sábado, 31 de agosto de 2013


A FÉNIX
Fénix, é uma ave fabulosa caracterizada pelo seu poder de renascer após se ter consumido sobre o efeito dos raios do sol e, que simboliza os ciclos da morte, da ressurreição, da renascença.
Autores da antiguidade pensavam mesmo que a Fénix existia : outros, ser apenas uma lenda, enquanto alguns escritores  cristãos seguiram a tradição do paganismo au sujeito da Fénix, e adotaram-na como símbolo da ressurreição.
Nas moedas imperiais romanas por vezes também é representada com a cabeça encimada por raios que simbolizam a eternidade, prosperidade e continuidade.
A Fénix aparece com muita frequência nas moedas de Constantino I o Grande, assim como nas dos seus filhos, que seguiram o exemplo dos príncipes e princesas do alto Império, para designar a eternidade do Império e dos seus  príncipes, elevados ao mais alto nível: Deuses imortais, (Como esta ave considerada eterna).
Este símbolo aparece igualmente em moedas de outros imperadores como Trajano, em sestércios de Faustina I, nas quais  podemos ver a Aeternitas com um globo encimado com a Fénix, ou ainda uma figura feminina sentada com uma Fénix na mão direita.
A Fénix não significa apenas a eternidade, mas também a esperança por dias melhores, porque o pássaro era suposto renascer das suas cinzas.
Este mito cuja origem é muito antiga, rejuvenesceu no século IV, ao ser utilizado como símbolo da restauração ou renascença no reverso das  moedas FEL TEMP REPARATIO (o retorno dos tempos felizes) como podemos ver nas moedas de Constantino o Jovem: uma figura militar segurando a Fénix, e não a tradicional Vitória, ou ainda uma divindade para Constantino I.
Por vezes também é representada sobre uma montanha, uma rocha, um globo, um ramo, ou ainda sobre piras funerárias.
Dizia-se que as cinzas da Fénix tinham o poder de ressuscitar um morto. O imperador Heliogábalo que pretendia alcançar a imortalidade decidiu comer carne de Fénix mas, enganado comeu carne da ave-do-paraíso e pouco tempo depois foi assassinado.

 Trajano-Áureo, Roma 118
Anv. Busto de Trajano laureado e drapeado à direita.
DIVO TAIANO PARTH AVG PATRI
Rev. A Fénix com o nimbo à direita.
 Ref. RIC 28, Cohen 659, BMC 49
(Nimbo: disco luminoso que os imperadores romanos divinizados utilizavam na cabeça. Mais tarde, atribuído a Cristo e aos santos.

Antonino Pio-Tetradracma, Alexandria 138-139
Anv. Busto de Antonino laureado e drapeado à direita.
AVT K T AIɅ AΔP ANTΩNINOC EY CEB
Rev. A Fénix com o nimbo radiado na cabeça à direita  AIWN  L
Ref. Milne 1602, Emmett 1419.

 Faustina- Sestércio, sob Antonino Pio em 141
Anv. Busto de Faustina drapeado à direita.
DIVA FAVSTINA
Rev. Aeternitas com um globe na mão direita encimado com a Fénix
AETERNITAS  SC
Ref. RIC 1105, Cohen 12, BMC 1490

 Volusiano-Áureo 251-253
Anv. Busto de Volusiano laureado e drapeado à direita.
CAE C VIB VOLVSIANO AVG
Rev. Aeternitas com um globo na mão direita encimado com a Fénix
AETERNITAS AVGG   
Ref. RIC 154, Cohen 10, Calicó 3349, Delbruek pl. 11,3

 Constantino I, Tessalónia –Follis 317-318
Anv. Cabeça de Constantino laureada à direita.
IMP CONSTANTINVS P F AVG
Rev. Júpiter com bastião e um globo encimado com a Fénix.
IOVI CONS-ERVATORI   TS
Ref. RIC VII 19

 Constante II –Síscia, Follis 348-350
Anv. Busto de Constante laureado e drapeado à direita.
DN CONSTA-NS PF AVG
Rev. A Fénix com nimbo radiado na cabeça, empoleirada numa pirâmide.
FEL TEMP REPARATIO SIS
 Ref. RIC VIII 232

 Constante II –Tréves, Follis 348-351
Anv. Busto de Constâncio laureado e drapeado à direita.
DN CONSTA-NS PF AVG
Rev. A Fénis sobre um globo, com um nimbo radiado na cabeça.
FEL TEMP REPARATIO TRS
Ref. RIC  VIII 222, Trier  93

 Fénix na pira funerária

GRÉCIA

A Fénix foi a primeira moeda da Grécia moderna.
Adotada aquando da primeira Assembleia Nacional de Argos, foi introduzida no sistema monetário grego no dia 1 de outubro de 1828, por Ioánnis Kapodístrias e subdividido em 100 leptas, (cêntimos).
(Conde Ioánnis Kapodístrias : primeiro ministro da Grécia independente  entre 1827 e 9 de Outubro de 1831. Também é considerado o primeiro chefe do Estado da Grécia.)

 Grécia, 1 Fénix 1828
Anv. A Fénix no ninho, cruz e legenda.
Rev. Valor dentro de uma coroa, data e legenda. 

 Grécia,  10 Leptas 1831
Anv. A Fénix no ninho, cruz e legenda .
Rev. Valor dentro de uma coroa, data e legenda.  

O seu nome faz referência ao fabuloso pássaro“Fénix”, que  simbolizava  o renascimento da Grécia, e substituiu o kurus turco com o valor de 6/1, seis por um.
Apenas um pequeno número destas moedas saíu à circulação e,  grande parte das  transações continuavam a fazer-se em moeda estrangeira.
Devido à falta de metal para cunhagens, o governo criou em 1831 uma nota com o valor de  300 000 Fénix, sem todavia ter as reservas necessárias.
Maciçamente rejeitada pela população, a Fénix foi substituída aquando da reforma monetária de 1832, pelo apaxmai ou dracma com o mesmo valor.

 Grécia 20 Apaxmai (dracmas) 1973
Anv. A Fénix, legenda e data.
Rev. Atena com capacete ateniense e valor.
(Atena aparece com muita frequência com capacete coríntio)


 Anv. Busto do rei à esquerda data e legenda.
Rev. A Fénix, soldado, valor e legenda.

Moedas de 1 Apaxmai  e 50 leptas comemorativas com a efígie do rei Constantino II, exilado desde o fracasso do seu contra golpe de Estado do 13 de abril de 1967.
O regime dos “Coronéis” que ficou a dirigir o  país, proclamou finalmente a República em 1973.

   1 Apaxmai 1973
Anv. Mocho e valor.
Rev. A Fénix, legenda e data.

 50 Lepta
Anv. A Fénix, legenda e data
Rev. Valor

ITÁLIA
 Carlo III de Borbone (rei de Espanha)
Onça de ouro cunhada em Palermo em 1739
Anv. Busto de Carlo laureado à direita
CAR. D. G. SIC. ET. HIER. HIS. IN.
Rev. A Fénix em chamas sob o efeito do sol
RESV-RGIT 1739 

  Itália, Sicília, reino de Ferdinand III, 30 tari 1793
Anv. busto de Ferdinand à direita,
AFERDINAND D. G. SICIL. ET. HIER. REX.
(em letra minúscula) T 30
Rev. A Fénix no ninho e data
EX. AVRO. ARGENTEA. RE-SURGIT

PORTUGAL
 Medalha de bronze comemorativa do quinquagésimo aniversário
da Fundação do Instituto Português de Heráldica
Anv. a Fénix voando para a esquerda, e as datas 1929 e 1979
MCMXXIX – MCMLXXIX
Rev. Duas asas, elmo e brasão com uma Fénix coroada
INSTITVTO PORTVCALENSI HERALDICÆ CONDITO
QVINQVAGESIMO EXEVNTE ANNO AB

Constituída em 1929, esta instituição tem como presidente honorário D. Duarte Duque de Bragança,
e presidente efetivo Miguel Metelo de Seixas.

 Medalha- francesa
Anv. Anv. A Fénix no ninho
E CINERO SUO REDIVIVUS  22 DE  JUILLET 1818
Rev. COMPAGNIE D’ASSURANCE MUTUELLE CONTRE L’INCENDIE
Ao centro  e dentro de uma coroa de oliveira, a legenda
SEINE EXTERIEURE ET EURE.

CHINA
 Moeda conhecida por Feng Shui
Feng-Fénix – Shui-dragão

FengHuang ou Fenix chinês,(ao masculino)segundo antigas crenças é o rei de todas as aves, e o seu corpo simboliza os corpos celestes.
A cabeça é o céu, os olhos o sol, a parte traseira a lua, as asas são o vento, os pés a terra e a cauda os planetas.
As suas penas contêm as cinco cores fundamentais : roxo, branco, vermelho azul e amarelo.
O FengHuang tem conotações muito positivas. É um símbolo de virtude e de graça que simboliza a união do yin e do yang.
A tradição cosmológica chinesa atribui grande importância aos dois princípios complementares do yin e yang.
Tudo o que é passivo, negativo, escuro e feminino é yin.
O que é ativo, positivo brilhante e masculino é yanh.
Além do já mencionado, a cada parte do seu corpo ainda lhe são atribuídos outros símbolos : à cabeça a virtude, às asas o dever, ao dorso a conveniência, ao abdómem a crença e ao peito a compaixão.
(O FengHuang apareceu ao imperador chinês Huang Di, por cerca do ano 2 600 a.C..
É conhecido  como o imperador Amarelo.)
Tal como o ki-lin, (o unicórnio chinês), FengHuang só aparecia em tempo de paz e prosperidade, geralmente quando algum imperador bom subia ao trono.
É uma das quatro criaturas celestes que os chiness acreditavam que criou o mundo.
(Os outros três são: o dragão, o onicórnio e a tartaruga).

 Fénix na pira funerária

Após a criação do mundo, os céus foram divididos em quatro quadrantes, um para cada criatura : norte, sul, este e oueste.
FengHuang governou o quadrante sul do céu que representava o verão, e portanto o sol.
FengHuang também é chamado o imperador das aves, pois todas as aves do céu o seguiam para lhe prestarem homenagem.
Na mitologia chinesa o aparecimento da Fénix presagiava sempre um evento importante.
Outra lenda diz-nos que este pássaro (nativo da Etiópia), está associado à adoração do sol, especialmente no antigo Egito e antiguidade clássica.
A Fénis seria  mais ou menos do tamanho de uma águia, com penas vermelhas, azuis e douradas : o seu aspecto era esplêndido.
No mundo só podia existir uma Fénix, que vivia durante longos anos e, não existe nenhum documento escrito, que menciona uma duração de vida  inferior a quinhentos anos.
Incapaz de se reproduzir, ao pressentir o fim da sua vida construía um ninho com ramos aromáticos, no qual depois de se instalar, com o calor dos raios do sol incendiava e era consumida pelas chamas.
Das cinzas, renascia então uma nova Fénix.
   
 Fénix a ser consumida pelas chamas

Segundo outra versão, a nova Fénix nascida do sémem do genitor, metia o cadáver do pai num tronco de mirra oco, e levava-o até ao norte do Egito, Heliópolis: onde depois de o colocar no templo do Sol, era solenemente cremado pelos sacerdotes.
O culto do Sol no Egito estava relacionado com o Bennu “garça” uma ave que simbolizava para os defuntos o sol nascente e a vida no outro mundo.
A lenda da Fénix terá vindo do Oriente e, incorporada ao culto egípcio   pelos sacerdotes do templo de Héliopolis.
A adoção deste mito, permitiu a ligação entre a Fénix e a palmeira, árvore que durante muito tempo esteve associada ao culto solar dos egípcios.
Para os astrólogos, o nascimento de uma Fénix marcava o início duma rovolução sideral e, simbolizava a imortalidade.
Foi assim que Roma sempre a rejuvenescer, foi comparada com a Fénix, e esta começou a ser cunhada em moedas do Baixo Império, como emblema da cidade eterna.  
Esta lenda, também é muitas vezes interpretada como uma alegória da ressurreição e da sobrevivência da alma : temas que se desenvolveram  com o cristianismo emergente.
Na mitologia islâmica, a Fénix está identificada com “anqa” (simurgh persa), um pássaro grande e misterioso (talvez uma “garça”), dotado com todas as perfeições : mais tarde tornou-se um flagelo e mataram-na.

MGeada

Bibliografia

Biblioteca Wikipédia
Heródoto. Histories, 2,73
Life of Apollonius of Tyana 3.49
Metamorfoses 15.385

quarta-feira, 31 de julho de 2013

CORINTO

TRÊS SÉCULOS DE ESTABILIDADE MONETÁRIA

Situada no cruzamento com as vias de comunicação norte-sul (Grécia do Norte - Peloponeso), e Este-Oeste (Ásia-Menor - Grande Grécia), a cidade de Corinto foi construída num istmo a 5 quilómetros do mar, a norte de Acrocorinto, (cidadela que domina a planície dos seus 575 metros de altura), e entre dois portos: Cencre (ou Cencréia), a Leste no Golfo Sarónico, e Lequeo a Oueste, no Golfo Coríntio.
Com uma indústria muito prolífera, a cidade desenvolveu a sua principal atividade  no comércio do azeite, perfume, vinho, e numa importante indústria naval e cerâmica.
Desde o início do século VI a.C. a cidade contestou a  predominância comercial de Atenas, graças às suas colónias das quais Siracusa foi a mais célebre.
De entre todos os fatores que favoreceram o seu desenvolvimento  destaca-se um sistema monetário judicioso e constante (o Estáter de Corinto) essencial para a sua prosperidade.
Alguns fragmentos de cerâmica descobertos nas ruínas da cidade, atestam a existência de Corinto já na época de Homero (século IX a.C.).
No campo da moeda por baixo do Pégaso (cavalo alado) tem  a letra arcaica Q(qoppa), inicial do nome da cidade em grego antigo que se manteve nas moedas, e foi substituída noutros  documentos pela letra K (Kapa).
A cronologia das moedas a partir do século V, é todavia sujeita  a controvérsias devido ao número de símbolos  e da perseverança dos estilos.
O fim do século VII é a época dos estáteres arcaicos Pégaso no anverso, e o  reverso dividido em várias seções: mais tarde,  com a cruz suástica dentro de um quadrado .
São moedas contemporâneas de Egina e Atenas, de origem asiática.

Corinto- Estáter arcaico, fim do século VII a.C.
Anv. Pegaso voando à esquerda.
Rev. Figuras geométricas. Suástica?.

Estáteres arcaicos com Cruz Suástica (gamada).

 Corinto-Estáter, 570-550 a.C.
Anv. Pégaso voando à esquerda.
Rev. Quadrado côncavo com a cruz suástica.

Corinto-Estáter, 570-550 a.C.
Anv. Pégaso à voando à esquerda.
Rev. Cruz suástica.

Tal como aconteceu em Atenas, o estilo da moeda mudou, os estáteres de Corinto passaram a ser mais espessos, e com menos diâmetro.
A introdução da cabeça de Atena com capaceto coríntio num quadrado côncavo, no reverso dos Pégasos, terá acontecido por volta dos anos 550 ou 540 a.C.

 Corinto- Estáter, 550 – 525 a.C.
Anv. Pegaso voando à esquerda.
Atena com capacete coríntio e colar à direita.

 Corinto-Estáter, 500 – 490 a.C.
Anv. Pegaso voando à esquerda.
Atena com capacete coríntio à direita.

No século V cerca  do ano 430, aparecem os símbolos no reverso (Ravel período IV).
É a apoteose da predominância da moeda coríntia na Sicília.
No século IV, por volta do anos 380-300, aparecem as letras no campo, (período V de Ravel). É o período mais produtivo.
A classificação das emissões mais antigas foi feita seguindo a evolução do reverso.
A sua ornamentação lembra a dos primeiros estáteres de Egina, com o reverso dividido em várias seções, depois mais original com o aparecimento da Suástica , esculpida dentro de um quadrado côncavo.
Segundo o trabalho apresentado por O. Ravel em 1936, as primeiras emissões monetárias coríntias terão sido batidas  com 65 cunhos diferentes.
  
 Corinto-  Estáter,  433 a.C.
Anv. Pégaso voando à direita. 
Rev. Atena com capacete coríntio à direita.

Corinto- Estáter- 400-350 a.C.
Anv. Pégaso voando à esquerda. 
Rev. Atena com capacete coríntio à esquerda e golfinho.

 Corinto- Estáter, 400-350 a.C.
Anv. Pégaso voando à direita. 
Rev. Atena com capacete coríntio à direita e turíbulo.

 Corinto- Estáter,  400-350 a.C.
Anv. Pégaso a passo à esquerda. 
Rev. Atena com capacete coríntio à esquerda.
golfinho e sátiro em pé.

A descrição das moedas está separada por períodos, ou classificada por séries. Quando lhe foi possível, as ligações entre os cunhos permitiram o estabelecimento duma cronologia das emissões.
Alguns achados arqueológicos encontrados recentemente e desconhecidos por Ravel aquando da sua monumental obra “Os Cavalos de Corinto” forneceram mais informações, sem contudo alterarem muito os dados apresentados pelo Autor.
(Só algumas datas de acontecimentos são hoje contestadas: entre outras, a da  introdução da cruz  Suástica).
   
Nas moedas ditas de Wappenmunzen, apareceram Pégasos cunhados sobre didracmas atenienses tipo cabeça górgona(1).
Ora esse tipo de moeda  é dos mais recentes,  o que situaria o aparecimento da  cruz suástica nas moedas coríntias  nos anos 520, e não numa data anterior.
É pois possível que Atenas tenha precedido Corinto, mas de pouco na cunhagem de moedas.

((1)Criatura da mitologia grega, representada como um monstro feroz de aspecto feminino, com a cabeça coberta de serpentes. Tinha o poder de transformar em pedra todos aqueles que a olhassem.)

 Corinto-Dracma, 400-338 a.C.
Anv. Pégaso voando à esquerda.
Rev. Afrodite (Vénus) à esquerda.

 Corinto-Dracma, cerca de 330-300 a.C.
Anv. Pégaso voando à esquerda.
Rev. Afrodite com colar à esquerda.

 Corinto-Hemidracma, cerca de 234 a.C.-187 d.C.
Anv. protoma de pegaso voando à esquerda.
Rev. Afrodite à esquerda.

Os achados arqueológicos de Sambiase em 1960, Calábria e Selinunte  em 1985, testemunham que os primeiros exemplares arcaicos apareceram no final do século VI, não só em Corinto como  também na Grande Grécia e na Sicília.
Alguns destes exemplares depois de polidos,  terão servido de suporte a  moedas incusas de Metaponto e de Crotona.
Aquando da conquista Dórida (ou Dóride) a cidade foi tomada pelo general Temenos, o conquistador de Argos. Mais tarde foram fundadas as colónias de Corcira e Siracusa (cerca de 734 a.C.), fato que permitiu a Corinto desenvolver a sua indústria naval que forneceu navios a outras cidades, como Samos, (cerca de 704 a.C.), assim como a sua indústria de olaria.
Por volta do ano 657 a.C., após a oligarquia dos Bachiadas sob o reino do tirano Cípselo, a prosperidade de Corinto já é muito importante. Foi Périandro seu sucessor que governou de 625 a 585 a.C, que mandou cunhar os primeiros estáteres arcaicos, e manteve relações comerciais com o general Trasibulo tirano de Mileto, e com o rei Aliate da Lídia.
No ano 480 a.C., Corinto fez parte da coalização comandada pelo general ateniense Temístocles que combateu os persas nas Termópilas e ganharam a batalha de Salamina, mas o predomínio de Atenas é ainda muito importante em relação ao número de navios, cerca de 1 por 5.                                       
O imperialismo de Atenas e a sua oposição a Esparta foi uma das causas da guerra do Peloponeso no ano 431 a.C., durante a qual a cidade de Corinto sofreu muito, perdendo alguns navios e colónias.
A derrota de Atenas no ano 405 a.C., em Siracusa marcou o início da supremacia de Corinto.
Quando no ano 344 a.C., os gregos da Sicília pediram ajuda na guerra contra os cartagineses, Corinto enviou-lhes Timoleonte para libertar e repovoar Siracusa.
Desde então os  estáteres  de Corinto impõem-se progressivamente em toda a Bacia do Mediterrâneo. Mais de vinte cidades dependentes de Corinto vão cunhar a mesma moeda.

 Reggio di Calabria- Estáter, 351-280 a.C.
Anv. Pégaso voando à esquerda, RH (RHEGIUM).
Rev. Arena com capacete coríntio à esquerda, e lira.

 Siracusa- Estáter,  344-317 a.C.
Anv. Pégaso voando à esquerda.
Rev. Atena com capacete coríntio à direita.
e legenda (Siracusa em grego).

 Siracusa- Estáter, 305 a.C.
Anv. Pegaso voando à direita, tríscele ou trskelion,
e legenda Siracusa em grego.
Rev. Atena com capacete coríntio ornamentado com um grifo à direita.

Arcádia (Anatólia)- Estáter, 386-387 a.C.
Anv.Pégaso voando à esquerda. 
Rev.Atena com capacete coríntio à esquerda.
e estátua de Atena.

Acarnânia (Argos-Anphilochikom)- Estáter, 340-300 a.C.
Anv. Pégaso voando à esquerda.
Rev. Atena com capacete coríntio à esquerda, legenda e capacete.  

 Acarnânia (Leucas) – Estáter, cerca de 400-350 a.C.
Anv. Pégaso voando à direita.
Rev. Afrodite (Vénus) à direita.

 Acarnânia (Leucas) – Estáter, 375-350 a.C
Anv. Pégaso voando à esquerda.
Rev.Atena com capaceto coríntio à esquerda.,
escudo e caduceu.

 Acarnânia (Thyrrheion)- Estáter, 350-250 a.C.
Anv. Pégaso voando à esquerda.
Rev. Atena com capacete coríntio e colar à esquerda.

 Acarnânia (Alysia) - Estáter, 330-280 a.C.
Anv. Pégaso voando à direita.
Rev. Atena com capacete coríntio à direita e legenda .


 Lucânia (Heracleia) -Estáter IV século a.C.
Anv. Pégaso voando à esquerda.
Rev. Atena com capacete coríntio à direita
  
 Argólida (Argos)- Estáter, IV século a.C.
Anv. Pégaso voando à direita e Argos, o cão de Ulisses.
Rev. Atena com capacete coríntio à esquerda, grão de cevada e legenda.

 Ilíria (Dirráquio) -Estáter, 350-300 a.C.
Anv. Pégaso voando à  direita.
Rev. Atena com capacete coríntio à direita.
turíbulo e golfinho.

 Arta (antiga Ambrácia ou Amprácia) -Estáter, 340 a.C.
Anv. Pégaso voando à direita.
  Atena com capacete coríntio à esquerda,
cacho de uvas, taça - A .

 Lócrida Ocidental-Estáter, 350-275 a.C.
Anv. Pégaso voando à esquerda.
Rev. Atena com capacete coríntio à esquerda e legenda .

 Lócrida Ocidental - BR 27, 278-276 a.C.
Anv.Pégaso voando à esquerda e legenda.
Rev. Atena com capacete coríntio à esquerda.

A hipótese mais recente sobre este assunto anunciada  por J. Talbert e cientificamente apoiada, é que Corinto era naquela ocasião considerada como um balcão comercial para as outras cidades gregas, trocando e  reciclando o produto da agricultura siciliana que servia de abastecimento a outras cidades.
Desde o fim do IV século a.C., a cunhagem dos Pégasos de Corinto começou a diminuir: terminou definitivamente por volta do ano  270 a.C., e aos poucos foi saindo da circulação. 

 Acarnânia-(Leucas), Dracma 380-350 a.C..
Anv. Pégaso voando à direita.
Rev. Afrodite (Vénus) com colar,  de frente.

 Acarnânia-(Leucas), Diobolo (1/3 dracma), 400-375a.C.
Anv. Pégaso voando à esquerda.
Rev. Pégaso a passo à esquerda.

 Acarnânia  (Leucas) – Tremiobolo (3/12 dracma), 380-320 a.C.
Anv. Pégaso voando à direita
Rev. Cabeça górgona de frente.

 Acarnânia (Leucas)-Hemidracma (1/2 dracma), 380-320 a.C.
Anv.Prótoma de Pégaso voando à esquerda.
Rev. Afrodite (Vénus) à esquerda.

 Acarnânia (Anatólia)-Hemidracma, cerca de  330-300 a.C..
Anv. Prótoma de Pégaso voando à esquerda.
Rev. Apolo à esquerda.

LENDA

Uma das muitas lendas diz que Belerofonte (1), com a ajuda de Atena capturou o Pégaso (2) quando este bebia na Fonte Piréne no sopé do monte  Acrorinto, e fez dele  o símbolo da cidade.

((1) Herói mitológico filho de Gleuco, que após ter matado o irmão sem o conhecer, retirou-se para a corte de Preto, rei de Argos. Este rei que invejava o seu hóspede mas,  que não queria faltar às leis da hospitalidade, mandou o herói ao seu cunhado Ibatos com cartas de recomendação, nas quais em sinais misteriosos estava escrita a ordem para matar o portador.)
  
((2) Fruto do acasalamento de Medusa e Posídon, domado por Belerofonte, permitiu que este o montasse aquando das suas aventuras entre as quais a captura e morte da Quimera (3).
  
((3) Oriunda da Anatólia a Quimera sempre exerceu atração sobre o imaginário popular.

Segundo a versão mais difundida era um monstro,  produto da união entre Equidna (metade mulher e metade serpente) e do gigantesco Tifão ou Tifeu.
   Outras lendas dizem ser filha da hidra de  Lerna e do leão de Nemeia, que foram mortos por Hércules.

 Corinto-Hemidracma (1/2 dracma) , cerca de 330 a.C..  
Anv. Belerofonte  nu, com o pétaso cavalgando o pégaso à direita.
Rev. Quimera à esquerda e ânfora.

 Acarnania (Leucas)- Hemidracma, 375-350 a.C..
Anv. Belerofonte nu, com o pétaso cavalgando o pégaso à direita.
Rev. Quimera caminhando à esquerda.

 Acarnânia (Leucas)-BR 18, cerca de 350-250 a.C..
Belerofonte cavalgando o pégaso à direita.
Rev. Quimera à esquerda.

 Acarnânia (Leucas) - AE 17, 350-330 a.C..
Anv. Belerofonte nu, com o pétaso, cavalgando o pégaso à esquerda.
Rev. Quimera à esquerda e astrágalo.

38 Acarnânia (Leucas)-AE 15, 350-300 a.C..
Anv. Belerofonte nu, com o pétaso, cavalgando o pégaso à esquerda.
Rev. Quimera à direita.

(Pétaso: Tipo de chapéu de abas largas e copa pouco elevada, usado pelos antigos gregos e romanos)

Isto é apenas um pequeno resumo sobre uma moeda cheia de história e ainda muito popular nos nossos dias. O Estáter de Corinto.

Existem inúmeras obras de referência, assim como muitos artigos publicados em revistas sobre o Pégaso de Corinto, algumas delas citadas  na bibliografia deste trabalho.

MGeada

BIBLIOGRAFIA

A. Blanchet: Répresentations de Statues sur les Monnaies de Corinthe, Revue Numismatique 1907.
Hélène Nicolet: Pierre – Numismatique Grecque, Editions Armand Colise, Paris 2002.
O. Ravel: Corinthe et ses Colonies, revue Arethuse, 1929.
Dominique Gerin, Catherine Grandjean, Michel Amandry, F.de Callatay: La Monnaie Grecque, Aubin Imprimeur, Novembro 2001.
Contribuition à L’etude de la Nunismatique Corinthienne, Revue Numismatique, 1932.
Monnais Grecques, Ellipses Édition Marketing S.A., Paris 2001.
Les Poulins de Corinthe, 2 volume - Bale 1936, Londres 1948.
The colts of Ambracia, American Numismatic Sociéty 37, New-york 1928.
Will: Notes sur les origines du Pégase Corinthien, Revue Numismatique 1952, pag. 239.
G.K.Jenkins: A note on Corinthian Coins in the West, Numismatic Notes & Monographes 1958, pag. 367.
Talbert: Corinthian Silver, Coinage and the Sicilien economy c290 BC-. Numismatic Chronicle, vol. 11, Londres 1971.
Kraay: Timoléon and Corinthian Coinage in Sicily, CIN 1973, pag. 99.  S.P. Noé: A Bibliography of Greek Coin Hoards, NNM 25, New-York 1925.
Yves: Cellard - Monnaies n°2, Juillet-Aout 1991, pag. 41/42.
Centre Numismatique du Palais-Royale: Catálogo de vendas, Dezembro 1992.
Centre Numismatique du Palais-Royale: Catálogo de vendas, Março 1997.
Crédit de la Bourse: Catálogo de vendas, Outubro 1992. 
Elsen: Jean - Catálogo de vendas, Junho 2000.
Elsen: Jean - Catálogo de vendas, Setembro  2000.
Vinchon: Jean - Catálogo de vendas, Novembro 1994.