quarta-feira, 31 de julho de 2013

CORINTO

TRÊS SÉCULOS DE ESTABILIDADE MONETÁRIA

Situada no cruzamento com as vias de comunicação norte-sul (Grécia do Norte - Peloponeso), e Este-Oeste (Ásia-Menor - Grande Grécia), a cidade de Corinto foi construída num istmo a 5 quilómetros do mar, a norte de Acrocorinto, (cidadela que domina a planície dos seus 575 metros de altura), e entre dois portos: Cencre (ou Cencréia), a Leste no Golfo Sarónico, e Lequeo a Oueste, no Golfo Coríntio.
Com uma indústria muito prolífera, a cidade desenvolveu a sua principal atividade  no comércio do azeite, perfume, vinho, e numa importante indústria naval e cerâmica.
Desde o início do século VI a.C. a cidade contestou a  predominância comercial de Atenas, graças às suas colónias das quais Siracusa foi a mais célebre.
De entre todos os fatores que favoreceram o seu desenvolvimento  destaca-se um sistema monetário judicioso e constante (o Estáter de Corinto) essencial para a sua prosperidade.
Alguns fragmentos de cerâmica descobertos nas ruínas da cidade, atestam a existência de Corinto já na época de Homero (século IX a.C.).
No campo da moeda por baixo do Pégaso (cavalo alado) tem  a letra arcaica Q(qoppa), inicial do nome da cidade em grego antigo que se manteve nas moedas, e foi substituída noutros  documentos pela letra K (Kapa).
A cronologia das moedas a partir do século V, é todavia sujeita  a controvérsias devido ao número de símbolos  e da perseverança dos estilos.
O fim do século VII é a época dos estáteres arcaicos Pégaso no anverso, e o  reverso dividido em várias seções: mais tarde,  com a cruz suástica dentro de um quadrado .
São moedas contemporâneas de Egina e Atenas, de origem asiática.

Corinto- Estáter arcaico, fim do século VII a.C.
Anv. Pegaso voando à esquerda.
Rev. Figuras geométricas. Suástica?.

Estáteres arcaicos com Cruz Suástica (gamada).

 Corinto-Estáter, 570-550 a.C.
Anv. Pégaso voando à esquerda.
Rev. Quadrado côncavo com a cruz suástica.

Corinto-Estáter, 570-550 a.C.
Anv. Pégaso à voando à esquerda.
Rev. Cruz suástica.

Tal como aconteceu em Atenas, o estilo da moeda mudou, os estáteres de Corinto passaram a ser mais espessos, e com menos diâmetro.
A introdução da cabeça de Atena com capaceto coríntio num quadrado côncavo, no reverso dos Pégasos, terá acontecido por volta dos anos 550 ou 540 a.C.

 Corinto- Estáter, 550 – 525 a.C.
Anv. Pegaso voando à esquerda.
Atena com capacete coríntio e colar à direita.

 Corinto-Estáter, 500 – 490 a.C.
Anv. Pegaso voando à esquerda.
Atena com capacete coríntio à direita.

No século V cerca  do ano 430, aparecem os símbolos no reverso (Ravel período IV).
É a apoteose da predominância da moeda coríntia na Sicília.
No século IV, por volta do anos 380-300, aparecem as letras no campo, (período V de Ravel). É o período mais produtivo.
A classificação das emissões mais antigas foi feita seguindo a evolução do reverso.
A sua ornamentação lembra a dos primeiros estáteres de Egina, com o reverso dividido em várias seções, depois mais original com o aparecimento da Suástica , esculpida dentro de um quadrado côncavo.
Segundo o trabalho apresentado por O. Ravel em 1936, as primeiras emissões monetárias coríntias terão sido batidas  com 65 cunhos diferentes.
  
 Corinto-  Estáter,  433 a.C.
Anv. Pégaso voando à direita. 
Rev. Atena com capacete coríntio à direita.

Corinto- Estáter- 400-350 a.C.
Anv. Pégaso voando à esquerda. 
Rev. Atena com capacete coríntio à esquerda e golfinho.

 Corinto- Estáter, 400-350 a.C.
Anv. Pégaso voando à direita. 
Rev. Atena com capacete coríntio à direita e turíbulo.

 Corinto- Estáter,  400-350 a.C.
Anv. Pégaso a passo à esquerda. 
Rev. Atena com capacete coríntio à esquerda.
golfinho e sátiro em pé.

A descrição das moedas está separada por períodos, ou classificada por séries. Quando lhe foi possível, as ligações entre os cunhos permitiram o estabelecimento duma cronologia das emissões.
Alguns achados arqueológicos encontrados recentemente e desconhecidos por Ravel aquando da sua monumental obra “Os Cavalos de Corinto” forneceram mais informações, sem contudo alterarem muito os dados apresentados pelo Autor.
(Só algumas datas de acontecimentos são hoje contestadas: entre outras, a da  introdução da cruz  Suástica).
   
Nas moedas ditas de Wappenmunzen, apareceram Pégasos cunhados sobre didracmas atenienses tipo cabeça górgona(1).
Ora esse tipo de moeda  é dos mais recentes,  o que situaria o aparecimento da  cruz suástica nas moedas coríntias  nos anos 520, e não numa data anterior.
É pois possível que Atenas tenha precedido Corinto, mas de pouco na cunhagem de moedas.

((1)Criatura da mitologia grega, representada como um monstro feroz de aspecto feminino, com a cabeça coberta de serpentes. Tinha o poder de transformar em pedra todos aqueles que a olhassem.)

 Corinto-Dracma, 400-338 a.C.
Anv. Pégaso voando à esquerda.
Rev. Afrodite (Vénus) à esquerda.

 Corinto-Dracma, cerca de 330-300 a.C.
Anv. Pégaso voando à esquerda.
Rev. Afrodite com colar à esquerda.

 Corinto-Hemidracma, cerca de 234 a.C.-187 d.C.
Anv. protoma de pegaso voando à esquerda.
Rev. Afrodite à esquerda.

Os achados arqueológicos de Sambiase em 1960, Calábria e Selinunte  em 1985, testemunham que os primeiros exemplares arcaicos apareceram no final do século VI, não só em Corinto como  também na Grande Grécia e na Sicília.
Alguns destes exemplares depois de polidos,  terão servido de suporte a  moedas incusas de Metaponto e de Crotona.
Aquando da conquista Dórida (ou Dóride) a cidade foi tomada pelo general Temenos, o conquistador de Argos. Mais tarde foram fundadas as colónias de Corcira e Siracusa (cerca de 734 a.C.), fato que permitiu a Corinto desenvolver a sua indústria naval que forneceu navios a outras cidades, como Samos, (cerca de 704 a.C.), assim como a sua indústria de olaria.
Por volta do ano 657 a.C., após a oligarquia dos Bachiadas sob o reino do tirano Cípselo, a prosperidade de Corinto já é muito importante. Foi Périandro seu sucessor que governou de 625 a 585 a.C, que mandou cunhar os primeiros estáteres arcaicos, e manteve relações comerciais com o general Trasibulo tirano de Mileto, e com o rei Aliate da Lídia.
No ano 480 a.C., Corinto fez parte da coalização comandada pelo general ateniense Temístocles que combateu os persas nas Termópilas e ganharam a batalha de Salamina, mas o predomínio de Atenas é ainda muito importante em relação ao número de navios, cerca de 1 por 5.                                       
O imperialismo de Atenas e a sua oposição a Esparta foi uma das causas da guerra do Peloponeso no ano 431 a.C., durante a qual a cidade de Corinto sofreu muito, perdendo alguns navios e colónias.
A derrota de Atenas no ano 405 a.C., em Siracusa marcou o início da supremacia de Corinto.
Quando no ano 344 a.C., os gregos da Sicília pediram ajuda na guerra contra os cartagineses, Corinto enviou-lhes Timoleonte para libertar e repovoar Siracusa.
Desde então os  estáteres  de Corinto impõem-se progressivamente em toda a Bacia do Mediterrâneo. Mais de vinte cidades dependentes de Corinto vão cunhar a mesma moeda.

 Reggio di Calabria- Estáter, 351-280 a.C.
Anv. Pégaso voando à esquerda, RH (RHEGIUM).
Rev. Arena com capacete coríntio à esquerda, e lira.

 Siracusa- Estáter,  344-317 a.C.
Anv. Pégaso voando à esquerda.
Rev. Atena com capacete coríntio à direita.
e legenda (Siracusa em grego).

 Siracusa- Estáter, 305 a.C.
Anv. Pegaso voando à direita, tríscele ou trskelion,
e legenda Siracusa em grego.
Rev. Atena com capacete coríntio ornamentado com um grifo à direita.

Arcádia (Anatólia)- Estáter, 386-387 a.C.
Anv.Pégaso voando à esquerda. 
Rev.Atena com capacete coríntio à esquerda.
e estátua de Atena.

Acarnânia (Argos-Anphilochikom)- Estáter, 340-300 a.C.
Anv. Pégaso voando à esquerda.
Rev. Atena com capacete coríntio à esquerda, legenda e capacete.  

 Acarnânia (Leucas) – Estáter, cerca de 400-350 a.C.
Anv. Pégaso voando à direita.
Rev. Afrodite (Vénus) à direita.

 Acarnânia (Leucas) – Estáter, 375-350 a.C
Anv. Pégaso voando à esquerda.
Rev.Atena com capaceto coríntio à esquerda.,
escudo e caduceu.

 Acarnânia (Thyrrheion)- Estáter, 350-250 a.C.
Anv. Pégaso voando à esquerda.
Rev. Atena com capacete coríntio e colar à esquerda.

 Acarnânia (Alysia) - Estáter, 330-280 a.C.
Anv. Pégaso voando à direita.
Rev. Atena com capacete coríntio à direita e legenda .


 Lucânia (Heracleia) -Estáter IV século a.C.
Anv. Pégaso voando à esquerda.
Rev. Atena com capacete coríntio à direita
  
 Argólida (Argos)- Estáter, IV século a.C.
Anv. Pégaso voando à direita e Argos, o cão de Ulisses.
Rev. Atena com capacete coríntio à esquerda, grão de cevada e legenda.

 Ilíria (Dirráquio) -Estáter, 350-300 a.C.
Anv. Pégaso voando à  direita.
Rev. Atena com capacete coríntio à direita.
turíbulo e golfinho.

 Arta (antiga Ambrácia ou Amprácia) -Estáter, 340 a.C.
Anv. Pégaso voando à direita.
  Atena com capacete coríntio à esquerda,
cacho de uvas, taça - A .

 Lócrida Ocidental-Estáter, 350-275 a.C.
Anv. Pégaso voando à esquerda.
Rev. Atena com capacete coríntio à esquerda e legenda .

 Lócrida Ocidental - BR 27, 278-276 a.C.
Anv.Pégaso voando à esquerda e legenda.
Rev. Atena com capacete coríntio à esquerda.

A hipótese mais recente sobre este assunto anunciada  por J. Talbert e cientificamente apoiada, é que Corinto era naquela ocasião considerada como um balcão comercial para as outras cidades gregas, trocando e  reciclando o produto da agricultura siciliana que servia de abastecimento a outras cidades.
Desde o fim do IV século a.C., a cunhagem dos Pégasos de Corinto começou a diminuir: terminou definitivamente por volta do ano  270 a.C., e aos poucos foi saindo da circulação. 

 Acarnânia-(Leucas), Dracma 380-350 a.C..
Anv. Pégaso voando à direita.
Rev. Afrodite (Vénus) com colar,  de frente.

 Acarnânia-(Leucas), Diobolo (1/3 dracma), 400-375a.C.
Anv. Pégaso voando à esquerda.
Rev. Pégaso a passo à esquerda.

 Acarnânia  (Leucas) – Tremiobolo (3/12 dracma), 380-320 a.C.
Anv. Pégaso voando à direita
Rev. Cabeça górgona de frente.

 Acarnânia (Leucas)-Hemidracma (1/2 dracma), 380-320 a.C.
Anv.Prótoma de Pégaso voando à esquerda.
Rev. Afrodite (Vénus) à esquerda.

 Acarnânia (Anatólia)-Hemidracma, cerca de  330-300 a.C..
Anv. Prótoma de Pégaso voando à esquerda.
Rev. Apolo à esquerda.

LENDA

Uma das muitas lendas diz que Belerofonte (1), com a ajuda de Atena capturou o Pégaso (2) quando este bebia na Fonte Piréne no sopé do monte  Acrorinto, e fez dele  o símbolo da cidade.

((1) Herói mitológico filho de Gleuco, que após ter matado o irmão sem o conhecer, retirou-se para a corte de Preto, rei de Argos. Este rei que invejava o seu hóspede mas,  que não queria faltar às leis da hospitalidade, mandou o herói ao seu cunhado Ibatos com cartas de recomendação, nas quais em sinais misteriosos estava escrita a ordem para matar o portador.)
  
((2) Fruto do acasalamento de Medusa e Posídon, domado por Belerofonte, permitiu que este o montasse aquando das suas aventuras entre as quais a captura e morte da Quimera (3).
  
((3) Oriunda da Anatólia a Quimera sempre exerceu atração sobre o imaginário popular.

Segundo a versão mais difundida era um monstro,  produto da união entre Equidna (metade mulher e metade serpente) e do gigantesco Tifão ou Tifeu.
   Outras lendas dizem ser filha da hidra de  Lerna e do leão de Nemeia, que foram mortos por Hércules.

 Corinto-Hemidracma (1/2 dracma) , cerca de 330 a.C..  
Anv. Belerofonte  nu, com o pétaso cavalgando o pégaso à direita.
Rev. Quimera à esquerda e ânfora.

 Acarnania (Leucas)- Hemidracma, 375-350 a.C..
Anv. Belerofonte nu, com o pétaso cavalgando o pégaso à direita.
Rev. Quimera caminhando à esquerda.

 Acarnânia (Leucas)-BR 18, cerca de 350-250 a.C..
Belerofonte cavalgando o pégaso à direita.
Rev. Quimera à esquerda.

 Acarnânia (Leucas) - AE 17, 350-330 a.C..
Anv. Belerofonte nu, com o pétaso, cavalgando o pégaso à esquerda.
Rev. Quimera à esquerda e astrágalo.

38 Acarnânia (Leucas)-AE 15, 350-300 a.C..
Anv. Belerofonte nu, com o pétaso, cavalgando o pégaso à esquerda.
Rev. Quimera à direita.

(Pétaso: Tipo de chapéu de abas largas e copa pouco elevada, usado pelos antigos gregos e romanos)

Isto é apenas um pequeno resumo sobre uma moeda cheia de história e ainda muito popular nos nossos dias. O Estáter de Corinto.

Existem inúmeras obras de referência, assim como muitos artigos publicados em revistas sobre o Pégaso de Corinto, algumas delas citadas  na bibliografia deste trabalho.

MGeada

BIBLIOGRAFIA

A. Blanchet: Répresentations de Statues sur les Monnaies de Corinthe, Revue Numismatique 1907.
Hélène Nicolet: Pierre – Numismatique Grecque, Editions Armand Colise, Paris 2002.
O. Ravel: Corinthe et ses Colonies, revue Arethuse, 1929.
Dominique Gerin, Catherine Grandjean, Michel Amandry, F.de Callatay: La Monnaie Grecque, Aubin Imprimeur, Novembro 2001.
Contribuition à L’etude de la Nunismatique Corinthienne, Revue Numismatique, 1932.
Monnais Grecques, Ellipses Édition Marketing S.A., Paris 2001.
Les Poulins de Corinthe, 2 volume - Bale 1936, Londres 1948.
The colts of Ambracia, American Numismatic Sociéty 37, New-york 1928.
Will: Notes sur les origines du Pégase Corinthien, Revue Numismatique 1952, pag. 239.
G.K.Jenkins: A note on Corinthian Coins in the West, Numismatic Notes & Monographes 1958, pag. 367.
Talbert: Corinthian Silver, Coinage and the Sicilien economy c290 BC-. Numismatic Chronicle, vol. 11, Londres 1971.
Kraay: Timoléon and Corinthian Coinage in Sicily, CIN 1973, pag. 99.  S.P. Noé: A Bibliography of Greek Coin Hoards, NNM 25, New-York 1925.
Yves: Cellard - Monnaies n°2, Juillet-Aout 1991, pag. 41/42.
Centre Numismatique du Palais-Royale: Catálogo de vendas, Dezembro 1992.
Centre Numismatique du Palais-Royale: Catálogo de vendas, Março 1997.
Crédit de la Bourse: Catálogo de vendas, Outubro 1992. 
Elsen: Jean - Catálogo de vendas, Junho 2000.
Elsen: Jean - Catálogo de vendas, Setembro  2000.
Vinchon: Jean - Catálogo de vendas, Novembro 1994.

sábado, 29 de junho de 2013

NUMISMÁTICA HEBRAICA

Os hebreus, na sua origem, eram um povo nómada semita que vinha de Caldeia (nome antigo da Babilónia) e se fixou na Palestina.
A origem dos semitas situa-se na África e, foi desta região árida que por migrações sucessivas, algumas tribos incapazes de sobreviver na areia do deserto, partiram à conquista de um lugar à sombra.
Israel tomou posse do país onde se fixou pela força das armas que lhe asseguraram a vitória sobre os precedentes habitantes da Palestina.
Chamamos ás populações das regiões setentrionais, indo-europeias, e ás do centro e do sul da Assíria até a Arábia, semitas.
A palavra “semita” deriva de “Sem”, filho lendário de Noé que seria o ancestral de todos os povos semitas.
O termo hebreu está relacionado com “Heber” descendente de Sem, e a raiz da palavra é “Ibri”que significa passar.
Um hebreu é um homem muito errante um passante.
Os hebreus povo constituído por tribos, elegeram um rei por volta do ano 1 000 a.C., que como em todo o lado, tinha o papel específico de ser um militar em tempo de guerra, e juiz em tempo de paz.
Salomão, (segundo a bíblia hebraica) rei de Israel de 970 a 931 a.C., com a ajuda do rei de Tiro, começou a construção do primeiro templo que chegou a mobilizar 150 000 trabalhadores.
O templo foi inteiramente destruído no ano 587 a.C., por Nabucodonosor II, rei da Babilônia, 604-562.
Nenhum vestígio de utilização da moeda chegou até nós, para o período do primeiro templo de Jerusalém.
O livro deuteronómio (quinto livro do Pentateuco) fala das moedas de Abraão (que vivia no tempo de Hamurabi assim como de Josué e David Mardochée), mas não passam de pagamentos anacrónicos.
Os pagamentos nessa época efetuavam-se com um peso de metal, e o siclo correspondia a uma unidade monetária de peso.
No velho testamento encontramos algumas expressões de pagamento tais como: Abraão pagou a Efraim 100 chekels de prata.
Eleazar (ou Elazar) prendeu um anel de ouro que pesava meio chekel (=1 siclo).
Manaem rei de Israel pagou ao rei da Assíria um resgate de 1 000 talentos de prata. (O Talento valia 3 600 siclos).
À morte de Salomão o reino Hebreu foi dividido em dois: o reino de Israel e o reino de Judá.  
O primeiro durou dois séculos o segundo três.
Israel foi conquistado pelos assírios no ano 722 a.C., Judá invadida em seguida e os seus habitantes levados cativos para Babilónia, onde ficaram meio século.
Ciro 558-528 a.C., pôs fim ao Império de Caldeia, apresentou-se como o libertador das populações cativas, e autorizou o regresso dos judeus à Judeia no ano 555 aC..
O segundo período dito do segundo templo, começou no início da  sua construção por cerca do ano 535 a.C.. (Terminado no reinado de Dário I, 521-486).
Este período terminou com a destrução do templo pelo exército do imperador Tito no ano 70, e a dispersão do povo de Israel.      

(No ano 66, a população judaica revoltou-se contra o império Romano. Quatro anos mais tarde as legiões romanas sob o comando de Tito reconquistaram e destruiram Jerusalém assim como o segundo templo.
Este acontecimento particularmente doloroso na história judaica, é comemorado todos os anos no dia 9 de Abril.) 

Tito, Sestércio cunhado em Roma ou Trácia cerca de 80-81
Anv. Busto de Tito laureado à direita
IMP T CAESAR DIVI VESPAS F AVG.
Rev. A Judeia sentada chorando: palmeira, 
capacete,  lança e couraça.
IVD/AEA  CAP/TA S C
Ref. RIC 141, Cohen 112.
(Este tipo comemora o fim da guerra na Judeia, e a tomada de Jerusalém.)

Para a história numismática este período estende-se até ao ano 135 da nossa era, ano em que os romanos esmagaram a segunda revolta judaica e estabeleceram no sítio, em vez de Jerusalém, a cidade do Capitólio.
Foi durante o período do segundo templo que os judeus emitiram moeda própria: como estado soberano, como vassalos de Roma, ou ainda como inimigos dos romanos.
Estas moedas têm poucas figuras: um dos seus mandamentos proibia a representação de imagens consideradas como idolatria. Os semitas tinham aversão pelas imagens.
Por outro lado os judeus que lutavam pela independência, não pensavam produzir obras de arte, mas sim moedas de necesidade ou de urgência.
Para a história judaica, esta amoedação tem uma importância significativa e dá-nos o reflexo verídico dos acontecimentos desses tempos.
Podemos observar nessas moedas a marca do poder que dominava a terra da promissão.
A terra de Canaão prometida por Deus aos hebreus.
No século V a.C., a Judeia formava uma região integrada na quinta província Persa. Era uma possessão longíqua do império.

 Império Persa, Meio siclo (prata), Judeia 375-333 a.C..
Anv. Busto, laureado  à direita.
Rev. Águia com as asas abertas e legenda
aramaica YHDH (JUDA).
Ref. Hendi 1059, Meshorer TJC 16 

 Império Persa, Meio siclo (prata), Judeia 350 a.C.
Anv. Três tipos possíveis,  O rei, o mocho ou um lírio.
Anv. Falcão com as asas abertas e legenda aramaica YHDA 
Ref. Hendin 1051, Meshorer TJC 18.

Alexandre III dominou Israel por volta do ano 332 a.C., e a cultura helénica invadiu a Judeia assim como todos os territórios conquistados. Esta helenização não era mais que uma ocidentalização.
Foi Alexandre que levou o instrumento monetário (a moeda) à Ásia, à India e ao Oriente, pois não existe nehum vestígio de moeda, antes da chegada dos gregos.
À morte de Alexandre no ano 323 a.C., esta parte do território a leste do império, foi dividida entre os Ptolemeos do Egito e os Selêucidas da Síria.

  Jerusalém ?, ¼ obolo (prata), Ptolemeu II 285-246 a.C.
Anv. Busto de Ptolemeu  à direita.
Rev. Águia com as asas abertas e legenda aramaica YHDH (IUDAEA)
Ref. Hendin 1087,  Meshorer TJC 17.

Seleuco I comandante da cavalaria de Alexandre, apoderou-se da Babilónia.
Esta província (Babilónia) situava-se entre o Tigre e  Mediterrâneo.
Seleuco Nicator, fundador da dinastia, adotou o sistema monetário ático com um tetradracma de 17,20 grs..
A Judeia que era dominada pelos Ptolemeus, depois da quinta guerra síria no ano 198 a.C.,  passou a ser controlada pelos seleucos.

  Judeia, Seleuco IV Filopator,
BR (bronze)22, 187-175 a.C.
         Anv. Busto de Dionísio à direita.
Rev. BASILEUS SELEUKOU e proa de navio.
Ref. GB57112, SGCV II 6970, Hougton-lorber II 1316,2.

No ano 175, por necessidade financeira provocada  pela pesada indenização de guerra exigida por Roma, Seleuco enviou o seu comandante Heliodoro a Jerusalém confiscar o tesouro do templo.
Missão que não conseguiu, devido à resistência que encontrou comandada  pelo Sumo Sacerdote Onías III, (177-174 a.C..)
De regresso, ainda em setembro do mesmo ano, Heliodoro assassinou Seleuco IV.
Com o período em que a força romana começou a ser conhecida, os seleucidas começaram a terminar com as guerras de sucessão.
Sob o  comando de Matatias Asmoniano padre e pai dos Macabeus, uma revolta assegurará aos seus descendentes a independência da Judeia.
Jonathan, terceiro filho de Matatias recebeu o cognome de Macabeu (do sírio maqqaba “martelo”), em reconhecimento da sua bravura em combate.
Podemos ler no livro dos Macabeus, que o rei Antíoco concedeu a Simão Macabeu o direito de emitir moeda  depois da revolta vitoriosa dos asmonianos, (também dito asmoneus ou asmoneanos).
Simão o ultimo filho de Matatias foi assassinado no ano 131 a.C., o sacerdotismo assim como o comando militar passou aos seus descendentes por herança.
Na época, a moeda seleuca perdeu em peso e encontrou-se com tetradracmas com menos de 15grs..
Antíoco VII (138-129 a.C.),  ao perder a Judeia permitiu a Hircano I, terceiro filho de Simão restabelecer em seu favor o título de rei. 
Hircano escreveu o seu nome em pequenas moedas copiadas dos Ptolemeos  e dos Selêucidas.

 Judeia, Hircano I
Prutá bronze, Jerusalém, cerca de 132-130 a.C.
Anv. Ancora invertida e legenda.
Rev. Flor de lírio.
Ref. Hendin 1131, SGCV II 7101,


Do reino de Alexandre Janeu  (104-78 a.C.), chegaram até nos moedas bilíngues, as legendas hebraicas são repetidas em grego.

 Judeia Alexandre Janeu
Prutá, Jerusalém 104-78 a.C.
Anv. Flor de romã e legenda hebraica, Alexandre  rei
Rev. Âncora e legenda grega
BAΣIɅΞΩΣ  AɅEΞANΔPOY(Rei Alexandre)
Ref. Hendin 467, Mesmorer 5

Os asmonianos praticavam uma política expansionista de conversão ao judaismo e governaram até antes do ano 40 a.C.. Eles submeteram os Idumeus.     
As moedas, pelo tipo, acomodam-se aos seus preceitos religiosos. A unidade monetária o “prutah” estava em ligação com o dracma Ático.
Um dracma de prata equivalia a 168 prutás de bronze ou 6 obolos de prata.

 Judeia, Aristóbulo I, Prutá, 104-103 a.C.
Anv. Legenda hebraica no interior de uma coroa
(o sumo sacerdote e o conselho dos judeus)
Rev. Romã e cornucópia dupla .
Ref. Hendin 1143 

Durante a guerra cívil dos príncipes hebraicos Hircano I e Aristóbulo I, estes chamaram um mediador. Foi Pompeio, que na época acampava na região de Damas, o escolhido.

 Sexto Pompeio, Denário, Roma 137 a.C.
Anv. Roma com capacete à direita  X = 10 Asses.
Rev. SEX POM FOSTLVS - ROMA
 Loba amamentanto Rómulo e Remo,  árvore e pastor.
Ref. Crawford 235/1c,  Syd 461a

Foi como pacificadores que os romanos entraram na Palestina.
Com a ajuda de  Roma, Herodes que era Idumeu subiu ao trono da Judeia e manteve-se 33 anos no poder.
A sua dinastia identificou-se com a dos seus mestres romanos.
Herodes foi um déspota muito cruel e tornou-se impopular. Mesmo levando uma existência pagã ele obsteve-se de pôr a sua imagem nas moedas.
As suas moedas (em bronze) têm legendas em grego e, a águia que nelas figura faz alusão à águia de ouro que mandou erigir no cimo do templo.
Os tipos mais utilizados são: a palma, cornucópia, águia, e por vezes uma data e uma marca de valor. A legenda  é, BASILEOS HERODOU.

 Herodes (o Grande), Prutá, Jerusalém 37- 4 a.C..
Anv. Cornucópia, BASILEOS HERODOU.
Rev. Águia com as asas abertas.
Ref. JD59278, Hendin1175, Meshorer TJC 62, F.

 Herodes (o Grande), Prutá, Jerusalém 37- 4 a.C..
Anv. BACILEOS HERODOU no interior duma coroa
Rev. Âncora no interior de un círculo com raios.
Ref. JD55127, Hendin 1175, Meshorer TJC 62, F.
    
Em contrapartida o seu irmão Filipe natural de um pequeno estado montanhoso, vivia à moda grega e, colocou a sua efígie nas moedas à maneira dos príncipes Helénicos.
Foi a primeira vez que nas moedas judaicas apareceu uma figura humana.

Filipe AE 22, cunhado em Cesareia sob o reinado de Augusto no ano 12
Anv. Busto de Filipe à direita, KAICAPI CEBACT.
Rev. Templo de Augusto, ΦIɅIППOY TETPAPXOY,
entre as colunas, LIB
Hendin 1221, Mesmoer AJC 3

Roma perante as queixas violentas que se elevavam contra os Herodes acabou por nomear um procurador por volta do ano 6 d.C..
O regime dos procuradores bem aceite ao princípio, degradou-se e chegou aos limites do razoável com Pilatos que no ano 18 confiscou o tesouro do templo para financiar a construção de um aqueduto em direção a Jerusalém.  

 Jerusalém, Ponce Pilatos, Prutá, cunhado no ano 16
Anv. Simpulum (concha) TIBEPIOY KAICAPOC LIS
(Tibério César ano 16 ).
Rev. Coroa de flores.
Ref. Hendin 649
(O Simpulum (concha) era utilizada durante as “libações” : cerimónia religiosa entre os pagãos, que consistia em provar vinho e entorná-lo sobre a ara do sacrifício em honra de uma divindade.)

Jerusalém, Ponce Pilatos, Prutá cunhado no ano 16
Anv. Simpulum, TIBEPIOY KAICAPOC LIS (Tibério César ano 16)
Rev. Três espigas de cevada, IOYɅIA KAICAPOC
(Júlia, César) Ref. à mãe de Tibério.
Ref. Hendi 648

Foi uma época em que algumas seitas religiosas apareceram.
Essas seitas correspondiam ao que nós hoje chamamos partidos políticos.
Os Fariseus opunham resistência aos romanos, os Zelotes eram terroristas extremistas. O cristianismo era uma dessas seitas.
Os procuradores que controlavam a Judeia, respeitavam a susceptibilidade dos judeus e, as moedas cunhadas na Judeia não têm efígie: apenas o nome do imperador e alguns símbolos judaicos.
Houve 14 procuradores e todos eles tiveram a sua residencia principal em Cesareia.
Seis deles cunharam moedas em bronze “o pruta”(66 prutas = um denário), os tipos eram os habituais: a espiga, palmas, vasos e cornucópias.

PROCURADORES

Sob Ponce Pilatos encontramos nas moedas o nome  de Tibério.
Chama-se habitualmente o dinheiro de Cristo ás moedas de Tibério, que diz respeito à famosa cena ilustrada onde Jesus pergunta:”de quem é esta imagem ?”.
A resposta, “de César” e onde ele pronunciou a célebre frase: “dai a César o que pertence a César”.
   
(Desde o início do Império Romano com o imperador Augusto, “CAESAR”(César) passou a ser um título honorífico tomado por grande parte dos imperadores. Mais tarde, AVGVSTVS “ Augusto” também foi  um título honorífico.) 
   
Do ano 37 ao ano 44, Roma submeteu-se a Herodes Agripa, neto de Herodes o Grande. (Foi ele que se ocupou da educação do seu neto em Roma).

Jerusalém, Herodes Agripa, Prutá, 37- 44
Anv. Guarda sol com franjas,
AГPIПA BACIɅEWC (Herodes Agripa)
Rev. Três espigas de cevada, LS
Ref. Hendin 553

Herodes Agripa, tomou o título de rei para reinar na Palestina por vontade do imperador Cláudio.
Judeu em Jerusalém, em Cesareia ele vivia como em Roma. Agente de execução dos romanos, ele foi amado e venerado pelo povo a quem deixou boas recordações.
As suas moedas cunhadas em Jerusalém com um guarda sol, três espigas e sem efígie, eram para cirular na Judeia.
As moedas com a sua efígie destinadas a circular fora do território judaico, eram cunhadas em Cesareia.
Algumas moedas tem duas mãos juntas  e atestam a aliança com Roma, noutras podemos ler “PHILOROMAIOS” (amigo dos romanos).
À sua morte no ano 44, o seu reino foi anexado à província romana da Palestina.
No ano 66, os judeus exasperados pela ação do procurador Florus revoltaram-se. Tudo começou por uma contestação entre gregos e judeus, para o estabelecimento da autoridade administrativa municipal de Cesareia.
Florus culpou os judeus e depois disso extorquiu o tesouro do templo. A revolta durou quatro anos.
A queda de Jerusalém está imortalizada nos sestércios bem conhecidos, que mostram a Judeia personificada por uma mulher junto de uma palmeira  e a legenda IVDAEA OU IVDEA CAPTA.

 Vespasiano, Sestércio, Roma ano 71
Anv. busto de Vespasiano à direita
.IMP CAES VESPASIAN AVG P M TR P P P  COS III.
Rev. Vespasiano em pé com uma lança na mão direita, 
um pé apoiado num capacete, uma palmeira, e a Judeia
simbolizada por uma mulher sentada  chorando.
IVDEA CAPTA  SC
Ref. RIC (1962) 427, Cohen 239, BMC 543

Foi durante a primeira revolta contra a autoridade romana dos procuradores, que apareceu o primeiro chekel judaico: “sinal de independência”.
O metal (prata) era fornecido pelo tesouro do templo de Jerusalém.
Quando a cunhagem monetária começou a partir do século IV a.C., alguns chekels foram cunhados na Fenícia.
Todavia, nenhum chekel foi cunhado na Terra da Promissão: as forças Sírias, Persas ou Romanas nunca o permitiram.
A folha de palmeira que figura em diversos tipos monetários da revolta judaica 66-70, apresenta um carácter Messiânico.
Estas emissões que são moedas de urgência, umas têm o nome de Jerusalém outras o nome de Sião.
A referência ao nome da cidade santa é normal, porque estas moedas serviam para pagar o imposto ao templo.
No anverso do primeiro chekel judaico, figura a legenda “Chekel de Israel” com a data por cima de um cálice.
No reverso está gravada uma planta em flor com três frutos (romãs) e a legenda “Jerusalém a Santa”.

Jerusalém, Shekel AR.
Cunhado na primeira revolta judaica contra Roma em 68.
Anv. Cálice, e  Shekel de Israel,  3(ano).
Rev. Três romãs e legenda (Jerusalém a Santa).

É um espetacular testemunho do espírito desesperado da nação judaica para ascender à liberdade e independência, de toda a dominação estrangeira.
Depois de uma dolorosa afronta, o exército romano sob o comando do imperador Tito, pôs fim ao Estado de Israel e destruiu o templo no ano 70.
A fortaleza de Massada nas montanhas da Judeia, ainda resistiu mais de três anos.
No reinado do imperador Adriano em 133, uma segunda revolta sob a  direção de Simão (BAR KOCHBA) teve lugar mas, apesar de algumas vitórias ao princípio, conduziu à submissão definitiva da Judeia.

SEGUNDA REVOLTA

 Simão Bar Kochba, Dracma, 132-135 
Anv. Simão em hebraico dentro de uma grinalda feita com amêndoas.
Rev. Ramo de palmeira (simbolizando a festa  dos tabernáculos no templo),
e legenda hebraica “Pela Liberdade de Jerusalém” 
Ref. SH28931, hendin 1416 

 Simão Bar Kochba, Dracma, 134-135
Anv. Simão em hebraico dentro de uma grinalda
Rev. Jarro, palma e legenda hebraica, “Pela Liberdade de Jerusalém”
Ref. SH42161, Mildeng 79, Hendin 1418

Depois da destruição do segundo templo o povo judeu ansiava reconstruí-lo.
O anúncio feito por Adriano para a construção de um templo pagão no sítio do antigo, foi o detonador da revolta .
Rabbi Bem Akiba, filósofo e doutor de leis morto no ano 135 na revolta, considerava Simão como filho de estrela, alusão ao “Messias” anunciado no velho testamento.
Ele escreveu assim: “ja tudo existiu antes”, que nós agora interpretamos “a história é um eterno recomeço”.
O nome do federalista Simão aparece em alguns denários romanos carimbados.
Esta revolta foi o último sobressalto de independência antes da nascença do atual Estado de Israel em 1948.
Simão que tinha tomado o comando da insureição com Eleazaro, foi  derrotado pelas forças romanas em Betânia no ano 135 num pavaroso massacre.
(A Judeia arruinada parecia um deserto sob uma floresta de forcas).
Os denários romanos carimbados da segunda revolta, tem diferentes símbolos que fazem referência ao templo de Jerusalém: cítarras,  trombetas, cachos de uvas, folhas de palmeira, coroas de louro e cálices. A legenda é sempre, “liberdade de Israel”.     
Estas moedas circularam pouco tempo, é por essa razão que elas chegaram até aos nossos dias muito bem conservadas.

 Simão Bar Kochba Shekel (tetradracma) AR.
Anv. templo com quatro colunas encimado por uma estrela e a legenda, Simão.
Rev. Vaso com quatro ramos e Liberdade de Jerusalém.

A grandeza do Estado Judaico não era mais que espiritual, a sua população nunca ultrapassou um milhão de habitantes. Todavia, fora da Judeia, havia sete a oito milhões de judeus.
Na época de Moisés algumas comunidades israelitas estabeleceram-se perto do Nilo.
Cório autorizou que regressassem à Palestina, mas numerosos elementos ficaram na Mesopotâmia, outros serviram no exército de Alexandre e, muitos outros ficaram na Itália.
Roma e Alexandria eram dois centro judaicos muito importantes.
A origem da comunidade judaica de Alexandria provinha do reinado de Ptolemeo I (319 a.C.), que depois da tomada de Jerusalém transferiu um grande numero de pessoas para o Egito.
O primeiro centro de comunidade judaica de Roma, provinha dos prisioneiros feitos na guerra contra os seleucidas, e aos quais Pompeu (ou Pompeio) deu a liberdade.
Quanto aos seleucidas, eles transferiram a população de algumas cidades e vilas judaicas que foram saqueadas, para fundarem algumas colónias na Lídia.
No fim do primeiro século a.C., um judeu em cada quatro vivia na Palestina.

PROCURADORES ou GOVERNADORES
DA JUDEIA

  Coponius, primeiro procurador da Judeia,  (reinado de Augusto).
Prutá cunhado em Cesareia, no ano 6
Anv. Espiga de cevada e KAICAPOC (de César).
Rev. Palmeira- L ɅL
Ref. Hendin 1328

 Marcus Ambibulus, procurador sob Augusto.
Prutá cunhado em Cesareia no ano 9
Anv. Espiga de cevada e KAICAPOC (César).
Rev. Palmeira-L  ɅO
Ref. Hendin 1329

Valerius Gratus, procurador sob Tibério.
Prutá cunhado em Cesareia no ano 17.
Anv. Ramo de videira com um cacho de uvas, IOYɅIA (IOULIA) .
Rev. Ânfora, L A
Ref. Hendin 1336, Meshorer TJC 326.


  Ponce Pilatos, procurador sob Tibério.
Prutá cunhado em Cesareia no ano 30
Anv. Simpulum, TIBEPIOY KAICAPOC (Tibério César)
Rev. Grinalda – LIS
 Ref. Hendin 1342, Meshorer TJC 333

Antonius Felix procurador sob Cláudio.
Prutá cunhado em Cesareia no ano 54
Anv. Dois escudos e duas lanças entrecruzadas
NEPW KɅAV KAICAP (Nero Cláudio César).
Rev. Palmeira,  BPIP(Britanicus)L IA KAI
Ref. Hendin 1348, Meshorer TJC 340

  Porcius Festus, procurador sob Nero.
Prutá cunhado em Cesareia em 59/60
Anv. Coroa de flores, NEP/WNO/C (Nero)
Rev. Palma, KAICAP (César) L E
Ref. Hendin 1351, Meshorer TJC 345.

MGeada
Bibliografia
Anatole France; Le procurateur de Judée, éditions A. Ferroud, Paris 1919
Hayon; Ruben Maurice-La construction de l’histoire juive, éditions du Cerf, 1992.
Hayon; Ruben Maurice-Gnosticisme et judaisme, éditions Cerf, 1992.
Au Temps des Hébreux de 40 a.C. a  70 d.C.- Hachette Paris 1984
Renaud; Alain-L’impéralisme romain en Judée: De la paix d’Apamée a la conquete de Jérusalem par Pompei, Paris, 1992