segunda-feira, 5 de outubro de 2015


Revolução de 5 de outubro de 1910

Elevado ao trono como herdeiro de D. Carlos I, em 01-02-1908, quando este e o primogénito, D. Luis Filipe foram eliminados por golpe traiçoeiro, o infante D. Manuel com 19 anos incompletos começou a governar como segundo rei do seu nome.

D. Manuel tem uma posição passageira entre a Monarquia e a Repúbica.
A ideia de novo regime vai ganhando terreno, como se fora o remédio para todos os males de que enfermava a monarquia, velha de mais de sete séculos.

Os partidos políticos aproveitam todas as oportunidades para se digladiarem e assacar as culpas de tudo ao governo e ao regime vigente.

Após a  revolta militar (fracassada) no Porto  em 31 de janeiro de 1891, os republicanos não abandonaram os seus projetos e, aproveitam a fraqueza dos monarquicos para com propaganda intensa alargarem o seu eleitorado e, pela segunda vez  prepararam ambiente para se apoderarem do poder e, conseguiram-no por fim.

No Porto deu-se a revolução vitoriosa de 4 de outubro de 1910.
Uma revolução onde colaboraram a maior parte das forças que sustentavam o trono, fê-lo ruir e permitiu a proclamação da República em Lisboa no dia 5,  logo de seguida uma cerimónia idêntica no Porto e outras localidades.  


Às oito horas do dia 5 de outubro de 1910, José Relvas e outros membros do Partido Republicano Português, na varanda dos Paços do Conselho de Lisboa, perante milhares de pessoas, proclamaram a República.

Foi constituído um governo provisório, presidido por Teófilo de Braga que imediatamente publicou diversa legislação.
Entre outras, expulsou as ordens religiosas do país encerrando os conventos, aboliu o ensino da doutrina cristã nas escolas, estabeleceu o divórcio, o registo civil obrigatório, etc.

A bandeira e o hino nacional também foram substituídos, instituindo-se a bandeira verde rubra, (agora bandeira nacional), e “A Portuguesa”  (hino nacional).
Em 1911 foi promulgada uma nova Constituição e o Dr. Manuel de Arriaga eleito primeiro presidente da República Portuguesa.


Do azul branco ao verde rubro,
a simbólica da bandeira nacional




Bandeira instituída em novembro de 1910


Modelo adotado em 30 de junho de 1911

Um escudo comemorativo da revolução de 5 de outubro de 1910.
Cunhado  em 1914 a 1 000 000 de exemplares de prata a 835‰, tem um diâmetro de 37mm, e 25g. de peso.

Escultor:
Anv. Francisco dos Santos
Rev. José Simões de Almeida
Gravador : Alves de Rego
Legislação: Decreto- lei n. 927 de 3 de outubro de 1914.

Anv. À direita do campo, tendo como fundo o sol nascente sobre a terra, a figura simbólica da República, de meio corpo à esquerda, envolvida na bandeira nacional e empunhando um facho aceso na mão direita, tendo por baixo a inscrição “5 de outubro de 2010”, em três linhas e, na orla superior, a legenda “República Portuguesa”, entre pares de estrelas.

Rev. Ao centro do campo, o escudo das armas nacionais assente num “fascio” romano de varas e machado, circundado por vergônteas de louro e de carvalho entrelaçadas em baixo por um laço e, na orla inferior, o valor, “1 Escudo”.

Dois euros comemorativos do centenário da República Portuguesa.
Cunhado em setembro 2010 a 2 000 000 de exemplares, é bimetálico (latão níquel), com um diâmetro de 25,75mmm e peso 5,5 g. .

Escultor: José Cândido e Luc Luycx
Legislação: Resolução do Conselho de Ministros n. 25/2010, de 5 de abril

Anv. No campo central, é utilizada uma composição dos elementos mais significantes e simbólicos da República: a efigíe e as armas da mesma e a legenda “República Portuguesa 1910-2010”, dispostos em arco sobre o escudo e, envolvendo todo o desenho, encontram-se dispostas em forma circular as 12 estrelas que representam a União Europeia.

Rev. O número 2 que representa o valor da moeda aparece no lado esquerdo da face comum.
Sobre o lado direito da mesma face, surgem seis linhas verticais direitas, sobre as quais estão sobrepostas doze estrelas, cada uma imediatamente antes de cada  extremidade destas linhas .
O continente europeu está representado no lado direito.
A parte direita desta representaçãp subrepõe-se à secção média das linhas.
A palavra EURO está sobreposta horizontalmente na parte central direita da face comum.
As iniciais “LL” do autor da gravura estão inscritas sob a letra “O”, perto do bordo do lado direito da moeda.

MGeada

Bibliografia
Jorge de Abreu. A Revolução Portuguesa , 5 de Outubro 1910: Lisboa, casa Alfredo David, 1912.
Valente, Vasco Pulido; O Poder e o Povo: a Revolução de 1910, 5.ed. Lisboa. Gradiva,2004.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015


Príapo ou Priapo, deus grego da fertilidade, é um deus itifálico protetor dos produtos agrícolas, uvas, rebanhos, e abelhas.
Na mitologia romana é conhecido por Mutuno Tutuno ou Mutini Titino, em latin, “Mutunus Tutunus ou Mutinus Titinus”.

Augusto-AE 17 cunhado em Lâmpsaco (Mísia), 27 a.C.-14 d.C.
Anv. Augusto laureado à direita
Rev. Príapo Ithyphallic à esquerda
(Ref. RPC I-2274, BMC-79, SNG France-1267)
(O termo Ithyphallic é uma referência aos deuses da fertilidade, sempre representados com o pénis ereto).


Augusto-AE 16 cunhado em Lâmpsaco, 27 a.C.-14 d.C.
Anv, Augusto laureado à direita
Rev. Príapo Ithyphallic à esquerda
(Ref. RPC I-2276, SNG France-1263)

Muito popular na Roma antiga, o deus Príapo é fácilmente reconhecido pelo seu “gigantesco pénis constantemente ereto”, particularidade que deu o nome ao termo médical priapismo.
“Sindroma genital caraterizado por ereções violentas, dolorosas e persistentes, mas que não despertam qualquer desejo sexual, é uma urgência medical que necessita ser tratada”.

Mito

Príapo terá nascido em Lâmpsaco-Mísia, é filho de Zeus e de Afrodite, (outras versões dão-lhe  como pai Hermes, Adónis, ou ainda Dionísio).

Domiciano-AE 15 cunhado em Lâmpsaco em 138
Anv. Domiciano laureado à direita
Rev. Príapo Ithyphallic à esquerda
(Ref. RPC-890, SNG Cop-235, Waddinton-893)

Alguns autores, envelhecem a lenda de algumas gerações e veem em Príapo um titã, ao qual Hera terá confiado a tarefa de ensinar o manejo das armas a Ares, “deus da guerra”.

Noutra versão do mito, Príapo foi punido pelos deuses por ter tentado violar uma deusa  e, como castigo, deram-lhe enormes atributos para que ele nunca mais conhecesse o prazer,  nem a fecundidade.

Antonino Pio-AE 17 cunhado em Lâmpsaco em 138
Anv. Antonino Pio à direita
Rev. Príapo Ithyphallic à esquerda

Existem muitas  lendas  sobre o nascimento de Príapo; provavelmente variantes da versão mais corrente, segundo a qual, o deus terá sido o fruto dos amores clandestinos entre Zeus e Afrodite.

Afrodite não escapou à inveja vingativa de Hera,  “esposa legítima de Zeus”, porque a deformidade sexual do filho seria devido à malevolência de Hera, com ciúmes da deusa do amor. 

Septímio Severo- AE 26, cunhado em Lâmpsacos 193-211
Anv. Septímio Severo laureado à direita
Rev. Templo de Príapo (em Lâmpsaco), com a sua estátua no interior. 
(Ref. Classifical Numismatique Group, venda eletrónica lote n.168)

Quando Afrodite estava prestes a dar à luz, Hera acorreu e colocou-lhe a mão no ventre.
O resultado foi que Afrodite  deu à luz um ser de aparência repulsiva, com uma língua e uma barriga enormes.

Septímio Severo-AE 17, cunhado em Nicopolis (Moesia inferior) 193-211
Anv. Septímio laureado à direita
Rev. Príapo Ithyphallic à direita
(Ref. Sear 5-238, Crawford-341/1- Syd-69)

Terrorisada, a deusa abandonou o récem-nascido.
Este foi acolhido por pastores que apreciaram a sua robustez; mais tarde, Príapo juntou-se ao cortejo de Dionísio.

Outra versão, faz de Príapo filho de Dionísio e de Afrodite, enquanto outra lhe atribui como pai o deus  Adónis.
Segundo esta lenda, Afrodite terá aproveitado uma viagem que o seu esposo fez ao Olimpo para ter relações sexuais com Adónis.

Septímio Severo-AE 21, cunhado em Nicopolis, 193-211
Anv. Septímio laureado à direita
Rev. Príapro Ithyphallic à esquerda
(Ref. AMNG I-1380, Mouchmov-987, Varbanov-1789)

Após o regresso de Dionísio e, depois de lhe dar as boas vindas, Afrodite fugiu para Lâmpsaco, onde depois da intervenção de Hera, deu à luz uma criança da qual ela não pode suportar a visão.
Uma outra versão sobre Príapo, diz-nos ser filho de Dionísio e da Náiade Quione. 

Júlia Domna-AE 26, cunhado em Nicoplolis, 193-217
Anv. Júlia Domna à direita
Rev.  Príapro Ithyphallic à direita
(Ref.Moushmov-1052, Varbanov 288-289)

Príapo que detestava os burros, pediu  para os sacrificarem durante as cerimónias no seu culto.
A sua antipatia por este animal vem do fato (segundo Ovídio) que uma noite quando se preparava para violar  Héstia, a deusa foi advertida pelo zurrar de um burro e, assim conseguiu escapar ao ardor de Príapo.

Esta aventura confunde-se com outra de uma época mais recente que segundo Ovídio, (Metamorfoses e Fastes) o deus teve uma relação com a ninfa Náiade Lotis que recorda a lenda de Pã Sírinx.
No nomento em que Príapo acredita ter atingido o seu objetivo, Lotis metamorfoseou-se na  árvore que ainda hoje tem o seu nome, o “lótus”.

Eleogábalo-AE 18, cunhado em Nicopolis,208-222
Anv. Eleogábalo laureado à direita
Rev. Príapro Ithyphallic à esquerda
(Ref. Varbanov-3811, AMNG-2022)

Outra lenda diz-nos que a tentativa do deus falhou, porque no momento em que ia violentar a ninfa, esta foi advertida pelo zurrar do buro de Sileno, que permitiu a Lotis de fugir.
Furioso Príapo matou o animal que tinha frustrado os seus planos.
(Sileno: na mitologia grega e romana, era um dos seguidores e fiel companheiro de Dionísio)

Maximino Trácio-AE 24 cunhado em Lâmpsaco, 235-238
Anv. Maximino laureado à direita
Rev. Príapo Ithyphallic à esquerda

Outra versão diferente nos é dada pelo seu ódio para com os  equídeos.
Ela tem por origem uma briga com um burro que Dionísio cavalgou durante muito tempo e ao qual ele concedeu o dom de falar.

Em causa estava o respectivo tamanho do pénis.
Príapo comparou o seu orgão sexual com o do burro e, depois de ver o tamanho dos seus atributos (superior aos seus) matou-o.

Trajano Décio-AE 21, cunhado em Lâmpsaco, 249-251
Anv. Trajano laureado à direita
Rev. Príapo Ithyphallic à esquerda


O deus protetor dos produtos agrícolas, uvas, rebanhos, e abelhas, matou o burro que Dionísio venerava e que este depois colocou entre as estrelas.

É difícil compreender qual a base deste mito.
Sabemos que em Lâmpsaco sacrificavam-se burros em louvor do deus Príapo, enquanto para a festa de Héstia os burros eram coroados com flores!

MGeada

Bibliografia
Michel Foucaud; História da Sexualidade. 3 vol. Rio de Janeiro, Graal, 1988
Philipe Morel; Priape à la Renaissance : Les guirlandes de Giovanni da Udine à la Farnésine, Revue de l’Art, 69, 1985, 13-28.
Cyril Dumas et David Furdos ; Priape entre lévocation et superstition, Dossiers d’arqueologie, n. H.S. 22, avril 2012, p, 36-41.
http://www.asiaminorcoins.com/gallery/thumbnails.php?album=104

quinta-feira, 27 de agosto de 2015


Império Romano
Reinados dos imperadores africanos e sírios, 192 a 235

Cunhagens da dinastia dos Severos

Pertinax (Publius Helvius Pertinax) - Filho de escravo liberto, nasceu em Alba Pompeia no dia 1 de agosto de 126, e faleceu em Roma em 28 de março 193.
Casou com Flávia Ticiana por cerca do ano 180 e tiveram dois filhos. Públio Hélvio Pertinax, e uma filha de nome desconhecido.

Após  uma brilhante carreira militar,  em 188 e 189 exerceu a função de procônsul da prestigiosa província da África, e prefeito de Roma de 190 a 192.

Exercia o cargo de prefeito urbano quando no dia 31 de dezembro de 192, o seu amigo imperador Cómodo foi assassinado.

Proclamado imperador na manhã seguinte  ao assassínio de Cómodo (1 de janeiro 193), as suas reformas não agradaram ao povo, particularmente à guarda pretoriana.

No dia 28 de março de 193, (após um reinado de 86 dias), um grupo de soldados descontentes por terem recebido apenas a metade do pagamento prometido, invadiram o palácio e mataram o imperador, dando início à crise que ficou conhecida como “o ano dos cinco imperadores”.

Soberbo e raro sestércio de Pertinax cunhado entre 1 de janeiro e 28 de março do ano 193
OPI DIVIN TR P COS II   S C
(RIC-20, Sear-4054)

Flávia Ticiana
Pertinax, AE25 cunhado no Egito entre 1 de janeiro e 28 de março de 193
TITIANH CEBCTH
(Ref.GIC-2106)

Didio Juliano (Salvius Julianus Severus Didius Marcus) nasceu na província da África a 30 de janeiro de 133 ou 2 de fevereiro de 137 (há divergências).

Filho de rica e importante família de Mediolano (atual Milão), e apesar da sua mãe Domícia Lucila ser parente do famoso advogado Sálvio Juliano, atuante no reinado de Adriano, Didio foi criado na família da mãe do imperador Marco Aurélio.
Teve uma carreira importante na administração imperial.
Pretor na Belgica, cônsul por cerca do ano 175, e governador na Ilíria e na Germânia Inferior.

Ao ter conhecimento da morte de Pertinax e como candidato ao trono imperial, Didio foi ao quartel da guarda pretoriana e, ofereceu aos soldados uma enorme quantia de dinheiro, para obter a sua fidelidade.

Casou com Mânlia Escantila por volta do ano 153, tiveram uma filha, Didia Clara.
Reinou de 28 de março a 1 de junho de 193, dia em que foi assassinado em Roma com 60 anos.

Áureo de Didio Juliano cunhado em Roma entre março e junho de 193
RECTOR ORBIS (governador do mundo)
(Ref. RIC 3, Sear5-6071, Cohen-14)

Sestércio  de Dídio Juliano cunhado em Roma entre março e junho de  193
CONCORD/IA  MILIT/VM (armonia entre os militares)
(Ref. RIC IV-14, Sear- 6072)

 Manlia Scantilla, áureo cunhado em Roma 193
YUNO REGINA
(Ref. RIC VII-4, BMCRE-10, Sear5-6081)

Didia Clara, sestércio cunhado em Roma em 193
HILAR TEMPOR  S C
(Ref. RIC IV-20, Sear-608

Caio Pescênio Níger (Gaius Pescennius Niger), filho de uma tradicional família equestre italiana, nasceu em Aquino (região do Lácio) entre 135 e 140.
Imperador romano ursupador, de 9 de abril 193 até maio de 194.

Derrotado por Cornélio Anulino, (um dos generais de Septímio Severo) na Batalha de Isso em maio de 194, foi preso e decapitado quando tentava fugir  para Pártia.
A sua cabeça foi enviada para Roma onde foi exibida perante o povo.

Denário de Caio Pescénio cunhado em Antioquia em 193-194
FORTVNAE  RED/VCI
(Ref. RIC-25var., Cohen-24)

Pescénio, denário cunhado em Antioquia 193-194
INVICTO IMPERAT (invencível imperador)
(Ref. RIC IV-40, RSC-38v)

Clódio Albino (Decimus Clodius Septimius Albinus), recebeu o cognome de Albinus por causa da brancura excepcional da sua pele.

Filho de família aristocrática romana, nasceu por cerca do ano 150 em Hadrumeto na província da África (atual Sousse na Tunísia).
Cônsul em 194 com Septímio Severo, proclamou-se imperador no outono de 196, cargo que ocupou até 19 de fevereiro de 197.
Depois da derrotado na batalha de Lugduno (Lião França), terá cometido suicídio ou foi capturado e executado, assim como sua esposa e filhos.
Os cadáveres foram atirados para o rio Reno, exceto a cabeça de Clódio que foi envida para Roma.

Clódio Albino, denário cunhado em Roma em 194
MINER PACIF COS III (Minerva Pacífica)
(Ref. RIC-7, BMC-96)

Septímio Severo (Lucius Septimius Severus Pertinax), nasceu em Léptis Magna (Líbia) no ano 146, faleceu em combate na Britânia em 211.

De origem púnica e berbere, foi o primeiro imperador provincial sem ascendência romana a conquistar o trono imperial.
Depois de uma brilhante carreira militar sob os reinados de Marco Aurélio e Cómodo, foi nomeado cônsul sufecto em 185.

Aclamado imperador a 13 de abril de 193, começou por eliminar Didio Juliano seu compatriota, associou ao poder Clódio Albino como César, antes de combater e executar Caio Pescénio no Oriente.
No ano 197, livrou-se do seu último oponente Clódio Albino que se tinha proclamado Augusto.

Só então Severo começou a preparar o estabelecimento da sua dinastia, ao atribuir no ano 194 o título de Augusta à sua esposa Júlia Domna, e os títulos de César a Caracala em 196 e Augusto em 198, data em que Geta seu segundo filho também recebeu o título de César.

O imperador passou quinze anos a consolidar as fronteiras do império, alcançando muitas vitórias sobre os partos em 197/8, em seguida na África em 207, e finalmente na Britânia em 208, onde faleceu.
Severo foi divinizado pelo Senado após a sua morte.
(Cônsul sufecto (suplento): cônsul eleito para substituir outro cônsul falecido antes da expiração do seu mandato).

Áureo de Septímio Severo cunhado em Roma entre 201 e 210
VICTORIAE  AVGG
(Ref. RIC-299, BMC-369, Cohen-712)

Septímio Severo, Áureo cunhado em Roma em 200-201
IVLIA AVGVSTA
(Ref. RIC-161b, BMCRE-192)

Denário de Septímio Severo cunhado na Itália em 193
LEG I ITAL TR P COS (primeira legião itália)
Águia legionária entre duas insígnias
(Ref. RIC IV-3, BMCRE-pg.2, RSC-256)

Júlia Domna,  nasceu no ano 170 em Emesa (Síria) e faleceu em Emesa no ano 217.
Filha do sumo-sacerdote de Bal, Caio Júlio Bassiano, casou com Septímio Severo no ano 187.

O casal teve dois filhos: Caracala em 188 e Geta em 189.
Júlia foi exilada para Emesa pelo imperador Macrino, onde terá cometido suicídio, ou falecido com um crancro da mama.

Júlia Domna, sestércio cunhado em Roma em 198
MATER DEUM S C (Mãe dos Deuses)
(Cibelele, designada como Mãe dos Deuses ou Deusa Mãe, sentada num trono com um ramo ma mão direita).
(Ref. RIC-859, BMC-772v, Cohen-124)

Áureo de Júlia Domna cunhado em Roma em 201
AETERNIT IMPERI
(Bustos de Caracala laureado e Geta cabeça nua)
(Ref. RIC-540, Sear-6517, Calico-2653)


Denário de Júlia Domna cunhado em Roma em 201
SAECVLI FELICITAS
(Isis segurando Horus ao colo)
(Ref. RIC-577, RSC-174)

Caracala (Marcus Aurelius Antoninus), nasceu no dia 4 de abril de 188 perto de Lião (França).
Compartilhou o poder com seu pai, Septímio Severo  e com o seu irmão Geta a partir do ano 208, até à morte do pai  em 4 de fevereiro de 211.
Co-imperador com seu irmão Geta até dia 26 de dezembro de 211.
Imperador de 26 dezembro de 211 até  8 de abril de 217, data em que foi assassinado na Mesopotâmia.

Denário de Caracala cunhado em Roma em 197
IMPERI  FELICITAS
(Felicitas com caduceu e uma criança ao colo).
(Ref. RIC-9, RSC-95, Sear5-6674).

Geta (Lucius Publius Septimius Geta), nasceu no dia 7 de março de 189 em Roma,
Compartilhou o poder com  seu pai Septímio Severo e com o irmão Caracala a partir do ano 208 até à morte do pai  em 4 de fevereiro 211.
Co-imperador com o irmão até 26 de dezembro 211, dia em que foi assassinado  por ordem do irmão, "ou pelo irmão".
(Algumas fontes revelam que foi assassinado pelo próprio irmão quando Geta procurava refúgio nos braços da mãe).

Geta, denário cunhado em Roma em 198-200
TEM/POR  FELI/CITAS
(Ref. RIC 22v, RSC-196a)

Macrino, (Marcus Severus Opellius Macrinus).
Nasceu no ano 164 ou 165 em Cesareia (Mauritânia Cesariense), e faleceu em Capadócia em junho de 218.

Mais um africano que a fortuna elevou ao trono imperial.
Advogado e mais tarde prefeito do pretório do imperador Caracala, proclamou-se imperador no dia 14 de setembro do ano 217, após ter assassinado Caracala durante a campanha contra os partos.

Derrotado numa batalha perto de Antioquia, o imperador foi assassinado quando tentava fugir.
"Caso invulgar; Macrino nunca esteve em Roma".

Denário de Macrino cunhado em ? no ano 217
PONTIF MAX TR P COS PP
(Ref. RIC-24, Sear-7347,RSC-62)

Diadumeniano (Marcus Opellius Antonius Diadumenianus), nasceu a 14 de setembro de 208, e faleceu em Antioquia no dia 8 de junho de 218.

Após a proclamação de Eliogábalo em maio de 217, Macrino concedeu ao filho os títulos de César e Príncipe da Juventude no ano 217, e Augusto em 218.
Reinaram juntos mas, por um curto período.

Derrotados na batalha de Antioquia em 4 de junho de 218, Macrino e Diadumeniano fugiram.
Este último (ainda criança,"10 anos") foi preso e morto, quando tentava atravessar o rio Eufrates para se aliar aos partos.


Denário de Diadumeniano (como César) cunhado em Roma,  maio ou junho de 217
PRINCIPI IVVENTVTIS
(Ref. RIC IV-104)

Heliogábalo, (Sextus Varius Avitus Bassianus), nasceu em Emesa (Síria) por cerca do ano 203.
Como imperador adotou o nome de Marco Aurélio António (Marcus Aurelius Antoninus).
O seu nome verdadeiro nome era  Sexto Vário Avito Bassiano,  só após a sua morte recebeu o cognome de Heliogábalo.

Sobrinho de Caracala, ainda jovem graças à sua formosura foi eleito sumo sacerdote do culto de Ball, "deus associado ao Sol" na Síria e na Fenícia.
É por causa deste culto monetista do Sol que a palavra Helio faz parte do seu nome.

Aclamado imperador pelas tropas na Síria, a sua vitória sobre Macrino fez dele o líder incontestavel de Roma até à sua morte em 222.

Esta subida ao poder deve-a às intrigas da sua mãe Júlia Soémia, e sua avó Júlia Mesa, que para convencer as tropas afirmaram que Heliogábalo era filho do grande Caracala. 

Esta estratégia funcionou e praticamente são elas que vão governar o Império, (sobretudo a avó).
Tirano e capricioso, logo de início mostrou sinais de desequilíbrio mental e, as suas estravagâncias que escandalizaram Roma, rapidamente esvaziaram os cofres do estado.

Durante o seu reinado "e de Júlia Mesa", a morte fazia parte do quotidiano romano, e quem fosse contra este duo era eliminado.
Muitos aristrocatas romanos compreenderam-no demasiado tarde,  pagaram o seu desacordo com a vida.

A causa da morte deste duo infernal "Heliogábalo" e "Júlia Mesa", está ligada à sucessão.
Heliogábalo adotou Alexandre Severo para lhe suceder.
Todavia o povo que adorava o jovem Alexandre queria que ele governasse Roma, o que para Heliogábalo e Júlia Mesa fazia dele um adverssário a eliminar. 

O plano fracassou; o povo exasperado rebeliou-se, e os dois comparsas foram espancados e arrastados pelas ruas de Roma. 
O povo tentou atirar os cadáveres ao esgosto, mas como as condutas eram estreitas, finalmente foram atirados ao rio Tibre sem qualquer forma de processo.
Heliogábalo contava então 18 anos.

Heliogábalo, sestércio cunhado em Roma no ano 220
P M TR P III COS III P P S C
(O Sol nu caminhando para a esquerda)
(Ref. RIC IV-300, BMC-426, Cohen-156)


Júlia Maesa, denário cunhado em Roma 220-223
SAECVLI FELICITAS
(Ref. RIC IV-271, Sear5-7755)


Denário de Júlia Soémia cunhado em Roma em 222
VENVS CAELESTIS
(Ref. RIC.241, Sear-7719)


Alexandre Severo (Marcus Aurelius Severus Alexandrus), filho de Júlia Ávita Mameia e de Marco Júlio Géssio Marciano, um procurador de origem síria, nasceu no ano 208 em Cesareia (da Fenícia).

Adotado pelo seu primo Eleogábalo no dia 10 de maio de 211, quando este faleceu, foi Alexandre Severo que lhe sucedeu mas, durante todo o seu reinado ficou sob a infuência da sua mãe Júlia Mameia.

Bem intencionado; reinou de 222 a 235, mas sem apoio político e militar, morreu assassinado durante o motim da XXII Legio Primigenia (vigésima segunda legião) instaurada pelo imperador Calígula no ano 39.

Medalha de Alexandre Severo e Júlia Mameia cunhado no ano 231
FIDES MILITVM
Ao centro, Alexandre oferecendo um sacrifício, e a ser coroado por Marte,
À direita Júpiter nu com raio e um cetro
(Ref. BMC-734, Gnecchi II, p. 84,4)

Alexandre Severo denário cunhado em Roma em 231
PROFECTIO AVGVSTI
(Ref. RIC IV-596, BMCRE-748, Cohen,492, Sear RCV II, 8012)



Júlia Mameia (mãe de Alexandre), quinário cunhado em Roma em 230
FELICITAS PVBLICA
(Ref. RIC-339, BMC-660)


Orbiana (sua esposa), denário cunhado em Roma 226-227
CONCORDIA AVGG
(Ref. RIC IV-319, BMC-827)

Assim terminou a dinastia dos Severos
Sucedeu-lhe o chamado período da “anarquia militar” 235-268, em que o Império romano sofreu a primeira grande crise da sua história, e pôs fim à dinastia dos Severos.

Durante 33 anos sucederam-se oito imperadores legítimos, e pelo menos mais nove ursupadores.
No entanto a maioria não excedeu um ano de reinado.

MGeada

Bibliografia
Anne Daguet-Gagey ; Septime Severe, éditions Pyot, 2000.
Christol, M & Nony, D ; Rome et son Empire, éditions Hachette Paris, 2003.
Claude Briand-Ponsart, L’Afrique Romaine de Atlântique  a la Tripolitaine, 146 a.C., 533 d.C. , colection U, Paris 2005.
Dião Cássio; História de Roma, livro 79,20.
François Zosso et Christien Zingg; les Empereurs Romains, édition Errance, 1995.
Gibbon Edward; Declínio e queda do Império Romano, edição abreviada, São Paulo círculo do livro, 1989.
Macmulle, Ramsay; Le Declin de Rome et la Corruption du Povoir, Paris, Les Belles lettres, 1991.
Marcel Le Glay, Yvan Le Bohec, Jean-Luis Voisin ; Histoire Romaine, 07-2011.
Paul Petit ; Histoire Général de l’Empire Romain, éditions du Seuil, 1974.

segunda-feira, 27 de julho de 2015


Pôncio Pilatos
O magistrado que se lavou as mãos aquando do julgamento de Jesus de Nazaré, que sem a bíblia teria ficado anónimo.
(A lavagem das mãos era um costume judaico (não romano) pelo qual se expressava a sua não participação a um derramento de sangue).

Pôncio Pilatos (em latin Pontius Pilatus), terá nascido no fim do I século a.C. num local desconhecido na Itália ou em Lugduno (Lião), seria filho dum espanhol, e terá falecido por volta do ano 39, no início do reinado de Calígula em Viena (Gália) ou Lucerna (Suíça).

Aqui começamos a entrar no reino da lenda, porque na verdade pouco se sabe sobre este personagem, que foi prefeito (praefectus)  e não procurador da Judeia e condenou  Jesus de Nazaré: o resto permanecem suposições e lendas.

A maioria do mundo cristão só conhece Pôncio Pilatos pelo seu papel no julgamento e crucificação de Jesus Cristo.

Geralmente é representado como o principal defensor do Galileu nas suas últimas horas, mas uma análise de outros documentos da vida de Pilatos, completa a história fragmentária do Novo Testamento.
Com essas outras escrituras, apercebemo-nos que Pilatos era um homem cruel e sanguinário, que exterminou muita gente.

Cidadão romano e membro da classe equestre; a partir do ano 26 d.C., sob o reinado de Tibério ocupou durante doze anos o cargo de prefeito da Judeia, antes de ser enviado a Roma no fim do ano 36, princípio de 37, pelo procônsul da Síria Lucius Vitelius, para que explique ao imperador o motivo da sua mau  administração.
A partir dessa data a história não fala mais nele.

Ao contrário dos seus antecessores que sempre residiram em Jerusalém, Pilatos  estabeleceu a sua residência principal em Cesareia Marítima; na época a principal cidade da Judeia romanizada,  e lugar mais tranquilo que a capital dos judeus, da qual o poder era representado pela Fortaleza Antônia, fortificação adjacente ao templo.

Esta fortaleza “praça-forte”, foi construída por Herodes o Grande em Jerusalém, cujo nome  homenageava o triúnviro romano Marco António, protetor de Herodes.

Jerusalém, reinado de Tibério
Ponce Pilatos, Prutá cunhado em  29-30
Anv. Simpulum, TIBEPIOY KAICAPOC LIS
Rev. Três espigas de cevada, IOYɅIA KAICAPOC
(Júlia, César) Ref. à mãe de Tibério.
(Ref. Hendi 648) 
(Simpulum (concha): era utilizada durante as “libações” : cerimónia religiosa entre os pagãos, que consistia em provar vinho e entorná-lo sobre a ara do sacrifício em honra de uma divindade).

Outra coisa que sabemos de Pilatos, é que o imperador Tibério não o apreciava muito  pela mau administração do seu governo, e  ser um personagem arrogante, inflexível, mas ativo  e astuto.

Finalmente um massacre foi a origem da sua decadência.
Pilatos foi acusado pelos membros do Conselho dos Samaritanos, por estar envolvido num horroso morticínio, que nos é comentado por Flávio Josefo.

«Os Samaritanos também participaram em algumas agitações,  excitados por um homem que não considerava grave mentir, e que combinava tudo para agradar ao povo.

No ano 35 Pilatos convidou-os  a subir com ele ao Monte Gerizim, considerado por eles o monte mais sagrado, e disse-lhes que uma vez no cimo, lhes iria mostrar vasos sagrados que Moisés ali tinha enterrado para os preservar.

Confiantes nas palavras de Pilatos, os judeus tomaram as armas e instalaram-se numa aldeia chamada Tirathana, juntaram-se aos habitantes para juntos iniciarem a subida ao monte.

Pilatos apressou-se a ocupar anticipadamente a estrada, enviando cavaleiros e a infantaria
que ao seu sinal massacraram muitos, outros fugiram, fizeram muitos cativos que julgados por Pilatos foram condenados à morte, assim como os fugitivos mais influentes.

Após este massacre. o Conselho dos Samaritanos  pediu audiência a Vitelius (Vitélio), personagem consular governador da Síria, e acusaram Pilatos de massacrar muitas  pessoas,  explicando  que não foi para conspirar contra Roma que eles se reuniram em Tirathana, mas sob as ordens do prefeito Pilatos.

Depois de enviar um dos seus amigos, Marcellus,  para se ocupar dos judeus, Vitellius ordenou a Pilatos que fosse a Roma explicar ao imperador o porquê das acusações dos judeus.

Após doze anos de permanência na Judeia Pilatos apressou-se a ir para Roma   obedecendo às ordens de Vitellius, às quais ele não se podia opor.»

Jerusalém- reinado de Tibério
Ponce Pilatos-Prutá, cunhado em 26-36
Anv. Simpulum (concha) TIBEPIOY KAICAPOC
Rev. LIZ no interior duma coroa de louro.
(Ref. Hendin 649)


Foi ao imperador Calígula grande amigo dos príncipes da Palestina que na época governava o império,  que Pilatos tentou justificar o seu horrível ato.

Depois de julgado foi exilado para Viena (Gália) aonde terá cometido suicídio ou foi executado.
Uma cadeia de montanhas “Monte Pilat” terá o seu nome para recordar este acontecimento.
Outra versão diz-nos que Pilatos faleceu em Roma, e o seu corpo atirado ao rio Tibre.

Todavia um grande mistério persiste: o seu cadáver terá reaparecido em Lucerna (Suíça) e foi sepultado no sopé do monte Pilatus, montanha com vista para a cidade.

Para continuar esta história  lendária, diz-se que Pilatos converteu-se ao cristianismo, e morreu mártir da sua nova religião.
De fato a igreja Ortodoxa Copta fez um santo assim como sua esposa, mas só a esposa é adorada.

Tertuliano (um dos pais da igreja. 150-230), fez um cristão já no fim da sua vida.
Ele terá tido conhecimento duma carta de Pôncio Pilates a Tibério, na qual ele tentava explicar o processo de Jesus de Nazaré.

Um relatório existente sobre a crucificação de Cristo, é um tema muitas vezes evocado na leitura da história do Baixo Império.
Segundo Daniel-Rops no seu livro    Jésus en son temps (Jesus no seu tempo), ela só terá sido citada no evangelho apócrifico de Nicodemos?
(Apócrifo : diz-se de um texto ou de um livro, cuja autenticidade é duvidosa ou suspeita, ou não ser reconhecida pelo magistério eclesiástico).
(Nicodemos foi um fariseu e contemporâneo de Jesus Cristo. Defendeu-o perante o Sinédrio e sepultou-o.
Atribuem-lhe um evangelho apócrifo, outrora chamado de Atos de Pilatos)

Quem era a esposa de Pilatos?
Além de ser mencionada nos evangelhos canónicos, o que sabemos sobre ela?
Segundo a lenda, chamava-se Cláudia Prócula e seria descendente duma grande linhagem.
Diz-se, mas é muito duvidoso que era neta do imperador Augusto, (segundo Daniel Rops), ou sua bisneta (segundo Macrobio).  

Jerusalém-reinado de Tibério
Pôncio Pilatos-Prutá cunhado em 26-36
Anv. Simplum,  TIBEPIOY KAICAPOC
Rev. LIH no interior duma coroa de louro
(Ref. Hendin 650)

Acredita-se que era  efetivamente descendente duma família nobre, porque um magistrado romano não podia levar a esposa para a província que Roma lhe atribuísse para  governar.
Todavia Pôncio Pilates levou Cláudia Prócula com ele para Judeia.

Que mais dizer sobre Pilatos?
Sabemos que veio da classe equestre; foi o quinto prefeito da Judeia; e segundo Flávio Josefo só exerceu este cargo durante 10 anos.

Assim que chegou à judeia, Pilatos  foi contra os costumes judaicos introduzindo o retrato do imperador em todas as instituições, e "grande escândalo" confiscou o tesouro do templo para financiar a construção dum aqueduto para levar água para Jerusalém.

Pilatos o enviado de Tibério, introduziu durante a noite em Jerusalém  imagens e estandartes com efígies de César (Tibério) cobertas com um véu.

Ao romper o dia, o espetáculo causou grande agitação entre os judeus que ficaram  indignados, vendo neste ato uma violação das suas leis, que não permitem expor nenhuma imagem na cidade.
A revolta do povo de Jerusalém foi comunicada a toda a comunidade que acorreu de todos os lados.

Os judeus manisfestaram contra Pilatos em Cesareia, pedindo para retirar as imagem de Jerusalém e manter as leis dos seus antepassados.
Como Pilatos se recusou, eles acamparam em torno da sua casa, e ali permaneceram durante cinco dias e cinco noites.

No sexto dia Pilatos sentado no seu tribunal (no grande estádio), sob o pretexto de lhe responder convocou o  povo.
Foi então que ele deu o sinal combinado aos soldados armados para cercar os judeus.

Ao verem as tropas os judeus ficaram atemorizados perante este procedimento imprevisto.
Depois de declarar que os mandava matar se eles não aceitassem as imagens de César, Pilatos deu ordem aos  soldados para desembainhar as espadas.

Os judeus num acordo comum, atiraram-se ao chão, estenderam o pescoço declarando preferir morrer que violar a lei.
Surpreendido  perante tanto zelo religioso, Pilatos consentiu que se retirassem imediatamente todas as efígies e estandartes de Tibério em Jerusalém.



Fragmento de rocha com uma inscrição que menciona PONTIVS PILATVS

Passado algum tempo, levantou outro motim ao confiscar o tesouro do templo para a construção de um aqueduto com a dimensão de 400 estádios, para levar água a Jerusalém.
Perante tão grande sacrilégio o povo indignado juntou-se em redor do tribunal de Pilatos que então se encontrava  em Jerusalém.
(Estádio: (unidade) adotado por escritores romanos, varia segundo o autor.
Alguns adotaram um estádio de 600 pés: o pé romano era 1/25 menor que o pé grego.
Segundo Daniel Engels. o estádio romano media 185m.

Pilatos que tinha previsto esta revolta, teve o cuidado de misturar à multidão soldados armados vestidos com roupas civis,  proibiu-os de usar a  espada, mas tinham ordem de se servirem do cajado.
Do alto do seu tribunal Pilatos deu o sinal combinado do ataque.
Grande número de  judeus foram massacrados, outros ao tentarem fugir esmagaram-se mutuamente. 
A multidão romana apavorada com este massacre, permaneceu silenciosa.

Pilatos desapareceu sem deixar rasto na história.
Foi apenas um dos muitos funcionários romanos, mas que ficou conhecido como um dos protagonistas  da morte de Jesus de Nazaré.
Sem a bíblia Pilatos teria permanecido anónimo.

MGeada

Bibliografia
Jean Pierre Lémonon ; Ponce Pilate » 1981, réédité en 2007
Daniel-Rops ; Jésus en son temps- èditions Cerf. 1 de setembro 1976
Flávio Josefo livro I, capítulo IX, 2 a 4.
Bernet Anne ; Mémoires de Ponce Pilate- Éditions Plomb, Paris, agosto 1998

http://www.universalis.fr/encyclopedie/ponce-pilate/#