
Quando Hércules avistou o javali, ficou aterrorizado e refugiou-se num vaso de bronze enquanto estudava a melhor táctica para o capturar.

Séptimo Severo – AE 40, cunhado em Perinto (Trácia)

IV
A CORSA CERINITA

O quarta tarefa de Hércules foi de capturar a Cerva (corsa) Cerinita, e de a transportar viva de Oensoé a Micenas.
Esta corsa consagrada a Diana, era muito rápida e tinha cascos de bronze e cornos de ouro.
Para a conseguir capturar, Hércules persegui-a sem descansar durante um ano.

Maximiano - Quinário AR, cunhado em Lião em 286.

V
OS ESTÁBULOS DE AUGEIAS (ou  ÁUGIAS)

O quinto trabalho de Hércules foi limpar os Estábulos de Augeias só num dia.
O rei Augeias, tinha um numeroso rebanho que ocupava grandes estábulos que muito tempo não eram limpos.
Para triunfar nesta tarefa, Hércules teve que desviar o curso do rio Alfeu, conseguindo assim limpar os estábulos.

Antonino Pio – Dracma AE, cunhado em Alexandria 146/147.

VI
OS PÁSSAROS DO LAGO ESTÍNFALO

A seguir Hércules teve que exterminar os pássaros do Lago Estínfalo.
Os seus bicos, patas e asas eram de bronze, e também devoravam homens.
Os seus excrementos venenosos destruiam as colheitas.

Antonino Pio – Dracma AE, cunhado em Alexandria 140/141.

VII
O TOURO DE CRETA

O sétimo trabalho impôsto por Eristeu  a  Hércules, foi a captura do Touro de Creta que tinha engendrado o Minotauro (Monstro, metade homem e metade touro, filho de Pasífaa, mulher de Minos, ao qual Atenas oferecia adolescentes em tributo anual, foi morto por Teseu).
Apezar de furioso e lançar chamas pelo nariz, Hércules decidiu capturá-lo só com as mãos.

Gordian III - AE 27, Cunhado em Andrinopola (Trácia).

VIII
AS ÉGUAS DE DIÓMEDES

Para o seu oitavo trabalho Hércules teve que capturar as éguas selvagens de Diómedes rei da Trácia, que este alimentava com carne humana.
Após a sua captura, Hércules ofereceu-lhes em repasto o corpo do rei.

Antonino Pio – Dracma AE, Cunhado em Alexandria 141/142.

IX
O CINTURÃO DE HIPÓLITA

A missão do herói foi ir buscar o cinturão de ouro de Ares, que Hipólita rainha das amazonas detinha. Como Hércules não o podia obter pela  força, teve que recorrer à diplomacia e convencer  a rainha a oferecer-lho.
O cinturão destinava-se a Admeto, filha de Euristeu.

Antonino Pio - Dracma AE, cunhado em Alexandria 146/147.

X
OS BOIS DE GIRIÃO

O décimo dos trabalhos de Hércules foi ir buscar a manada de bois de Girião, que tinha a reputação de ser o homem mais forte da terra.
Girião nasceu com três cabeças, seis mãos e três corpos, que se reuniam entre si na cintura.

Séptimo Severo - AE 40, cunhado em Perinto (Trácia).

XI
OS POMOS DE OURO DO JARDIM DAS HESPÉRIDES

Hércules ja tinha efectuado os dez trabalhos, mas Eristeu não contou o segundo nem o quinto, e impôs-lhe mais dois.
O décimo primeiro foi ir buscar os frutos de ouro de uma macieira que Gaia tinha oferecido a Hera e que esta plantou no seu jardim divino.
Ao aperceber-se que as Hespérides a quem ela tinha confiado a guarda da árvore lhe roubavam as maçãs, Hera acorrentou um dragão à macieira para que ninguém se pudesse aproximar.
Quando Hércules viu o dragão, pediu a  Ares que as colhesse, enquanto ele o substituia a suportar  o mundo.

Antonino Pio - Dracma AE, cunhado em Alexandria 146/147.

XII
A CAPTURA DO CÉRBERO

O último e mais terrível trabalho de Hércules, foi descer ao inferno e trazer o terrível  Cérbero. Um cão com três cabeças que era o guarda do mundo interior.
Hércules  agarrou o animal pelo pescoço e só o largou quando ele consentiu
em acompanhá-lo.

Gordiano III - AE 29, cunhado em Perintos (Trácia).

(Existem muitas  divergências sobre a cronologia dos trabalhos de Hércules. É hoje,  impossível saber qual a sua ordem exacta. Optei por esta, por aparecer com mais frequência, e por ser também a ordem dos trabalhos citada por Apolodoro.)

M. Geada

  
Bibliografia

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Babelon ; J.- La Numismatique Antique, Paris 1994.
Blanchet ; A.- Les Monnaies Grecques, Paris 1894.
Fréderic Weber – Monnais de L’Empire Romain.
Frédéric Weber – Monnaies Antiques.
Fréderic Weber – Monnaies Provinciales Romaines.
Cohen ; Henri -  Description  Historique des Monnaies Frappées sous L’Empire Romain,
tome II, Paris 1880-1892.
Vinchon ; Jean – Catálogo de vendas Maio 1995.
Vinchon ; Jean – Catálogo de vendas Maio 1998.
Vinchon ; Jean – Catálogo de vendas Outubro 2003.
Centre numismátique du Palais-Royale - Catalogo de vendas Março 1997
Centre numismátique du Palais-Royale-Catalogo de vendas Dezembro 1999
Elsen ; Jean – Cátalogo de vendas n°62, Junho 2000



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