quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A MOEDA,  TESTEMUNHO DA HISTÓRIA

    Moulay Sulayman   

    Quando apanhamos o vírus do coleccionismo, as questões que emergem sobre datas, personagens, ou  a decoração das peças, trazem-nos constantemente de regresso à história.
    Para tratar este assunto vou servir-me de uma questão que tem a vantagem de nos fazer viajar no espaço e  no tempo, o que permite fazer a ligação com os nossos campos de interesses.
   Porquê o aparecimento do Sêlo de Salomão  nas moedas de bronze do rei marroquino Moulay Sulayman 1206-1238 H(1792-1822), ?
     Para começar, penso que vale a pena assinalar que na cultura árabe, o valor que é dado ás moedas de ouro, de prata ou bronze, não é comparavel ao que lhes é atribuído no mundo ocidental, que estabelece a base do seu valor quase exclusivamente na nobreza do  metal.
   Nos países árabes, as moedas de ouro ocupam um lugar de destaque nos dotes e grandes transações, enquanto as de bronze são consideradas como um metal pouco nobre.   
   No início do reinado de Moulay Sulayman, a situação económica e financeira do país era tão desastrosa, que era práticamente impossível, ao sultão, produzir moedas de prata para as suas transações devido à indisponibilidade de metais preciosos.
   Ao mesmo tempo que permitia a livre circulação das moedas de prata europeias, Moulay Sulayman, teve a brilhante ideia de substituir o dirham, moeda de prata do país, por uma de bronze marcada com o Sêlo de Salomão no anverso e, por vezes nas duas faces da moeda.
  Chamadas  “Fels Slimane”, (Fels Moulay Sulaymam) essas moedas têm uma figura hexagonal em forma de estrela, formada por dois triângulos equiláteros entrecruzados, com um ponto no centro.

 
4 Fels N.D.(Hégira, 1206-1238), 30mm bronze, sem marca de ateliê, (KM 103)
   
Como é que um simples  símbolo consegue  que a população aceite uma moeda cunhada com um metal  pouco prestigiado?
   Claro que  podemos avançar com a hipótese que foi o Sêlo de Salomão, agora marca do sultão Moulay Sulayman, a causa desta aceitação. É possível, mas os historiadores pensam não ser esta, uma razão suficiente para explicar a reacção positiva da população.
    De notar qua a utilização do Sêlo de Salomão no fels de bronze, foi sempre aprovada pelo povo e durou mais de 100 anos. Só no ano  1310 H, numa tentativa de modernizar a aparência das moedas, é que o Sêlo de Salomão foi substituído, o que deu origem ao descontentamento da população.
   A figura hexagonal era originariamente um escudo feito com duas peles unidas com um rebite de bronze, o que  segundo a  filosofia antiga e medieval, reúne num só símbolo os quatro elementos naturais : fogo, água, ar e terra.
   Como sinal mágico, ele actua como medida preventiva; como um escudo protector. Além disso o seu efeito é reforçado pelo facto de também representar um par de olhos convencionais; uma proteção contra o mau olhado, um poder mágico e um direito.

  
3 Fels N.D. (Hégira, 1206-1238), 25mm bronze sem marca de ateliê, (KM 99.2)

    Temos então nas moedas de bronze do sultão Moulay Sulayman um Sêlo de Salomão que serve de mensageiro ao sultão e, ao mesmo tempo é um sinal de proteção.
    A sua forma particular, com um ponto ao centro que representa um olho, é exclusiva para as moedas de bronze, porque este é considerado um metal pobre extraído das minas e do fogo da fundição, lugares que são frequentados por espíritos malignos e caracterizados por um odor particularmente desagrádavel, que lhe valeu o apelido “del-muntin” (o malcheiroso).
   Com este sinal (o ponto no centro), o metal perde os malefícios da sua origem para passar a ser um objecto benéfico.
   Podemos reconhecer em tudo isto a tenacidade que subsiste das crenças pagãs,  que não são únicamente exclusivas ao Ocidente Muçulmano.
   Moulay Sulayman teve uma excelente  ideia ao introduzir nas moedas de bronze o Sêlo de Salomão. A população,  há mais de vinte anos privada de moedas de prata cunhadas em Marrocos, aceitou-as sem contestar.
   As transações eram feitas com moedas europeias de prata, e com os famosos fels marcados com o Sêlo de Salomão. Esta estratégia salvou Marrocos da crise e, permitiu a estabilização da moeda de prata que tinha perdido 20% do seu valor e  a sobrevivência do comércio externo e interno.
   Aos poucos o dinheiro entrou nos cofres do Estado, o que permitiu ao sucessor  de Moulay Sulayman cunhar novamente moedas de prata. 


1 Fels A.D. Hégira,,1211(1796), 22 mm Bronze, cunhado em Fez,(KM 99.5)
  
   Esta página de história marroquina  sobre  as moedas de bronze cunhadas durante o reinado de Moulay Sulayman, é simplesmente um exemplo de como a moeda é um reflexo da história dos povos.
  O calendário muçulmano começou no ano 622 d. C., o ano da Hégira (fuga de Maomé de Meca para Medina).

M. Geada

BIBLIOGRAFIA

KRAUSE; Mishler(KM)  - Standard Catalog of World Coins
(1) EUSTACHE;  Daniel - Corpus des Monnaies Alawites . Banque du Maroc, 1984













sexta-feira, 14 de setembro de 2012


NA PROCURA DO DINHEIRO DE JUDAS


   Tentar reconstruir uma história acerca do dinheiro que tenha sido objecto de troca na célebre traição de Judas, deveria, como trabalho de investigação, obedecer e respeitar certas características sobre o seu conceito e objectividade.
  Em primeiro lugar exigirá o respeito pelo seu argumento histórico, e obviamente, uma comparação sobre as suas fontes, como forma da salvaguardar o melhor possível, tanto a sua fiabilidade, como a credibilidade, de que precisamos para corroborar os factos.
  Infelizmente, neste caso, essa análise comparativa não será de todo possível, visto a sua génese, ter como único elemento de documentação, alguns legados evangélicos dos Apóstolos S. Marcos, S. Lucas, S. João e S. Mateus. Tudo o que realmente possuímos e sabemos sobre a traição de Judas, é-nos relatado por esses escritos bíblicos, e por isso também a análise terá de ser cautelosa e consciente, sobre a forma como o sentido místico em interpretações ulteriores, poderá ter tido influência e criado limitações quanto à veracidade dos factos.
  Por tudo isto, nesta minha análise interpretativa deste “caso” histórico, pela sua forma intuitiva, torna-se mais empírica que científica.
  Terá sido no ano19 d.C. no reinado do imperador Tibério que Jesus Cristo foi crucificado.
  Nesse tempo, a Judeia era então uma província romana, e como tal nela se aplicariam as principais decisões que vinham de Roma. Seria portanto natural que a moeda principal que circulava fosse romana, ou provincial romana, embora se tenha conhecimento de que a algumas outras moedas fosse permitida a sua circulação, como o exemplo das moedas da dinastia de Heródes.
  Na generalidade da literatura, argumenta-se que Judas terá recebido pelo préstimo da sua traição, trinta moedas de prata. Neste ponto creio que todos os historiadores convergem.
  No meu ponto de vista, e para passar aos factos, pela característica que conhecemos hoje das moedas que então terão circulado, excluo as moedas de ouro como o”áureo”, o ”quinário” em prata, assim como os “sestércios”, “dupôndios” e “asses”, geralmente cunhados em bronze.
  Interessante salientar contudo, que no reinado de Tibério, só foram cunhados dois tipos de “denário”(denário do latim denarius) em prata. Não havendo conhecimento de que tenha sido cunhado nenhum outro tipo de moeda em prata, durante o período deste imperador 

Tibério, Denário emitido no ano 14 d.C. em Lião (França) 3,78grs.

    O primeiro denário, cunhado no ano 14 d.C. em Lião, apresenta no anverso o busto do imperador Tibério com a legenda “TI CAESAR DIVI AVG F AVGVSTVS”. No reverso apresenta Lívia, (sua mãe) ou a Pax, sentada, com um ramo de oliveira na mão esquerda, e um bastão na mão direita, com a legenda “PONTIF MAXIM”. ( Há divergências acerca da  figura do reverso).
   O segundo, terá sido cunhado no ano 16 d.C., e igualmente em Lião. Também este apresenta no anverso, o busto de Tibério, com a mesma legenda do primeiro. No reverso, apresenta o imperador conduzindo uma quadriga, com a legenda “TR POT XVII IMP VII”. O seu peso era variável, e valeria o equivalente a dez “asses”.
   Temos então, que estas moedas circulariam em todo o império, aquando da morte de Jesus Cristo. E, poderíamos concluir, que qualquer destas moedas “denários”teria grandes probabilidades de ter servido de aliciamento no negócio que propuseram a Judas. Mas, porque não inclui-los também misturados com outras moedas, ou simplesmente um outro tipo de moeda em prata?
   Alguns elementos substanciais transmitidos no legado dos quatro apóstolos servem para esclarecer algumas dúvidas sobre estas hipóteses.
   Hoje, no nosso quotidiano, e na nossa cultura, utilizamos o termo “dinheiro”. Mas, na ligação que se lhe faz, quando se menciona este caso de Judas, a palavra “dinheiro”, terá evoluído, e colado na sua identificação popular, aparecendo o termo tanto na literatura, como no cinema, e em que usado desta forma, se estará a deformar uma realidade histórica.

Denário emitido no ano 16 d.C. em Lião - 3,94grs.

   Nas sagradas escrituras, no que pesquisei, não vi mencionada a palavra “dinheiro”. Uma bíblia editada em 1859, que folheei numa biblioteca, foi-me bastante útil.
   Dos quatro evangelistas que se referem a este caso, dois deles, S .Marcos e S. Lucas, afirmam que Judas vendeu Jesus, mas sem dar pormenores sobre o montante do negócio.
   No evangelho de S. João, faz referência a trinta moedas de prata.
   É contudo, S. Mateus que na sua narração, nos poderá esclarecer mais sobre este assunto.
   Acusando o seu condiscípulo Judas, por este ter vendido o Mestre pela soma de trinta “siclos”de prata. Teria ele sido colector de impostos para falar desta maneira tão formal, no que se refere a “siclos”de prata?
  Não encontrei nada, que me tenha dado indicação de que alguma vez se tenha usado a palavra “siclo” em referência  ao assunto que tratamos.
   O termo “siclo” é conhecido como uma medida antiga, que equivalia a 6 gramas de prata.
   Mas na narrativa de S.Mateus, também poderia ser a moeda de prata utilizada por fenícios e hebreus, que em hebraico era designado por “shekel”.
   É pois muito provável que Judas tenha traído, e sido pago com 30 (trinta) “shekels” de prata.
   Julgo que naquela época, o único tipo de moeda de 1 (um) shekel em prata que circulou na região tenha sido o “shekel” dito de Jerusalém (como nas moedas de Tiro).
   Era uma moeda que pesava mais ou menos 14 a 15 gramas, e circulou em grande quantidade, tendo sido feitas várias cunhagens deste tipo de moeda. Uma delas foi precisamente no ano 33 d.C. O ano da suposta morte de Jesus Cristo? Aqui também existem muitas divergências, embora as datas que aparecem com mais frequência sejam entre os anos 30 e 33 d.C.
  O “shekel de Jerusalém” em baixo retratado, apresenta no anverso o rosto do antigo deus Melkart, também conhecido por Baal, virado à direita, e no reverso apresenta uma águia virada à esquerda.

Judeia, Shequel de prata 14,27grs. cunhado em Jerusalém 12/11 a.C., (provavelmente terá servido de tributo a Judas) A efígie de Melkart é totalmente diferente do shekel de Tiro.

   Atendendo a que o preço de um escravo, naquela época, seria de 180 g de prata, poderemos calcular que Judas no negócio efectuado, teria vendido o Mestre por cerca de 4,250 Kg de prata.
  Creio pois, ser o “shekel de Jerusalém” a mais provável moeda que procuramos identificar nesta história, pese embora o risco de decepcionar alguns coleccionadores que já possuam uma, ou as duas variantes do “denário” de Tibério, denominados por “dinheiro de Judas”.
   Contudo, estes dois “denários” continuam a ser extremamente interessantes, quem sabe se não terão sido utilizados pelos soldados romanos que guardavam o sepulcro, enquanto jogavam aos dados sobre a túnica de Jesus Cristo, o que lhes confere sempre uma grande história.
   O que lamentamos, é que ao longo dos tempos o conceito que nos parece mais plausível para esta história, por motivos menores, se tenha adulterado, e sobreposto ao texto original.
   Dizer que Judas entregou Jesus Cristo por 30 dinheiros, sempre é mais cómodo que dizer, Judas entregou Jesus Cristo por 30 shekels.
   Afirmar quais as moedas que pagaram a traição de Judas, é tarefa difícil, senão impossível.
   Denários da época de Augusto? Dracmas, siclos, ou shekels?
   Pouco provável é que tenha recebido denários de Tibério. Isto porque mesmo as cunhagens em grande quantidade, demoravam muito tempo a entrar em circulação, sobretudo nas províncias longínquas do império, como a Judeia onde circulavam muitos tipos de moeda.
   Esta questão, levantou-se na Idade Média, e foi proposto ou entendido pelos dirigentes eclesiásticos da época, que a moeda representativa desse facto histórico deveria ser uma moeda que representava Cristo com uma coroa de espinhos.
   De facto existe um “dracma”de Rodes que representa o deus Hélios ( na mitologia associado ao Sol ), com a cabeça adornada com raios, parecendo Jesus Cristo com a coroa de espinhos. Essas moedas, foram na época alvo de uma grande devoção.

Cária - Rodes, Dracma 175-170 a.C.


Bibliografia

Le Douzième Apôtre; Fac- Reflexion n°22, Fevereiro 1993, PP 14-26
(Le cas de Judas et la doctrine de la reprobation)
Centre Numismatique du Palais-V. S. O.  Paris 28-06-2002. 
http://www.vcoins.com/ancient/calgarycoin/
http://www.sacra-moneta.com/Monnaies-grecques-antiques/La-drachme-de-Rhodes.html

M. Geada






terça-feira, 4 de setembro de 2012

Cleópatra VII




   Cleópatra VII, ou simplesmente  Cleópatra, nasceu no ano 69 a.C..
  Não existe nenhuma informação certa sobre o seu aspecto físico que escapa a uma classificação estética banal. Algumas  moedas mostram-nos a  imagem de uma mulher com traços pesados e o nariz bastante proeminente.
    Em contrapartida, sabe-se que a sua presença era agradável, que libertava uma forte sedução, tudo isto  completado com uma voz cativante e de  um espírito brilhante e culto.
   Enquanto a educação das raparigas, mesmo de famílias reais, era negligenciada no mundo grego ou helenístico, Cleópatra aparentemente beneficiou do ensino de pedagogos muito cultos que, sobre um espírito inteligente, deu excelentes resultados.
    A faraó foi uma verdadeira poliglota que falava além do egípcio, o grego, o aramaico, o etiópico, o média, o árabe, sem dúvida também o hebraico, o latim e o troglodítico (1) .
   Algumas fontes antigas também lhe atribuem alguns livros sobre magia, cosméticos, pesos e medidas.
   Governou o Egipto do ano 51 ao ano 30 a.C.. Subiu ao trono com apenas 17 anos de idade, sucedendo ao seu pai Ptolomeo XII.
   Segundo a lei egípcia, para governar tinha que casar, foi assim que desposou o irmão Ptolomeo XIII quando este contava apenas 12 anos de idade.
   Era hábito no Egipto ser o homem a governar, mas Cleópatra reinou num país então exposto à miséria, deixando o seu jovem esposo e irmão fora dos assuntos do reino.
   Após três anos de governo comum, Ptolomeo incentivado pelos seus conselheiros, obrigou  Cleópatra a exilar-se. Esta refugiou-se na Síria, onde levantou um exército que deu origem a uma guerra civil.
   No ano 48 a.C., Ptolomeo aliou-se a Júlio César, que entretanto tinha chegado a Alexandria com um numeroso exército.
   Na ausência da faraó, César instalou-se no palácio real.
  Compreendendo que  se  motivasse   César  a  defender a  sua causa podia  ganhar  a  guerra, Cleópatra mandou  que  a   enrolassem  num  tapete, e assim penetrou no palácio real, um dia antes da chegada do irmão, e esposo, a Alexandria. 
   Nessa mesma noite Cleópatra seduziu César. Quando Ptolomeo chegou ao palácio e descobriu a nova aliança entre César e Cleópatra, desencadeou a guerra dita “de  Alexandria”.
   Foi durante esta guerra que ardeu parte da lendária  biblioteca desta cidade.
   O farol de Faros é conquistado pelo exército de Júlio César, que pessoalmente derrotou Ptolomeo. Este, vencido, tentou fugir mas morreu afogado, e Cleópatra retomou o trono do Egipto.
   Mais uma vez para poder reinar, a lei do Egipto impôs-lhe novo casamento. Desposou outro dos seus irmãos Ptolomeo XIV,  também com 12 anos de idade.
   Cleópatra concentrou todos os poderes e continuou a sua relação com Júlio César de quem deu à luz um filho, César, mais conhecido por  “Cesário” para o diferenciar do seu glorioso pai, no ano 47 a.C..
   Um ano depois a convite de César, Cleópatra e Cesário foram para Roma  onde se instalaram numa habitação nos jardins do Janículo, próximo da residência de Calpurnia, esposa de Júlio César.
  Os romanos não concordaram com um possível casamento de César com a egípcia, e acima de tudo  que este reconheça Cesário como filho legítimo.
   Após uma estadia de dois anos em Roma, sem sucesso, Cleópatra e Cesário regressaram  ao Egipto e  segundo a lenda mandou prender o jovem esposo Ptolomeo XIV, para o substituir pelo filho Cesário.   
   Doravante o seu co-soberano tem apenas quatro anos de idade.
   Nos ides de Março (2) do ano 44 a.C., Júlio César foi assassinado. Conspiração organizada pelo próprio filho adoptivo Brutus, e mais alguns senadores, o que deu origem a  uma guerra cívil.
   Cleópatra não tomou posição por nenhum dos pretendentes ao trono. No ano 44 a.C., Marco António convidou a rainha a ir visitá-lo a  Tarso.
   Cleópatra sabe que Marco António adora as mulheres e, espera obter desta visita apoio político e financeiro; ela mesmo precisa de um aliado em Roma.
   Diz a lenda que disfarçada em Afrodite deusa do amor, seduziu Marco António. A partir de então ficaram amantes; foram passar o inverno a Alexandria onde Cleópatra deu à luz dois gémeos, um rapaz e uma rapariga, Alexandre Hélio e Cleópatra Selene.
   Marco António decidiu fazer a paz com o seu principal  rival, Octávio. Para isso regressou a Roma onde casou com Octávia a irmã deste.
   No ano 36 a.C., em nome de Roma declarou guerra aos partos.
   Longe de Roma e da esposa, pediu a Cleópatra que fosse viver com ele para Antioquia.  
   Mais tarde regressaram a Alexandria onde Cleópatra deu à luz Ptolomeo Filadelfo, o terceiro filho de Marco António. Este ofereceu alguns territórios ao Egipto, entre eles Chipre e a Costa da Sicília.
   Quando no  ano 34 a.C., os partos foram derrotados, a vitória foi celebrada com toda a pompa e circustância nas ruas de Alexandria e não em Roma.
   Passado algum tempo num acordo comum entre os dois amantes, Marco António dividiu o reino do Egipto entre Cleópatra e os filhos.
   Em Roma Octávio desespera. No ano 31a.C., é pronunciado o divórcio entre Marco António e Octávia. 
   A aliança do General romano com Cleópatra é oficializada, e Octávio chefe de Roma declarou-lhes a guerra.
    Desta vez os dois amantes deverão inclinar-se, pois os seus exércitos foram vencidos na célebre batalha de Áccio no ano 31 a.C..
    Refugiado  em Alexandria Marco António foi preso. Enganado pelos romanos do suicídio de Cleópatra, deixou-se cair em cima da sua espada.
    Por sua vez a faraó também foi presa. Para a humilhar Octávio expõe a soberana como uma simples escrava nos países que atravessa. Mas Cleópatra tomou, uma última vez, o destino nas suas  mãos.
    Encerrada sob ordem de Octávio, pediu aos seus servos para lhe trazerem discretamente uma áspide misturada num cesto com figos.
   Provavelmente, Cleópatra escolheu esta forma de suicídio para alcançar a imortalidade.
   Quando os guardas romanos se aperceberam do drama já ela tinha iniciado a viagem para a eternidade, e posto fim à monarquia no Egipto, agora entre outras, uma província romana.
   Os Ptolomeos vindos da Macedónia reinaram no Egipto durante quase três séculos. A morte de Cleópatra VII não só pôs  fim a uma dinastia, mas também ao reino dos faraós

(1) Nome que davam os geógrafos da antiguidade  a uma etnia que eles localizavam no sul. do Egipto.
(2) O dia 15 de Março, Maio Julho e Outubro. E o dia 13 dos outros meses no calendário romano. 

 (Uma das mulheres mais famosas da história da humanidade, nunca foi a única detendora do poder no Egipto. Sempre governou com um homem a seu lado, com os irmãos e maridos, e mais tarde com o filho.
Contudo em todos os casos os seus companheiros sempre foram reis fictícios, foi sempre Cleópatra que exerceu o poder.)

 Denário cunhado em Alexandria no ano 34 a.C.
Anv. Busto de Cleópatra com diadema e drapeado à direita.
REGV FILIORVM REGVM
Rev. Busto de Marco António à direita, no campo uma tiara,(mitra de Pontífice).
ANTONI ARMENIE DEVITA


Tetradracma,(ateliê monetário incerto, talvez Antioquia) 36-33 a.C..
Anv. Busto de Marco António à direita, no campo, cabeça de cavalo.
Rev. Busto de Cleópatra drapeado, com diadema e colar de perlas à direita.


AE 20 cunhado em Cálcis ou Cálquida ( Fenícia) 32-31 a.C.
Anv. Busto de Cleópatra com diadema à direita.
Rev. busto de Marco António à direita.


Bronze de 80 dracmas, cunhado em Alexandria entre 51-29 a.C.
Anv. Busto de Cleópatra drapeado à direita.
Rev. Águia à esquerda sobre um feixo de raios, cornucópia e valor (P =80).
KLEOPATRAS  Basilis (SHS)


AE 17 cunhado em Cálcis ou Cálquida 32-31 a.C.
Anv. Busto de Cleópatra à direita.
BACILICCHC KLEOPATRAC
Rev. Nice, em grego Niké, (deusa grega que personificava a vitória, representada por uma mulher alada)com uma palma e uma coroa.
ETOY KAKAI TOI G QEAC NEWTERAC 


AE Dichalkon-oitava unidade, cunhado em Pafos ou Paphos (Chipre) 51-30 a.C.
Anv. Busto de Cleópatra à direita.
Rev.  Dupla cornucópia.

AE cunhado na Fenícia 36-35  a.C.
Anv. Busto de Cleópatra com diadema e drapeado à direita.
Rev. O deus Baal com dois grifos à direita.


AE 24 = 40 dracmas cunhado em Alexandria.
Busto de Cleópatra com diadema à direita.
Rev. Águia sobre un feixe de raios à esquerda, dupla cornucópia e M=40.
KLEOPATPAS BASILISSHS 


 Hexachalque ou hemiobolo cunhado em Patras 32-31
Anv. Busto de Cleopatra com diadema à direita.
Rev. Coroa de Isis.


Denário de Marco António e Cleópatra cunhado em Alexandria em 34.
Cleópatra é associada ao prestígio de Marco António, (novo Armeniacus).
CLEOPATRAE  REGINAE  REGVM  FILIORVM  REVV  FILIVVM
(À rainha Cleópatra, rainha dos reis e dos seus filhos que são reis.) 

M. Geada
Bibliographie:
 David SEAR, Roman coins and their values, volume 1, Spink, London 2002, p. 292; David SEAR, Greek coins.
Thibaux; Jean Michel - Le Roman de Cleopatre, Éditions de la Seine,1984.
Daix; Pierre - Cleopatre, Éditions Mengés 1981.
Vanoyeke; Violaine - Antoine et Cleópatre, Éditions Ange Bleu, 2001
http://wildwinds.com/coins/imp/cleopatra/i.html
www.omarlecheri.net
www.historiadumonde
www.fr.wikipedia.org
www.insecula.com

CLEÓPATRA NO CINEMA

Denário 31/32 a.C.
(Museu Arqueológico da Universidade de Newcastle)

   No cinema sob os traços de Elisabeth Taylor e de Richard Burton, em 1963, a rainha do Egipto e o general romano são de  uma beleza perfeita.
  Quase cinquenta anos mais tarde  o mito de uma beleza excepcional bem alicerçado no imaginário colectivo está em vistas de ser desacreditado por um estudo de arqueólogos da Universidade de Newcastle.
   Estes pesquisadores estudaram uma moeda de prata velha de dois mil anos que os representa.
  As análises revelam numa face da moeda, Cleópatra pouco sedutora, dotada de uma fronte inclinada, um queixo pontiagudo, nariz anguloso, e lábios finos.
  Na outra face, figura um Marco António com os olhos proeminentes, nariz adunco e pescoço largo.
  Este também um esboço muito diferente daquele do filme de Joseph L. Mankiwicz.
  Os escritores romanos falam-nos  duma Cleópatra inteligente, carismática, dotada de uma voz sedutora, mas, caso significativo, nunca falam da sua beleza.
  Segundo Lindsay Allason Jones, directora do Museu Arqueológico da Universidade de Newcastle, a ideia de uma Cleópatra bela e sedutora é recente.


    A faraó como símbolo da beleza no imaginário ocidental data de Willian  Shakespeare que no seu “António e Cleópatra” descreve assim a rainha. “A idade não pode desvanecer a sua imagem, nem esgotar a infinita variedade das suas qualidades”.
    Pascal Blaise em 1670 escreveu na sua obra “Pensées” que se o nariz de Cleópatra tivesse sido mais curto teria mudado a face do mundo.
   Mas o cinema de Hollywood, com Claudette  Colbert, Vivien Leigh depois com Elizabeht Taylor, persistiu em magnificar a imagem da faraó.

M.Geada


 



sexta-feira, 24 de agosto de 2012







CONSTANTINO I
    Desde sempre,  existiram  personagens  que nasceram e deixaram marcas indeléveis, que uma vez desaparecidos, continuam vivendo graças aos seus feitos.
   Muitas vezes estas personalidades foram inventores, exploradores ou grandes pensadores. Analisando estes prodígios à escala universal são poucos homens ou mulheres que deixaram uma herança durável à humanidade.
   Podemos afirmar de forma inequívoca que o imperador Constantino I, 306-337, faz parte  dessa rigorosa selecção. Na nossa opinião, um dos maiores.
  Constantino, (Flavius Valerius Aurelius Claudius Constantinus) nasceu a 27 de Fevereiro de 274, em Naissus, Mésia(actual Nis na Sérvia). Era o filho mais velho de Constâncio Cloro oficial do exército romano, que mais tarde será imperador, e Helena (Santa Helena).
  Constantino cresceu nos campos  militares e serviu sob Diocleciano. Foi  proclamado   César no ano 295, e Augusto pelas legiões no ano 306, após a morte do seu pai.
   Homem aguerrido e inteligente, mostrou as suas capacidades militares nas campanhas contra os sármatas e germanos, e qualidades políticas nas relações com os diversos Augustos que lhe disputavam o governo do Império.
  Fervente admirador da justiça e da verdade, a sua conversão ao cristianismo a partir de 312, não foi unicamente um cálculo político, mas também uma autêntica escolha religiosa.
  Mas esta sua admirável faceta, não pode esconder outra menos brilhante do personagem. Afectado por um grande orgulho e ávido de elogios desmesurados muito nocíveis para a sua reputação, ao ponto de se deixar influenciar pelos seus próximos.
  Incapaz de se dominar, utilizou a violência e o crime para alcançar os seus objectivos.
  Esse combate perpétuo com ele próprio com aspirações místicas e violências impulsivas, fazem a sua vida singularmente dramática.
  Constantino cresceu em Nicomédia na corte de Diocleciano. Será que este o tomou sob a sua protecção para o preparar à sucessão do pai, ou para se assegurar a fidelidade deste último?
   Sob a tutela de Diocleciano, Constantino recebeu uma educação principesca, ao mesmo tempo que iniciou uma carreira militar
  Quando em 305, Diocleciano abdica e passa o testemunho a Galério, Constantino ficou ou foi obrigado a ficar com o novo imperador, ainda que muito decepcionado por não ter sido designado César do seu pai  Constâncio, que  também não ficou satisfeito de não ter o filho como próximo colaborador, e ter que colaborar com Severo, (um protegido de Galério), como César.
 No ano 306, com alguma renitência Galério consentiu que Constantino colaborasse com o pai que há muito tempo o reclamava.
  Pai e filho encontraram-se em Boulogne,( a história conta que Constantino mandava mutilar todos os cavalos das estalagens por onde passava, e assim impedir que os soldados de Galério o apanhassem e levassem para a corte imperial, porque entretanto o imperador tinha decidido não o deixar  colaborar com o pai) e juntos foram para a Bretânia combater os Pictos(antigos habitantes da Escócia) que se tinham revoltado.
  Quando Constâncio Cloro faleceu (25 de Julho de 306, em Eburacum york) e os soldados proclamaram o seu filho Constantino à dignidade de  Augusto, Severo não aceitou esta promoção e só lhe concedeu a de César. Constantino pressentiu que a sua hora ainda não tinha chegado, abdicou da escolha dos soldados e aceitou a proposta de Galério.
  Para os  historiadores, ainda que Constantino só tenha o título e a função de César, eles calculam o período do seu reinado a partir da morte de Constâncio.
  Constantino que controlava a Bretânia e a Gália, no dia 21 de Março 307, após a captura de Severo II, fez-se proclamar Augusto pelos soldados.
  Receando que Constantino fizesse aliança com Galério e se virasse contra o filho, Maximiano deslocou-se à Gália e fez um pacto com ele no dia 25 de Dezembro 307.
  Em Novembro de 308, aquando de uma entrevista em Carnuntum(Panónia), Diocleciano, Maximiano e Galério, substituiram Constantino por Licínio, um novo protegido de Galério.
  Constantino não aceitou esta nominação: em 309-310, terminou com a domus divina do pai, “Domus Herculiana”, manisfestando assim o seu desejo de terminar com o sistema instituído por Diocleciano.
  Para revelar a sua vontade de criar um novo sistema de governo onde só exite lugar para um só homem no cimo da pirâmide, ele pôs-se sobre a protecção  de outro deus; o Sol Invictos.
  A sua vitória sobre  Maxêncio na batalha do Ponte Mílvio dia 28 de Outubro 312, decidiu definitivamente o reconhecimento do cristianismo como religião oficial do Império.
 
MARCVS AVRELIVS VALERIVS MAXENTIVS, 306-312
Follis cunhado em Óstia (desconhecemos o período de actividade deste atelier)
Anv. Busto laureado de Maxêncio à direita,  IMP C MAXENTIVS PF AVG
Rev. Os Dioscuros Castor e Pólux, AETERNITAS AVG N

  No ano 324 depois de vencer Licínio junto ás muralhas de Roma, passou a ser o único governador do Império.
  Ainda no mesmo ano Constantino decidiu fundar uma nova capital para o Império, e transformou a cidade grega de Bizâncio numa nova Roma à qual deu o seu nome: Constantinopla, que foi inaugurada com toda  a pompa e circunstância em 330.
    A cidade foi construída num sítio natural defensivo que a tornava práticamente invencível, numa época em que Roma estava constantemente sob a ameaça dos germanos.
  Situada  perto de algumas  terras da velha cilvilização helénica; Constantino construiu-a segundo o modelo de Roma. Sete colinas, catorze regiões urbanas, um Capitólio e um Senado.
  Se no início, ele permitiu a implantação de alguns templos pagãos, num curto espaço de tempo Contantinopla  passou a ter unicamente edifícios religiosos cristãs, e uma população de 100 000 habitantes.
  Além do palácio imperial Constantino também mandou construir o hippŏdrŏmŏs (hippŏdrŏmus), hipódromo(novo nome atribuído aos circos romanos) e a famosa igreja de Santa Sofia.
  Até agora podemos argumentar que Constantino foi um imperador como os outros: nasceu para reinar. Muito astuto, impôs algumas obrigações a Maximiano(que o levaram a cometer suicídio) e mais tarde a execução de Licínio são exemplos que ilustram os seus futuros projectos.
  Para ascender ao poder, teve que seguir o mesmo caminho tortuoso que os  seus antecessores. No entanto, algo de incomum irá motivá-lo a seguir um rumo que não estava previsto. Esta nova orientação vai fazer dele uma das figuras mais respeitadas da história de Roma e da humanidade.

FLAVIVS VALERIVS LICINIANVS LICINIVS, co-imperador 308-324.
Follis cunhado em Alexandria, 317-320.
Anv. Busto laureado e drapeado de Licínio à esquerda - IMP LICI NIVS AVG
Rev. Jupiter à esquerda com um ceptro e um globo – IOVI CONSER VATORI AVGG
 
   No início do seu reinado o cristianismo passou  a ser mais tolerado e a sua propagação começou a  estendeu-se a todas as classes sociais.
  Constantino acabou no entanto por entrar na história, como primeiro imperador romano a professar o cristianismo, na seqüência da sua vitória sobre Maxêncio na Batalha da Ponte Mílvio em 28 de outubro de 312, perto de Roma, que ele mais tarde atribuíu ao Deus cristão.
  Segundo a tradição, na noite anterior à batalha sonhou com uma cruz, e nela estava escrito em latin: In hoc signo vinces - "Sob este símbolo vencerás".
   De manhã, antes da batalha, mandou que pintassem o simbolo cristão nos escudos dos soldados e conseguiu um vitória esmagadora sobre o inimigo.
   (Esta narrativa não é considerada um facto histórico, tratando-se antes da fusão de duas narrativas de factos diversos encontrados na biografia de Constantino pelo bispo Eusébio de Cesaréia, também conhecido por Eusebius Pamphili.)
                    
Constantino I, 306-337                                           Cristograma
Ae 3 cunhado em Constatinopla
Anv. Busto de Constantino laureado à direita – CONSTANTINVS MAX AVG
Rev. Estandarte com cristograma e serpente - SPES PUBLICA

   Esta foi a  decisão mais importante da sua vida. Em 313 o cristianismo recebeu reconhecimento oficial de todo o Império Romano. Foi o édito de Milão, que garantiu a liberdade do culto, e a seita foi livre de exercer a sua actividade fora  das catacumbas.
  Ele lançou as bases do Vaticano e da Igreja de Santa Sofia em Constantinopla, a nova capital do império. No Concílio de Niceia, ele rejeitou o arianismo, foi um dos maiores apoiantes do dogma da Trindade, e mandou erigir  as primeiras estátuas cristãs.
  Constantino I considerava-se superior ao papa da época(São Silvestre 314-335). Também no seu reinado um édito imperial fez do domingo um dia de repouso. Tendo sido um defensor da fé cristã, ele mereceu sem dúvidas o título de “O Grande”.
 É a Constantino que se deve a expansão judaico-cristã na Europa.
          
Constantino I, 306-337                                       
Follis cunhado em Siscia, 313-315.
Anv. Busto laureado de Contantino à direita – IMP CONSTANTINVS PF AVG
Rev. Jupiter à esquerda com uma vitoria na mão direita e um ceptro na esquerda
IOVI CONSERVATORI AVG DNN

   Em 326, sua mãe Helena, também se converteu  ao cristianismo durante uma viagem que efectuou a  Jerusalém. É a Helena que se deve a invenção da Santa Cruz. Doravante  estava tudo preparado para a expansão da fé cristã. A religião católica romana tinha nascido.
  Sob o governo de Constantino I, a representação dos diferentes deuses nas moedas romanas começou a diminuir. Foi ainda durante o  seu reinado que o follis vai deixar de ser unidade de conta.
  O solidus apareceu pela primeira em 310 e foi cuhado em Tréveros.

Flávia Júlia Helena, nasceu em Bitínia cerca de 248.(faleceu com 80 anos)
AE 4 Cunhado em Constantinopla, 330.
Anv. Busto de Helena com diadema à direita – FLIVL HE LENA AVG
Rev. A Pax com um ceptro e de frente, olhando para a esquerda, PAX PU BLICA
 
  Podemos dizer que o reinado de Constantino, marcou uma ruptura com a antiga Roma.
  Com ele tudo mudou. As várias religiões que existiam vão desaparecendo aos poucos em favor do cristianismo. A Roma do passado deixou de existir. A  sobrevivência da religião cristã deve-se a Constantino.
 O nosso método de ver ou pensar, está ligado ao sonho deste grande imperador que foi um dos personagens que mais influenciaram o nosso modo de vida. A seita cristã não poderia sobreviver  enquanto religião semi-legal e os cristãos  teriam provavelmente outra religião.
 Constantino, permaneceu até ao fim do seu reinado marcado pela fé que o inspirou, mas só foi  batizado nos últimos dias da sua vida e, pouco antes de sua morte proclamou-se o décimo terceiro apóstolo.
  Segundo a lenda, foi enterrado com 12 túmulos vazios, e mandou que parte da sua fortuna fosse dedicada à construção de basílicas cristãs.

    
Constantino I, 306-337
AE 4  póstumo, cunhado em Alexandria, 337-340.
Anv. Constantino com um véu na cabeça virado à direita, CONSTANTINVS  PTA AVG.  Rev. S R  SMAL
Rev. Constantino numa quadriga a subir ao céu com os braços estendidos, para alcançar  a mão de Deus.
 
   Graças ao imperador Constantino I e à sua geração, “o mal cristão” tão criticado e punido pelos seus antecessores iria espalhar-se aos quatro cantos do império e do mundo
  Constantino faleceu dia 22 de Maio de 337. Seguiu-se um interregno até Setembro de 337, durante o qual o ramo colateral da família de Constantino foi sistemáticamento eliminado por instigação de Constâncio II, excepto Constâncio Galo que na ocasião se encontrava muito doente, e Julião que contava apenas seis anos de idade.
  Após a morte de Constantino os seus filhos mandaram cunhar uma importante série de moedas onde a iconografia pagã (rosto coberto com um véu e carro triunfal) acompanha os símbolos cristãos, “a mão de Deus estendida ao imperador”.

M. Geada

Bibliografia

Bourgey; Sabi ne, Hollard; Dominique-L’Empire Romain, Tome III, 235-337, ap. J.C. Editions Errance, Paris 1991.           
Zosso; François, Zingg; Christian., Les Empereurs Romains(27 av.J.C. - 476 ap.J.C.
Editions Errance, Paris 1994.
Depeyrot;George-La monnaie Romaine, Paris, 2006.         
http://www.chrisnumismatique.com/periodes.asp?periode=95&categorie=6