domingo, 6 de janeiro de 2013


GELA
    Uma das maiores cidades da Grécia antiga, Gela (Sicília), deixou-nos numerosas emissões monetárias com um tema bem particular,“o Deus Rio Gela” protetor da cidade, simbolizado por um prótoma de touro androcefalo (com rosto humano).
   
(Nota: todas as datas deste artigo  são anteriores à era de Cristo.)
   
   Cidade agrícola e industrial, situada na costa do Canal da Sicília próxima do rio Gela, foi fundada no ano 689 (44 anos depois de Siracusa), por colonos vindos de Rodes comandados por Antífimo, e alguns cretenses guiados por Entimo, que cativados pela beleza do local, então habitado por grupos de indígenas (os Siculi), decidiram estabelecer-se e alicerçar a cidade, que chamaram de Gela, devido à proximidade do rio com o mesmo nome.
  Antífimo e Entimo, tiveram que afrontar as hostilidades dos habitantes que, progressivamente, foram recuando e obrigados a refugiar-se nas montanhas.
    Foi daqui que um século mais tarde partiu um grupo de colonos comandados por Pistilos e Aristomos, que depois de alcançarem o rio Acragas, ali fundaram a cidade com o mesmo nome no ano 581.
(Após as guerras púnicas, Acragas ficou sob o controle de Roma com o nome de Agrigentum.)
    A cunhagem de moedas em Gela, terá começado por volta do ano 498, sobre a tirania dos reis Kléandros (505-498), ou de Hipócrates (498-491).
    Gélon (491-490, depois Híeron (478-466, foram sucessivamente tiranos de Gela antes de se imporem em Siracusa.
    O último tirano de Gelas foi Polyzalos 478-477, antes do restabelecimento da democracia no ano 466.
    Gela teve um desenvolvimento económico e artístico extraordinário entre 450 e 413.           
    A expedição ateniense  e a indiferença de Siracusa alteraram esta situação.
    Finalmente, Gela também sofreu com os ataques dos cartagineses aquando da sua invasão no ano 406.
    A cidade destruída, nunca mais foi reconstruída. 
 

 Gela, Tetradracma AR(prata).-século V
Anv. Biga a passo para a direita, e Niké coroando os cavalos.
Rev. Prótoma de touro androcefalo nadando  para a  direita.

    No reverso o touro representando o Deus Rio, poderá provir da metrópole da cidade siciliana, Rodes (Cária), onde o culto ao deus antropomorfo Archelous era atestado.
     Todavia, hoje os investigadores preferem ver o deus rio Gela.

  Gela, Tetradracma AR. – cerca de 450
Anv. Biga a passo para a direita,
e coluna com uma coroa de flores.
Rev. Prótoma de touro androcefalo nadando para a  direita.
 
  Esta extraordinária moeda, fascinou especialistas e amadores pelas suas características estéticas, que fazem dela um testemunho perfeito do estilo de transição entre o período dito arcaico, e o início promissor do classicismo.
    O anverso deste tetradracma presta, certamente, homenagem à série de vitórias alcançadas por Gela nas corridas de carros.
    Pantares, Gelão, Híeron e Polyzalos entre outros, ilustraram-se nas corridas para grande glória da cidade.
   O reverso, oferece uma dimensão monumental ao deus Rio, gravado numa combinação de estilos, onde o arcaico da cabeleira se mistura perfeitamente ao  classicismo dos olhos e da barba finamente cinzelada.
    Este exemplar (único conhecido) com a coroa de folhas de oliveira em volta do pescoço do touro, além das vitórias de carros, também poderá comemorar alguns fatos guerreiros, nos quais se destacaram a bravura e habilidade dos combatentes de Gela, ao repelir vitoriosamente os invasores.
    A vitória de Himera sobre os cartagineses por volta do ano 480; a vitória de Cúmes contra os etruscos no ano 474 e, mais próximo da emissão desta moeda no ano 451, a vitória de Nomai contra Dukétios, chefe dos siciliotas.
    Se como pensa Jenkins, (grande especialista das moedas de Gela)este exemplar foi cunhado por volta do ano 450; o artista gravador do reverso soube antever a vanguarda sem desdenhar as puras tradições, como se deve fazer em todas as inspirações artíticas.  
               
Gela,Tetradracma Ar.- 515-405
Anv.Quadriga galopando para a esq. e Niké 
Rev. Prótoma de touro androcefalo
nadando para a direita

 Gela,Tetradracma AR.- cerca de 450
Anv.Biga a passo caminhando para a esq.
                                                Rev. Prótoma de touro androcefalo                                                
                                                                      nadando para a dir..                                                                         
                                                
Gela, Litra AR. – 465-450
                                  Anv.Cavalo a passo dentro de um circulo                                 
                                             de pérolas, caminhando para a dir..                                          
                                              Rev. Prótoma de touro androcefalo                                           
                                                               nadando para a  dir..                                                                 

 7 Gela, Litra AR. – 465-450
Anv.Cavalo a passo dentro de um círculo
de pérolas, caminhando para a dir., dois        
ramos de oliveira e quarto de lua.
Rv. Prótoma de touro androcefalo
nadando para a dir..

Gela, Didracma AR. – 490-485                                   
Av. Cavaleiro nu, com capucho, armado             
de uma lança, galopando para a dir..                  
                    Rev. Prótmoma de touro androcefalo                   
nadando para a dir..

 Gela, Didracma AR. – 490-475
Anv.Cavaleiro nu, com capaceto, armado
de uma lança, galopando para a dir..    
Rev. Prótoma de touro androcefalo
nadando para a dir..

 
 Gela, Hemiobolo AR.- cerca de 470                          
                               Av. Roda com quatro raios.                                
                      Rv. Prótoma de touro androcefalo                     
nadando para a dir..

 Gela, Tetras ou Trias BR(bronze) - 420-405
Anv. Touro investindo à esquerda e três pontos, (= valor)
Rev. Efigie de jovem com uma fita na cabeça
e chifres, simbolizando o deus Rio Gela

Gela, Tetras ou Trias BR. – cerca de 400
Av.Touro investindo à esq. e
três pontos=(valor) e grão de cevada.
Rv.Efígie de jovem com o cabelo eriçado e chifres
simbolizando o deus Rio Gela.
.
Gela
Tetradracma AR.– 415-405
Anv. Quadriga galopando para a esquerda, espiga de trigo e águia.
 Rev. Touro androcefalo ao passo para a esquerda,
espiga de trigo e grão de cevada.
“Jenkins (pag.93), pensa que este anverso,  é uma obra não assinada do célebre gravador de cunhos, Cimon.”

M. Geada

BIBLIOGRAFIA
Vigne: Jean Bruno – La Vie des Monnais Grecques, J. D. Editions, Paris 1998.
E: Gàbrici – La Monetazione del Bronzo Nella Sicilia Antica, Forni Editora Bologna, 1985. (Ristampa anastatica dell’edizione di Palermo, 1927).
G.K: Jenkins – Monnaies Grecques, 1992.
Ph.: Grierson – Monnaies et Monnayage, Aubier, Paris, 1976
Tradart: Revista Monnaies: n° 2- julho-agosto 1991.
Vedrines: Josiane - Monnais de Colection, julho, 1994.
Centre Numismatique du Palais-Royale: Catálogo de vendas, março 1997.
Centre Numismatique du Palais-Royale: Catálogo de vendas, dezembro 1999.
Vinchon: Jean – Catálogo de vendas, novembro, 2004.
http://www.wildwinds.com/coins/greece/sicily/gela/i.html
http://www.cosmovisions.com/$Fleuve01.htm

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012


SALONINA

    Júlia Cornélia Salonina, imperatriz romana de 254 a 268.
  Segundo a História de Augusto, Salonina seria originária da Bitínia, (Norte da Turquia atual) e casou com o imperador Galiano no ano 253.
    O casal terá tido três filhos: Salonino, Valeriano II e  Jules Galiano.
   A existência  de pelo menos dois, Salonino e Valeriano II, nomeados César quando teriam cerca de doze anos, é confirmada por moedas e inscrições lapidárias mas, é provável que o casal tivesse tido outros filhos, porque alguns (raros) documentos escritos, evocam também os nomes de Marinianus e Gala, mas a sua existência é todavia improvável. 

Salonino-Antoniniano, Lião 256. 
Anv. SAL(ONINVS) VALERIANVS C S (CAES)
Rev. PRINC INVENT
Ref. RIC V-1, 10, Cohen 61, Sear5 10770

Valeriano II-Antoniniano, Roma 258/259
Anv. P C L VALERIANVS NOB CAES
Rev. PRINCIPI  IVVENT
Ref. RIC 23, RSC 81

Salonina-Antoniniano, Roma 256/257
Anv. SALONINA AVG
Rev. PIETAS AVG - Pietas  sentada num trono à esquerda e três crianças.
Ref. RIC v-1, 35, Gobl 229 b, RSC 84, Sear 10647.

  A legenda FECUNDITAS (Fecundidade) AVG(VSTA) aparece com muita frequência nos reversos das suas moedas.

Salonina–Antoniniano, Roma 256/257
Anv. SALONINA AVG
Rev. FECVNDITAS AVG
Ref. RIC V 26, Cohen 44, VF

    Ainda durante o reinado de imperador Valeriano I,(seu sogro)foi elevada à dignidade de Augusta e, após a morte da imperatriz Mariniana (sua sogra) passou a ser a única imperatriz em exercício durante quinze anos.
   Salonina recebeu ainda a dignidade de PIA FELIX, fato excepcional porque só as imperatrizes Julia Domna  e Severina, tinham beneficiado desta distinção no século III.  
   Além de alguns bustos nos museus do Capitólio, da Hermitage, de São Petersbourg e, alguns documentos escritos (História de Augusto) a imperatriz Salonina, deixou-nos numerosas moedas que nos informam sobre os seus valores e vicissitudes do seu longo reinado.
   Relatados por muitos autores, os atos de benevolência atribuídos a Salonina tornam-se ainda mais credíveis por se inserirem perfeitamente na história daquela época.
   A captura de Valeriano I, pai de Galiano, por Sapor I (rei da Pérsia sassânida  entre 241-272), em 258 ou 259, causou grande emoção em todo o Império Romano.
 Após a morte de Trajano Décio, grande persecutor dos cristãos e, primeiro imperador romano morto em combate, os cristãos viram ali um sinal, um castigo da vingança divina.
  Talvez  por ansiedade  de escapar ao destino fúnebre dos seus antecessores, Galiano logo em 260, promulgou um édito de tolerância para com os cristãos.
  Desconhecemos se esta decisão foi influenciada pela imperatriz mas, é provável pelo fato de  eles já serem casados há muito tempo e, também pelos gestos de clemência de Salonina em 261, coincidirem perfeitamente com o édito.
   É portanto muito credível, Galiano ter sido influenciado por sua esposa.
   Mas estes gestos de clemência fariam da imperatriz uma cristã ?
 Sem dúvida não, visto que  Salonina e Galiano frequentavam assiduamente os filósofos Porfírio 234/305 e Plotino 205/270, cujas teses rejeitavam os cultos e dogmas cristãs e, também pelo fato de Galiano pensar construir em  Campania (ou Campanha), uma nova cidade dedicada ao filósofo Platão.
   As moedas da época cofirmam  esta orientação pagã, e apresentam durante os quize anos de reinado uma iconografia constantemnte dedicada aos deuses de Roma e, termina com uma série do bestiário onde a imperatriz se coloca sob a proteção da deusa Juno, com a legenda IVNONI CONS(ERVAT) AVG(VSTA) , A Juno protetora da imperatriz.

Salonina-Antoniniano, Roma 267-268
Anv. SALONINA AVG
Rev. IVNONI CONS AVG
Ref. RIC 15, Sear88 3041, Cohen 70.

Salonina-Antoniniano, Roma 266/267
Anv. COR SALONINA AVG
Rev. IVNONO CONS AVG
(Curiosa legenda IVNONO -  erro do artista monetário???)

    Os pricipais reversos da imperatriz colocam-na sob a proteção das deusas Juno, Vesta, Ceres, Segesta, Diana, ou louvando a saúde (SALIS), fertilidade (FECUNDITAS, felicidade (FELICITAS PUBLICAE).

Salonina, Lião 258
Anv. SALONIA AVG
Rev. DEAE SEGETIAI - (Imagem e templo da deusa Segesta.)
Ref. RIC V-1, 5 Lyons, Elmer 96, Sear 10631.

    Segesta aparece únicamente em moedas de Salonina.
   Este templo construído no interior do Circo Grande em Roma e, posteriormente mudado para o exterior a mando desta  imperatriz, pensa-se ter sido  mandado erigir por ela.
    Anteriormente, apenas um pequeno altar em Roma lhe era dedicado.

Salonina-Antoniniano, Ásia 267
Anv. SALONINA AVG
Rev. SALVS AVG
Ref. RIC 88, RSC 105, Sear5  10652 

    Difícil portanto de considerar no meio deste oceano de paganismo, que o reverso com a legenda AVGVSTA IN PACE ou AVG IN PACE (imperatriz em paz), possa ser um índice de  simpatia de Salonina para com os cristãos.
    A menção IN PACE, encontra-se nas sepulturas cristãs, (REQUIESCAT IN PACE - repousa/em em paz).

Salonina-Antoniniano, Milão 260/268
Anv. CORN SALONINA AVG
Rev. AVG IN PACE
Ref. RIC 57 var., Gobl 1378.

    Mantemos por nossa parte uma imperatriz não cristã mas, compreensiva e tolerante, da qual a sua história não relata nada de negativo, (salvo a sua irritação quando foi burlada por um negociante de pedras preciosas, “História de Augusto”).

UMA CUNHAGEM IMPORTANTE DURANTE UM PERÍODO PERTURBADO

   Mesmo se tiver-mos em conta o seu longo reinado, a cunhagem das moedas de Salonina foi muito importante.
   Às centenas de tipos de antoninianos conhecidos, juntam-se as moedas de ouro (áureos), os bronzes (sestércios, asses, dupôndios), prata (raríssimos quinários, tetradracmas de Alexandria e inúmeras moedas provinciais e coloniais).

Salonina-Quinário, Roma 254/255
Anv. SALONINA AVG
Rev. IVNO REGINA
Ref. RIC 40, RSC 61

   Durante os quinze anos de reinado foram cunhadas centenas de milhares ou mesmo milhões de moedas em seu nome.
    Em termos qualificativos, a percentagem de moedas emitidas pelo casal imperial é globalmente de 15% por Salonina, e 85% para Galiano: tudo isto num período dificil, perturbado  por ursupadores.
    Postúmio na Gália, Macrino e Quietus no Oriente, e ainda as incursões bárbaras dos vândalos e alamanos.
    O estado de guerra cívil ou estrangeira, causou uma necessidade sempre crescente  de moedas e, deu origem a que o  conteúdo de prata nas moedas de bolhão (liga de prata e cobre) fosse reduzido.
   Aos poucos, os  antoninianos do início do reinado cederam lugar a pequenas moedas de cobre, cobertas com uma fina película de prata.
   Os conflitos do período 253/268, e dos anos posteriores, são confirmados pelos numerosos tesouros encontrados e, cuja composição mostra  que foram enterrados no início do reinado de  Aureliano 270, imperador do qual um dos seus primeiros trabalhos foi construir uma muralha à volta de Roma.
    Estes tesouros  monetários que contêm principalmente moedas do fim do reinado de Galiano e Salonina, (em particular a série do bestiário) confirmam a grave ameaça que pesava sobre o império e, parece creditar as teses segundo as quais  Galiano foi assassinado, aquando dum golpe de estado dos generais Ilírios, (liderados por Cláudio o Gótico e Aureliano). 
     Em causa estaria a  sua incapacidade em manter a ordem.
  Durante o reinado de Galiano e Salonina, a inflação monetária originou o desaparecimento das moedas de bronze .
   Com um antoniniano agora reduzido a uma simples rodela de cobre prateada e, com pouco valor, a fabricação de grandes  bronzes tornou-se desnecessária. Sestércios, asses e dupôndius, desapareceram durante o reinado conjunto.
   O tradicional sistema monetário romano continuou em deriva até à implosão final,  que deu origem ao sistema monetário do Baixo-Império. 

CARACTERÍSTICAS DAS CUNHAGENS DE SALONINA


    A multiplicação das emissões e oficinas  monetárias (12 em Roma), obrigou  a uma modernização do sistema monetário e ao aparecimento das letras da oficina ou marca, que permite distinguir o local onde a moeda foi cunhada.
    Para Salonina é principalmente a letra  Q: (uma das oficinas de Roma)

Salonina-Antoniniano, Roma 260/268
Anv. SALONINA AVG
Rev. IVNO REGINA                               
Ref. RIC 12, Gobl 242b.

Para Milão, aparecem as letras MP e  MS,  primeira e segunda oficina.

Salonina Antoniniano, Milão 255/260
Anv. SALONINA AVG
Rev. IVNO AVG
Ref. RIC 62, Goebl 1381e, C 55.


    No Oriente,  para as diversas cunhagens da imperatriz os diferendos utilizados são : estrela (ou sol), crescente de lua, pavão, ou palma.
    Em  algumas emissões, é facil atribuir a data de cunhagem pela referência no reverso ao sétimo consulado de Galiano (VII C).

Salonina-Antoniniano, Antioquia 267
Anv. SALONINA AVG
Rev. AEQVITAS AVG   VII C
Ref. RIC 87, Gobl 1648d, Sear 10625

    O desaparecimento das letras S C (SENATVS CONSVLTVS) em algumas moedas de bronze, parece indicar a continuidade de divergências com o Senado, iniciadas no reinado de Valeriano I.

   A titelatura das moedas de Salonina é clássica e, encontramos nos seus antoninianos SALONINA AVG, COR SALONINA, OU CORN SALONINA AVG e,  um raro antoniniano SALONINA PF AVG, que reflete  a importância da imperatriz. ( PF=PIA FELIX )

Salonina-Antoniniano, Milão 254/268
Anv. SALONINA PF AVG
Rev. AVG IN PACE
Ref. RIC 58, Mir 36, 1377e, RSC 19     

   As moedas de Galiano e Salonina  encontram-se em grande quantidade, especialmente os antoninianos.
    As cunhagens de bronze, e as  provinciais  permanecem raras, sobretudo as da imperatriz.
  Os tetradracmas do Egito são mais correntes. Em contrapartida; os áureos, quinários  e denários, são extremamente raros.

Salonina-Áureo, Viminacium 254/257
Anv. CORN SALONINA AVG
Rev. IVNO REGINA
Ref. RIC 10, Sear5 10616.

   Cada oficina tem o seu estilo particular e, com um pouco de atenção, reconhecemos sem grande dificuldade os locais de produção: Treves, Milão, Roma, Viminacium, Antioquia (talvez ainda outra oficina oriental reconhecida como “Samósata” mas hoje posta em causa), e outras. 

Salonina-Alexandria, Tetradracma 263/264
Anv. KOPNHOA CAΩNEINA CEB
Rev. LIA
Ref. Koln 2967, Dattari 5335, BMC 2258, SNG.

   Estas  cunhagem de Galiano e Salonina são particularmente interessantes  por serem emitidas durante um período de quinze anos, o que é muito raro para imperadores romanos e, revelam nitidamente as dificuldades que afrontaram durante o seu longo reinado.
  Este período, torna-se ainda mais cativante por marcar uma volta na história numismática romana com o desaparecimento do bronze, e a redução quase a zero do antoniniano, ou ainda pela sua fiduciaria.

Salonina-Damasco, AE 22,  253/268
Anv. CORNE SANIONA AVG
Rev. COLΔAMAS METRO
Ref. SGI 4691, Rosemberger 63.

    Envolvida no trágico fim do seu esposo, Salonina saíu da história ao mesmo tempo que Galiano.
  O casal legou-nos uma cunhagem abundante e interessante: históricamente, iconográficamente e  intrinsicamente.

M.Geada

BIBLIOGRAFIA

Biblioteca Wikipédia
François ZOSSO, Christian ZINGG : Les Empereurs Romains – 27 a.C. – 476 d.C., Editions Errance, Paris 1994. 
Sousa; Manuel Félix Geada-História dos Monumentos Romanos Contada Através das Moedas. Coimbra, Julho, 2006


sexta-feira, 16 de novembro de 2012



Hércules.
 Nome romano de Héracles filho de Júpiter de  Alcmena; um dos heróis mais venerados na antiguidade.

   A mitologia grega atribui-lhe numerosas aventuras que o fizeram viajar em todo o  mundo conhecido na época, em todo o Mar Mediterrâneo e mesmo até ao inferno.
   Ainda bebé afogou as serpentes que Juno enviou para o devorarem, (há várias versões deste episódio;  umas que as serpentes  foram enviadas por Hera porque Hércules a tinha mordido quando Hermes o pôs a mamar no seu seio, outras, que foram enviadas  pelo rei Anfitrião, esposo de Alcmena).


 Tebas -Século V a.C., Estáter AR 
Anv. Escudo beócio                               
Rev. Hércules afogando as serpentes
   
  As mais célebres das suas aventuras são sem dúvida os doze trabalhos que lhe foram impostos por Euristeu.
  
   Este deus greco-romano meio homem meio herói, meio imortal, efectua os mais difíceis  trabalhos com o objectivo  de alcançar a imortalidade.
   Nao é de admirar que tal personagem filho de Júpiter fosse modelo de alguns imperadores romanos, que com o passar dos tempos tiverem cada vez mais tendência a identificar-se com o semideus.
  Esta identificaçao com Hércules era ainda mais perceptível, por este ser um semideus que aspirava à eternidade.
   Alguns deles como Cómodo, ou Caracala, diziam serem  a reencarnação de Hércules.
   Podemos ver no museu do Capitólio, em Roma,  um busto de Cómodo com a pele do Leão de Nemeia na cabeça, a moca (ou maça)  na mão direita, e as maçãs do jardim das Hespérides na esquerda.
  Há um sestércio, em que o imperador é representado no anverso com a pele do leão na cabeça, e no reverso a moca de Hércules.
 A imagem do imperador Maximiano cunhada no anverso dum aureliano, também representa o imperador com a pele do leão no ombro esquerdo, e a moca no ombro direito. Um exemplo de identificação bem expressiva entre o imperador e o semideus.

Caracala – AE 42  
Anv. AVT K M AVR CEOVHR ANTWNINOC AVG
Rev. PERINQIWN NEWKORWN
(Caracala com bastião e Hércules com a moca  no ato de  um sacrifício.
No meio, um altar aceso.)

Cómodo - Sestércio - AE
Anv. LAEL AUREL COMM AVG P (Cómodo com a pele de leão)                                              
Rev. HERCVL ROM ANO AVGV SC (moca de Hércules)


 Maximiano - Antoniniano   AR 400%
Anv. IMP MAXIMIANVS P AVG
Rev. HERCVLI  PACIFERO 
(No anverso, Maximiano vestido com a pele de leão, e moca no ombro direito).
  
   São muitas as moedas gregas e romanas que fazem referência a Hércules, não as podemos reproduzir todas, apenas mostramos alguns exemplares.

Cízico, Mísia – Héracles (Hércules) ainda criança.                    
Hecto cízico  em electro, século V a.C., (raríssimo)
(electro: liga natural de ouro e prata).


Cízico, Mísia -  Héracles com barba
Estáter cízico em electro, século V a.C., (raríssimo)

Paeonia – Perdicas I, 359/340 a.C., Tetradracma AR
Anv. Zeus ou Apolo à direita.
Rev. Héracles lutando com o leão de Nemeia.

Heracleia Pôntica (tiranos)  cerca de 352/345 a.C., Tridracma AR
Anv. Héracles à esquerda.
Rev. Hera à esquerda.

Lucânia Heracleia, cerca de 300 a.C., Estáter AR
Anv. Atena com capaceto coríntio à direita.
Rev. Héracles de frente com a moca e a pele de leão.

Síria-Antioco I, 280/261 a.C., Tetradracma AR
Anv. Antioco I à direita.
Rev. Héracles sentado à esquerda, com a mão direita apoiada na moca.



OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES

   Aquando duma crise de loucura, Hércules matou sua esposa e filhos.
   Para o punir por este crime, Eristeu impôs-lhe uma série de  trabalhos.

I
O LEÃO DE NEMEIA

O primeiro trabalho que Eristeu impôs a Hércules, foi matar o leão Neméia que matava muitas pessoas  e animais . O leão tinha a pele tão dura, que o ferro e o bronze não a conseguiam furar.

Maximiano – Antoniniano AR, cunhado em Lião em 289.

II
A HIDRA DE LERNA

Em seguida Hércules teve que matar A Hidra de Lerna.
A Hidra (serpente) tinha nove cabeças uma das quais era imortal.
O veneno que ela fabricava era tão forte que o seu hálito era fatal.

Geta - AE 26, cunhado em  Andrinopola (Trácia).
(Hoje Edirme na Turquia)

III
O JAVALI DE ERIMANTO

O terceiro trabalho de Hércules foi o de apanhar vivo o  terrível Javali de Erimanto.
Era um animal selvagem e gigantesco que aterrorizava a região.
Quando Hércules avistou o javali, ficou aterrorizado e refugiou-se num vaso de bronze enquanto estudava a melhor táctica para o capturar.

Séptimo Severo – AE 40, cunhado em Perinto (Trácia)

IV
A CORSA CERINITA

O quarta tarefa de Hércules foi de capturar a Cerva (corsa) Cerinita, e de a transportar viva de Oensoé a Micenas.
Esta corsa consagrada a Diana, era muito rápida e tinha cascos de bronze e cornos de ouro.
Para a conseguir capturar, Hércules persegui-a sem descansar durante um ano.

Maximiano - Quinário AR, cunhado em Lião em 286.

V
OS ESTÁBULOS DE AUGEIAS (ou  ÁUGIAS)

O quinto trabalho de Hércules foi limpar os Estábulos de Augeias só num dia.
O rei Augeias, tinha um numeroso rebanho que ocupava grandes estábulos que muito tempo não eram limpos.
Para triunfar nesta tarefa, Hércules teve que desviar o curso do rio Alfeu, conseguindo assim limpar os estábulos.

Antonino Pio – Dracma AE, cunhado em Alexandria 146/147.

VI
OS PÁSSAROS DO LAGO ESTÍNFALO

A seguir Hércules teve que exterminar os pássaros do Lago Estínfalo.
Os seus bicos, patas e asas eram de bronze, e também devoravam homens.
Os seus excrementos venenosos destruiam as colheitas.

Antonino Pio – Dracma AE, cunhado em Alexandria 140/141.

VII
O TOURO DE CRETA

O sétimo trabalho impôsto por Eristeu  a  Hércules, foi a captura do Touro de Creta que tinha engendrado o Minotauro (Monstro, metade homem e metade touro, filho de Pasífaa, mulher de Minos, ao qual Atenas oferecia adolescentes em tributo anual, foi morto por Teseu).
Apezar de furioso e lançar chamas pelo nariz, Hércules decidiu capturá-lo só com as mãos.

Gordian III - AE 27, Cunhado em Andrinopola (Trácia).

VIII
AS ÉGUAS DE DIÓMEDES

Para o seu oitavo trabalho Hércules teve que capturar as éguas selvagens de Diómedes rei da Trácia, que este alimentava com carne humana.
Após a sua captura, Hércules ofereceu-lhes em repasto o corpo do rei.

Antonino Pio – Dracma AE, Cunhado em Alexandria 141/142.

IX
O CINTURÃO DE HIPÓLITA

A missão do herói foi ir buscar o cinturão de ouro de Ares, que Hipólita rainha das amazonas detinha. Como Hércules não o podia obter pela  força, teve que recorrer à diplomacia e convencer  a rainha a oferecer-lho.
O cinturão destinava-se a Admeto, filha de Euristeu.

Antonino Pio - Dracma AE, cunhado em Alexandria 146/147.

X
OS BOIS DE GIRIÃO

O décimo dos trabalhos de Hércules foi ir buscar a manada de bois de Girião, que tinha a reputação de ser o homem mais forte da terra.
Girião nasceu com três cabeças, seis mãos e três corpos, que se reuniam entre si na cintura.

Séptimo Severo - AE 40, cunhado em Perinto (Trácia).

XI
OS POMOS DE OURO DO JARDIM DAS HESPÉRIDES

Hércules ja tinha efectuado os dez trabalhos, mas Eristeu não contou o segundo nem o quinto, e impôs-lhe mais dois.
O décimo primeiro foi ir buscar os frutos de ouro de uma macieira que Gaia tinha oferecido a Hera e que esta plantou no seu jardim divino.
Ao aperceber-se que as Hespérides a quem ela tinha confiado a guarda da árvore lhe roubavam as maçãs, Hera acorrentou um dragão à macieira para que ninguém se pudesse aproximar.
Quando Hércules viu o dragão, pediu a  Ares que as colhesse, enquanto ele o substituia a suportar  o mundo.

Antonino Pio - Dracma AE, cunhado em Alexandria 146/147.

XII
A CAPTURA DO CÉRBERO

O último e mais terrível trabalho de Hércules, foi descer ao inferno e trazer o terrível  Cérbero. Um cão com três cabeças que era o guarda do mundo interior.
Hércules  agarrou o animal pelo pescoço e só o largou quando ele consentiu
em acompanhá-lo.

Gordiano III - AE 29, cunhado em Perintos (Trácia).

(Existem muitas  divergências sobre a cronologia dos trabalhos de Hércules. É hoje,  impossível saber qual a sua ordem exacta. Optei por esta, por aparecer com mais frequência, e por ser também a ordem dos trabalhos citada por Apolodoro.)

M. Geada

  
Bibliografia

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Centre numismátique du Palais-Royale-Catalogo de vendas Dezembro 1999
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