terça-feira, 4 de setembro de 2012

Cleópatra VII




   Cleópatra VII, ou simplesmente  Cleópatra, nasceu no ano 69 a.C..
  Não existe nenhuma informação certa sobre o seu aspecto físico que escapa a uma classificação estética banal. Algumas  moedas mostram-nos a  imagem de uma mulher com traços pesados e o nariz bastante proeminente.
    Em contrapartida, sabe-se que a sua presença era agradável, que libertava uma forte sedução, tudo isto  completado com uma voz cativante e de  um espírito brilhante e culto.
   Enquanto a educação das raparigas, mesmo de famílias reais, era negligenciada no mundo grego ou helenístico, Cleópatra aparentemente beneficiou do ensino de pedagogos muito cultos que, sobre um espírito inteligente, deu excelentes resultados.
    A faraó foi uma verdadeira poliglota que falava além do egípcio, o grego, o aramaico, o etiópico, o média, o árabe, sem dúvida também o hebraico, o latim e o troglodítico (1) .
   Algumas fontes antigas também lhe atribuem alguns livros sobre magia, cosméticos, pesos e medidas.
   Governou o Egipto do ano 51 ao ano 30 a.C.. Subiu ao trono com apenas 17 anos de idade, sucedendo ao seu pai Ptolomeo XII.
   Segundo a lei egípcia, para governar tinha que casar, foi assim que desposou o irmão Ptolomeo XIII quando este contava apenas 12 anos de idade.
   Era hábito no Egipto ser o homem a governar, mas Cleópatra reinou num país então exposto à miséria, deixando o seu jovem esposo e irmão fora dos assuntos do reino.
   Após três anos de governo comum, Ptolomeo incentivado pelos seus conselheiros, obrigou  Cleópatra a exilar-se. Esta refugiou-se na Síria, onde levantou um exército que deu origem a uma guerra civil.
   No ano 48 a.C., Ptolomeo aliou-se a Júlio César, que entretanto tinha chegado a Alexandria com um numeroso exército.
   Na ausência da faraó, César instalou-se no palácio real.
  Compreendendo que  se  motivasse   César  a  defender a  sua causa podia  ganhar  a  guerra, Cleópatra mandou  que  a   enrolassem  num  tapete, e assim penetrou no palácio real, um dia antes da chegada do irmão, e esposo, a Alexandria. 
   Nessa mesma noite Cleópatra seduziu César. Quando Ptolomeo chegou ao palácio e descobriu a nova aliança entre César e Cleópatra, desencadeou a guerra dita “de  Alexandria”.
   Foi durante esta guerra que ardeu parte da lendária  biblioteca desta cidade.
   O farol de Faros é conquistado pelo exército de Júlio César, que pessoalmente derrotou Ptolomeo. Este, vencido, tentou fugir mas morreu afogado, e Cleópatra retomou o trono do Egipto.
   Mais uma vez para poder reinar, a lei do Egipto impôs-lhe novo casamento. Desposou outro dos seus irmãos Ptolomeo XIV,  também com 12 anos de idade.
   Cleópatra concentrou todos os poderes e continuou a sua relação com Júlio César de quem deu à luz um filho, César, mais conhecido por  “Cesário” para o diferenciar do seu glorioso pai, no ano 47 a.C..
   Um ano depois a convite de César, Cleópatra e Cesário foram para Roma  onde se instalaram numa habitação nos jardins do Janículo, próximo da residência de Calpurnia, esposa de Júlio César.
  Os romanos não concordaram com um possível casamento de César com a egípcia, e acima de tudo  que este reconheça Cesário como filho legítimo.
   Após uma estadia de dois anos em Roma, sem sucesso, Cleópatra e Cesário regressaram  ao Egipto e  segundo a lenda mandou prender o jovem esposo Ptolomeo XIV, para o substituir pelo filho Cesário.   
   Doravante o seu co-soberano tem apenas quatro anos de idade.
   Nos ides de Março (2) do ano 44 a.C., Júlio César foi assassinado. Conspiração organizada pelo próprio filho adoptivo Brutus, e mais alguns senadores, o que deu origem a  uma guerra cívil.
   Cleópatra não tomou posição por nenhum dos pretendentes ao trono. No ano 44 a.C., Marco António convidou a rainha a ir visitá-lo a  Tarso.
   Cleópatra sabe que Marco António adora as mulheres e, espera obter desta visita apoio político e financeiro; ela mesmo precisa de um aliado em Roma.
   Diz a lenda que disfarçada em Afrodite deusa do amor, seduziu Marco António. A partir de então ficaram amantes; foram passar o inverno a Alexandria onde Cleópatra deu à luz dois gémeos, um rapaz e uma rapariga, Alexandre Hélio e Cleópatra Selene.
   Marco António decidiu fazer a paz com o seu principal  rival, Octávio. Para isso regressou a Roma onde casou com Octávia a irmã deste.
   No ano 36 a.C., em nome de Roma declarou guerra aos partos.
   Longe de Roma e da esposa, pediu a Cleópatra que fosse viver com ele para Antioquia.  
   Mais tarde regressaram a Alexandria onde Cleópatra deu à luz Ptolomeo Filadelfo, o terceiro filho de Marco António. Este ofereceu alguns territórios ao Egipto, entre eles Chipre e a Costa da Sicília.
   Quando no  ano 34 a.C., os partos foram derrotados, a vitória foi celebrada com toda a pompa e circustância nas ruas de Alexandria e não em Roma.
   Passado algum tempo num acordo comum entre os dois amantes, Marco António dividiu o reino do Egipto entre Cleópatra e os filhos.
   Em Roma Octávio desespera. No ano 31a.C., é pronunciado o divórcio entre Marco António e Octávia. 
   A aliança do General romano com Cleópatra é oficializada, e Octávio chefe de Roma declarou-lhes a guerra.
    Desta vez os dois amantes deverão inclinar-se, pois os seus exércitos foram vencidos na célebre batalha de Áccio no ano 31 a.C..
    Refugiado  em Alexandria Marco António foi preso. Enganado pelos romanos do suicídio de Cleópatra, deixou-se cair em cima da sua espada.
    Por sua vez a faraó também foi presa. Para a humilhar Octávio expõe a soberana como uma simples escrava nos países que atravessa. Mas Cleópatra tomou, uma última vez, o destino nas suas  mãos.
    Encerrada sob ordem de Octávio, pediu aos seus servos para lhe trazerem discretamente uma áspide misturada num cesto com figos.
   Provavelmente, Cleópatra escolheu esta forma de suicídio para alcançar a imortalidade.
   Quando os guardas romanos se aperceberam do drama já ela tinha iniciado a viagem para a eternidade, e posto fim à monarquia no Egipto, agora entre outras, uma província romana.
   Os Ptolomeos vindos da Macedónia reinaram no Egipto durante quase três séculos. A morte de Cleópatra VII não só pôs  fim a uma dinastia, mas também ao reino dos faraós

(1) Nome que davam os geógrafos da antiguidade  a uma etnia que eles localizavam no sul. do Egipto.
(2) O dia 15 de Março, Maio Julho e Outubro. E o dia 13 dos outros meses no calendário romano. 

 (Uma das mulheres mais famosas da história da humanidade, nunca foi a única detendora do poder no Egipto. Sempre governou com um homem a seu lado, com os irmãos e maridos, e mais tarde com o filho.
Contudo em todos os casos os seus companheiros sempre foram reis fictícios, foi sempre Cleópatra que exerceu o poder.)

 Denário cunhado em Alexandria no ano 34 a.C.
Anv. Busto de Cleópatra com diadema e drapeado à direita.
REGV FILIORVM REGVM
Rev. Busto de Marco António à direita, no campo uma tiara,(mitra de Pontífice).
ANTONI ARMENIE DEVITA


Tetradracma,(ateliê monetário incerto, talvez Antioquia) 36-33 a.C..
Anv. Busto de Marco António à direita, no campo, cabeça de cavalo.
Rev. Busto de Cleópatra drapeado, com diadema e colar de perlas à direita.


AE 20 cunhado em Cálcis ou Cálquida ( Fenícia) 32-31 a.C.
Anv. Busto de Cleópatra com diadema à direita.
Rev. busto de Marco António à direita.


Bronze de 80 dracmas, cunhado em Alexandria entre 51-29 a.C.
Anv. Busto de Cleópatra drapeado à direita.
Rev. Águia à esquerda sobre um feixo de raios, cornucópia e valor (P =80).
KLEOPATRAS  Basilis (SHS)


AE 17 cunhado em Cálcis ou Cálquida 32-31 a.C.
Anv. Busto de Cleópatra à direita.
BACILICCHC KLEOPATRAC
Rev. Nice, em grego Niké, (deusa grega que personificava a vitória, representada por uma mulher alada)com uma palma e uma coroa.
ETOY KAKAI TOI G QEAC NEWTERAC 


AE Dichalkon-oitava unidade, cunhado em Pafos ou Paphos (Chipre) 51-30 a.C.
Anv. Busto de Cleópatra à direita.
Rev.  Dupla cornucópia.

AE cunhado na Fenícia 36-35  a.C.
Anv. Busto de Cleópatra com diadema e drapeado à direita.
Rev. O deus Baal com dois grifos à direita.


AE 24 = 40 dracmas cunhado em Alexandria.
Busto de Cleópatra com diadema à direita.
Rev. Águia sobre un feixe de raios à esquerda, dupla cornucópia e M=40.
KLEOPATPAS BASILISSHS 


 Hexachalque ou hemiobolo cunhado em Patras 32-31
Anv. Busto de Cleopatra com diadema à direita.
Rev. Coroa de Isis.


Denário de Marco António e Cleópatra cunhado em Alexandria em 34.
Cleópatra é associada ao prestígio de Marco António, (novo Armeniacus).
CLEOPATRAE  REGINAE  REGVM  FILIORVM  REVV  FILIVVM
(À rainha Cleópatra, rainha dos reis e dos seus filhos que são reis.) 

M. Geada
Bibliographie:
 David SEAR, Roman coins and their values, volume 1, Spink, London 2002, p. 292; David SEAR, Greek coins.
Thibaux; Jean Michel - Le Roman de Cleopatre, Éditions de la Seine,1984.
Daix; Pierre - Cleopatre, Éditions Mengés 1981.
Vanoyeke; Violaine - Antoine et Cleópatre, Éditions Ange Bleu, 2001
http://wildwinds.com/coins/imp/cleopatra/i.html
www.omarlecheri.net
www.historiadumonde
www.fr.wikipedia.org
www.insecula.com

CLEÓPATRA NO CINEMA

Denário 31/32 a.C.
(Museu Arqueológico da Universidade de Newcastle)

   No cinema sob os traços de Elisabeth Taylor e de Richard Burton, em 1963, a rainha do Egipto e o general romano são de  uma beleza perfeita.
  Quase cinquenta anos mais tarde  o mito de uma beleza excepcional bem alicerçado no imaginário colectivo está em vistas de ser desacreditado por um estudo de arqueólogos da Universidade de Newcastle.
   Estes pesquisadores estudaram uma moeda de prata velha de dois mil anos que os representa.
  As análises revelam numa face da moeda, Cleópatra pouco sedutora, dotada de uma fronte inclinada, um queixo pontiagudo, nariz anguloso, e lábios finos.
  Na outra face, figura um Marco António com os olhos proeminentes, nariz adunco e pescoço largo.
  Este também um esboço muito diferente daquele do filme de Joseph L. Mankiwicz.
  Os escritores romanos falam-nos  duma Cleópatra inteligente, carismática, dotada de uma voz sedutora, mas, caso significativo, nunca falam da sua beleza.
  Segundo Lindsay Allason Jones, directora do Museu Arqueológico da Universidade de Newcastle, a ideia de uma Cleópatra bela e sedutora é recente.


    A faraó como símbolo da beleza no imaginário ocidental data de Willian  Shakespeare que no seu “António e Cleópatra” descreve assim a rainha. “A idade não pode desvanecer a sua imagem, nem esgotar a infinita variedade das suas qualidades”.
    Pascal Blaise em 1670 escreveu na sua obra “Pensées” que se o nariz de Cleópatra tivesse sido mais curto teria mudado a face do mundo.
   Mas o cinema de Hollywood, com Claudette  Colbert, Vivien Leigh depois com Elizabeht Taylor, persistiu em magnificar a imagem da faraó.

M.Geada


 



sexta-feira, 24 de agosto de 2012







CONSTANTINO I
    Desde sempre,  existiram  personagens  que nasceram e deixaram marcas indeléveis, que uma vez desaparecidos, continuam vivendo graças aos seus feitos.
   Muitas vezes estas personalidades foram inventores, exploradores ou grandes pensadores. Analisando estes prodígios à escala universal são poucos homens ou mulheres que deixaram uma herança durável à humanidade.
   Podemos afirmar de forma inequívoca que o imperador Constantino I, 306-337, faz parte  dessa rigorosa selecção. Na nossa opinião, um dos maiores.
  Constantino, (Flavius Valerius Aurelius Claudius Constantinus) nasceu a 27 de Fevereiro de 274, em Naissus, Mésia(actual Nis na Sérvia). Era o filho mais velho de Constâncio Cloro oficial do exército romano, que mais tarde será imperador, e Helena (Santa Helena).
  Constantino cresceu nos campos  militares e serviu sob Diocleciano. Foi  proclamado   César no ano 295, e Augusto pelas legiões no ano 306, após a morte do seu pai.
   Homem aguerrido e inteligente, mostrou as suas capacidades militares nas campanhas contra os sármatas e germanos, e qualidades políticas nas relações com os diversos Augustos que lhe disputavam o governo do Império.
  Fervente admirador da justiça e da verdade, a sua conversão ao cristianismo a partir de 312, não foi unicamente um cálculo político, mas também uma autêntica escolha religiosa.
  Mas esta sua admirável faceta, não pode esconder outra menos brilhante do personagem. Afectado por um grande orgulho e ávido de elogios desmesurados muito nocíveis para a sua reputação, ao ponto de se deixar influenciar pelos seus próximos.
  Incapaz de se dominar, utilizou a violência e o crime para alcançar os seus objectivos.
  Esse combate perpétuo com ele próprio com aspirações místicas e violências impulsivas, fazem a sua vida singularmente dramática.
  Constantino cresceu em Nicomédia na corte de Diocleciano. Será que este o tomou sob a sua protecção para o preparar à sucessão do pai, ou para se assegurar a fidelidade deste último?
   Sob a tutela de Diocleciano, Constantino recebeu uma educação principesca, ao mesmo tempo que iniciou uma carreira militar
  Quando em 305, Diocleciano abdica e passa o testemunho a Galério, Constantino ficou ou foi obrigado a ficar com o novo imperador, ainda que muito decepcionado por não ter sido designado César do seu pai  Constâncio, que  também não ficou satisfeito de não ter o filho como próximo colaborador, e ter que colaborar com Severo, (um protegido de Galério), como César.
 No ano 306, com alguma renitência Galério consentiu que Constantino colaborasse com o pai que há muito tempo o reclamava.
  Pai e filho encontraram-se em Boulogne,( a história conta que Constantino mandava mutilar todos os cavalos das estalagens por onde passava, e assim impedir que os soldados de Galério o apanhassem e levassem para a corte imperial, porque entretanto o imperador tinha decidido não o deixar  colaborar com o pai) e juntos foram para a Bretânia combater os Pictos(antigos habitantes da Escócia) que se tinham revoltado.
  Quando Constâncio Cloro faleceu (25 de Julho de 306, em Eburacum york) e os soldados proclamaram o seu filho Constantino à dignidade de  Augusto, Severo não aceitou esta promoção e só lhe concedeu a de César. Constantino pressentiu que a sua hora ainda não tinha chegado, abdicou da escolha dos soldados e aceitou a proposta de Galério.
  Para os  historiadores, ainda que Constantino só tenha o título e a função de César, eles calculam o período do seu reinado a partir da morte de Constâncio.
  Constantino que controlava a Bretânia e a Gália, no dia 21 de Março 307, após a captura de Severo II, fez-se proclamar Augusto pelos soldados.
  Receando que Constantino fizesse aliança com Galério e se virasse contra o filho, Maximiano deslocou-se à Gália e fez um pacto com ele no dia 25 de Dezembro 307.
  Em Novembro de 308, aquando de uma entrevista em Carnuntum(Panónia), Diocleciano, Maximiano e Galério, substituiram Constantino por Licínio, um novo protegido de Galério.
  Constantino não aceitou esta nominação: em 309-310, terminou com a domus divina do pai, “Domus Herculiana”, manisfestando assim o seu desejo de terminar com o sistema instituído por Diocleciano.
  Para revelar a sua vontade de criar um novo sistema de governo onde só exite lugar para um só homem no cimo da pirâmide, ele pôs-se sobre a protecção  de outro deus; o Sol Invictos.
  A sua vitória sobre  Maxêncio na batalha do Ponte Mílvio dia 28 de Outubro 312, decidiu definitivamente o reconhecimento do cristianismo como religião oficial do Império.
 
MARCVS AVRELIVS VALERIVS MAXENTIVS, 306-312
Follis cunhado em Óstia (desconhecemos o período de actividade deste atelier)
Anv. Busto laureado de Maxêncio à direita,  IMP C MAXENTIVS PF AVG
Rev. Os Dioscuros Castor e Pólux, AETERNITAS AVG N

  No ano 324 depois de vencer Licínio junto ás muralhas de Roma, passou a ser o único governador do Império.
  Ainda no mesmo ano Constantino decidiu fundar uma nova capital para o Império, e transformou a cidade grega de Bizâncio numa nova Roma à qual deu o seu nome: Constantinopla, que foi inaugurada com toda  a pompa e circunstância em 330.
    A cidade foi construída num sítio natural defensivo que a tornava práticamente invencível, numa época em que Roma estava constantemente sob a ameaça dos germanos.
  Situada  perto de algumas  terras da velha cilvilização helénica; Constantino construiu-a segundo o modelo de Roma. Sete colinas, catorze regiões urbanas, um Capitólio e um Senado.
  Se no início, ele permitiu a implantação de alguns templos pagãos, num curto espaço de tempo Contantinopla  passou a ter unicamente edifícios religiosos cristãs, e uma população de 100 000 habitantes.
  Além do palácio imperial Constantino também mandou construir o hippŏdrŏmŏs (hippŏdrŏmus), hipódromo(novo nome atribuído aos circos romanos) e a famosa igreja de Santa Sofia.
  Até agora podemos argumentar que Constantino foi um imperador como os outros: nasceu para reinar. Muito astuto, impôs algumas obrigações a Maximiano(que o levaram a cometer suicídio) e mais tarde a execução de Licínio são exemplos que ilustram os seus futuros projectos.
  Para ascender ao poder, teve que seguir o mesmo caminho tortuoso que os  seus antecessores. No entanto, algo de incomum irá motivá-lo a seguir um rumo que não estava previsto. Esta nova orientação vai fazer dele uma das figuras mais respeitadas da história de Roma e da humanidade.

FLAVIVS VALERIVS LICINIANVS LICINIVS, co-imperador 308-324.
Follis cunhado em Alexandria, 317-320.
Anv. Busto laureado e drapeado de Licínio à esquerda - IMP LICI NIVS AVG
Rev. Jupiter à esquerda com um ceptro e um globo – IOVI CONSER VATORI AVGG
 
   No início do seu reinado o cristianismo passou  a ser mais tolerado e a sua propagação começou a  estendeu-se a todas as classes sociais.
  Constantino acabou no entanto por entrar na história, como primeiro imperador romano a professar o cristianismo, na seqüência da sua vitória sobre Maxêncio na Batalha da Ponte Mílvio em 28 de outubro de 312, perto de Roma, que ele mais tarde atribuíu ao Deus cristão.
  Segundo a tradição, na noite anterior à batalha sonhou com uma cruz, e nela estava escrito em latin: In hoc signo vinces - "Sob este símbolo vencerás".
   De manhã, antes da batalha, mandou que pintassem o simbolo cristão nos escudos dos soldados e conseguiu um vitória esmagadora sobre o inimigo.
   (Esta narrativa não é considerada um facto histórico, tratando-se antes da fusão de duas narrativas de factos diversos encontrados na biografia de Constantino pelo bispo Eusébio de Cesaréia, também conhecido por Eusebius Pamphili.)
                    
Constantino I, 306-337                                           Cristograma
Ae 3 cunhado em Constatinopla
Anv. Busto de Constantino laureado à direita – CONSTANTINVS MAX AVG
Rev. Estandarte com cristograma e serpente - SPES PUBLICA

   Esta foi a  decisão mais importante da sua vida. Em 313 o cristianismo recebeu reconhecimento oficial de todo o Império Romano. Foi o édito de Milão, que garantiu a liberdade do culto, e a seita foi livre de exercer a sua actividade fora  das catacumbas.
  Ele lançou as bases do Vaticano e da Igreja de Santa Sofia em Constantinopla, a nova capital do império. No Concílio de Niceia, ele rejeitou o arianismo, foi um dos maiores apoiantes do dogma da Trindade, e mandou erigir  as primeiras estátuas cristãs.
  Constantino I considerava-se superior ao papa da época(São Silvestre 314-335). Também no seu reinado um édito imperial fez do domingo um dia de repouso. Tendo sido um defensor da fé cristã, ele mereceu sem dúvidas o título de “O Grande”.
 É a Constantino que se deve a expansão judaico-cristã na Europa.
          
Constantino I, 306-337                                       
Follis cunhado em Siscia, 313-315.
Anv. Busto laureado de Contantino à direita – IMP CONSTANTINVS PF AVG
Rev. Jupiter à esquerda com uma vitoria na mão direita e um ceptro na esquerda
IOVI CONSERVATORI AVG DNN

   Em 326, sua mãe Helena, também se converteu  ao cristianismo durante uma viagem que efectuou a  Jerusalém. É a Helena que se deve a invenção da Santa Cruz. Doravante  estava tudo preparado para a expansão da fé cristã. A religião católica romana tinha nascido.
  Sob o governo de Constantino I, a representação dos diferentes deuses nas moedas romanas começou a diminuir. Foi ainda durante o  seu reinado que o follis vai deixar de ser unidade de conta.
  O solidus apareceu pela primeira em 310 e foi cuhado em Tréveros.

Flávia Júlia Helena, nasceu em Bitínia cerca de 248.(faleceu com 80 anos)
AE 4 Cunhado em Constantinopla, 330.
Anv. Busto de Helena com diadema à direita – FLIVL HE LENA AVG
Rev. A Pax com um ceptro e de frente, olhando para a esquerda, PAX PU BLICA
 
  Podemos dizer que o reinado de Constantino, marcou uma ruptura com a antiga Roma.
  Com ele tudo mudou. As várias religiões que existiam vão desaparecendo aos poucos em favor do cristianismo. A Roma do passado deixou de existir. A  sobrevivência da religião cristã deve-se a Constantino.
 O nosso método de ver ou pensar, está ligado ao sonho deste grande imperador que foi um dos personagens que mais influenciaram o nosso modo de vida. A seita cristã não poderia sobreviver  enquanto religião semi-legal e os cristãos  teriam provavelmente outra religião.
 Constantino, permaneceu até ao fim do seu reinado marcado pela fé que o inspirou, mas só foi  batizado nos últimos dias da sua vida e, pouco antes de sua morte proclamou-se o décimo terceiro apóstolo.
  Segundo a lenda, foi enterrado com 12 túmulos vazios, e mandou que parte da sua fortuna fosse dedicada à construção de basílicas cristãs.

    
Constantino I, 306-337
AE 4  póstumo, cunhado em Alexandria, 337-340.
Anv. Constantino com um véu na cabeça virado à direita, CONSTANTINVS  PTA AVG.  Rev. S R  SMAL
Rev. Constantino numa quadriga a subir ao céu com os braços estendidos, para alcançar  a mão de Deus.
 
   Graças ao imperador Constantino I e à sua geração, “o mal cristão” tão criticado e punido pelos seus antecessores iria espalhar-se aos quatro cantos do império e do mundo
  Constantino faleceu dia 22 de Maio de 337. Seguiu-se um interregno até Setembro de 337, durante o qual o ramo colateral da família de Constantino foi sistemáticamento eliminado por instigação de Constâncio II, excepto Constâncio Galo que na ocasião se encontrava muito doente, e Julião que contava apenas seis anos de idade.
  Após a morte de Constantino os seus filhos mandaram cunhar uma importante série de moedas onde a iconografia pagã (rosto coberto com um véu e carro triunfal) acompanha os símbolos cristãos, “a mão de Deus estendida ao imperador”.

M. Geada

Bibliografia

Bourgey; Sabi ne, Hollard; Dominique-L’Empire Romain, Tome III, 235-337, ap. J.C. Editions Errance, Paris 1991.           
Zosso; François, Zingg; Christian., Les Empereurs Romains(27 av.J.C. - 476 ap.J.C.
Editions Errance, Paris 1994.
Depeyrot;George-La monnaie Romaine, Paris, 2006.         
http://www.chrisnumismatique.com/periodes.asp?periode=95&categorie=6

quarta-feira, 22 de agosto de 2012






Júlia  Domna
Uma Síria que governou Roma

    Quando à cerca de trinta anos num lote de moedas encontrei uma que não consegui identificar, estava longe de imaginar a paixão que viria a ter pela numismática romana.
   A moeda em mau estado de conservação despertou a minha curiosidade pela sua irregularidade, deixava entrever os traços do rosto de uma mulher. Na minha época de ajuntador, habituado a ver moedas bem redondas.
  Passado algum tempo  soube que era  um sestércio da imperatriz Júlia Domna, esposa de Séptimo Severo, mas que pouco valor tinha  devido ao seu estado de conservação.
     Começou então a minha pesquisa sobre a vida desta síria que segundo uma profecia astrológica estava destinada a desposar um rei, mas  não presagiava que um dia governasse Roma. Pesquisa que originou um enorme desejo de ir mais além que se alargou a outras moedas, e me levou a escrever o livro História dos Monumentos Romanos Contada Através das Moedas.   
    Segundos alguns históriadores Júlia Domna nasceu em Émeso (Síria) no ano 158. Era filha de Julius Bassianus grande sacerdote do templo de Émeso dedicado ao deus Baal, e casou com Séptimo Severo um senador de origem líbia, na ocasião governador da Gália Lionesa, no ano 180.
   A história regista que Séptimo Severo escolheu Júlia Domna para sua esposa porque o seu horoscópio predia estar destinada a ser rainha.
   Séptimo Severo já era viúvo e tinha mais de quarenta anos quando casou com Júlia Domna, o que indica que havia uma diferença de pelo menos vinte anos entre os esposos.
   Após o casamento, Júlia Domna deixou a terra natal e seguiu, sempre, o esposo no exercício das suas funções; Lião(Gália)cidade em que no dia 04-04-188, ela deu à luz Marcus Aurelius Antoninus Bassianus (futuro Caracala) (1). Na Sicília, Milão e Roma, cidade onde no dia 27-05-189, nasceu Lucius Publius Septimius Geta, e Panónia(actual Hungria)de 191 a 193.
  Muito inteligente, culta, curiosa, ávida de aprender, fez da corte de Séptimo Severo um centro de vida mundano e de actividades intelectuais. Gostava de conviver com filósofos e escritores. Filóstrato, Ulpiano, Paginiano e outros, eram alguns dos seus amigos.
   A guerra cívil de Abril de 193 perturbou muito a vida do casal. Depois da morte de Pertinax (sucessor de Marco Aurélio), Pescinnius Niger, Clodius Albinus, e Séptimius Severus , foram aclamados imperadores e generais chefes  das suas respectivas legiões repartidas em Antioquia(Turquia), na Bretanha (Inglaterra)e Carnuntum (Panónia).
   Iniciou-se então uma luta pelo poder, Séptimo Severo, o primeiro a chegar a Roma em 9/06/193, eliminou os seus rivais: Pescinnius Niger em 194, e influenciado por Júlia Domna que compreendeu o perigo da divisão de poderes, declarou a guerra a Clodius Albinus, que na ocasião (em 197) se encontrava na Europa Ocidental .
   Vencido, este suicidou-se, e Séptimo Severo, montado no seu cavalo, espezinhou o cadáver.
   Aclamado imperador Séptimo Severo e Júlia Domna instalaram-se em Roma.
   Em compensação dos preciosos conselhos militares que Júlia dá ao esposo e pela sua constante presença junto das legiões, a imperatriz é nomeada MATER CASTRORVM (Mãe dos Campos). (Só Faustina, a Jovem, esposa de Marco Aurélio, tinha sido honorificada com este título.) Foi a primeira mulher a entrar na Cúria Romana tal foi a sua influência na política do império!
  O regresso de Júlia Domna a Roma não foi bem aceite por C. Fluvius “Plautianus”, o melhor amigo de Séptimo Severo. Nomeado Prefeito do Pretório, Consul e enobrecido, a sua influência era tanta que no ano 202 obrigou Caracala a casar com a sua filha Publia Fluvia “Plautilla” que Caracala detestava, e que segundo a história nunca teve relações íntimas com ela, por desconfiar da ambição do sogro.
   Para descreditar Júlia Domna, Plautianus acusou-a de adultério mas Séptimo Severo não lhe prestou atenção.
   Usando a sua ascendência sobre seu filho Caracala, Júlia pediu-lhe para  assassinar Plautianus e repudiar Plautilla, o que este fez.
   A imperatriz é mãe de dois potenciais sucessores. No ano 195, Caracala é nomeado César e Augusto em 198. Para evitar desigualdades e ciúmes entre os filhos, Júlia conseguiu que Geta fosse nomeado César em Janeiro de 198, mas só onze anos mais tarde será nomeado Augusto.
  Segundo a história, Caracala era o filho preferido de Júlia, e os difamadores afirmavam que esta mantinha relações incestuosas com o filho. Os alexandrinos alcunharam-na de Jocasta (2).
   Algumas moedas da imperatriz cunhadas em diferentes épocas, têm gravados, os seus títulos honoríficos: MATER CAESARI em 195, MATER AVGVSTVS ET CAESARIS em 198, e MATER AUGVSTURVM em 209.
   Como o  imperador gostava de publicitar a família imperial e a fecundidade da esposa, mandou cunhar em moedas a imperatriz ladeada pelos filhos.
  O principado de Séptimo Severo foi movimentado devido à guerra com os partos (3) no ano 204 .
  No mesmo ano, os jogos séculares organizados em Roma foram presididos por Júlia Domna  (4) . Em 208 a família imperial deslocou-se à Bretânia, (Inglaterra) para repelir os calédonios, território que Roma há muito tempo tentava conquistar, mas sem êxito.
   Durante três anos a imperatriz permaneceu nas primeiras linhas ao lado do seu conjugue, e assistiu à assinatura do tratado da paz em 211. Encontrou e dialogou com as esposas dos chefes bretães, e só regressou a Roma após a morte natural devida ao cansaço das campanhas militares do marido em Eburacum (York) no dia 4 Fevereiro do mesmo ano.
   Depois da  morte de Septimo Severo, Júlia Domna encontrou-se no poder com os filhos, então com as idades de 22 e 23, anos mas que se destestavam mutuamente.
  Durante o reinado do marido ela conseguiu manter uma certa igualdade nos títulos concedidos aos filhos, mas os partidários de Caracala e de Geta guerreiam-se entre si para porem o seu lider a governar.
   A partilha do império chegou mesmo a ser prevista. A rainha mãe opôs-se porque temia que originasse uma guerra civil.
   (Segundo o historiador Herodiano 170-250 , (5) para acalmar os filhos, ela pronunciou as seguintes palavras.) Meus  filhos, vós encontrareis uma maneira pacífica de usufruires da terra e do mar, pensem bem que as águas do Ponte (Mar Negro) separam os dois continentes. Mas nossa mãe como faríeis vós a partilha? E como é que eu me vou ver na minha infelicidade com o coração repartido entre vós os dois?
  Matar-me; que cada um de vós pegue em metade do meu corpo, e sepulte parte da minha pessoa. Podeis fazer com o corpo da vossa mãe a mesma repartição que pensais  fazer com a terra e o mar.
   A partilha do império foi anulada, mas Caracala projectava assassinar o irmão, e mesmo a mãe, se esta lhe fizesse oposição. Foi assim que no dia 27 de Fevereiro 212, Caracala assassinou Geta com um golpe de espada quando este procurava refúgio nos braços da mãe.
   Na impossibilidade de condenar o fratricídio, a imperatriz colabora e governa com Caracala, participando nas cerimónias políticas, religiosas e públicas como tinha feito com Séptimo Severo.
   Ao mesmo tempo recebeu novos títulos MATER POPVLI ROMANI  e mesmo o de MATER VNIVERSI GENERIS HVMANI.
Entre 213 e 216, quando Caracala se encontrava  à frente das legiões a combater contra a Germânia e contra os partos, Júlia Domna deixou Roma e foi viver para Antioche onde se ocupava da correspondência do imperador.
  Assinava pessoalmente as cartas enviadas para o Senado, e discutia com o filho sobre questões económicas relativas ao soldo dos legionários.
   Os romanos sentiram-se ofendidos com a participação da Mater Populi Romani na gestão dos assuntos do império. A imperatriz introduz igualmente em Roma novas modas e  costumes oriundos do Oriente, nomeadamente novos penteados e perucas.
   No ano 217, Júlia Domna, encontrava-se em Antioche quando recebeu uma mensagem a preveni-la de uma conjuração contra o imperador. Não pode advertir o filho a tempo, e teve conhecimento da sua morte, assim como da tomada do poder por um dos conjurados; Macrino, um antigo amigo de Plautianus.
  Júlia Domna, já com cinquenta anos ainda tentou reconquistar o poder com a ajuda  da guarda pretoriana, em Antioche, mas sem sucesso. Vencida, Macrino consentiu que ela conservasse a sua fortuna pessoal e regressasse a Émeso, local onde faleceu em 211, vítima de greve de fome e de um cancro da mama, que há muito a fazia sofrer.
  O seu corpo foi transladado para Roma e sepultado no mausoléo de Augusto.

(1)Caracala, cognome dado ao imperador por este vestir com muita frequência um casaco comprido com capucho de estilo gaulês, chamado “caracala”.
(2), Mãe de Édipo com quem casou sem saber que era seu filho, desta união incestuosa nasceram Etéocles, Polinices, Antigona, e Ismene. Enforcou-se de angústia quando teve conhecimento que praticou incesto.
(3), Povo estabelecido entre o Mar Cáspio e o Lago ou Mar de Aral
(4) Séptimo Severo organizou os jogos seculares baseando-se no calendário etrusco, que tinha a particularidade de contar 110 anos.
(5) História dos Imperadores Romanos de Marco Aurélio a Gordiano, 4, 3, 8-9.
            
  Áureo                                                                         
 Anv. IVLIA AVGSTA                                    
 Rev. LAETITIA   
                                         
Áureo
Anv. IVLIA AVGUSTA
Rev. DIANA LUCIFERA

Áureo    
Anv. IVLIA AVGVSTA   
Rev. AETERNIT IMPERI   
(Caracala e Geta)        

Áureo
Anv. SEVER P AVG PM TRP X COS I I I
Rev. FELICITAS SAECVLI
(Caracala, Júlia Domna e Geta)
 
Asse
Anv. IVLIA AVGVSTA
Rev. MATER CASTRORVM 
(Mãe dos Campos)
                               
Denário
Anv. IVLIA AVGVSTA
Rev. MATRI CASTRORVM
(Mãe dos Campos)
Áureo
Anv. IVLIA AVGVSTA
Rev. MATER AVGG   
(Mãe dos Augustos) 
Asse 
Anv. IVLIA AVGVSTA  
Rev. MATER AVGG / SC
(Mãe dos Augustos)
Denário
Anv. IVLIA AVGVSTA
Rev. MATER AVGG
(Mãe dos Augustos)


Áureo

Anv. IVLIA PIA FELIX AVG

Rev. MAT AVGG MAT SEN M PATR

(Mãe dos Augustos, mãe do Senado, mãe da pátria)

Sestércio
Anv. IVLIA PIA FELIX AVG 
Rev. MAT AVGG MAT SEN M PATR /SC 
(Mãe dos Augustos, Mãe do Senado, Mãe da Pátria)
Denário
Anv. IVLIA PIA FELIX AVG
Rev. MAT AVGG MAT SEN M PATR
(Mãe dos Augustos, Mãe do Senado, Mãe da Pátria)
Áureo 
Anv. SEVERVS PIVS AVG 
Rev. COS III  LVDOS SAECVL FEC 
(Jogos seculares) 
Áureo
Anv. SEVERVS PIVS AVG
Rev.LAETICIA TEMPORVM
(Jogos seculares)  

Nota:
É sempre muito difícil escrever alguma coisa sobre factos que aconteceram nesta época. Nas diversas obras que consultei e na internet, datas e factos divergem. Optei pelo que me pareceu mais verosímil. Quem efectua pesquisas sobre este ou outros assuntos antigos, sabe o quanto é difícil optar por um ou outro facto ou data. Desculpem algum eventual erro.


M. Geada

Bibliografia:
   Zosso; François / Zingg; Christien-Les Empereurs  Romains, 27 a.C.- 476 d.C.
Paris, 1984.
   Weber; Frederic-Monnais Romaines, volume I
 Cohen; Henri-Description Historique des Monnaies Frappées sous L’empire     Romain volume IV, Paris 1884.
  Michel; M. Galléazzi-Dictionnaire Latin-Français, appliqué aux inscriptions monnétaires romaines; Revigny 1994.
  Sear; David R- Romain Coins and their values II- London, 2002, Spink, p.491. fig. 6562.
http://www.empereurs-romains.net
http://www.wildwinds.com