segunda-feira, 27 de junho de 2016


O TOSTÃO (um pouco de história)

De todas as moedas cunhadas em Portugal, foi sem dúvida o tostão, a mais conhecida e a que mais modificações sofreu.

Cunhado pela primeira vez no reinado de D. Manuel I,  1495-1521, (por volta do ano 1511), foi emitido em prata com a valia de 5 vinténs.

D. Manuel I, Tostão- prata (5 vinténs-100 reais)
cunhado em 1504, ø28,9mm-9,2gr.
Anv. escudo real coroado, ladeado por arruela e V
I EMANVEL:R:P:ET.A:GVINE
Rev. Cruz da Ordem de Cristo encimada por três pontos,
e cantonada por estrelas de seis pontas
IN HOC SIGNO VINCES
(Ref. A G-45-04?)

Ainda no reinado deste monarca sofreu a sua primeira alteração. Depois, de um reinado para outro, a legenda mudava para o nome do novo rei, o que em si já é uma modificação importante.
Além disso, quase em todos os reinados foram cunhados vários modelos, como por exemplo D. João  III (1521-1557), que cunhou 7 diferentes, circulando todos ao mesmo tempo.

D. João III-Tostão - prata (5 vinténs-100 reais) cunhado em 1545
Anv. Escudo real coroado
IOANNES:3:R:P::A:D:gine
Rev. Cruz da Ordem de Cristo encimada or três pontos,
IN HOC SIGNO VINCES
(Ref. AG 94.01)

A primeira grande modificação do tostão deu-se durante a regência de D. Pedro II (1667-1683.

D. Pedro Príncipe Regente-Tostão-prata (100 réis) cunhado em 1681
Anv. Escudo coroado
PETRVS.D.G.P.PORTUGALIAE.
Rev. Cruz da Ordem de Cristo,
IN HOC SIGNO VINCES
(Ref. J. Ferraro Vaz-PR.37, AG-10.01)

O seu diâmetro foi reduzido e, grande inovação: pela primeira vez o tostão foi feito por cunhagem mecânica. (Até aqui as moedas eram cunhadas manualmente “cunhadas a martelo”,  é por isso que as moedas antigas não são bem redondas.)  




A seguir ainda no reinado de D. Pedro, então já no exercício das suas funções (1683-1706), foi novamente modificado e, pela primeira vez apareceu com o valor LXXX ou seja 80 réis.

D. Pedro II- Tostão N.D., prata (LXXX réis) 
Anv. Coroa Real e valor
PETRVS.II.DG.P.ET.ALG.REX
Rev. Cruz cantonada,
IN HOC SIGNO VINCES
(Ref. AG-44.02, J. Ferraro Vaz-101B)

Assim continuou a sua carreira sofrendo alterações mínimas em todos os reinados e, cada vez que um novo rei subia ao trono, a legenda era novamente modificada.

A segunda grande modificação dá-se no reinado de D. Maria II (1834-1853).
O tostão foi cunhado com a efígie da rainha e, no reverso reapareceu o valor 100 réis.

D. Maria II-Tostão, prata (100 réis) 1853
Anv. D. Maria à esquerda,
MARIA.II.PORTUG:ET.ALGARB:REGINA .1853.
Rev. 100 reis no interior de uma coroa de oliveira
(Ref. J.Ferraro Vaz-M2.53)

D. Carlos depois de  ter cunhado o tostão em prata durante vários anos, em 1900, mandou cunhar um modelo em cuproníquel mas, não foi aprovado pelo povo porque tínhamos um tostão em prata, descendo assim de valor intrínseco.

D. Carlos I-Tostão, prata (100 réis) cunhado em 1895
Anv. D. Carlos à direita e data
CARLOS I REI DE PORTUGAL
Rev. Valor no interior de uma coroa de oliveira
(Ref. J. Ferraro Vaz-Ca-30)


D. Carlos I-Tostão, cuproníquel  (100 réis) cunhado em 1900
(Ref. J. Ferraro Vaz-Ca-33)

D. Manuel II em 1909 e 1910, voltou a cunhá-lo em prata, dando-lhe assim o último retoque da monarquia.


D. Manuel II-Tostão, prata (100 réis) cunhado em 1910
Anv. D. Manuel II à esquerda
EMMANVEL.II.PORTUG.ET. ALGARB. REX  1910
Rev. Coroa real e valor no interior de uma coroa de oliveira
(Ref. J.Ferraro Vaz-E2.08)

O rei Patriota deixou-nos um tostão em prata, neste metal o vamos encontrar na  1̊ República (1910-1926).
Pela última (e única) vez (na República) em 1915 o tostão foi cunhado em prata mas, completamente modificado.

No anverso tem a efígie de Ceres com barreto frígio, insígnia da liberdade e, a legenda República Portuguesa.
No reverso, o escudo e valor, 10 centavos.


Tostão-10 centavos, prata, cunhado em 1915
(Ref. J. Ferraro Vaz- R1-10)

Em 1920, sofreu a sua primeira modificação na República.
No anverso, só ficou Ceres. A legenda República Portuguesa passou para o reverso e,  triste novidade, depois de ter sido cunhado em prata durante 425 anos, passou a ser cunhado em cuproníquel.


Tostão-10 centavos, cuproníquel, cunhado em 1920,
(Ref. J. Ferraro Vaz- R1-14)

Em 1924, nova modificação.
O anverso e o reverso não sofreram alterações, apenas o seu diâmetro aumentou e foi cunhado em bronze.


Tostão-10 centavos, bronze, cunhado em 1924
(Ref. J. Ferraro Vaz- R1-24)

Assim continuou durante o resto da 1̊ República e, só em 1942, já na 2̊ República, é que foi novamente modificado.
O diâmetro foi reduzido mas, continuou a ser cunhado em bronze, até 1969.

No anverso tem uma cruz feita con cinco quinas e a legenda República Portuguesa; o reverso tem o valor X centavos e ramo de oliveira.


Tostão-X centavos, bronze, cunhado em 1942
(Ref. J. Ferraro Vaz- R2-54)

Ainda no ano de 1969, o tostão conheceu a sua última modificação. O seu diâmetro foi outra vez reduzido.
O anverso não mudou. O reverso, apresenta o valor 10 centavos e foi cunhado em alumínio.  (Foi denominado de Marcelinho, porque o primeiro ministro da época era Marcelo Caetano)


Tostão, 10 centavos alumínio, cunhado em 1969
(Ref. J. Ferraro Vaz- R2-89)

Assim continuou até 1979, ano em que foi cunhado pela última vez, para terminar a sua carreira em 1981.

Cunhada entre 1969 e 1979, durante o governo de Marcelo Caetano, esta moedinha de 10 centavos em alumínio o “Marcelinho” causou grande polémica quando foi posta em circulação, por não ter em metal o seu valor facial.

Cunhadas em quantidades muito reduzidas, as moeadas dos anos 1969 e 1970, terão sido ensaios monetários?

Triste fim da mais popular moeda portuguesa que nos prestou serviço durante 486 anos.
Depois de ter sido cunhada em metal nobre (prata); ter conhecido vinte reis (incluindo três espanhóis), duas rainhas, duas regências, um interregno e, duas repúblicas, vir a terminar a sua carreira numa simples rodela de alumínio, o “Marcelinho)..

O tostão deixou de circular, mas, muitas expressões derivadas dele ainda estão e ficarão gravadas certamente na nossa memória por muitas décadas.
Exemplo: isto ou aquilo não vale um tostão.

(Esta moedinha flutua e voa. Exemplo: se encherem  um copo com água , pegarem na moeda entre dois dedos e a pousarem devagarinho à tona da água, esta leva algum tempo a chegar ao fundo. Num dia de vento se a atirarem verticalmente ao ar, ela pode desviar de  alguns  metros.)

MGeada

Bibliografia.
Jornal de Alcains, setembro de 1981-O tostão, um pouco de história; artigo de Manuel Félix Geada Sousa.
Alberto Gomes; Moedas Portuguesas.

J. Ferraro Vaz; Livro das moedas de Portugal. 

quinta-feira, 26 de maio de 2016




 
CLEÓPATRA THEA RAINHA SELEUCIDA

Na memória colectiva o nome de Cleópatra é associado ao Egito através de Cleópatra VII (A Grande) 69-30 a.C.. No entanto uma das suas antepassadas na segunda metade do século II a.C.,  teve na história do reino da Síria, um papel importante dominando os homens, e não subindo a influência destes como aconteceu com a primeira aqui citada.

Filha de Ptolemeu VI e da esposa e irmã deste Cleópatra II: Cleopatra Thea foi esposa de três reis sucessivos, regente de um quarto, e será durante trinta anos, o único fio condutor da história muito movimentada do Reino Selêucida, entre 151 e 120 a.C.

Cleópatra que no início terá sido apenas um simples brinquedo diplomático nas mãos do seu pai Ptolemeu VI, depressa ganhou um imenso prazer pelo poder, ao ponto de favorizar o assassinato do seu segundo esposo e um dos seus filhos, antes de ser vítima dos  seus próprios artícios.

A moral universal rejeita mesmo por procuração o assassinato de um esposo ou filho, mas não vamos aqui julgar Cleópatra porque mal conhecida, não a podemos culpar de todos os pecados. Alguns factos políticos e costumos carregados de influências faraónicas e orientais, permitem de melhor a compreender.

 Breve história do período
   
Cleópatra Thea entrou na história do domínio dos selêucidas por vontade do seu pai Ptolemeu VI Filometor, que como todos os Lágidas, tinha uma preocupação constante de se assegurar o acesso às ricas regiões do Próximo Oriente Mediterrânico, seja por alianças matrimoniais ou políticas de circunstância ou então; contribuindo ao enfraquecimento do vizinho por uma sábia política de intrigas entre diversos pretendentes, cidades rivais, ou ainda entre judeus e helenos.

São estas as maiores revindicações da política egípcia dos descendentes de Seleuco I.
Assim quando Alexandre Balas, que vivia na corte do rei Átalo de Pérgamo (Bérgamo) se proclamou filho de Antíoco VI, por ser muito parecido com o defunto e, entra em competição com o soberano ligítimo Demétrio I Sóter; Ptolemeu disponibilizou-lhe um exército e a mão da filha para selar esta aliança.

Este casamento foi comemorado pela emissão de um tetradacma com os bustos dos jovens soberanos, e no qual a jovem rainha (da qual se desconhece a data de nascimento) ocupa o primeiro lugar.

Reino Selêucida
Tetradracma  ático cerca de 150 a.C..
Anv. Bustos à dir. de Cleópatra, e Alexandre I
Rev. Zeus sentado num trono à esq. com uma Vitória na mão direita, e um cetro na esquerda

Estáter (ouro) cunhado em 151/150 a.C..
Anv. Cleópatra Thea à dir. com véu, diadema e coroa.
Rev. Dupla cornucópia e legenda.

Parte do seu dote terá sido constituído com (raríssimas) moedas de ouro com a sua efígie.
Recebido como libertador na Sicília e na Síria; após  a morte de Demétrio no ano 150, Alexandre tomou o controlo de todo o reino: beneficiou do reconhecimento do Senado Romano e ajuda militar dos judeus, em troca de algumas decisões políticas,  motivo de muitas dificuldades ulteriores.

 Alexandre I Balas, (primeiro esposo de Cleópatra).


Tetradracma cunhado em Antióquia, 148/147 a.C.
Anv. Alexandre I com diadema à dir..
Rev. Zeus sentado à esq. com um cetro na mão esquerda, uma Vitória a coroá-lo na dir. e legenda.

Dracma tipo Héracles cunhado em Antioquia, 150/145 a.C..
Anv.Alexandre I com diadema à dir.
Rev. Apolo nú sentado no omphalos (ónfalo) à esq. com uma flecha 
na mão direita, a esquerda apoiada num escudo e legenda.

Uma dessas decisões foi  conceder ao grande sacerdote Jonathan governador da Judeia a  hereditariedade do seu título. Ele e os seus sucessores irão a partir de então negociar a sua ajuda nos conflitos que vão amotinar a dinastia. 

Depois de abandonar um marido muito libertino do qual teve um filho, Cleópatra regressou para junto do pai. Pouco tempo depois,  Alexandre I  encontrou-se por sua vez em posição de desafiar o seu novo rival, Demétrio II Nicator, filho do precedente rei que entretanto desembarcou nas cotas da Síria com um  exército constituído  por mercenários no ano 147/146 a.C..

Ptolomeu que tentou socorrer Alexandre, viu o seu exército virar-se a favor do rival e instalá-lo em Antioquia.
Cleópatra que entretanto tinha viuvado após o assassinato de Alexandre pelos seus próprios oficiais em troca de uma remissão, o Lágida pode casá-la com o novo soberano.

 Demétrio  II, (Segundo esposo de Cleópatra).

Tetradracma do primeiro reinado (146/138) cunhado em Tiro, 146/145 a.C..
Anv. Demétrio II com diadema à dir.
Rev. Águia em pé à esq. sobre a proa de um navio.

O jovem Demétrios II, tinha apenas onze anos quando herdou o trono paternal, ladeado por uma esposa sem dúvida sensilvelmente mais velha que ele.

Depois da morte do seu poderoso protetor no ano 145, ele revelou-se incapaz de controlar os seus mercenários o que originou uma grande  anarquia. A guarnição de Apameia revoltou-se e proclamou rei o jovem filho de Alexandre e Cleópatra Thea, sobre a tutela de um militar, Díodoto Trifon.

Antíoco VI não teria mais de 5 anos em 144 a.C., quando os rebeldes com o auxílio dos judeus o instalaram em Antióquia obrigando Demétrios a refugiar-se nas suas províncias orientais.

 Antíoco VI, Dionísios, (filho de Cleópatra e de Alexandre I).

Tetradacma cunhado em Antioquia, 143/142 a.C..
Anv. Antíoco VI à dir.
Rev. Os Dióscuros galopando à esq. e legenda.

Dracma cunhado em Antioquia, 142 a.C..
Anv. Antíoco VI com diadema à dir.
Rev. Apolo sentado no omphalos(ômfalo) à esq. com com uma flecha na mão direita, e a esquerda apoiada num escudo.

Breve instalação que só durou até 142 a.C., abrevigiada por doença ou,  por instigação do seu protector Trífon, que iria suceder-lhe.
Nestas difícies circunstâncias, Demétrios II não hesitou virar-se para o Oriente e declarar guerra aos Partos.

Preso no ano 139 a.C., foi um captivo previlegiado na Trácia durante dez anos, deixando a assim a Cleópatra a possibilidade de contrair novo casamento, com o seu jovem irmão Antíoco Evérgeta dito Sideta (ref.à cidade de  Sida, também conhecida por Side) precedentemente instalado em Rodes.

Com este casamento Cleópatra preservou a continuidade da dinastia. Segundo a história, Demétrios terá desposado Rodoguna uma princesa arsácida mas, terá sido uma manobra do rei parta Fraates II, ele mesmo casado com uma princesa selêucida e, que teria interesse  com a aliança entre os dois reinos.

 Antíoco VII, (terceiro esposo de Cleópatra).

Tetradacma cunhado em Antioquia, 138/129 a.C..
Anv. Antíoco com diadema à dir.
Rev. Atena em pé à esq., com uma Vitória na mão direita, 
uma lança na esquerda, e legenda.

Antíoco VII, terceiro esposo de Cleópatra , que decidiu restabelecer a união dos dois reinos; eliminou Trifon, tomou o controlo de alguns territórios partas (Babilónia, Média) no ano 136 a.C., e retomou o controlo da Palestina que se tinha proclamado independente sob a direcção do Soberano Pontífice João Hicarno no ano 113 a.C..

Mas uma segunda campanha contra os partos foi-lhe fatal: vencido e morto no ano 129 a.C., o seu exército foi incorporado ao dos vencedores.

Entretanto, Fraates libertou Demétrio II e,  no ano 130 a.C., pô-lo à frente de um pequeno exército, para fazer diversão contra o seu irmão. Após a morte deste último Fraates tentou em vão recuperar o antigo  captivo que não só  mudou de opinião, como também reclamou a restituição da sua esposa e do seu reino, agora reduzido à Cecília, Síria e Fenícia.

Demétrio II, (segundo esposo de Cleópatra "segundo reinado").

Tetradacma  (segundo reinado) cunhado em Antioquia,129/128 a.C..
Anv.Demétrio II com diadema e  barba à dir.
Rev. Zeus sentado num trono à esq. com uma Vitória na mão esquerda a coroá-lo, um cetro na esquerda, e legenda.

Podemos imaginar a desilusão da mulher ao encontrar um esposo fisicamente bastante mudado. Uma mulher que apreciava o  poder e, que poderia ter continuado graças à tutela sobre um dos seus filhos.

Tetradracma (segundo reinado) cunhado em Tiro, 129/128 a.C..
Anv. Demétrio II com diadema à dir.
Rev águia à esq. sobre a proa de um navio, massa, folha de palmeira e legenda.

(Por razões que desconhecemos, o ateliê monetário de Tiro continuou a representar o rei ainda jovem durante o segundo reinado, enquanto os outros ateliês  o mostram mais velho e com barba: provavelmente como ele seria  após o seu cativeiro pelos partos).

A partir daí podemos ver algum maquiavelismo quando ela conseguiu convencer seu marido a organizar uma campanha militar contra o Egito, apesar de dispor forçosamente de um exército reduzido.

Isto, para ajudar a sua mãe Cleópatra II, em conflito com o seu irmão esposo Ptolemeu VII, e, que procurou refugio junto da sua filha Thea, com o tesouro real.
Antes do confronto, Demétrios foi obrigado a retirar-se para fazer frente a um novo ursupador, Alexander Zebina (um escravo) e reconhecido por Antioquia revoltada, como provável filho de Antíoco VI, que também pediu apoio ao soberano lágida.

Durante este novo episódio, (Cleópatra, talvez afastada do poder), refugiou-se com os filhos na cidade fortificada de Acco (Ptolomaida). Quando no fim duma grande guerra civil Ptolemeu depois de vencido, ali procurou refúgio, Cleópatra vingou-se,  refusou-lhe a entrada, condenando-o assim à morte a curto prazo.

Ao enviar o esposo a uma morte certa,  Cleópatra  projectava antes de nada substituí-lo. 
O tetradracma que a representa só com com o diadema (símbolo da monarquia divina) e o título Cleópatra deusa da Abundância  não deixa dúvidas.

Tetradracma cunhado em Acco (Ptolomaida), 126/125 a.C..
Busto de Cleópatra à dir., com com véu e coroa.
Rev. Dupla cornucópia e legenda.

Para melhor se assegurar esta coroa, tinha que mandar assassinar o seu filho mais velho, este também libertado pelos partos, com a finalidade de originar diferendos e, que tomou o  titulo de rei no ano 126-125 a.C., sob o nome de Seleucos V.

No entanto ela foi obrigada a um compromisso sobre a influência do seu tio Ptolemeu VII, que inverteu novamente as suas alianças abandonando Alexandre e previlegiando o segundo dos filhos de Demétrio e Cleópatra.

Este com 15 ou 16 anos, foi educado em Atenas, casou com uma princesa egípcia e sua mãe foi obrigada a aceitá-lo como co-soberano. Associação de interesse que na opinião dos egípcios devia conter a ameaça parta, reconstruindo uma espécie  de unidade territoriale, que mais uma vez foi favorável  a  Cleópatra, (se nos basearmos na numismática).


Reino Selêucida 
Tetradracma cunhado em Damasco no ano 121 a.C.
Anv. Bustos à dir. de Cleópatra com véu, diadema e coroa, e Antioco com diadema.
Rev. Zeus sentado num trono à esq. com a Niké na mão direita, um cetro na esquerda e legenda

Com Alexandre definitivamente eliminado 123-122 a.C., ela terá pensado que seria  tempo de eliminar este jovem que com a idade, só poderia ser cada vez mais ambicioso. Assim um dia em que Antíoco VIII regressava da caça, ofereceu-lhe uma taça de vinho envenenado.

Todavia o filho folião alegre mas prudente, e talvez pouco habituado a tanta gentileza por parte da mãe, obrigou-a a beber  a taça de vinho.
Assim teve início o reino pessoal de Antíoco que tomou o nome de Epifane.

 Antíoco VIII, (filho mais novo de Cleópatra e Demétrio II).
Tetradacma cunhado em Antioquia, 121/114 a.C..
Anv. Busto de Antíoco com diadema à dir.
Rev. Zeus sentado num trono à dir. com uma Vitória na mão direita a coroá-lo, um cetro na esquerda, e legenda.

Um reino que lhe será contestado durante vinte anos pelo seu meio-irmão Antíoco IX, filho de Antíoco VII (Sedéte).

Antíoco IX, (filho mais velho de Cleópatra e Antíoco VII).


Tetradacma cunhado em Antioquia 109/108 a.C.
Anv. Busto de Antíoco IX com diadema à dir.
Rev. Atena à esq. com a Nike na mão direita, lança na esquerda, e legenda.

MGeada

Bibliografia
Bouche-Leclerq : Histoire des Seleucidas, 1913
Davis et Kraay : The Helllenistic Kingdoms, 1973
Louguet: L’imperalisme Macedonien et Helllénisation de L’Orient, 1926
Macurdy- Grace Harriet :  Hellenistiq Queens, 1932
M. Galléazzi : Revista Monnaies  n°1, Maio - Junho 1991
M. Galléazzi : Revista Monnaies  n° 2, Julho - Agosto 1991


sábado, 16 de abril de 2016

   
Coliseu “Anfiteatro Flaviano

 Desde a sua construção, o Coliseu foi considerado como uma das maiores maravilhas arquitetônicas do mundo.

O seu verdadeiro nome é "ANFITEATRO FLAVIANO", (em latim: Amphitheatrum Flavium) foi chamado de Coliseu, devido à colossal estátua de bronze do imperador Nero que ficava perto deste edifício.


Situado num local onde existia um lago artificial que se estendia pelos jardins da DOMVS AVREA, a “Casa Dourada de Nero”, a sua construção teve início no ano 77 no reinado de Vespasiano e, no ano 79 aquando da  morte do imperador, o terceiro andar já estava concluído e podia receber 50 000 espectadores. 

O seu filho “imperador Tito”, acrescentou-lhe mais dois e, terá sido terminado e inaugurado no ano 80, ficando com 50 metros de altura, 524 metros de periferia, 80 fileiras de arquibancadas, e podia receber 80 000 ou 90 000, espectadores (há divergências).

Aquando da sua inauguração era conhecido como “Anfiteatro Flaviano”.
O grande objectivo era proporcionar à população momentos de distração com combates de gladiadores e animais.  

Ao contrário de outros anfiteatros situados na periferia das cidades, o Coliseu foi construído literalmente e simbolicamente no coração de Roma.
Escolas de gladiadores e outras dependências foram construídas nas proximidades.

Dion Cassius relata que 9 000 animais selvagens foram mortos durante os jogos inaugurais.

O edifício foi em seguida ampliado por Domiciano, imperador recém nomeado e filho mais novo de Vespasiano, que o dotou com um hipogeu (subsolo) para alojamento de animais e gladiadores e, acrescentou uma galeria no topo do edifício para aumentar o número de lugares.

(Hipogeu: Em latim “hipogeus”,usado principalmente nos jogos sangrentos. Jaulas, e animais ficavam ali guardados; assim quando começavam os jogos era aberto um alçapão e do “hipogeu”,  saiam jaulas e animais para completarem o show violento.
Com este sistema as pessoas não tocavam nos animais antes de começarem os jogos.)  

No ano 107, sob o reinado de Trajano 10 000 homens e 11 000 animais foram envolvidos durante  123 dias de festa.

Tecnicamente, 2 000 marinheiros foram necessários para manobrar por cima do Coliseu o imenso velarium que dava sombra aos espectadores.
Estes podiam então admirar durante o verão e cerca de seis vezes por ano, o combate de gladiadores cuja idade raramente excedia vinte e dois  anos.

O povo tomava consciência da sua classe na hierarquia romana e, do seu estado, constituído graças a esta organização estrita da repartição dos lugares, e das regras vestimentares.
O imperador tinha o seu lugar previlegiado e,  toda a gente o podia ver no seu camarim, sublinhado pela arquitetura nos três locais dos jogos.

A visão das multidões num Coliseu cheio, com o imperador ao centro, era certamente espetacular. As moedas cunhadas por ocasião da inauguração no ano 80, dão-nos uma pequena ideia.

Os imperadores utilizavam os teatros, o anfiteatro e o circo para fins políticos, e fizeram destes locais os melhores sítios para arranjarem novos adeptos à sua causa.
A presença do príncipe dava oportunidade às pessoas para expressarem coletivamente o seu entusiasmo, mas também a sua insatisfação . 

Ainda mais: o povo pela sua presença também participava no castigo dos inimigos públicos, ou na humilhação dos denunciadores caso o suposto inimigo fosse absolvido.
Como sempre no caso de suplício público o objectivo era a dissuasão.

Decerto de uma maneira muito concisa, podemos dizer que os imperadores queriam criar através desta organização das arenas, uma escola moral.
Os combates entre gladiadores privados, passaram a ser oficializados.

Alguns contemporâneos credíveis como Plínio o Jovém, observaram de uma maneira natural que os combates de gladiadores e a caça, tinham um impacto educacional  sobre a juventude  incentivando-os  à bravura e não temer a morte, mesmo que se fossem escravos ou criminosos que lutassem (Plínio, Panagyric, 33, 1)

As imagens mais antigas que temos do Anfiteatro Flaviano, são representadas em moedas do imperador Tito. Outros imperadores seguiram o seu exemplo; todavia, estas moedas mais ou menos raras (consoante o imperador), são muito procuradas e neste caso, valiosas.

Os bronzes de Tito dos anos 80 - 81 são muito interessantes, pois veêm-se os espectadores no interior do edifício.
À direita vê-se a  fonte "META SUDANS" onde se lavavam os gladiadores.
A estátua do colosso não se vê.
Diz-se que ela tinha a da altura do edifício, e teria sido levada para o local no reinado do  imperador Adriano, por ocasião de um espectáculo.
Terá sido puxada por 24 elefantes.

Tito-Sestércio cunhado em Roma 80-81
Anv. Tito à esquerda sentado numa cadeira curul,
IMP T CAES VESP AVG P M TR P P P COS VIII    S C
Rev. Coliseu, a Domus Áurea e a fonte Meta Sudans
(Ref. RIC-10 var., Cohen-400 var.)

No reverso podemos observar “pequenos pontos anónimos”, que representam as cabeças da multidão nas cáveas, os painéis alternados com ou sem “velarium” no quarto andar; as estruturas de madeira do telhado, e a quadriga por cima da entrada central.

(Cáveas, “em latim cavea”: na Roma antiga, eram secções de assentos da área dos espectadores nos teatros romanos, tradicionalmente organizada por três secções horizontais, correspondentes à classe social dos espectadores.
As celas subterrâneas dos anfiteatros onde os animais selvagens eram confinados antes dos combates, também eram denominadas por cáveas ou hipogeu.)
(Velarium: toldo para proteger os espectadores das intempéries)

Se observarmos com atenção, podemos ver a distribuição dos assentos na cávea, e a arquibancada.
O imperador, é o pequeno ponto no centro sentado no seu camarim.

No exterior à esquerda, uma parte da “Domvs Aurea” (Casa Dourada de Nero), à direita a fonte“Meta Sudans”, onde se lavavam os gladiadores.

Degradado no reinado de Macrino no ano 217, Heliogábolo mandou-o reparar em 218, mas será preciso esperar mais cinco anos, para que  possa ser inteiramente reutilizado.

Foi Gordiano III que lhe deu o toque final em previsão das festas do milénio da fundação de Roma.

No ano 250 sofreu novos estragos e novas reparações por Trajano Décio.
Os últimos combates de gladiadores no Coliseu, segundo alguns históriadores, tiveram lugar, no ano 404.

Nos anos 444 e 470, ficou degradado após a ocorrência de sismos,  e foi Basílio, cônsul, no ano 508, que o mandou restaurar.

Ainda foi alvo de reparações no ano 523.
Mais tarde, voltou a sofrer estragos com novo tremor de terra, e começou progressivamente a ser esquecido.

Como a maior  parte dos monumentos antigos, serviu de depósito de materiais, e grande parte das suas pedras foram usadas noutras construções.
A sua reabilitação começou verdadeiramente no princípio do século XIX sob as ordens do imperador Napoleão I.

O Coliseu foi utilizado durante aproximadamente 400 anos.
O último registo foi efectuado no século VI da nossa era, muito depois da queda de Roma no ano 476.

Deixou de ser utilizado para divertimento no início da idade Média,  mais tarde foi utilizado como habitação, sede de ordens religiosas, e templo cristão.

Uma série de áureos e bronzes emitida anos depois por Alexandro Severo, e Gordiano III, também mostram o Coliseu.

Alexandre Severo-Áureo cunhado em Roma em 223
Anv. Alexandre laureado à direita,
IMP C M AVR SEV ALEXAND AVG
Rev. Coliseu com estátuas no interior das arcadas, Colosso de Nero à esquerda e metade de um frontão e
coluna (talvez o templo de Júpiter Vitorioso?) Neste áureo veêm-se os mastros que serviam para fixar o
“velarium” toldo.
PM TR P II COS P P
(Ref. RIC-33, Calico-309, Sear II-7825)

Alexandre Severo-Sestércio cunhado em Roma, cerca do ano 223
Anv. A. Severo à laureado à direita,
IMP CAES M AVR SEV ALEXANDER AVG
Rev. Coliseu, à esquerda, a Meta Soudans,
à direita templo de Júpiter Vitorioso S C
PONTIF MAX TR PII COS PP  SC
Em exemplares do mesmo tipo bem conservados, do lado do templo veêm-se dois combatentes na
arena.
(Ref. RIC-410 (R4), Cohen-468, Sear-8008)

  
Gordiano III- Sestércio cunhado em Roma 238-240
Anv. Gordiano com couraça, uma lança na mão direita e escudo na esquerda,
IMP GORDIANVS PIVS FELIX AVG
Rev. Coliseu no qual se afrontam um touro e um elefante montado por um cornaca.
Ao centro, o camarim imperial ocupado por Gordiano
No exterior, à esquerda a estátua da Fortuna com um leme e, a Meta Soudans
À direita um templo com Júpiter Vitorioso no interior,
MVNIFICENTIA GORDIANI AVG 

Gordiano III-Sestércio cunhado em Roma 238-240
Anv. Gordiano laureado à direita,
IMP GORDIANVS PIVS FELIX AVG
Rev. Coliseu no qual se afrontam um touro e um elefante montado por um cornaca.
Ao centro, o camarim imperial ocupado por Gordiano
No exterior, à esquerda a estátua da Fortuna com um leme e, a Meta Soudans
Á direita um templo com Júpiter Vitorioso no interior,
MVNIFICENTIA GORDIANI AVG 

Gordiano III-Sestércio cunhado em Roma 238-240
Anv. Gordiano drapeado à esquerda, com uma vitória na mão direita e um cetro na esquerda,
IMP GORDIANVS PIVS FELIX AVG
Rev. Coliseu no qual se afrontam um touro e um elefante montado por um cornaca.
Ao centro, o camarim imperial ocupado por Gordiano
No exterior, à esquerda a estátua da Fortuna com um leme e, a Meta Soudans
Á direita um templo com Júpiter Vitorioso no interior,~
MVNIFICENTIA GORDIANI AVG 
(Ref. Doc. Num. Vet. vol.VII, pag.315)

Este sestércio do imperador Gordiano III, foi a última representação do Coliseu na numismática romana antiga.
Será preciso esperar mais 1.740 anos par vermos novamente este colossal edifício no estado atual, “degradado”no anverso da moeda de "cinco cêntimos de euro italiana".

Itália-Cinco cêntimos 2002 (Cobreada, aço banhada a cobre)
Anv. Reprodução do Coliseu de Roma rodeado pelas doze estrelas da União Europeia.
Na porção superior à esquerda a letra R=Roma; no campo superior direito, as letras R I (República
Italiana) sobrepostas.
No fundo, a data 2 002  e as iniciais do autor “ELF” (E. L. Frapiccino)
Rev. 5 EURO Cent, globo terreste situando a Europa no mundo, 12 estrelas e as iniciais LL do
gravador de cunhos, L. Luycx

No ano 2015, Niue ou Niuê, um dos mais pequenos estados independentes do mundo, também cunhou uma moeda de 2 dólares com a efígie da rainha Isabel II (do Reino Unido) no anverso, e o Coliseu no reverso.

Niue ou Niuê-2 Dólares 2015
Anv- Rainha Isabel II à direita,
ELIZABETH II . NIUE . 2 DOLLARS 2015
Rev. Coliseu,  The Colosseum Rome

 
À esquerda, Sestércio do imperador Tito cunhado em Roma 80-81
À direita, 5 EURO cents cunhado em Roma em 2 002

MGeada

Bibliografia

A.J.O´reilly; Os Mártires do Coliseu, editora CPAD, edição 2014
Cohen Henry; Description Historique des Monnaies Frappées Sous L’empire Romain-Num. 165,166.
Giovannoni (G); La zona del colosseo ed il suo aspetto definitivo-capitolium, 1937, pp.202-210
Rodocanachi Emmanuel Pierre ; Les Monuments Antiques de Rome Encore Existants : les ponts, les murs, les voies, ls enceintes, de Rome, les palais, les temples, les arcs. Paris Hachette, 1920.
Spinazzola Vitorino; L’Anfiteatro Flavio. Storia degli scavi ed ultime scoperte (1590-1895, Naples, R Marghieri, 1907

SPQR-Comuni di Roma Sotteranea ; a cura de Roberto Luciano, Fratelli Palombi-Editore Roma Cataloghi, 1985.
Wikipédia-Coliseu

quinta-feira, 24 de março de 2016




Moeda de 100 Patacas com a efígie do General Ramalho Eanes, cunhada por ocasião da sua visita à China e a  Macau, de  21 a 26 de maio de 1985.

Que dizer sobre este ilustre conterrâneo que ainda não tenha sido dito?
Que este Grande Alcainense esteve na política para “servir Portugal” e não para se servir de Portugal, é o único presidente da Repúbica Portuguesa retratado numa moeda. 

Na sua viagem ao Extremo Oriente, foi acompanhado pelo ministro dos Negócios estrangeiros Jaime Gama, e pela secretária de Estado do Comércio Externo.
Durante a sua visita, o tema transição, foi abordado pela primeira vez.

Após o encontro de 24 de maio entre Ramalho Eanes e o Diretor do Conselho Consultor do Partido Comunista Central Chinês, Deng Xiaoping, chegou-se a um consenso sobre a questão de Macau, ficando acertado o início das discusssões para 1986, o que veio a acontecer a 30 de junho.

Foi o embaixador Rui Medina a chefiar  a delegação de Portugal, que negociou a transferência da soberania de Macau.
No dia 13 de abril de 1987, foi assinada em Pequim a declaração Conjunta Luso-Chinesa sobre Macau, por Cavaco Silva e Zhao Ziyang.


Descrição da moeda:
Macau-100 Patacas cunhada na casa da moeda de Singapura (Singapura Mint) em 1985.
Anverso: a efígie do General Ramalho Eanes à esquerda. Na orla, a legenda, visita a Macau do Presidente Eanes e o ano da cunhagem. 
Por baixo da efígie, a legenda em chinês, “Visita a Macau do Presidente da República Portuguesa”.
Reverso: desenho das insígnias de Macau ao centro; em cima, legendas em português e chinês do nome da cidade “Macau”; em baixo, o valor “100 Patacas” e, marca da casa da moeda.


MGeada

domingo, 28 de fevereiro de 2016



1 Europa para a Europa em 1928

A primeira moeda para circular na Europa, “com o nome de Europa”, foi uma iniciativa francesa no ano 1928.
Esta resolução foi tomada no contexto de uma aliança franco-alemã, que devia incluir-se num programa mais vasto de uma política de paz e, um acordo internacional elaborado por Aristide Briand.

Esta política, teve o seu ponto culminante com o Pacto Kellogg-Briand, que tinha por objetivo estabelecer um plano para uma  paz universal e perpétua.
A iniciativa deste pacto deve-se a Aristide Briand, ministro dos negócios estrangeiros francês e Frank Billings Kellogg, secretário de estado americano.

Também conhecido por Pacto de Paris, foi assinado nesta cidade  a 27 de agosto de 1928, por quinze países: Alemanha, Estados Unidos, França, Reino Unido, Itália, Japão, Belgica, Polônia, Canadá, Austrália, Nova Zelâmdia, África do Sul, Irlanda, Índia-sob mandato britânico, e Tchecoslováquia, “entrou em vigor no dia 24 de junho de 1929”.
Dos 57 estados existentes na época praticamente todos aderiram, exceto dois da península arábica: Arábia Saudita e a República Árabe do Iêmem, e três sul-americanos: Argentina, Bolívia e Brasil.

Se o pacto foi aceite com estusiasmo nos Estados Unidos, ele originou uma reserva inegável na Europa, por este ser apenas  um texto, com uma duração limitada.
De fato, alguns países declararam renunciar à guerra como meio político, no entanto, não estavam previstas sanções.
Em caso de violação, só estava prevista uma reprobação internacional.

No mesmo contexto um memorando (memorandum) Aristide Briand propunha um regime de União Europeia Federal.
Esse programa “muito vasto”, revelou-se ilusório. No entanto, os seus promotores para o concretizar, tinham calculado que “os Estados Federados da Europa” deveriam em primeiro lugar, adotar uma moeda única.

Os seus protagonistas acreditavam fervosamente que a paz e amizade entre os povos, dependia de uma moeda comum entre os países da Europa.

Para o efeito, pediu-se à casa da moeda de Paris para elaborar um projeto.
Para concretizar a iniciativa,  tinha que se saber qual a efígie que seria gravada no anverso da primeira "moeda europeia" e, ao mesmo tempo, ser uma personalidade que tivesse a unanimidade dos países membros da federação.

“Foi Louis Pasteur (1822-1895) o favorito. ” 
Poderia ser feita melhor escolha do que este cientista francês?
“O homem mais ilustre no seu tempo”, cuja ação pacífica e benéfica espalhada por todo o mundo, tinha por missão, aliviar o sofrimento e prolongar a vida do ser humano.

O ensaio monetário desta moeda foi realizado por iniciativa do engenheiro Joseph Archer, fundador do "Movimento Federalista da Europa”, que pediu a Victor Peter para o gravar.

Para o anverso, Peter inspirou-se de dois bustos de Pasteur: um modelado por ele próprio e, outro do escultor Paul Dubois.

No reverso da moeda a legenda circular: «ETATS FEDERES D’EUROPE, e data entre duas estrelas * 1928 *.
No centro mapa da Europa com uma pequena parte do norte da África e Oriente Médio visíveis, e  1/10 EUROPA

(O 1/10, é exclusivo aos ensaios em latão e bronze-alumínio)
(O 10, faz referência aos primeiros 10 países que aderiram ao Pacto)   

Foram efectuados ensaios em latão, bronze, bronze-alumínio,  bronze prateado e estanho.
Foi o modelo em bronze que predominou.

1/10-Europa em latão
Anv. Louis Pasteur à direita
LOUIS PASTEUR 1822- 1895
Rev. Legenda circular ETATS FEDERES D’EUROPE  * 1928 *
No centro mapa da Europa e 1/10 EUROPA
(O 1/10: é exclusivo aos ensaios em latão e bronze-alumínio)
(O 10: faz referência aos primeiros 10 países que aderiram ao Pacto?)  
(Ref. Maz-2620)

1/10-Europa em Br.-Al., (bronze-alumínio)
Anv. Louis Pasteur à direita)
LOUIS PASTEUR 1822- 1895
Rev. Legenda circular ETATS FEDERES D’EUROPE  * 1928 *
No centro mapa da Europa, 1/10 EUROPA
(Ref. Maz-2620, Vae 10-1298)

1- Europa em bronze
Anv. Louis Pasteur à direita
LOUIS PASTEUR 1822- 1895
Rev. Legenda circular ETATS FEDERES D’EUROPE  * 1928 *
No centro mapa da Europa, 1 EUROPA
 (Ref. Maz-2619)

1- Europa em bronze prateado
Anv. Louis Pasteur à direita
LOUIS PASTEUR 1822- 1895
Rev. Legenda circular ETATS FEDERES D’EUROPE  * 1928 *
No centro mapa da Europa, 1 EUROPA
 (Ref. Maz-2619)

1- Europa em estanho
Anv. Louis Pasteur à direita
LOUIS PASTEUR 1822- 1895
Rev. Legenda circular ETATS FEDERES D’EUROPE  * 1928 *
No centro mapa da Europa, 1 EUROPA
 (Ref. Maz-2619)

Estas moedas que nunca tiveram curso legal como instrumento de troca, foram uma iniciativa de Joseph Archer, deputado de Haute Loire e fundador do movimento fedaralista na Europa.

Ainda no ano 1928, o Europa começou a circular em Cizely, cidade francesa da qual o maire (presidente da câmara) Philibert Beson é amigo de Joseph Archer, depois em todo o departamento da Nièvre. Aqui o Europa circulou como "moeda regional", "moeda da paz", renumeração do trabalho.

Conceitualmente, é uma forma de troca organizada, na qual em vez de avaliar o preço das mercadorias em termos monetários, o valor da unidade monetária foi fixado independentemente da oferta e da procura, segundo as quantidades reais das mercadorias.

Assim o valor do Europa foi determinado igual a:
2 quilos de trigo
200 gr. de carne
30 centigramas de ouro 
100 gr. de cobre
2 quilos de aço
50 centilitros de vinho de 10 graus 
200gr. de algodão
10 kilowatts-hora
1 tonelada quilométrica
30 minutos de trabalho
(kilowatt-hora: é uma unidade de energia igual à energia consumida por um aparelho de 1 000 wats, (1 kw) de energia durante o período de uma hora). 
(Tonelada kilométrica: unidade que representa a tarifa (ou custo) de uma tonelada por kilómetro).

A cunhagem do Europa foi sómente uma implementação parcial do programa federalista de Joseph Archer, do qual Philibert Besson foi propagandista: programa que prevê entre outros a constituição dos "Estados Federados da Europa" e a supressão das barreiras alfandegárias.

Homem trabalhador e muito imaginativo, ilustrou-se pelas suas muitas invenções, particularmente no plano militar durante a guerra 14-18.
Preocupou-se muito com os problemas económicos e sociais. Lançou sucessivamente o Movimento Federista Agrário, a Federativa, os Federistas, a Federação das Industrias e os Estados Federados da Europa, movimento baseado num  duplo objetivo.

1-Os federistas fazem os negócios entre eles ao preço justo, por vezes também chamado preço natural ou seja, a soma dos custos suportados na produção e distribuição, pela moeda trabalho e a sua unidade o Europa .

2-Os Estados Unidos da Europa e a supressão das barreiras alfandegárias.

Por conseguinte há mais de 70 anos, "Joseph Archer e Philibert Besson", já foram grandes impulsionadores do mercado comum e da União Europeia.

MGeada

Bibliografia
Jean-Albert Dubois ; La fin de l’Union monétaire latine (thèse) Université de Neuchâtel, 1950.
Jean-Marc Leconte ; Le breviaire des monnaies de l’Union Latine, editions Cressida, Paris, 1994
Philibert Besson ; “Jean-Luc Dousset”, le Fou qui avair raison, editions Jeanne d’Arc, 15-10-2013.
Une Monnaie Pour l’Europe ; edition du Crédit Communal de Bruxelles. Emitido aquando do XI Congresso Internacional de Numismática, do 08-13 de setembro1991.
Xavier Benoit-Lucy ; Une monnaie pour L’Europe, editions Hatier, Paris 1992.