segunda-feira, 10 de dezembro de 2012


SALONINA

    Júlia Cornélia Salonina, imperatriz romana de 254 a 268.
  Segundo a História de Augusto, Salonina seria originária da Bitínia, (Norte da Turquia atual) e casou com o imperador Galiano no ano 253.
    O casal terá tido três filhos: Salonino, Valeriano II e  Jules Galiano.
   A existência  de pelo menos dois, Salonino e Valeriano II, nomeados César quando teriam cerca de doze anos, é confirmada por moedas e inscrições lapidárias mas, é provável que o casal tivesse tido outros filhos, porque alguns (raros) documentos escritos, evocam também os nomes de Marinianus e Gala, mas a sua existência é todavia improvável. 

Salonino-Antoniniano, Lião 256. 
Anv. SAL(ONINVS) VALERIANVS C S (CAES)
Rev. PRINC INVENT
Ref. RIC V-1, 10, Cohen 61, Sear5 10770

Valeriano II-Antoniniano, Roma 258/259
Anv. P C L VALERIANVS NOB CAES
Rev. PRINCIPI  IVVENT
Ref. RIC 23, RSC 81

Salonina-Antoniniano, Roma 256/257
Anv. SALONINA AVG
Rev. PIETAS AVG - Pietas  sentada num trono à esquerda e três crianças.
Ref. RIC v-1, 35, Gobl 229 b, RSC 84, Sear 10647.

  A legenda FECUNDITAS (Fecundidade) AVG(VSTA) aparece com muita frequência nos reversos das suas moedas.

Salonina–Antoniniano, Roma 256/257
Anv. SALONINA AVG
Rev. FECVNDITAS AVG
Ref. RIC V 26, Cohen 44, VF

    Ainda durante o reinado de imperador Valeriano I,(seu sogro)foi elevada à dignidade de Augusta e, após a morte da imperatriz Mariniana (sua sogra) passou a ser a única imperatriz em exercício durante quinze anos.
   Salonina recebeu ainda a dignidade de PIA FELIX, fato excepcional porque só as imperatrizes Julia Domna  e Severina, tinham beneficiado desta distinção no século III.  
   Além de alguns bustos nos museus do Capitólio, da Hermitage, de São Petersbourg e, alguns documentos escritos (História de Augusto) a imperatriz Salonina, deixou-nos numerosas moedas que nos informam sobre os seus valores e vicissitudes do seu longo reinado.
   Relatados por muitos autores, os atos de benevolência atribuídos a Salonina tornam-se ainda mais credíveis por se inserirem perfeitamente na história daquela época.
   A captura de Valeriano I, pai de Galiano, por Sapor I (rei da Pérsia sassânida  entre 241-272), em 258 ou 259, causou grande emoção em todo o Império Romano.
 Após a morte de Trajano Décio, grande persecutor dos cristãos e, primeiro imperador romano morto em combate, os cristãos viram ali um sinal, um castigo da vingança divina.
  Talvez  por ansiedade  de escapar ao destino fúnebre dos seus antecessores, Galiano logo em 260, promulgou um édito de tolerância para com os cristãos.
  Desconhecemos se esta decisão foi influenciada pela imperatriz mas, é provável pelo fato de  eles já serem casados há muito tempo e, também pelos gestos de clemência de Salonina em 261, coincidirem perfeitamente com o édito.
   É portanto muito credível, Galiano ter sido influenciado por sua esposa.
   Mas estes gestos de clemência fariam da imperatriz uma cristã ?
 Sem dúvida não, visto que  Salonina e Galiano frequentavam assiduamente os filósofos Porfírio 234/305 e Plotino 205/270, cujas teses rejeitavam os cultos e dogmas cristãs e, também pelo fato de Galiano pensar construir em  Campania (ou Campanha), uma nova cidade dedicada ao filósofo Platão.
   As moedas da época cofirmam  esta orientação pagã, e apresentam durante os quize anos de reinado uma iconografia constantemnte dedicada aos deuses de Roma e, termina com uma série do bestiário onde a imperatriz se coloca sob a proteção da deusa Juno, com a legenda IVNONI CONS(ERVAT) AVG(VSTA) , A Juno protetora da imperatriz.

Salonina-Antoniniano, Roma 267-268
Anv. SALONINA AVG
Rev. IVNONI CONS AVG
Ref. RIC 15, Sear88 3041, Cohen 70.

Salonina-Antoniniano, Roma 266/267
Anv. COR SALONINA AVG
Rev. IVNONO CONS AVG
(Curiosa legenda IVNONO -  erro do artista monetário???)

    Os pricipais reversos da imperatriz colocam-na sob a proteção das deusas Juno, Vesta, Ceres, Segesta, Diana, ou louvando a saúde (SALIS), fertilidade (FECUNDITAS, felicidade (FELICITAS PUBLICAE).

Salonina, Lião 258
Anv. SALONIA AVG
Rev. DEAE SEGETIAI - (Imagem e templo da deusa Segesta.)
Ref. RIC V-1, 5 Lyons, Elmer 96, Sear 10631.

    Segesta aparece únicamente em moedas de Salonina.
   Este templo construído no interior do Circo Grande em Roma e, posteriormente mudado para o exterior a mando desta  imperatriz, pensa-se ter sido  mandado erigir por ela.
    Anteriormente, apenas um pequeno altar em Roma lhe era dedicado.

Salonina-Antoniniano, Ásia 267
Anv. SALONINA AVG
Rev. SALVS AVG
Ref. RIC 88, RSC 105, Sear5  10652 

    Difícil portanto de considerar no meio deste oceano de paganismo, que o reverso com a legenda AVGVSTA IN PACE ou AVG IN PACE (imperatriz em paz), possa ser um índice de  simpatia de Salonina para com os cristãos.
    A menção IN PACE, encontra-se nas sepulturas cristãs, (REQUIESCAT IN PACE - repousa/em em paz).

Salonina-Antoniniano, Milão 260/268
Anv. CORN SALONINA AVG
Rev. AVG IN PACE
Ref. RIC 57 var., Gobl 1378.

    Mantemos por nossa parte uma imperatriz não cristã mas, compreensiva e tolerante, da qual a sua história não relata nada de negativo, (salvo a sua irritação quando foi burlada por um negociante de pedras preciosas, “História de Augusto”).

UMA CUNHAGEM IMPORTANTE DURANTE UM PERÍODO PERTURBADO

   Mesmo se tiver-mos em conta o seu longo reinado, a cunhagem das moedas de Salonina foi muito importante.
   Às centenas de tipos de antoninianos conhecidos, juntam-se as moedas de ouro (áureos), os bronzes (sestércios, asses, dupôndios), prata (raríssimos quinários, tetradracmas de Alexandria e inúmeras moedas provinciais e coloniais).

Salonina-Quinário, Roma 254/255
Anv. SALONINA AVG
Rev. IVNO REGINA
Ref. RIC 40, RSC 61

   Durante os quinze anos de reinado foram cunhadas centenas de milhares ou mesmo milhões de moedas em seu nome.
    Em termos qualificativos, a percentagem de moedas emitidas pelo casal imperial é globalmente de 15% por Salonina, e 85% para Galiano: tudo isto num período dificil, perturbado  por ursupadores.
    Postúmio na Gália, Macrino e Quietus no Oriente, e ainda as incursões bárbaras dos vândalos e alamanos.
    O estado de guerra cívil ou estrangeira, causou uma necessidade sempre crescente  de moedas e, deu origem a que o  conteúdo de prata nas moedas de bolhão (liga de prata e cobre) fosse reduzido.
   Aos poucos, os  antoninianos do início do reinado cederam lugar a pequenas moedas de cobre, cobertas com uma fina película de prata.
   Os conflitos do período 253/268, e dos anos posteriores, são confirmados pelos numerosos tesouros encontrados e, cuja composição mostra  que foram enterrados no início do reinado de  Aureliano 270, imperador do qual um dos seus primeiros trabalhos foi construir uma muralha à volta de Roma.
    Estes tesouros  monetários que contêm principalmente moedas do fim do reinado de Galiano e Salonina, (em particular a série do bestiário) confirmam a grave ameaça que pesava sobre o império e, parece creditar as teses segundo as quais  Galiano foi assassinado, aquando dum golpe de estado dos generais Ilírios, (liderados por Cláudio o Gótico e Aureliano). 
     Em causa estaria a  sua incapacidade em manter a ordem.
  Durante o reinado de Galiano e Salonina, a inflação monetária originou o desaparecimento das moedas de bronze .
   Com um antoniniano agora reduzido a uma simples rodela de cobre prateada e, com pouco valor, a fabricação de grandes  bronzes tornou-se desnecessária. Sestércios, asses e dupôndius, desapareceram durante o reinado conjunto.
   O tradicional sistema monetário romano continuou em deriva até à implosão final,  que deu origem ao sistema monetário do Baixo-Império. 

CARACTERÍSTICAS DAS CUNHAGENS DE SALONINA


    A multiplicação das emissões e oficinas  monetárias (12 em Roma), obrigou  a uma modernização do sistema monetário e ao aparecimento das letras da oficina ou marca, que permite distinguir o local onde a moeda foi cunhada.
    Para Salonina é principalmente a letra  Q: (uma das oficinas de Roma)

Salonina-Antoniniano, Roma 260/268
Anv. SALONINA AVG
Rev. IVNO REGINA                               
Ref. RIC 12, Gobl 242b.

Para Milão, aparecem as letras MP e  MS,  primeira e segunda oficina.

Salonina Antoniniano, Milão 255/260
Anv. SALONINA AVG
Rev. IVNO AVG
Ref. RIC 62, Goebl 1381e, C 55.


    No Oriente,  para as diversas cunhagens da imperatriz os diferendos utilizados são : estrela (ou sol), crescente de lua, pavão, ou palma.
    Em  algumas emissões, é facil atribuir a data de cunhagem pela referência no reverso ao sétimo consulado de Galiano (VII C).

Salonina-Antoniniano, Antioquia 267
Anv. SALONINA AVG
Rev. AEQVITAS AVG   VII C
Ref. RIC 87, Gobl 1648d, Sear 10625

    O desaparecimento das letras S C (SENATVS CONSVLTVS) em algumas moedas de bronze, parece indicar a continuidade de divergências com o Senado, iniciadas no reinado de Valeriano I.

   A titelatura das moedas de Salonina é clássica e, encontramos nos seus antoninianos SALONINA AVG, COR SALONINA, OU CORN SALONINA AVG e,  um raro antoniniano SALONINA PF AVG, que reflete  a importância da imperatriz. ( PF=PIA FELIX )

Salonina-Antoniniano, Milão 254/268
Anv. SALONINA PF AVG
Rev. AVG IN PACE
Ref. RIC 58, Mir 36, 1377e, RSC 19     

   As moedas de Galiano e Salonina  encontram-se em grande quantidade, especialmente os antoninianos.
    As cunhagens de bronze, e as  provinciais  permanecem raras, sobretudo as da imperatriz.
  Os tetradracmas do Egito são mais correntes. Em contrapartida; os áureos, quinários  e denários, são extremamente raros.

Salonina-Áureo, Viminacium 254/257
Anv. CORN SALONINA AVG
Rev. IVNO REGINA
Ref. RIC 10, Sear5 10616.

   Cada oficina tem o seu estilo particular e, com um pouco de atenção, reconhecemos sem grande dificuldade os locais de produção: Treves, Milão, Roma, Viminacium, Antioquia (talvez ainda outra oficina oriental reconhecida como “Samósata” mas hoje posta em causa), e outras. 

Salonina-Alexandria, Tetradracma 263/264
Anv. KOPNHOA CAΩNEINA CEB
Rev. LIA
Ref. Koln 2967, Dattari 5335, BMC 2258, SNG.

   Estas  cunhagem de Galiano e Salonina são particularmente interessantes  por serem emitidas durante um período de quinze anos, o que é muito raro para imperadores romanos e, revelam nitidamente as dificuldades que afrontaram durante o seu longo reinado.
  Este período, torna-se ainda mais cativante por marcar uma volta na história numismática romana com o desaparecimento do bronze, e a redução quase a zero do antoniniano, ou ainda pela sua fiduciaria.

Salonina-Damasco, AE 22,  253/268
Anv. CORNE SANIONA AVG
Rev. COLΔAMAS METRO
Ref. SGI 4691, Rosemberger 63.

    Envolvida no trágico fim do seu esposo, Salonina saíu da história ao mesmo tempo que Galiano.
  O casal legou-nos uma cunhagem abundante e interessante: históricamente, iconográficamente e  intrinsicamente.

M.Geada

BIBLIOGRAFIA

Biblioteca Wikipédia
François ZOSSO, Christian ZINGG : Les Empereurs Romains – 27 a.C. – 476 d.C., Editions Errance, Paris 1994. 
Sousa; Manuel Félix Geada-História dos Monumentos Romanos Contada Através das Moedas. Coimbra, Julho, 2006


sexta-feira, 16 de novembro de 2012



Hércules.
 Nome romano de Héracles filho de Júpiter de  Alcmena; um dos heróis mais venerados na antiguidade.

   A mitologia grega atribui-lhe numerosas aventuras que o fizeram viajar em todo o  mundo conhecido na época, em todo o Mar Mediterrâneo e mesmo até ao inferno.
   Ainda bebé afogou as serpentes que Juno enviou para o devorarem, (há várias versões deste episódio;  umas que as serpentes  foram enviadas por Hera porque Hércules a tinha mordido quando Hermes o pôs a mamar no seu seio, outras, que foram enviadas  pelo rei Anfitrião, esposo de Alcmena).


 Tebas -Século V a.C., Estáter AR 
Anv. Escudo beócio                               
Rev. Hércules afogando as serpentes
   
  As mais célebres das suas aventuras são sem dúvida os doze trabalhos que lhe foram impostos por Euristeu.
  
   Este deus greco-romano meio homem meio herói, meio imortal, efectua os mais difíceis  trabalhos com o objectivo  de alcançar a imortalidade.
   Nao é de admirar que tal personagem filho de Júpiter fosse modelo de alguns imperadores romanos, que com o passar dos tempos tiverem cada vez mais tendência a identificar-se com o semideus.
  Esta identificaçao com Hércules era ainda mais perceptível, por este ser um semideus que aspirava à eternidade.
   Alguns deles como Cómodo, ou Caracala, diziam serem  a reencarnação de Hércules.
   Podemos ver no museu do Capitólio, em Roma,  um busto de Cómodo com a pele do Leão de Nemeia na cabeça, a moca (ou maça)  na mão direita, e as maçãs do jardim das Hespérides na esquerda.
  Há um sestércio, em que o imperador é representado no anverso com a pele do leão na cabeça, e no reverso a moca de Hércules.
 A imagem do imperador Maximiano cunhada no anverso dum aureliano, também representa o imperador com a pele do leão no ombro esquerdo, e a moca no ombro direito. Um exemplo de identificação bem expressiva entre o imperador e o semideus.

Caracala – AE 42  
Anv. AVT K M AVR CEOVHR ANTWNINOC AVG
Rev. PERINQIWN NEWKORWN
(Caracala com bastião e Hércules com a moca  no ato de  um sacrifício.
No meio, um altar aceso.)

Cómodo - Sestércio - AE
Anv. LAEL AUREL COMM AVG P (Cómodo com a pele de leão)                                              
Rev. HERCVL ROM ANO AVGV SC (moca de Hércules)


 Maximiano - Antoniniano   AR 400%
Anv. IMP MAXIMIANVS P AVG
Rev. HERCVLI  PACIFERO 
(No anverso, Maximiano vestido com a pele de leão, e moca no ombro direito).
  
   São muitas as moedas gregas e romanas que fazem referência a Hércules, não as podemos reproduzir todas, apenas mostramos alguns exemplares.

Cízico, Mísia – Héracles (Hércules) ainda criança.                    
Hecto cízico  em electro, século V a.C., (raríssimo)
(electro: liga natural de ouro e prata).


Cízico, Mísia -  Héracles com barba
Estáter cízico em electro, século V a.C., (raríssimo)

Paeonia – Perdicas I, 359/340 a.C., Tetradracma AR
Anv. Zeus ou Apolo à direita.
Rev. Héracles lutando com o leão de Nemeia.

Heracleia Pôntica (tiranos)  cerca de 352/345 a.C., Tridracma AR
Anv. Héracles à esquerda.
Rev. Hera à esquerda.

Lucânia Heracleia, cerca de 300 a.C., Estáter AR
Anv. Atena com capaceto coríntio à direita.
Rev. Héracles de frente com a moca e a pele de leão.

Síria-Antioco I, 280/261 a.C., Tetradracma AR
Anv. Antioco I à direita.
Rev. Héracles sentado à esquerda, com a mão direita apoiada na moca.



OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES

   Aquando duma crise de loucura, Hércules matou sua esposa e filhos.
   Para o punir por este crime, Eristeu impôs-lhe uma série de  trabalhos.

I
O LEÃO DE NEMEIA

O primeiro trabalho que Eristeu impôs a Hércules, foi matar o leão Neméia que matava muitas pessoas  e animais . O leão tinha a pele tão dura, que o ferro e o bronze não a conseguiam furar.

Maximiano – Antoniniano AR, cunhado em Lião em 289.

II
A HIDRA DE LERNA

Em seguida Hércules teve que matar A Hidra de Lerna.
A Hidra (serpente) tinha nove cabeças uma das quais era imortal.
O veneno que ela fabricava era tão forte que o seu hálito era fatal.

Geta - AE 26, cunhado em  Andrinopola (Trácia).
(Hoje Edirme na Turquia)

III
O JAVALI DE ERIMANTO

O terceiro trabalho de Hércules foi o de apanhar vivo o  terrível Javali de Erimanto.
Era um animal selvagem e gigantesco que aterrorizava a região.
Quando Hércules avistou o javali, ficou aterrorizado e refugiou-se num vaso de bronze enquanto estudava a melhor táctica para o capturar.

Séptimo Severo – AE 40, cunhado em Perinto (Trácia)

IV
A CORSA CERINITA

O quarta tarefa de Hércules foi de capturar a Cerva (corsa) Cerinita, e de a transportar viva de Oensoé a Micenas.
Esta corsa consagrada a Diana, era muito rápida e tinha cascos de bronze e cornos de ouro.
Para a conseguir capturar, Hércules persegui-a sem descansar durante um ano.

Maximiano - Quinário AR, cunhado em Lião em 286.

V
OS ESTÁBULOS DE AUGEIAS (ou  ÁUGIAS)

O quinto trabalho de Hércules foi limpar os Estábulos de Augeias só num dia.
O rei Augeias, tinha um numeroso rebanho que ocupava grandes estábulos que muito tempo não eram limpos.
Para triunfar nesta tarefa, Hércules teve que desviar o curso do rio Alfeu, conseguindo assim limpar os estábulos.

Antonino Pio – Dracma AE, cunhado em Alexandria 146/147.

VI
OS PÁSSAROS DO LAGO ESTÍNFALO

A seguir Hércules teve que exterminar os pássaros do Lago Estínfalo.
Os seus bicos, patas e asas eram de bronze, e também devoravam homens.
Os seus excrementos venenosos destruiam as colheitas.

Antonino Pio – Dracma AE, cunhado em Alexandria 140/141.

VII
O TOURO DE CRETA

O sétimo trabalho impôsto por Eristeu  a  Hércules, foi a captura do Touro de Creta que tinha engendrado o Minotauro (Monstro, metade homem e metade touro, filho de Pasífaa, mulher de Minos, ao qual Atenas oferecia adolescentes em tributo anual, foi morto por Teseu).
Apezar de furioso e lançar chamas pelo nariz, Hércules decidiu capturá-lo só com as mãos.

Gordian III - AE 27, Cunhado em Andrinopola (Trácia).

VIII
AS ÉGUAS DE DIÓMEDES

Para o seu oitavo trabalho Hércules teve que capturar as éguas selvagens de Diómedes rei da Trácia, que este alimentava com carne humana.
Após a sua captura, Hércules ofereceu-lhes em repasto o corpo do rei.

Antonino Pio – Dracma AE, Cunhado em Alexandria 141/142.

IX
O CINTURÃO DE HIPÓLITA

A missão do herói foi ir buscar o cinturão de ouro de Ares, que Hipólita rainha das amazonas detinha. Como Hércules não o podia obter pela  força, teve que recorrer à diplomacia e convencer  a rainha a oferecer-lho.
O cinturão destinava-se a Admeto, filha de Euristeu.

Antonino Pio - Dracma AE, cunhado em Alexandria 146/147.

X
OS BOIS DE GIRIÃO

O décimo dos trabalhos de Hércules foi ir buscar a manada de bois de Girião, que tinha a reputação de ser o homem mais forte da terra.
Girião nasceu com três cabeças, seis mãos e três corpos, que se reuniam entre si na cintura.

Séptimo Severo - AE 40, cunhado em Perinto (Trácia).

XI
OS POMOS DE OURO DO JARDIM DAS HESPÉRIDES

Hércules ja tinha efectuado os dez trabalhos, mas Eristeu não contou o segundo nem o quinto, e impôs-lhe mais dois.
O décimo primeiro foi ir buscar os frutos de ouro de uma macieira que Gaia tinha oferecido a Hera e que esta plantou no seu jardim divino.
Ao aperceber-se que as Hespérides a quem ela tinha confiado a guarda da árvore lhe roubavam as maçãs, Hera acorrentou um dragão à macieira para que ninguém se pudesse aproximar.
Quando Hércules viu o dragão, pediu a  Ares que as colhesse, enquanto ele o substituia a suportar  o mundo.

Antonino Pio - Dracma AE, cunhado em Alexandria 146/147.

XII
A CAPTURA DO CÉRBERO

O último e mais terrível trabalho de Hércules, foi descer ao inferno e trazer o terrível  Cérbero. Um cão com três cabeças que era o guarda do mundo interior.
Hércules  agarrou o animal pelo pescoço e só o largou quando ele consentiu
em acompanhá-lo.

Gordiano III - AE 29, cunhado em Perintos (Trácia).

(Existem muitas  divergências sobre a cronologia dos trabalhos de Hércules. É hoje,  impossível saber qual a sua ordem exacta. Optei por esta, por aparecer com mais frequência, e por ser também a ordem dos trabalhos citada por Apolodoro.)

M. Geada

  
Bibliografia

Vigne ; Jean Bruno – La Vie des Monnais Grecques, J. D. Editions, Paris 1998.
Hélène Nicolet ; Pierre – Numismatique Grecque, Editions Armand Colise, Paris 2002.
Dominique Gerin, Catherine Grandjean, Michel Amandry, François de Callatay – La Monnaie Grecque, Ellipses Édition Marketing S.A., Paris 2001.
Babelon ; J.- La Numismatique Antique, Paris 1994.
Blanchet ; A.- Les Monnaies Grecques, Paris 1894.
Fréderic Weber – Monnais de L’Empire Romain.
Frédéric Weber – Monnaies Antiques.
Fréderic Weber – Monnaies Provinciales Romaines.
Cohen ; Henri -  Description  Historique des Monnaies Frappées sous L’Empire Romain,
tome II, Paris 1880-1892.
Vinchon ; Jean – Catálogo de vendas Maio 1995.
Vinchon ; Jean – Catálogo de vendas Maio 1998.
Vinchon ; Jean – Catálogo de vendas Outubro 2003.
Centre numismátique du Palais-Royale - Catalogo de vendas Março 1997
Centre numismátique du Palais-Royale-Catalogo de vendas Dezembro 1999
Elsen ; Jean – Cátalogo de vendas n°62, Junho 2000



quinta-feira, 25 de outubro de 2012

JUBA II E CLEÓPATRA SELENE



JUBA II  E  CLEÓPATRA SELENE

    Se fossem nossos contemporâneos, Juba II  e sua esposa Cleópatra Selene, (deusa da lua na mitologia grega), teriam tudo para agradar aos mais exigentes jornais e revistas  especializados na  jet-set. (A elite da elite).
   Filhos de pais coroados  que na sua época também foram alvo de crónicas da sociedade e políticas; cresceram e foram educados  juntos no palácio do Imperador Augusto.
    Juba II é filho de Juba I rei da Numídia, que foi vencido por Roma em Thapsus(hoje Rass Dimass na Tunísia), no ano 46 a.C.. Ele e Cleópatra Selene (por vezes também apelidada de Cleopatra VIII), filha de Cleopatra VII e do triunvirado Marco António, conviveram juntos  desde crianças, quando então foram adoptados por Octávia, irmã do futuro imperador romano Augusto.
   Os seus destinos reunia-os em tantas coisas que, a sua união(casamento)ainda que não fosse imposto  por Roma, já parecia inevitável.
   Estes dois príncipes: eram orfãos de pais combatidos e vencidos por Roma, num momento em que  o seu poder era contestado por alguns reinos emergentes.
    Juba I, fez aliança com os Pompeios para combater César: vencidos, suicidou-se depois da derrota.
    Ceópatra VII e Marco António, pais de Cleópatra Selene, também se suicidaram quando a sua tentativa de reinar no Egipto dissociando-se de Roma fracassou.
     O Império que não lhes guardou rancor, não só poupou a vida aos seus filhos, como também suportou a sua educação, preparando-os ao mesmo tempo para reis vassalos.
     O casamento de Juba II e Cleópatra no ano 19 a.C., ainda os aproximou mais devido ao fato de terem em comum a mesma atração pelas artes e letras, e ambos preferirem a cultura helénica à latina.
     A cultura grega muito popular no Império Romano, era um sinal de qualidade e elegância.
     Para Cleópatra Selene isso significava sem dúvida muito mais, porque fazia parte do património familiar.
    Como descedente de um general de Alexandre o Grande, ela pertence à Dinastia Lágida que deu ao Egíto os últimos faraós de origem greco-egípcia: os Ptolemeus.
    A sua célebre mãe Cleópatra instalada em Roma antes de assumir o poder na terra dos faraós, já era conhecida por estar sempre rodeada de grandes filósofos, poetas e artistas.
   A futura rainha do Egipto, acariciava então o sonho de criar um grande império, reunindo as melhores tradições da Bacia do Mediterrâneo: a filosofia grega, a tradição do comércio fenício e, a rica cultura egípcia-africana.
   Desse sonho, a sua filha Cleópatra Selene tornou-se uma verdadeira executora testamentária, quando ao lado do seu esposo, reinou desde a idade de  vinte anos na província da Mauritânia, oferecida por Augusto a Juba II, no ano 25 a.C., com a missão de acalmar os seus sujeitos considerados turbulentos, e expandir os costumes latinos.
    Cleópatra mandou cunhar moedas com símbolos religiosos egípcios  e com alguns animais que eram venerados pelos sujeitos do faraó.
    A capitale da província era IOL(actuale Cherchell ou Cherchel – Argélia), que o seu esposo mais tarde chamou Cesareia em honra do seu bem feitor. Rodeou-se de sábios, artistas, atores famosos e teve por médico o grego Euphorbe.
    A cidade tinha muitas estátuas, (uma das mais belas coleções que hoje se encontra no museu de Chercell), e mandou edificar belos edifícios  de arquitectura clássica, alguns deles representados nas suas moedas.
    Juba II, ele mesmo escritor, tornou-se o autor de uma grande coleção de escritos, entre eles, alguns enciclopédicos ou anedóticos.
    De Juba II, citado muitas vezes por autores gregos e latinos, ainda não se encontrou nehuma das  suas obras.
    Foi dos seus documentos que Plínio o Antigo, tirou grande parte dos seus conhecimentos em botânica, zoologia e geografia.
    Também Plutarco teve recurso aos seus documentos para tirar informações sobre antiguidades romanas.
    Juba II escrevia em grego e tinha uma grande paixão pela cultura desse país, pela qual os gregos o recompensaram mandando erigir uma estátua frente à academia de Ptolomeu .
    Cleópatra Selene faleceu por volta do ano 5 ou 6 da nossa era. Juba II, ainda viveu mais dezoito anos e, apesar de ter acompanhado César neto de Augusto,  ter casado com  Glafira, filha do rei de Capadócia e, viúva de um filho de Heródes rei da Judeia; ele optou por não a levar com ele para Iol, Cesareia.
    Talvez o seu amor por Cleópatra não suportasse a presença de uma rival, num território que a sua primeira esposa marcou profundamente com a sua influência.
    Até a última morada que se atribuíu ao real casal, um mausolée que encima uma colina no sul da cidade na estrada de Tipassa, tem a marca de Cleópatra.
     Este monumento de estilo africano com elementos decorativos  do mundo helénico, ainda não revelou todos os seus segredos sobre a família real mauritana ou númida, ali sepultada.
     Mas tudo leva a crer que foi erigida por Juba II em homenagem à sua bem amada Cleópatra Selene.
     O reinado de Juba II durou quase meio século. O casal teve um filho, Ptolemeu, que pouco despertou a atenção dos historiadores. Apenas sabemos  que foi morto pelo seu sobrinho Calígula em Roma no ano 40, tendo então a Mauritânia sido anexada por Roma.

Juba II e Cleópatra Selene
Denário cunhado em Cesareia (data incerta)
Anv. Busto de Juba com diadema à direita, BEX IVBA;
Rev. Busto de Cleópatra com diadema à direita, BACILICCA CLEOPATRA

Juba II e Cleópatra Selene
Denário cunhado em Cesareia 16/17 a.C..
Anv. Busto de Juba com diadema à direita, REX IVBA
Rev. Crescente de lua, símbolo de Isis e duas espigas, BACILICCA CLEOPATRA

Juba II e Cleópatra Selene
Denário cunhado em Cesareia entre  19 e 6 a.C..
Anv. Busto de Juba com diadema à direita, REX IVBA;
Rev. Crocodilo à esquerda, BACILICCA  CLEOPATRA

Juba II e Cleópatra Selene.
Denário cunhado em Cesareia, 20 a.C. - 20 d.C..
Anv. Busto de Juba com diadema à direita. REX IVBA
Rev. Estrela com seis pontas e crescente. BACILICCA . CLEOPATRA

Juba II e Cleópatra Selene
Denário cunhado em Cesareia 20 a.C.- 20d.C..
Anv. Busto de Juba II  com diadema à direita, REX IVBA
Rev. Busto da África drapeado, com a pele de leão na cabeça, à direita e dois dardos.

Juba II e Cleópatra Selene
Denário cunhado em Cesareia 25-23 a.C..
Busto de Juba com diadema à direita , REX IVBA.
Rev. Símbolo de Isis, sistro, BACILICCA  CLEOPATRA

Juba II e Cleópatra Selene
Denário cunhado em Cesareia no ano 36 d.C..
Anv. Cabeça de Juba com a pele de leão, REX IVBA.
Rev. Cornucópia, tridente, XXXVI
(A representação de Juba II em Hércules em moedas é relativamente rara).

Juba II e Cleópatra Selene
Denário cunhado em Cesareia no ano 36 d.C..
Anv. Cabeça de Juba com a pele de leão, REX IVBA.
Rev. Golfinho à esquerda, coroa de flores, XXXVI.


M. Geada  



Bibliografia



Stéphane Gsell ; Cherchel, antique Iol-Caesarea, Argel 1952.

Mounir Bouchenaki ; Le Mausolée Royal de Maurétanie, Argel 1979.

Artigos de Simon Bourhim ; Facebook