quinta-feira, 27 de agosto de 2015


Império Romano
Reinados dos imperadores africanos e sírios, 192 a 235

Cunhagens da dinastia dos Severos

Pertinax (Publius Helvius Pertinax) - Filho de escravo liberto, nasceu em Alba Pompeia no dia 1 de agosto de 126, e faleceu em Roma em 28 de março 193.
Casou com Flávia Ticiana por cerca do ano 180 e tiveram dois filhos. Públio Hélvio Pertinax, e uma filha de nome desconhecido.

Após  uma brilhante carreira militar,  em 188 e 189 exerceu a função de procônsul da prestigiosa província da África, e prefeito de Roma de 190 a 192.

Exercia o cargo de prefeito urbano quando no dia 31 de dezembro de 192, o seu amigo imperador Cómodo foi assassinado.

Proclamado imperador na manhã seguinte  ao assassínio de Cómodo (1 de janeiro 193), as suas reformas não agradaram ao povo, particularmente à guarda pretoriana.

No dia 28 de março de 193, (após um reinado de 86 dias), um grupo de soldados descontentes por terem recebido apenas a metade do pagamento prometido, invadiram o palácio e mataram o imperador, dando início à crise que ficou conhecida como “o ano dos cinco imperadores”.

Soberbo e raro sestércio de Pertinax cunhado entre 1 de janeiro e 28 de março do ano 193
OPI DIVIN TR P COS II   S C
(RIC-20, Sear-4054)

Flávia Ticiana
Pertinax, AE25 cunhado no Egito entre 1 de janeiro e 28 de março de 193
TITIANH CEBCTH
(Ref.GIC-2106)

Didio Juliano (Salvius Julianus Severus Didius Marcus) nasceu na província da África a 30 de janeiro de 133 ou 2 de fevereiro de 137 (há divergências).

Filho de rica e importante família de Mediolano (atual Milão), e apesar da sua mãe Domícia Lucila ser parente do famoso advogado Sálvio Juliano, atuante no reinado de Adriano, Didio foi criado na família da mãe do imperador Marco Aurélio.
Teve uma carreira importante na administração imperial.
Pretor na Belgica, cônsul por cerca do ano 175, e governador na Ilíria e na Germânia Inferior.

Ao ter conhecimento da morte de Pertinax e como candidato ao trono imperial, Didio foi ao quartel da guarda pretoriana e, ofereceu aos soldados uma enorme quantia de dinheiro, para obter a sua fidelidade.

Casou com Mânlia Escantila por volta do ano 153, tiveram uma filha, Didia Clara.
Reinou de 28 de março a 1 de junho de 193, dia em que foi assassinado em Roma com 60 anos.

Áureo de Didio Juliano cunhado em Roma entre março e junho de 193
RECTOR ORBIS (governador do mundo)
(Ref. RIC 3, Sear5-6071, Cohen-14)

Sestércio  de Dídio Juliano cunhado em Roma entre março e junho de  193
CONCORD/IA  MILIT/VM (armonia entre os militares)
(Ref. RIC IV-14, Sear- 6072)

 Manlia Scantilla, áureo cunhado em Roma 193
YUNO REGINA
(Ref. RIC VII-4, BMCRE-10, Sear5-6081)

Didia Clara, sestércio cunhado em Roma em 193
HILAR TEMPOR  S C
(Ref. RIC IV-20, Sear-608

Caio Pescênio Níger (Gaius Pescennius Niger), filho de uma tradicional família equestre italiana, nasceu em Aquino (região do Lácio) entre 135 e 140.
Imperador romano ursupador, de 9 de abril 193 até maio de 194.

Derrotado por Cornélio Anulino, (um dos generais de Septímio Severo) na Batalha de Isso em maio de 194, foi preso e decapitado quando tentava fugir  para Pártia.
A sua cabeça foi enviada para Roma onde foi exibida perante o povo.

Denário de Caio Pescénio cunhado em Antioquia em 193-194
FORTVNAE  RED/VCI
(Ref. RIC-25var., Cohen-24)

Pescénio, denário cunhado em Antioquia 193-194
INVICTO IMPERAT (invencível imperador)
(Ref. RIC IV-40, RSC-38v)

Clódio Albino (Decimus Clodius Septimius Albinus), recebeu o cognome de Albinus por causa da brancura excepcional da sua pele.

Filho de família aristocrática romana, nasceu por cerca do ano 150 em Hadrumeto na província da África (atual Sousse na Tunísia).
Cônsul em 194 com Septímio Severo, proclamou-se imperador no outono de 196, cargo que ocupou até 19 de fevereiro de 197.
Depois da derrotado na batalha de Lugduno (Lião França), terá cometido suicídio ou foi capturado e executado, assim como sua esposa e filhos.
Os cadáveres foram atirados para o rio Reno, exceto a cabeça de Clódio que foi envida para Roma.

Clódio Albino, denário cunhado em Roma em 194
MINER PACIF COS III (Minerva Pacífica)
(Ref. RIC-7, BMC-96)

Septímio Severo (Lucius Septimius Severus Pertinax), nasceu em Léptis Magna (Líbia) no ano 146, faleceu em combate na Britânia em 211.

De origem púnica e berbere, foi o primeiro imperador provincial sem ascendência romana a conquistar o trono imperial.
Depois de uma brilhante carreira militar sob os reinados de Marco Aurélio e Cómodo, foi nomeado cônsul sufecto em 185.

Aclamado imperador a 13 de abril de 193, começou por eliminar Didio Juliano seu compatriota, associou ao poder Clódio Albino como César, antes de combater e executar Caio Pescénio no Oriente.
No ano 197, livrou-se do seu último oponente Clódio Albino que se tinha proclamado Augusto.

Só então Severo começou a preparar o estabelecimento da sua dinastia, ao atribuir no ano 194 o título de Augusta à sua esposa Júlia Domna, e os títulos de César a Caracala em 196 e Augusto em 198, data em que Geta seu segundo filho também recebeu o título de César.

O imperador passou quinze anos a consolidar as fronteiras do império, alcançando muitas vitórias sobre os partos em 197/8, em seguida na África em 207, e finalmente na Britânia em 208, onde faleceu.
Severo foi divinizado pelo Senado após a sua morte.
(Cônsul sufecto (suplento): cônsul eleito para substituir outro cônsul falecido antes da expiração do seu mandato).

Áureo de Septímio Severo cunhado em Roma entre 201 e 210
VICTORIAE  AVGG
(Ref. RIC-299, BMC-369, Cohen-712)

Septímio Severo, Áureo cunhado em Roma em 200-201
IVLIA AVGVSTA
(Ref. RIC-161b, BMCRE-192)

Denário de Septímio Severo cunhado na Itália em 193
LEG I ITAL TR P COS (primeira legião itália)
Águia legionária entre duas insígnias
(Ref. RIC IV-3, BMCRE-pg.2, RSC-256)

Júlia Domna,  nasceu no ano 170 em Emesa (Síria) e faleceu em Emesa no ano 217.
Filha do sumo-sacerdote de Bal, Caio Júlio Bassiano, casou com Septímio Severo no ano 187.

O casal teve dois filhos: Caracala em 188 e Geta em 189.
Júlia foi exilada para Emesa pelo imperador Macrino, onde terá cometido suicídio, ou falecido com um crancro da mama.

Júlia Domna, sestércio cunhado em Roma em 198
MATER DEUM S C (Mãe dos Deuses)
(Cibelele, designada como Mãe dos Deuses ou Deusa Mãe, sentada num trono com um ramo ma mão direita).
(Ref. RIC-859, BMC-772v, Cohen-124)

Áureo de Júlia Domna cunhado em Roma em 201
AETERNIT IMPERI
(Bustos de Caracala laureado e Geta cabeça nua)
(Ref. RIC-540, Sear-6517, Calico-2653)


Denário de Júlia Domna cunhado em Roma em 201
SAECVLI FELICITAS
(Isis segurando Horus ao colo)
(Ref. RIC-577, RSC-174)

Caracala (Marcus Aurelius Antoninus), nasceu no dia 4 de abril de 188 perto de Lião (França).
Compartilhou o poder com seu pai, Septímio Severo  e com o seu irmão Geta a partir do ano 208, até à morte do pai  em 4 de fevereiro de 211.
Co-imperador com seu irmão Geta até dia 26 de dezembro de 211.
Imperador de 26 dezembro de 211 até  8 de abril de 217, data em que foi assassinado na Mesopotâmia.

Denário de Caracala cunhado em Roma em 197
IMPERI  FELICITAS
(Felicitas com caduceu e uma criança ao colo).
(Ref. RIC-9, RSC-95, Sear5-6674).

Geta (Lucius Publius Septimius Geta), nasceu no dia 7 de março de 189 em Roma,
Compartilhou o poder com  seu pai Septímio Severo e com o irmão Caracala a partir do ano 208 até à morte do pai  em 4 de fevereiro 211.
Co-imperador com o irmão até 26 de dezembro 211, dia em que foi assassinado  por ordem do irmão, "ou pelo irmão".
(Algumas fontes revelam que foi assassinado pelo próprio irmão quando Geta procurava refúgio nos braços da mãe).

Geta, denário cunhado em Roma em 198-200
TEM/POR  FELI/CITAS
(Ref. RIC 22v, RSC-196a)

Macrino, (Marcus Severus Opellius Macrinus).
Nasceu no ano 164 ou 165 em Cesareia (Mauritânia Cesariense), e faleceu em Capadócia em junho de 218.

Mais um africano que a fortuna elevou ao trono imperial.
Advogado e mais tarde prefeito do pretório do imperador Caracala, proclamou-se imperador no dia 14 de setembro do ano 217, após ter assassinado Caracala durante a campanha contra os partos.

Derrotado numa batalha perto de Antioquia, o imperador foi assassinado quando tentava fugir.
"Caso invulgar; Macrino nunca esteve em Roma".

Denário de Macrino cunhado em ? no ano 217
PONTIF MAX TR P COS PP
(Ref. RIC-24, Sear-7347,RSC-62)

Diadumeniano (Marcus Opellius Antonius Diadumenianus), nasceu a 14 de setembro de 208, e faleceu em Antioquia no dia 8 de junho de 218.

Após a proclamação de Eliogábalo em maio de 217, Macrino concedeu ao filho os títulos de César e Príncipe da Juventude no ano 217, e Augusto em 218.
Reinaram juntos mas, por um curto período.

Derrotados na batalha de Antioquia em 4 de junho de 218, Macrino e Diadumeniano fugiram.
Este último (ainda criança,"10 anos") foi preso e morto, quando tentava atravessar o rio Eufrates para se aliar aos partos.


Denário de Diadumeniano (como César) cunhado em Roma,  maio ou junho de 217
PRINCIPI IVVENTVTIS
(Ref. RIC IV-104)

Heliogábalo, (Sextus Varius Avitus Bassianus), nasceu em Emesa (Síria) por cerca do ano 203.
Como imperador adotou o nome de Marco Aurélio António (Marcus Aurelius Antoninus).
O seu nome verdadeiro nome era  Sexto Vário Avito Bassiano,  só após a sua morte recebeu o cognome de Heliogábalo.

Sobrinho de Caracala, ainda jovem graças à sua formosura foi eleito sumo sacerdote do culto de Ball, "deus associado ao Sol" na Síria e na Fenícia.
É por causa deste culto monetista do Sol que a palavra Helio faz parte do seu nome.

Aclamado imperador pelas tropas na Síria, a sua vitória sobre Macrino fez dele o líder incontestavel de Roma até à sua morte em 222.

Esta subida ao poder deve-a às intrigas da sua mãe Júlia Soémia, e sua avó Júlia Mesa, que para convencer as tropas afirmaram que Heliogábalo era filho do grande Caracala. 

Esta estratégia funcionou e praticamente são elas que vão governar o Império, (sobretudo a avó).
Tirano e capricioso, logo de início mostrou sinais de desequilíbrio mental e, as suas estravagâncias que escandalizaram Roma, rapidamente esvaziaram os cofres do estado.

Durante o seu reinado "e de Júlia Mesa", a morte fazia parte do quotidiano romano, e quem fosse contra este duo era eliminado.
Muitos aristrocatas romanos compreenderam-no demasiado tarde,  pagaram o seu desacordo com a vida.

A causa da morte deste duo infernal "Heliogábalo" e "Júlia Mesa", está ligada à sucessão.
Heliogábalo adotou Alexandre Severo para lhe suceder.
Todavia o povo que adorava o jovem Alexandre queria que ele governasse Roma, o que para Heliogábalo e Júlia Mesa fazia dele um adverssário a eliminar. 

O plano fracassou; o povo exasperado rebeliou-se, e os dois comparsas foram espancados e arrastados pelas ruas de Roma. 
O povo tentou atirar os cadáveres ao esgosto, mas como as condutas eram estreitas, finalmente foram atirados ao rio Tibre sem qualquer forma de processo.
Heliogábalo contava então 18 anos.

Heliogábalo, sestércio cunhado em Roma no ano 220
P M TR P III COS III P P S C
(O Sol nu caminhando para a esquerda)
(Ref. RIC IV-300, BMC-426, Cohen-156)


Júlia Maesa, denário cunhado em Roma 220-223
SAECVLI FELICITAS
(Ref. RIC IV-271, Sear5-7755)


Denário de Júlia Soémia cunhado em Roma em 222
VENVS CAELESTIS
(Ref. RIC.241, Sear-7719)


Alexandre Severo (Marcus Aurelius Severus Alexandrus), filho de Júlia Ávita Mameia e de Marco Júlio Géssio Marciano, um procurador de origem síria, nasceu no ano 208 em Cesareia (da Fenícia).

Adotado pelo seu primo Eleogábalo no dia 10 de maio de 211, quando este faleceu, foi Alexandre Severo que lhe sucedeu mas, durante todo o seu reinado ficou sob a infuência da sua mãe Júlia Mameia.

Bem intencionado; reinou de 222 a 235, mas sem apoio político e militar, morreu assassinado durante o motim da XXII Legio Primigenia (vigésima segunda legião) instaurada pelo imperador Calígula no ano 39.

Medalha de Alexandre Severo e Júlia Mameia cunhado no ano 231
FIDES MILITVM
Ao centro, Alexandre oferecendo um sacrifício, e a ser coroado por Marte,
À direita Júpiter nu com raio e um cetro
(Ref. BMC-734, Gnecchi II, p. 84,4)

Alexandre Severo denário cunhado em Roma em 231
PROFECTIO AVGVSTI
(Ref. RIC IV-596, BMCRE-748, Cohen,492, Sear RCV II, 8012)



Júlia Mameia (mãe de Alexandre), quinário cunhado em Roma em 230
FELICITAS PVBLICA
(Ref. RIC-339, BMC-660)


Orbiana (sua esposa), denário cunhado em Roma 226-227
CONCORDIA AVGG
(Ref. RIC IV-319, BMC-827)

Assim terminou a dinastia dos Severos
Sucedeu-lhe o chamado período da “anarquia militar” 235-268, em que o Império romano sofreu a primeira grande crise da sua história, e pôs fim à dinastia dos Severos.

Durante 33 anos sucederam-se oito imperadores legítimos, e pelo menos mais nove ursupadores.
No entanto a maioria não excedeu um ano de reinado.

MGeada

Bibliografia
Anne Daguet-Gagey ; Septime Severe, éditions Pyot, 2000.
Christol, M & Nony, D ; Rome et son Empire, éditions Hachette Paris, 2003.
Claude Briand-Ponsart, L’Afrique Romaine de Atlântique  a la Tripolitaine, 146 a.C., 533 d.C. , colection U, Paris 2005.
Dião Cássio; História de Roma, livro 79,20.
François Zosso et Christien Zingg; les Empereurs Romains, édition Errance, 1995.
Gibbon Edward; Declínio e queda do Império Romano, edição abreviada, São Paulo círculo do livro, 1989.
Macmulle, Ramsay; Le Declin de Rome et la Corruption du Povoir, Paris, Les Belles lettres, 1991.
Marcel Le Glay, Yvan Le Bohec, Jean-Luis Voisin ; Histoire Romaine, 07-2011.
Paul Petit ; Histoire Général de l’Empire Romain, éditions du Seuil, 1974.

segunda-feira, 27 de julho de 2015


Pôncio Pilatos
O magistrado que se lavou as mãos aquando do julgamento de Jesus de Nazaré, que sem a bíblia teria ficado anónimo.
(A lavagem das mãos era um costume judaico (não romano) pelo qual se expressava a sua não participação a um derramento de sangue).

Pôncio Pilatos (em latin Pontius Pilatus), terá nascido no fim do I século a.C. num local desconhecido na Itália ou em Lugduno (Lião), seria filho dum espanhol, e terá falecido por volta do ano 39, no início do reinado de Calígula em Viena (Gália) ou Lucerna (Suíça).

Aqui começamos a entrar no reino da lenda, porque na verdade pouco se sabe sobre este personagem, que foi prefeito (praefectus)  e não procurador da Judeia e condenou  Jesus de Nazaré: o resto permanecem suposições e lendas.

A maioria do mundo cristão só conhece Pôncio Pilatos pelo seu papel no julgamento e crucificação de Jesus Cristo.

Geralmente é representado como o principal defensor do Galileu nas suas últimas horas, mas uma análise de outros documentos da vida de Pilatos, completa a história fragmentária do Novo Testamento.
Com essas outras escrituras, apercebemo-nos que Pilatos era um homem cruel e sanguinário, que exterminou muita gente.

Cidadão romano e membro da classe equestre; a partir do ano 26 d.C., sob o reinado de Tibério ocupou durante doze anos o cargo de prefeito da Judeia, antes de ser enviado a Roma no fim do ano 36, princípio de 37, pelo procônsul da Síria Lucius Vitelius, para que explique ao imperador o motivo da sua mau  administração.
A partir dessa data a história não fala mais nele.

Ao contrário dos seus antecessores que sempre residiram em Jerusalém, Pilatos  estabeleceu a sua residência principal em Cesareia Marítima; na época a principal cidade da Judeia romanizada,  e lugar mais tranquilo que a capital dos judeus, da qual o poder era representado pela Fortaleza Antônia, fortificação adjacente ao templo.

Esta fortaleza “praça-forte”, foi construída por Herodes o Grande em Jerusalém, cujo nome  homenageava o triúnviro romano Marco António, protetor de Herodes.

Jerusalém, reinado de Tibério
Ponce Pilatos, Prutá cunhado em  29-30
Anv. Simpulum, TIBEPIOY KAICAPOC LIS
Rev. Três espigas de cevada, IOYɅIA KAICAPOC
(Júlia, César) Ref. à mãe de Tibério.
(Ref. Hendi 648) 
(Simpulum (concha): era utilizada durante as “libações” : cerimónia religiosa entre os pagãos, que consistia em provar vinho e entorná-lo sobre a ara do sacrifício em honra de uma divindade).

Outra coisa que sabemos de Pilatos, é que o imperador Tibério não o apreciava muito  pela mau administração do seu governo, e  ser um personagem arrogante, inflexível, mas ativo  e astuto.

Finalmente um massacre foi a origem da sua decadência.
Pilatos foi acusado pelos membros do Conselho dos Samaritanos, por estar envolvido num horroso morticínio, que nos é comentado por Flávio Josefo.

«Os Samaritanos também participaram em algumas agitações,  excitados por um homem que não considerava grave mentir, e que combinava tudo para agradar ao povo.

No ano 35 Pilatos convidou-os  a subir com ele ao Monte Gerizim, considerado por eles o monte mais sagrado, e disse-lhes que uma vez no cimo, lhes iria mostrar vasos sagrados que Moisés ali tinha enterrado para os preservar.

Confiantes nas palavras de Pilatos, os judeus tomaram as armas e instalaram-se numa aldeia chamada Tirathana, juntaram-se aos habitantes para juntos iniciarem a subida ao monte.

Pilatos apressou-se a ocupar anticipadamente a estrada, enviando cavaleiros e a infantaria
que ao seu sinal massacraram muitos, outros fugiram, fizeram muitos cativos que julgados por Pilatos foram condenados à morte, assim como os fugitivos mais influentes.

Após este massacre. o Conselho dos Samaritanos  pediu audiência a Vitelius (Vitélio), personagem consular governador da Síria, e acusaram Pilatos de massacrar muitas  pessoas,  explicando  que não foi para conspirar contra Roma que eles se reuniram em Tirathana, mas sob as ordens do prefeito Pilatos.

Depois de enviar um dos seus amigos, Marcellus,  para se ocupar dos judeus, Vitellius ordenou a Pilatos que fosse a Roma explicar ao imperador o porquê das acusações dos judeus.

Após doze anos de permanência na Judeia Pilatos apressou-se a ir para Roma   obedecendo às ordens de Vitellius, às quais ele não se podia opor.»

Jerusalém- reinado de Tibério
Ponce Pilatos-Prutá, cunhado em 26-36
Anv. Simpulum (concha) TIBEPIOY KAICAPOC
Rev. LIZ no interior duma coroa de louro.
(Ref. Hendin 649)


Foi ao imperador Calígula grande amigo dos príncipes da Palestina que na época governava o império,  que Pilatos tentou justificar o seu horrível ato.

Depois de julgado foi exilado para Viena (Gália) aonde terá cometido suicídio ou foi executado.
Uma cadeia de montanhas “Monte Pilat” terá o seu nome para recordar este acontecimento.
Outra versão diz-nos que Pilatos faleceu em Roma, e o seu corpo atirado ao rio Tibre.

Todavia um grande mistério persiste: o seu cadáver terá reaparecido em Lucerna (Suíça) e foi sepultado no sopé do monte Pilatus, montanha com vista para a cidade.

Para continuar esta história  lendária, diz-se que Pilatos converteu-se ao cristianismo, e morreu mártir da sua nova religião.
De fato a igreja Ortodoxa Copta fez um santo assim como sua esposa, mas só a esposa é adorada.

Tertuliano (um dos pais da igreja. 150-230), fez um cristão já no fim da sua vida.
Ele terá tido conhecimento duma carta de Pôncio Pilates a Tibério, na qual ele tentava explicar o processo de Jesus de Nazaré.

Um relatório existente sobre a crucificação de Cristo, é um tema muitas vezes evocado na leitura da história do Baixo Império.
Segundo Daniel-Rops no seu livro    Jésus en son temps (Jesus no seu tempo), ela só terá sido citada no evangelho apócrifico de Nicodemos?
(Apócrifo : diz-se de um texto ou de um livro, cuja autenticidade é duvidosa ou suspeita, ou não ser reconhecida pelo magistério eclesiástico).
(Nicodemos foi um fariseu e contemporâneo de Jesus Cristo. Defendeu-o perante o Sinédrio e sepultou-o.
Atribuem-lhe um evangelho apócrifo, outrora chamado de Atos de Pilatos)

Quem era a esposa de Pilatos?
Além de ser mencionada nos evangelhos canónicos, o que sabemos sobre ela?
Segundo a lenda, chamava-se Cláudia Prócula e seria descendente duma grande linhagem.
Diz-se, mas é muito duvidoso que era neta do imperador Augusto, (segundo Daniel Rops), ou sua bisneta (segundo Macrobio).  

Jerusalém-reinado de Tibério
Pôncio Pilatos-Prutá cunhado em 26-36
Anv. Simplum,  TIBEPIOY KAICAPOC
Rev. LIH no interior duma coroa de louro
(Ref. Hendin 650)

Acredita-se que era  efetivamente descendente duma família nobre, porque um magistrado romano não podia levar a esposa para a província que Roma lhe atribuísse para  governar.
Todavia Pôncio Pilates levou Cláudia Prócula com ele para Judeia.

Que mais dizer sobre Pilatos?
Sabemos que veio da classe equestre; foi o quinto prefeito da Judeia; e segundo Flávio Josefo só exerceu este cargo durante 10 anos.

Assim que chegou à judeia, Pilatos  foi contra os costumes judaicos introduzindo o retrato do imperador em todas as instituições, e "grande escândalo" confiscou o tesouro do templo para financiar a construção dum aqueduto para levar água para Jerusalém.

Pilatos o enviado de Tibério, introduziu durante a noite em Jerusalém  imagens e estandartes com efígies de César (Tibério) cobertas com um véu.

Ao romper o dia, o espetáculo causou grande agitação entre os judeus que ficaram  indignados, vendo neste ato uma violação das suas leis, que não permitem expor nenhuma imagem na cidade.
A revolta do povo de Jerusalém foi comunicada a toda a comunidade que acorreu de todos os lados.

Os judeus manisfestaram contra Pilatos em Cesareia, pedindo para retirar as imagem de Jerusalém e manter as leis dos seus antepassados.
Como Pilatos se recusou, eles acamparam em torno da sua casa, e ali permaneceram durante cinco dias e cinco noites.

No sexto dia Pilatos sentado no seu tribunal (no grande estádio), sob o pretexto de lhe responder convocou o  povo.
Foi então que ele deu o sinal combinado aos soldados armados para cercar os judeus.

Ao verem as tropas os judeus ficaram atemorizados perante este procedimento imprevisto.
Depois de declarar que os mandava matar se eles não aceitassem as imagens de César, Pilatos deu ordem aos  soldados para desembainhar as espadas.

Os judeus num acordo comum, atiraram-se ao chão, estenderam o pescoço declarando preferir morrer que violar a lei.
Surpreendido  perante tanto zelo religioso, Pilatos consentiu que se retirassem imediatamente todas as efígies e estandartes de Tibério em Jerusalém.



Fragmento de rocha com uma inscrição que menciona PONTIVS PILATVS

Passado algum tempo, levantou outro motim ao confiscar o tesouro do templo para a construção de um aqueduto com a dimensão de 400 estádios, para levar água a Jerusalém.
Perante tão grande sacrilégio o povo indignado juntou-se em redor do tribunal de Pilatos que então se encontrava  em Jerusalém.
(Estádio: (unidade) adotado por escritores romanos, varia segundo o autor.
Alguns adotaram um estádio de 600 pés: o pé romano era 1/25 menor que o pé grego.
Segundo Daniel Engels. o estádio romano media 185m.

Pilatos que tinha previsto esta revolta, teve o cuidado de misturar à multidão soldados armados vestidos com roupas civis,  proibiu-os de usar a  espada, mas tinham ordem de se servirem do cajado.
Do alto do seu tribunal Pilatos deu o sinal combinado do ataque.
Grande número de  judeus foram massacrados, outros ao tentarem fugir esmagaram-se mutuamente. 
A multidão romana apavorada com este massacre, permaneceu silenciosa.

Pilatos desapareceu sem deixar rasto na história.
Foi apenas um dos muitos funcionários romanos, mas que ficou conhecido como um dos protagonistas  da morte de Jesus de Nazaré.
Sem a bíblia Pilatos teria permanecido anónimo.

MGeada

Bibliografia
Jean Pierre Lémonon ; Ponce Pilate » 1981, réédité en 2007
Daniel-Rops ; Jésus en son temps- èditions Cerf. 1 de setembro 1976
Flávio Josefo livro I, capítulo IX, 2 a 4.
Bernet Anne ; Mémoires de Ponce Pilate- Éditions Plomb, Paris, agosto 1998

http://www.universalis.fr/encyclopedie/ponce-pilate/#

quarta-feira, 24 de junho de 2015


Diferentes tipos de coroa na numismática  romana

São numerosos os tipos de coroa que podemos ver na numismática da República e Império romano.

Entre muitas outras podemos citar a Coroas Cívica, a Coroa Triunfal (a mais comum), Coroa Mural (Corona Muralis), Coroa Rostrata (ou Naval), Coroa Obsidional (Gramínea Corona, ou Coroa Floral), Coroa Radiada, (símbolo do sol), Coroa Spicea (ou Spicea Corona), Coroa de Pampre, (ramos de videira), Coroa Credemnon (Hera) e outras mais.

Todavia existe uma coroa dupla composta por rostros e ameias de castelo, a que podemos chamar Rostrata  Murale.  

Durante os períodos da República e Império Romano, as coroas marcaram presença em todas as recompensas.
As mais usuais mas também as mais prestigiosas eram atribuídas por ações de coragem e bravura, representando assim um elevado valor moral, seja pelo seu exemplo, ou suas consequências.

Quem fosse recompensado com uma coroa, tinha o direito de a usar perpetuelemente em locais públicos.

Coroa Cívica

Era atribuída a quem salvasse a vida dum cidadão romano e matasse o seu agressor.
Como era impossível atribuir um preço à vida dum romano, esta coroa era composta por dois simples ramos de carvalho, e foi a segunda das coroas de honra militares.
Todavia, aquele a quem esta distinção era atribuída, beneficiava da estima e respeito geral de todos os cidadãos, assim como duma insenção perpétua de todos os impostos. 

República Romana-Denário serrado, cunhado em Roma, cerca de 105 a.C.
Anv. Vulcano com a coroa cívica à direita, estrela e tenaz, B
Rev. Águia no interior duma coroa cívica, L COT
(Ref. Sydenham-577; Crawford-314/1b)

Augusto-Denário cunhado em Roma no ano 17 a.C.
Anv. Augusto com coroa Cívica, feita de ramos de carvalho (com bolotas) à esquerda,
CAESAR AVGVSTVS
Rev. oito raios e cauda de cometa
DIVVS JVLIVS
((Ref. RIC-37b ; rsc-97 ;BMC-326)

Augusto-Denário cunhado em Espanha em 19-18 a.C.
Anv. Augusto cabeça nua à direita,
CAESAR AVGVSTVS
Rev. Coroa Cívica, 
OB CIVIS SERVATOS
(Ref. RIC- 40b;  BMCRE-331; CBN-1290; Cohen-211)

Calígula-Sestércio cunhado em Roma 37-38
Anv. Calígula laureado à esquerda,
C CAESAR AVG PON M TR POT III COS III
Rev. Coroa Cívica,
SPQR PP OBCIVES SERVATOS
(Ref. RIC-37r; Cohen-24)

A legenda deste  anverso mostra que ao contrário de Tibério, Calígula aceitou de imediato as honras que o Senado lhe atribuiu; as coroas Triunfal e Cívica.
(Dion Cassius, Histoire de Romaine, Livre 59, III))

Calígula tornou-se então o momarca mais absoluto.
Todos os títulos que Augusto dificilmente aceitou durante todo o seu reinado atribuídos por decreto, e que Tibério também não queria aceitar, Calígula aceitou e recebeu-os todos num dia, exceto o P P,  “Pai da Pátria” na legenda do reverso,  que lhe foi recusado pelo Senado,  mas que se atribuiu ele mesmo pouco tempo depois.

Coroa Triunfal

Tibério-Denário cunhado em Londres 14-37
Anv. Tibério com coroa Triunfal (ou laureado) à direita,
TI CAESAR DIVI AVG F AVGVST
Rev. Lívia ou a PAX sentada num trono,
PONTIF MAXIM
(Ref. RIC-26; BMCRE-34; RSC-16)

Nero-Sestércio cunhado em Roma, cerca de 67
Anv. Nero laureado à direita,
IMP NERO CLAVD CAESAR AVG GERM P M  TR P XIII P P
Rev. Roma sentada à esquerda  ROMA S C
(Ref. RIC I-356; WCN-168; MNCRE-116var.; Cohen-285var.)

Feita de ramos de loureiro, (depois em ouro) era o símbolo da vitória.
Durante o período da República era uma recompensa atribuída unicamente aos generais vencedores.
A coroa Triunfal era utilizada em cerimónias para festejar as vitórias, durante as quais um grande cortejo composto de carros com prisioneiros reduzidos à escravidão, do fruto do saco, e troféus de guerra, subia a Via Sacra até ao templo de Júpiter no Capitólio, onde a coroa era consagrada a este deus.
Símbolo inseparável do título do imperador, a coroa de louro durante o império passou a ser um atributo do príncipe:  um sinal da sua autoridade e  poder supremo sobre o exército.

Coroa Mural (Corona Muralis)

Roma-AE 20 anónimo cerca de 217-215 a.C.
Anv. Busto feminino à direita com coroa Mural
Rev. Cavaleiro galopando à direita,  ROMA
(Ref. Crawford-39/5; Sydenham-97; BMCRR(Romano-Companian)136)

Augusto-denário cunhado em Roma em 12 a.C.
(pelo moedeiro Cossus Comelius Lentulus)
Anv. Augusto com coroa Cívica à direita,
AVGVSTVS COS XI
Rev. Agripa com a coroa dupla, Rostrata Mural à direita,
M AGRIPA COS TER COSSVS LENTVLVS 
(Ref. RIC I-414 ; RSC I (Agrippa e Auguste); BMCRE-121; BMCRR Rome4671; BN, 548-50)

Antiga condecoração militar, mais tarde um elemento héraldico.
Decorada com torreões é uma das mais altas decorações militares, era de ouro e recompensava o primeiro  a escaladar a muralha duma cidade inimiga e ali colocasse o seu estandarte.
Esta coroa também era utilizada por imperadores, aquando dos festejos de vitórias de batalhas, ou anexação ao império de alguma cidade, região, ou província.

Coroa Rostrata (ou Naval)

Augusto-Dupondio cunhado em Nemauso (Nines França) em 20-10 a.C..
Anv. Agripa com coroa Rostrata (ou naval), e Augusto com coroa Triunfal, 
IMP DIVI P F
Rev. Crocodilo acorrentado a uma palmeira,  COL NEM
(Ref. RIC-115; RPC-523; Cohen 7-523; Sear-1729)


Agripa-Reinado de Calígula, Asse cunhado em Roma 37-41
Anv. Agripa com coroa Rostrata (ou Naval) à esquerda,
M AGRIPA L F COS III
Rev. Netuno nu com o manto nos braços, um golfinho na mão direita e tridente na esquerda,   S C
(Ref. RIC-58; BMC-161(Tiberius); Cohen-3)

A coroa Rostrata (ou coroa Naval), era atribuída ao primeiro romano que subisse a bordo dum navio inimigo, aquando da sua abordagem numa batalha naval, ou ao comandante pela sua coragem e habilidade para alcançar a vitória.
Era chamada de coroa Rostrata, por ser ornamentada com rostros; esporões de bronze situados na proa dos navios de guerra  e destinados a destruir o casco dos barcos inimigos.

Estes esporões tomados aos vencidos eram expostos como troféus particularmente gloriosos.
A Tribuna da Arenga no Foro Romano, era cercada de colunas ornamentadas com os esporões tomados aos navios dos Volques, na batalha de Antium no ano 338 a.C.

Augusto distinguiu o seu fiel lugar-tenente Agripa com esta recompensa, por ter vencido a frota de Marco António na batalha de Ácio no ano 31a.C.

Coroa Obsidional (ou Gramínea Corona)

Repúbica (C. Serveilius, monetário)
Denário cunhado em Roma no ano 57 a.C.
Anv. Flora com coroa Obsidional à direita,
FLORAL PRIMVS
Rev. Dois soldados, C. CERVEIL  C.F
(Ref. Crawford-423/1 ; Sydenham-890 ; Kestner-3448 ; BMCRR-3817)

(Flora na mitologia romana, Clóris na grega; é a ninfa das ilhas Afortunadas.
Esposa de Zéfiro é a deusa das flores).

Augusto-Áureo (oficina  incerta) após 30 d.C.
Anv.Augusto com coroa Obsidional à esquerda,  CAESAR
Rev. Boi à esquerda,  AVGVSTVS
(Ref. RIC-536; CNB-1007; Calico-170; Biaggi-86)

Conhecida por coroa Obsidional (ou Gramínia corona), durante o período da República e início do Império, era considerada uma das mais prestigiosas e distinguia aquele que tivesse salvo um exército romano, ou uma cidade sitiada, aquando duma situação desesperada.

Era composta de flores silvestres e ervas daninhas, recolhidas no sítio onde teve lugar a batalha ou cerco.
O Senado que viu em Augusto “o salvador perpétuo do Império”, atribuíu-lhe esta coroa no ano 30 a.C.

Coroa Radiada

República Romana-Mânio Aquílio, cônsul em 101 a.C.
Denário cunhado em Roma 101-109
Anv. Sol com coroa Radiada à direita, X
Rev. A Lua conduzindo uma biga à direita, MN AQUIL ROMA
(Ref. RSC-1; Crawford-303/1; Sydenham-557; CNG-2002)

Augusto-Denário, (póstumo) cunhado em Roma em 19-18 a.C.
(Moedeiro, L. Aquillius Florus)
Anv. Augusto com coroa Radiada à direita
L AQVILLIVS FLORVS III VIR
Rev. Parta (ou parto) com um joelho no chão, e um estandarte na mão direita,
CAESAR AVGVSTVS SIGN RECE
(Ref.RIC I-304; BMC-40; RSC-358)

Nero-Dupôndio cunhado em Roma em 64
Anv. Nero com coroa Radiada à direita,
NERO CLAVDIVS CAESAR AVG GERM P M  TR P IMP PP
Rev. Vitória alada à esquerda,
VICTORIA AVGVSTI   S C
(Ref. RIC-201; BMC-220; MacDowell-191)

A coroa Radiada simboliza os raios do sol.
Já conhecida em moedas da República, foi concedida pelo Senado a Augusto, a título póstumo.
Nero foi o primeiro imperador a receber esta  coroa enquanto vivo.

Nero-Dupôndio cunhado em Roma no ano 63
Anv. Nero com coroa Radida à direita,
NERO CLAVD CAESAR AVG GER P M TR P IMP P P
Anv. Grande mercado de Nero, MAC AVG  S C
(Ref. RIC-185; Sear-1963; BMC-193; WCN-207)

Durante muito tempo esta coroa serviu para diferenciar o dupônduo do asse e do sestércio, nas moedas de bronze.
A partir do reinado de Caracala, ela passou a ser a principal característica da nova moeda criada pelo imperador: “o antoniniano”.
Neste tipo de moeda, a efígie das imperatrizes assenta sobre um crescente de lua.
O casal imperial fica assim assimilado ao sol e à lua.

Caracala-Antoniniano cunhado em Roma em 215
Anv. Caracala com coroa Radiada e drapeado à direita,
ANTONINVS  PIVS AVG GERM
Rev. Júpiter com um bastão na mão esquerda e tridente na direita,
P M TR P XVIII COS IIII P P
(Ref. RIC-258b; RSC-279ª)

Salonina-Antoniniano cunhado em Antioquia em 264
Anv. Salonina com diadema e drapeada à direita
SALONINA AVG
Rev. Juno com cetro e patera à esquerda
IVNO REGINA
(Ref. RIC-92; Sear-10641; Goebl-1619)

Pensa-se que estes dois atributos eram a marca de uma duplicação do valor, como tenderia a provar a coroa Radiada utilizada por Trajano Décio, e o crescente de lua sob o busto de Estrucila (sua esposa), que encontramos nos duplos sestércios cunhados por este imperador a partir do ano  250 d.c.

Trajano Décio-Duplo sestércio cunhado em Roma em 250-251
Anv. Trajano o com coroa Radiada e drapeado à direita,
IMP C M Q TRAIANVS DECIVS AVG
Rev. Felicitas com um caduceu na mão direita e uma cornucópia na esquerda,
FELICITAS SAECVLI S C
(Ref. RIC-115a; Cohen-39; Sear-9395)

Herênia Etruscila-Duplo sertércio cunhado em Roma, 250-251
Anv. Buso de Etruscila com diadema à direita sobre um crescente de lua,
HERENNIA ETRVSCILLA AVG
Rev. Pudicitia sentada à esquerda com cetro na mão esquerda
PVDICITIA AVG  S C
(RIC-136ª; Cohen 21; Sear-9502)

Coroa Spicea (ou Spicea Corona) de  espigas de trigo

República
L. Cassius Caecianus-Denário cunhado em Roma 102 a.C.
Anv. Ceres com coroa Spicea à esquerda,(de espigas de trigo)
CAEICIAN,
Rev. dois bois atrelados à esquerda, L CASSI V
(Ref. Sear5-142, Crawford-321/1; Sidenham-594)

Albinus Postumius Brutus-Denário cunhado em Roma em 48 a.C.
Anv. Postúmio à direita,
A POSTVMIVS COS
Rev. ALBINVS BRVTI F no interior duma coroa Spicea
(Ref. BMCRR-3967; CRR-943; RCV-428; MRR-1398)

Galiano- Áureo cunhado em Roma 260-268
Anv.Galieno com coroa Spicea à esquerda,
GALLIENAE  AVGVSTAE
Rev. Vitória conduzindo uma biga à direita, VBIQVE PAX
(Ref. RIC-72; Cohen-1018)

Símbolo da agricultura, das colheitas e da fecundidade, a coroa Spicea é o atributo principal da deusa Ceres (Deméter dos gregos), era hábito colocar coroas de espigas no seu templo.
Deusa dos grãos e dos cereais, a principal festa do seu culto chamada Cereália, Ludi Cereris, ou ainda Ludi Ceriales (jogos de Ceres), de início festejada em ocasions extraordinárias, mais tarde teve lugar todos os anos entre os dias 12 e 19 de abril.
Era uma festa alegre, e toda a gente se vestia de branco durante o festejo.
Ceres foi adotada pelos romanos no ano 496 a.C. aquando duma fome devastadora.
A coroa Spicea é considerada uma das mais antigas coroas romanas, e chegou a ser era usada pelos sacerdotes aquando de cerimónias religiosas. 

A coroa Spicea também aparece em moedas das mulheres da Domus Augusta, como Lívia, Antónia e Agripina Minor.

Livía-AE 16 cunhado em Alexandria (Egito) 14-19
Anv. Livía com diadema à direita
Rev. Ramo com duas espigas de trigo e duas papoilas  L Δ
(Ref. Dattari, 104-5; RPC-5079)

Antónia Minor-áureo cunhado em Lião entre 41 e 45
(Cunhado durante o reinado do seu filho Cláudio)
Anv. Antónia com coroa Spicea à direita,
ANTONIA AVGVSTA
Rev. Duas tochas acesas e guirlanda,
SACERDOS DIVI AVGVSTI
(Ref. RIC-67; BMC-112; Sear-1899)

Agripina Minor-Diobol cunhado em Alexandria (Egito)em 51-52
Anv. Agripina drapeada com coroa Spicea e espigas no ombro esquerdo, 
AGRIPPI SEBASTH (Agripina Augusta)
Rev. Eutênia com coroa Spicea à direita,
EUQENIA  L IB (Eutênia XII ano)
(Ref.BMC 16/108; Milne-125; BN4-256; RC-658)
(Eutênia: figura da mitologia grega, um espírito feminino que personificava a prosperidade).

Cláudio-Áureo cunhado em Roma,cerca de 42
Anv. Cláudio laureado à direita,
TI CLAVD CAESAR AVG GERM P M TRIB POT P P
Rev. Agripina Júnior com coroa Spicea à direita,
AGRIPPINAE AVGVSTAE
(Ref. RIC I-80; BMCRE-72; CNR-4)

Coroa de Pampre (ramos de Videira)

República (L. Cassius Longinus, monetário)
Denário cunhado em Roma no ano 75 a.C.
Anv. Liber Pater com coroa de Pampre a à direita, 
Rev. Libera com coroa de Pampre à esquerda, CASSI Q F
(Ref. Crawford-386/1; Sidenham-779; Sear-317)
(Pampre: ramo de videira com as folhas e por vezes com as suas uvas)

Liber Pater ou Liber: Deus do vinho, da vinha e da fecundidade.
De  origem itálica na religião romana,  foi igualado com Baco (Dionísio).
O culto de Liber Pater e da sua consorte Libera, já era praticado na  Roma antiga, e festejado no dia 17 de março.

Embora o significado do seu culto se alterasse sobre a influência da mitologia grega, na origem ele apresentava uma fisionomia totalmente diferente das divindades grega Dionísio e Baco dos  romanos, às quais mais tarde ele foi assimilado.

Coroa Credemnon (Hera)

 Augusto-Áureo cunhado em Roma cerca 19-18 a.C.
(P. Petronius Turpilianus (monetário))
Anv. Baco com coroa Credemnon à direita
P PETRONIVS TVRPILIANVS III VIR
Rev. AVGVSTO  OB S.C no interior duma coroa cívica
(Ref. RIC I-278; BMCRE-4512; Calicó-143BNC-108)

Augusto-denário cunhado em Roma em 19-18 a.C.
(P. Petronius Turpilianus (monetário)
Anv. Bacor com coroa Credemno à direita,
P PETRONIVS TVRPILIANVS III VIR
Rev. Parta (ou parto) com um joelho no chão e um estandarte na mão direita,
CAES AVGVSTVS CAESAR SIGN RECE
(Ref. RIC-287; RCS-485; BMCRE-10; BN 118-126)

Planta de Baco (Dionísio grego) a hera mais a vinha são um dos atributos do deus e suas sacerdotisas, as Ménades.
O seu culto é centralizado sobre a liberdade e extásio pela alegria, mas também pela brutalidade: (efeitos do vinho).

Baco utilizava a coroa de Hera (chamada Credemon) para aliviar suas dores de cabeça, originadas pelo excessivo consumo de álcool.
O culto de Baco é indissociável das Bacantes (Ménades gregas), sacerdotisas deste deus.

Não tinham templo, e no dia das festividades com coroas de Hera e tirsos na mão, cantavam e dançavam correndo em direção das montanhas e bosques, que eram o seu domínio.

Os romanos tinham por hábito por uma coroa de Hera na cabeça para aliviar as dores, principalmente da cabeça.
Para aumentar o poder de cura, também utilizavam dois copos feitos de tronco de Hera: num metiam o vinho destinado ao culto de Baco, no outro ao doente.

O povo tinha muita fé neste Deus, ao qual imploravam muitas graças.
Para saberem se o seu desejo se realizava, metiam 9 folhas de Hera em água de nascente que ali permaneciam 9 dias.
No fim deste período se as folhas ainda flutuasse, as suas súplicas tinham sido concretizadas: caso se afundassem, a graça não lhes tinha sido concedida.

No século IV, o Império romano foi divido em dois: Império romano Ocidental e Império romano Oriental.

Se o primeiro desapareceu rapidamente (no século seguinte) sob a influência das invasões germânicas, e a criação de novos reinos no seu território; o segundo deu origem ao Império Bisantino que subsistiu até à tomada de Constantinopla pelos turcos-hotomanos em 1453.  

Império romano Ocidental

Flávio Honório (Flavius Honorius), primeiro imperador do Ocidente
Sólido (ouro) cunhado em Constantinopla entre 403 e 408
Anv. Honório com a coroa (de ouro) do Ocidente, escudo e lança,
DN HONORIVS P F  AVG
Rev. Constantinopla de frente, sentada num trono com capacete, escudo e lança,
CONCORDIA AVG  CONOB
(Ref. RIC X-30; Depeyrot-57/2)

Império romano Oriental

Flávio Arcádio (Flavius Arcadius), primeiro imperador do Oriente
Sólido (ouro) cunhado em Constantinopla entre 397e 402
Anv. Arcádio com a coroa (de ouro) do Oriente, escudo e lança,
DN ARCADIVS P F AVG
Rev. Constantinopla de frente, sentada num trono,
com capacete, lança e um globo encimado com uma Vitória,
CONCORDIA AVG   CONOB
(Ref. RIC X-7; DOCLR-210)  

MGeada

Bibliografia
Charles Victor Daremberg et Edmond Saglio ; Le Diccionnaire des Antiquités Grecques et Romaines-èditions Hachette , 1877-1919.
George Hacquard ; Guide mytologique de la Grece et de Rome- Hachette Éducation, Paris 1990.
Joel Schimidt ; Dieux, Déesses, héros de la Rome antique, èditions Molière, 2003.
Andrew Burnett, tradution de George depeyrot ; La Numismatique romaine de la Republique au Haut Empire.
Paul Petit ; Histoire  générale de l’Empire romain, èditions Seuil, Paris 1974.
A.Momigliano ; la caduta senza rumore di un impero (a queda silenciosa dum império): sexto contributo alla storia degli studi classici-Edizione di Storia e letteratura, Roma 1980, pp. 159-165.
http://www.reconstitution-romaine.com/lierre%20herboristerie%20romaine%20antique.html