domingo, 25 de fevereiro de 2018

Sete? reis que governaram Roma.

Reverso de um denário do imperador Adriano cunhado em Roma, 134-138
Rómulo vestido de militar com lança e troféu caminhando para a diteita;
ROMVLO CONDITORI ( Rómulo o fundador)

A Realeza (ou Monarquia) Romana “Regnum Romagnum” é a primeira e menos conhecida dos períodos da história da Roma Antiga.
Segundo a tradição este período monárquico começou com a fundação da cidade por Romulus e Remus (Rómulo e Remo) no ano 753 a.C, e terminou com a revolução do ano 509 a.C. (com a expulção do último rei Etrusco, “Tarquínio o Soberbo”), para dar lugar à República Romana.

Como escreveu Dominique Briquel (arqueólogo especialista em etruscologia e pré-romano) o nome de Romulus (= de Roma, dos romanos), deriva de Roma por isso alguns historiadores dizem que a lenda deste personagem é uma pura invenção. 

A história da fundação da cidade, é uma das lendas mais conhecida e mais contestada sobre a Cidade eterna.
A lenda básica da forma como Rómulo foi o primeiro rei de Roma, começou com o deus Marte fecundando uma Virgem Vestale chamada Reia Sílvia, filha de Numitor rei de Alba Longa, mas deposto por seu irmão Amúlio.

Grande parte dos históriadores antigos reconhecem sete reis.
Quatro Latinos e Sabinos, seguidos por três Etruscos que conforme a aliança entre os dois povos, durante dois séculos e meio vão governar Roma. Todos eles contribuiram para a expansão da nova cidade: Roma.

Segue-se a lista dos reis e principais eventos dos seus reinados.

“Todos os retratos são fictivos”


Rómulo ou Rômulo (Romulus) rei latino, reinou de 753 a 715 a.C.
Neto do rei de Alba Longa, fundou a cidade de Roma  (Roma quadrata do Palatino), Rapto das Sabinas e anexação a Roma do Monte Quirinal.

Segundo Marco Terêncio “Varrão”, um líder etrusco chamado Caelius Vibenna teria ajudado Rómulo nas guerras contra Titius Tatius (Tito Cássio).
Este se teria estabelecido com os seus homens numa  colina de Roma, hoje conhecida por Caelius, cujo nome deriva dele.
(Segundo uma das muitas mitologias de Roma que consultei, Tito Lácio era rei dos Sabinos no tempo em que Rómulo governava Roma).


Nuna Pompílio (Numa Pompilius)
Rei Sabino, reinou de 715 a 672/ a.C.
Rei pacífico e religioso, inspirado pele Ninfa Egeria.
Fundou o Colégio dos Pontifícios e construiu o Templo de Jano.



Túlio Hostílio (Tullus Hostilius)
Rei Romano e grande guerreiro, reinou de 672 a 640 a.C.
Destruiu a cidade de Alba Longa. (Luta lendária dos Hortis e Curis) e
Conquistou o Lácio (Latium).


Anco Márcio (Ancus Marcius)
Rei Sabino (neto de Numa Pompílio), reinou de 640 a 616 a.C.
Foi o quarto rei da cidade e o último de origem Sabina.
Pacífico e religioso, fundou a cidade de Hóstia.

(Para muitos historiadores, estes primeiros quatro reis são considerados lendários. Sendo assim que data atribuir à fundação de Roma ? )


Tarquínio o antigo (Lucius Tarquinius Priscus)
Rei Etrusco, reinou de 616 a 578 a.C.
Guardião dos filhos de Ancus Marcius e grande construtor, embelezou Roma, iniciou a construção do Capitólio, do grande esgoto, construiu uma arena para jogos e divertimento dos reis Etrusos.
Mais tarde neste local  foi contruído o Grande Circo, (ou Circo Máximo, em latin Cloaca Maxima).


Sérvio Túlio, (Servius Tullius)
De origem Tarquínia, reinou de 578 a 539 a. C.
Grande administrador, dividiu o povo em quatro tribos territoriais; Suburana, Palatina, Esquilina, Colina, e em “cinco ou  sete” ? classes sociais segundo as suas fortunas.
Organizou o exército dividindo-o em centúrias, contruiu a primeira muralha de Roma, também conhecida por muro de Servius.
Iniciou a construção do Templo de Júpiter Ótimo Maximo (Jupiter Optimus Maximus) também conhecido por Templo de Júpiter Capitolino.
(Uma centútria = 100 legionários).


Lúcio Tarquínio o Soberbo (Lucius Tarquinius Superbus)
De origem Etrusca, reinou de 539 a. C. a 509 a. C..
Rei Etrusco, reinou de 534 a 509
Terminou a obra do seu pai (Templo de Júpiter Capitolino).
Devido à sua violência, foi destronado pelo povo.

O rei Etrusco Porsena que terá dominado Roma por cerca de 508-507 a.C., não faz parte da lista estabelecida por Fabius Pictor (o mais antigo escritor romano, III século a.C.).
As datas são mais indicativas do que precisas inclusivo para os reis do período Etrusco.
As durações dos reinados diferem de um autor para outro, assim o resumo histórico do livro II da República de Cicero, começa a partir do ano 750, em vez de 753, e dá 37 e 39 anos para os reinados de Rómulo e Numa Pompílio.


Porcena (Porcinna ou Porsena)
“Duvidoso” rei de Roma  no ano 507 a.C.
Rei da cidade Etrusca de Clúsio, quando o rei Tarquínio o Soberbo foi expulso, aproveitou-se da ocasião para declarar guerra a Roma. 
Segundo a lenda romana, no ano 507 a.C. o rei cercou a cidade, e provavelmente nela se teria instalado se Horácio Cocles não o tivesse impedido defendendo a ponte pela qual o inimigo iria atravessar o rio Tibre.

Na luta teria participado o valoroso romano Caio Múcio Cévola. Deste episódio faz parte a história de Clélia, uma virgem romana prisioneira no acampamento real, que conseguiu fugir atravessando o rio Tibre a nado.

Ao contrário dos quatro primeiros reis de Roma considerados como lendários, a existência dos reis Etruscos que governaram Roma  nos séculos  VII e VI séculos a.C., são considerados um facto histórico.
No entanto se a  lista tradicional limitada aos Tarquínios não está em dúvida, a tradicional lista limitada aos dois Tarquínios e a Servius Tulius, é posta em dúvida pelos historiadores.

O historiador romano Quintus Fabius Pictor por volta do ano 260 a.C., estabeleceu uma lista  de sete soberanos par 243 anos de monárquia, com uma média de 35 anos por reinado.
Esta lista foi retomada por todos os historiadores dos séculos seguintes e constitui a lista tradicional dos reis de Roma.

Na opinião dos historiadores modernos, os nomes, origens e datas dos reinados dos quatro primeiros reis (Latinos e Sabinos) são mais lendários que históricos, enquanto os últimos três reis de origem Etrusca, são considerados verdadeiros

Jacques Heurgon e Alain Hus, consideram que a diferenciação feita pelos analistas entre Tarquínio o Antigo e Tarquínio o Soberbo não é correta, e que os reis Tarquínios foram mais numerosos.
Além disso, Servius Tulius cujo reinado é inserido durante o curso desta dinastia, terá sido precedido por um curto espaço de tempo por Aulus Vibenna.

Sendo assim, J. Heurgon  propõe o seguinte cenário: Porsena rei de Closium, tal como Tarquínia e Vulci já o tinham feito, também organizou uma invasão do Lácio, expulsou os Tarquínios e ocupou Roma.
Em seguida atacou Aricie, oponde-se à coligação dos Latinos com  Cumas (Cumae) que o derrotaram.
(Cumas foi uma antiga colónia grega fundada por volta do ano 750 a. C., na Campânia a cerca de vinte quilómetros de Nápoles).

Huergon disse  que os Fastes Consulares (listas cronológicas dos consules utilizadas na Roma Antiga como calendário de referência), dos primeiros anos da República designa vários magistrados com nomes de origem Etrusca: Larcius em 506, 498, 490 a.C., Herminius em 506 a.C., Aquillius Tuscus em 487 a.C., indícios de uma influência Etrusca durante muito tempo em Roma antes do ano 509.
A partida dos Tarquínios não significa o fim da influência Etrusca. Por outro lado, Mireille Cébellac Gervanosi considera que o predomínio de Porsena sobre Roma foi de curta duração, e não se pode considerar como um reinado.

MGeada

Bibliografia 

Alexandre Grandazzi; A Fundação de Roma - edição Les Belles Lettres, reedição 1997.
Denys d'Halicarnasse; Les Antiquités Romaines - éditions les Belles Lettres 1990.
Dionísio de Halicarnasse ; As Antiguidades Romanas - IV, 64.
Dionísio de  Halicarnasse; As Antiguidades Romanas - IV, 66
Laura Lorvieto; Contes e Legendes de la Naissance de Rome - outubro 1998.
Pierre Grimal; La Civilisation Romaine - éditions Harthaud  - 1960, éditions Flammarion 1981.
Tite Live; La Fundation de Rome - editions Flammarion, abril 1999.  
https://pt.wiquipedia.org/wiki/Cumas






quarta-feira, 31 de janeiro de 2018


Reis estrangeiros coroados em Roma

A omnipotência do Império Romano fez que muitas vezes reis estrangeiros fossem coroados em Roma. 
Estes eventos por vezes foram representados nas cunhagens do Império. A primeira referência à nomeação de um rei é indireta.

As moedas do imperador Nero que mostram o templo de Jano (Janvs) com as portas fechadas, ilustram o resultado de uma dessas nomeações.
Com efeito por cerca do ano 64, o rei arménio Tridate foi a Roma e implorou Nero que lhe retirasse a sua tiara (espécie de coroa) e lhe cobrisse a cabeça com um diadema.

Este evento mostra que a paz está assegurada no mundo inteiro, e Nero fechou a porta do templo de Jano.
Estas portas chamadas “Portas de Jano”, eram fechadas em tempo de paz e abertas em tempo de guerra, para que o Deus pudesse sair em socorro dos romanos.

Nero-Sestércio cunhado em Lião (França) no ano 65
Anv./-Nero laureado à direita;
NERO CLAVD CAESAR AVG GERM P M TR P IMP P P
Rev./-Templo de Jano com uma guirlanda por cima das portas fechadas, e uma janela com grades;
PACE P R TERRA MARIQ PARTA IANVM CLVSIT S C
(Ref. RIC-438, Sear-1958, Cohen-146)


Repúbica Romana (emissão anónima)-Didracma cunhado em Roma cerca de 225-216 a.C.Anv./-Cabeca de Jano (o deus com duas faces);
Rev/- Júpiter com um raio e um cetro, conduzindo uma quadriga; ROMA
(Ref. RCV-31)

Na ocasião as coortes armadas (unidade básica das legiões romanas, cerca de 600 homens,= décima parte de uma legião) estavam estacionadas perto dos templos do Fórum Romano.
Moedas deste imperador mostram Nero na Tribuna da Arenga, sentado numa cadeira curul, trajado com roupa de triunfador, algumas insígnias e estandartes.

Suetónio, na  vida dos doze Césares - Nero XIII, dá-os a seguite informação.
Primeiro o rei Tridate subiu uma rampa, ajoelhou-se diante de Nero que lhe  estendeu a mão para ajudá-lo a levantar-se e abraçaram-se em sinal de amizade.

Enquanto o imperador ouvia as suas súplicas, retirou-lhe a tiara (espécie de coroa), coroou-o com um diadema, enquanto um magistrado repetia ao povo (em latin) as palavras do rei.
Depois de Triade ter saudado o imperador pelo seu gesto, Nero depositou uma coroa de louro no Capitólio, e fechou as portas do templo de Jano, estimando que já não havia nenhuma guerra.  

Mais tarde, o imperador Trajano iniciou uma campanha contra os Arménios e Partas sob o protexto que um novo rei da Arménia, em vez de receber o diadema das suas  mãos, recebeu-o das mãos do rei dos Partas.

O resultado desta guerra e vitória de Trajano, deu origem a que seja ele a desgignar o novo rei dos reis. Este acontecimento será representado em algunmas das suas emissões monetárias.

De notar no reverso deste sestércio de Trajano, a importância dada ao imperador que sentado é mais alto que o soldado romano detrás dele e também maior que o rei dos partas.
Este parece cobrir o rosto com um gesto semelhante ao da Pudicitia (personificação da Modestia e Castidade).

Segundo Dião Cássio, História Romana, livro 69, Trajano XVII,  Trajano empreendeu a campanha  contra os Arménios e Partas, sob um falso  pretexto, na realidade foi para satisfazer o seu desejo de Glória.


Trajano-Sestércio cunhado em Roma 115-117
Anv./-Trajano laureado e drapeado à direita;
IMP CAES NERV AVG GER DAC PARTHICO PM TRP COS VI  PP
Rev./-Trajano numa tribuna sentado numa cadeira curul, coroando o rei Parthamaspátes, um parto com um joelho no chão, soldado romano por trás do imperador;   
REX PARTHIS DATVS   
(RIC- 667, Cohen, 329, BMC, 1046, Sear, 3191)

No reinado de Antonino Pio, a celebração da nomenação do rei do Partas é ilustrada nos seus sestércios.
Uma vez mais o imperador é representado com mais estatura que o rei dos arménios ao colocar-lhe o diadema na cabeça.


Antonino Pio-Sestércio cunhado em Roma em 142
Anv./-Antonino laureado à direita;
ANTONINVS AVG PIVS P P TR P COS III;
Rev,/-Antonino em pé vestido com a toga, segurando com a mão esquerda o manto e  com a mão pousando a Tiara na cabeça do rei Arménio;
REX ARMRNIS DATYS    SC
(Ref. -RIC-619, Banti-322)

Durante a campanha oriental de Lúcio Vero, um rei foi dado aos Arménios.
Tal como nos sestércios de Trajano, o imperador é representado maior do que todos os outros personagens presentes.
De notar que desta vez o imperador está no centro da moeda.
Como Trajano. o rei oriental parece esconder o rosto. 


Lúcio Vero-´Sureo cunhado em roma no ano 164
Anv./-Lúcio cabeça nua à direita ;
VERVS AVG ARMENIACVS
Rev./-Vero numa plataforma, sentado numa cadeira curul, ladeado por dois magistrados, estendendo a mão direita para coroar o rei Arménio, enquanto o rei levanta a mão para “ajustar o diadema”.
(Ref. RIC-512, ((R-2)); BMCRE-300)

MGeada

Bibliografia

Mireille Cébeillac, Gervasoni, Alain Chauvot; Histoire Romaine, Paris 2013
Michel Christol et Daniel Nony ; Rome et son empire, des origines aux invasions barbares-editions Hachete 1974.
http://www.arsclassicacoins.com/

terça-feira, 26 de dezembro de 2017



Campanha da Britânia do imperador Septímio Severo

Por volta do ano 207, o governador da Britânia endereçou uma carta a Septímio Severo, na qual lhe falava de uma revolta dos bárbaros que saquearam e devastaram essa região.

Satisfeito de poder afastar os seus filhos Caracala e Geta de Roma e das suas incessantes brigas, ele planeou uma expedição à Britânia
Nessa ocasião foram emitidas diferentes edições monetárias alusivas aos preparativos desta expedição.

Septímio Severo e seu filho Caracala, cunharam moedas com a Égide no reverso. (Símbolo da deusa Minerva, que adornava o peito das armaduras dos imperadores).
Estas emissões serviam para publicitar a invencibilidade e o heroismo  dos dois Augustos em plena preparação para a guerra.

Septímio Severo-Denário cunhado em Roma  202-210
Anv./-Septímio laureado à direita;
SEVERVS PIVS
Rev./- Escudo com a Égide; cabeça de Medusa vista de frente, no meio da pele da cabra Amalteia.
“Foi esta cabra que amamentou Zeus enquanto criança”;
PROVIDENTIA– (Na mitologia grega era o escudo mágico de Zeus)
(Rev. RIC-286, RSC-591, BMC-357)


Caracala-Denário cunhado em Roma cerca de 207
Anv./-Caracala laureado à direita;
ANTONINVS PIVS AVGvstvs
Rev./-Escudo com a Égide; cabeça de medusa de frente no meio da pele da cabra Amalteia. 
PROVIDENTIA
(Ref. RIC-165((R2)), Choen-527, BMC pag.258, Hill-869)
 (Após o excelente reinado do imperador Augusto; o título de “AUGUSTO” inserido no nome dos imperadores, passou a ser um privilégio que nem todos conseguiram alcançar).

Outras moedas mostram a partida de Caracala armado  com coroa radiada. Septímio Severo não foi representado nesta emissão.
Herodiano (livro III) diz-nos que o velho imperador adoentado, cansado e sofrendo de gota, fez grande parte do caminho numa maca.

Caracala-Denário cunhado em Roma em 208
Anv./-Caracala laureado à direita;
ANTONINVS PIVS AVG
Rev./-Caracala vestido de militar com uma lança na mão direita, um soldado com uma lança caminhando à sua esquerda;
PONTIF TR P XI COS III   PROF
(Ref. RIC-107, RSC-512, BMC-5573)

Septímio Severo, Caracala e Geta  atravessaram o Oceano “Mancha” e desembarcaram na Britânia.
Esta travessia também é ilustrada em denários que mostram o Oceano  sentado com um leme uma cornucópia, e um hipocampo aos seus pés.
Alguns autores dizem ser a representação do rio Tyme, que marcava o limite da fronteira,  mas neste caso qual seria o significado dos atributos da divindade?

Septímio Severo-Denário cunhado em Roma cerca do ano 209
Anv./.Septímio laureado à direita;
SEVERVS PIVS AVG
Rev./-Divindade fluvial ou marítima com um leme na mão esquerda, cornucópia na direita, e um hipocampo a seus pés;
P M TR P XVII COS III PP

(Ref, RIC- 229 (R), Cohen-530, Hill-1060 (R3)) Coleção Frédéric Weber
(A divindade deste reverso é motivo de muitas controvérsias.
RIC, assimila a divindade a Tritão. Cohen que descreve mal esta moeda, identifica nesta deidade oTibre, segurando uma cornucópia  na mão direita, e um remo na esquerda.  B.M.C., pensa ser o Oceano. David Sear, sugere o deus fluvial Tyne, um rio do Norte da Inglaterra.
Na verdade, Septímio Severo navigava neste rio no ano 209, enquanto preparava as suas campanhas contras os Bárbaros (escoceses). Esta deidade também poderia simbolizar o canal da Mancha?)
(Ref. Coleção Fréderic Weber)

Na Britânia, Severo reuniu um exécito considerável com tropas vindas de todas as partes.
Aterrorizados, os bretões enviaram emissários a Septímio Severo, mas este mandou-os para casa sem concluirem um tratado de paz, e continuou os preparativos para a guerra lançando pontes nos terrenos plantanosos e restaurou a muralha de Adriano.

Septímio Severo-AE 27 cuhado em Roma em 208
Anv./-Septímio laureado à direita;
SEVERVS PIVS AVG
Rev./-Ponte com 4 colunas, arcos, torres em ambas as extremidades sobrelevadas com uma quadriga, estátuas, barco com 2 pessoas a bordo;
P M TR P XVI COS III P P  S C
(Ref. RIC-786, Cohen-523, BMC-857, Hill-972)

Quando Severo julgou os preparativos suficientes, deixou Geta na província submetida a Roma para administrar o Império, enquanto ele e Caracala, começaram a sua ofensiva contra os bretões.

Uma vez as fronteiras da província ultrapassadas, ainda houve algumas tentativas de paz mas sobretudo muitas escaramuças em que os bárbaros foram sempre derrotados, e os bretões barricaram-se nas florestas e pãntanos.
Septímio Severo adoentado, teve que ficar no acampmento e entregar o comando das operaações ao seu filho Caracala.

Alguns  escritores antigos, sugerem que Caracala tomou a precaução de recomendar que os cuidados dispensados ao seu pai, não fossem muito eficaces.
Aurelius Victor, (História de Augusto) e outros historiadores falam mesmo de uma tentativa de assassinato.
Seja como for, Septímio Severo faleceu em York em 221, depois de mandar cunhar moedas com os três imperadores ilustrando as suas vitórias na Britânia

Septímio Severo-Áureo cunhado em Roma em 209
Anv./-Septímio laureado à direita;
SEVERVS PIVS AVG
Rev./-Septímio, Caracala e Geta vestidos de militar cavalgando para a esquerda;
VIRTVS AVGVSTOTVM
(Ref. RIC-177, Cohen-676)

Caracala que tomou o poder após a morte do seu pai, concluíu uma treva com os bretões e concedeu~lhes a paz em troca de algumas garantias. Em seguida apressou-se a reunir-se com sua mãe a imperatriz Júlia Domna e com seu irmão Geta.

Caracala-Áureo cunhado em Roma 206-210
Anv./-Caracala laureado e drapeado à direita;
ANTONINVS PIVS AVG
Rev./-Vitória sentada em cima de escudos, com um escudo
na perna direita e uma palma na esquerda.
VICTOIRE BRIT
(Ref. RIC-174, Cohen 633)

Todos juntos voltaram para Roma com os restos mortais de Septímio  Severo. Caracala mandou celebrar jogos em honra das vitórias na Britânia. Esses jogos ilustrados num denário mostram um elefante.

Caracala-Denário cunhado em Roma em 212
Anv./-Caracala laureado à direita:
ANTONINVS PIVS AVG BRIT
Rev./-Elefante caminhando para a direita;
P M TR P XV COS III P P
(Ref. RIC-199, RSC-208, BMC-47, Hill ((1964))-1358)

Depois da morte de Septímio Severo, Júlia Domna encontrou-se no poder com os filhos então com idades de 22 e 23 anos, mas que se destetavam mutuamente.
Durante o reinado do marido, Júlia conseguiu uma certa igualdade nos títulos concedidos aos filhos, mas os partidários de Caracala e de Geta guerreavam entre si para que o seu líder governasse.

A partilha do Império chegou mesmo a ser prevista. A rainha mãe opôs-se porque temia  que originasse uma guerra civil.
Segundo o historiador Herodiano 170-250, para acalmar os filhos, ela pronunciou as seguintes palavras. Meus filhos, tereis que encontrar uma maneira pacífica de usufruires da terra e do mar, pensem bem que as águas do Ponte (Mar Negro), separam os dois continentes.

Mas nossa mãe como faríeis vós a partilha? E como é que eu me vou ver na minha infelicidade com o coração repartido entre vós os dois?
Matar-me, que cada um de vós pegue em metade do meu corpo e sepulte parte da minha pessoa. Podeis fazer com o corpo da vossa mãe, a mesma repartição que pensais fazer com a terra e o mar.

A partilha do Império foi anulada, mas Caracala projectava assassinar o irmão, e mesmo a mãe se esta fizesse oposição. Foi  assim que no dia 27 de fevereiro de 212, Caracala assassinou Geta com um golpe de espada, quando este procurava refúgio nos braços da mãe.

Na impossibilidade de condenar o fracticídio a imperatriz colabora e governa com Caracala, participando nas cerimónias políticas, religiosas e públicas como tinha feito com Septímio Severo.

A imperatriz Júlia Domna foi alcunhada pelos soldados de “MATER CASTRORVM”
“Mãe dos Campos”, por acompanhar sempre o seu esposo nos campos de batalha.
Foi a primeira mulher a entrar na Cúria Romana, tal foi a sua influência na política do Império.

Júlia Domna-Asse
Anv./-Júlia drapeada à direita;
IVLIA  AVGVSTA
Rev./-Três insignias militares e Júlia Domna oferecendo um sacrifício;
MATER CASTRORVM
(Mãe dos Campos)

Júlia Domna-Sestércio
Anv./-Júlia drapeada à direita;
IVLIA PIA FELIX AVG
Rev./-Júlia sentada numa cadeira curul;
MAT AVGG SEN M PATR   S C
(Mãe dos Augustos, Mãe do Senado, Mãe da Pátria)

MGeada

Bibliografia
Aurelius Victor; Historia de Augusto, vida de Septímio Severo,1816.
Encyclopaedia Britannica; ediçao 15- 2002.
Christol M. et Nony D. Rome et son Empire-Paris Hachete, 2013.
Herodiano; História dos Imperadores Romanos - reedição de1990.
Pallas; Révue d'Etudes Antiques-Empire Roman de 192 à 325, Presses Universitaires du Mirae,1997.



segunda-feira, 27 de novembro de 2017



Quando Cómodo renomeou Roma

Marcus Aurelius Commodus Antonius“Cómodo”.
Imperador romano de 180 a 192, Cómodo nasceu em Lanúvio (Lácio) a 31 de agosto de 161 e faleceu em Roma a 31 de dezembro de 192.
Filho de Marco Aurélio e de Faustina a Jovem, o seu reinado terminou a era dos “cinco bons imperadores”da dinastia Antonina.
Descendente de Antonino Pio, Cómodo é o único imperador desta dinastia que não foi adotado, isto é, nascido na púrpura imperial.

Há quem pretenda que Cómodo não era filho de Marco Aurélio, mas de um gladiador com o qual sua esposa Faustina teria relações.

De facto, sua mãe é descrita por Dião Cássio na História de Augusto, como infidele que traía o seu marido com gladiadores.
Faustina teria grande atração por este género de homens, e quando assistia aos jogos no Coliseu, diz-se que os combates eram mais violentos que o normal.

No ano 177 Cómodo casou com Bruta (ou Brútia) Crispina que recebeu o título de Augusta.
Crispina então com dezasseis anos de idade, ofereceu-lhe como dote um grande número de propriedades que, juntamente com o tesouro imperal, assegurou-lhe o controlo sobre uma parte substancial do território da Lucânia.

A cerimónia em si foi modesta, mas comemorada através da cunhagem de moedas e em generosas distribuições à população. 

Cómodo-Denário cunhado em Roma em 183
Anv. Busto de Crispina drapeado à direita;
CRISPINA AUGUSVTA
Rev. Duas mãos juntas; 
CONCORDIA
(Ref. RIC-279ª)

Cómodo-AE 28 cunhado na Trácia (data incerta)
Anv. Bustos drapeados de Crispina e  Cómodo;
BR KRICPINA CEB AYT KL AYRH  KOMMODOC
Rev. Capaceto coríntio;
BYZANTIWN EPI PONTIKOY
(Ref. Sear-2069, Moushmov-3304)

Após dez anos de casamento, Crispina falsamente acusada de adultério foi banida para a ilha de Capri em 188, e mandada executar pelo ex-esposo em 193.
Cómodo e Crispina não tiveram filhos, o que provocou uma crise de sucessão em 193, conhecida como o ano dos cinco imperadores, que teve início com o breve reinado de Pertinax  (86 dias).
Cómodo não voltou a casar, mas teve grande relação amorosa  com uma amante chamada Márcia, que segundo a história tentou assassiná-lo.

Cómodo-AE17 cunhado em Elea (Eólida, data incerta)
Anv. Busto de Cómodo laureado à direita;
AVT  K  L  AVR  KOMODOC
Rev. Busto de Crispina sob os traços de Deméter à direita;
ELAITOWN 
(BMC-47, SNG von Aulock-1614-1615)

Os historiadores antigos nunca se resignaram a admitir  esta filiação, e atribuíram a Faustina esposa do imperador e mãe de Cómodo, aventuras galantes.

Marco Aurélio, filósofo impassível e cético por natureza, consultou magos e astrólogos que  aconselharam um tratamento radical para assegurar a fidelidade da sua esposa.
Naturalmente em primeiro o assassinato do gladiador.

Em seguida Faustina teria que tomar um banho de assento, quente, perfumado, prolongado, e em seguida fazer apaixonadamente amor com o seu ligítimo esposo.
Segundo a história depois desta medicação, a paixão de Faustina por gladiadores dissipou-se imediatamente, e nove meses depois nasceu o catastrófico Cómodo.

Os biógrafos antigos afirmam que muito cedo o jovem Cómodo mostrou instabilidade no seu caráter, falta de interesse pelos estudos e belas artes, a sua atracão pelos jogos violentos do circo, e sobretudo a sua indeferença para com o governo do império.

No entanto, ao contrário do que o “filme Gladiador” nos quer fazer crer, o seu pai Marco Aurélio nunca pôs em causa  a sua designação como herdeiro do trono.

Os protestos do Senado, o descontentamente do povo, as advertências dos seus conselheiros, não abalaram a determinação do filósofo coroado.
“Seria Cómodo o seu sucessor, venha o que vier”. “Depois de mim o dilúvio !”.

Cegueira paterna caracterizada? Ou Marco Aurélio esperava que com a idade e experiência o carácter do seu filho melhorasse?
O velho imperador pensaria que o seu filho degostoso com a  política, abandonaria as rédeas do poder aos sages e experientes que o aconselhavam?
Ou então, explicação final para esta obstinação incompreensível, talvez Marco Aurélio pensasse que fosse quem fosse o seu pai, e apesar dos defeitos do seu filho, Cómodo tinha direitos inalienáveis ao trono romano.  

Na verdade, Cómodo filho de Faustina também era neto de Antonino Pio.
Um dia em que alguém aconselhou Marco Aurélio a separar-se da sua esposa “a  libertina Faustina”, ele respondeu que divorciar era renunciar à sua fortuna e ao império.

Foi assim que desde a sua tenra idade, o perturbado Comodo, mimado, podre por uma comitiva muito indulgente às suas fraquezas, foi coberto de honras e títulos extravagantes.

Aos seis anos de idade o seu pai nomeou-o “Caesar” César.
Aos onze recebeu o título de “Germanicus” Germânico.
Aos treze tornou-se sacerdote “Pontifex” Pontífice.

Cómodo-Denário cunhado em Roma 175-176
Anv. Busto juvenil de Cómodo drapeado à direita;
COMMODO CAES AVG  FIL GERM SARM
Rev. Instrumentos de sacrifício;
PIETAS AVG
(Ref.-1544, Sear 88#1599)

Finalmente aos quinze anos, no dia 27 de novembro de 177, seu pai chamou-lhe “Imperador”, associou-o ao trono, e deixou este jovem cruel e astuto, triunfar e passear ao seu lado nas ruas de Roma.
Marco Aurélio preparou a sua sucessão com a mesma serenidade e rigor, que ele dedicava a todas as coisas que realizava.

Quando no dia 17 de março de 180, no regresso da sua última e vitoriosa campanha no Danúbio, o imperador filósofo faleceu em Vendobona (Viena), nenhuma voz le levantou para contestar a Cómodo o seu direito à coroa imperal.
O novo imperador apressou-se a terminar o processo de uma paz de compromissos com os bárbaros vencidos por seu pai.

Cómodo-denário cunhado em Roma 186-189
Anv. Busto de Cómodo laureado à direita;
M COMM ANT P FEL AVG BRIT
Rev. Roma sentada  com uma lança na mão esquerda
e uma Vitória na mão direita;
ROMAE  AETERNAE C V P P
Ref. RIC III-429b, BMCRE-546, Sear-5895)

Aquando livre de preocupações guerreiras, Cómodo regressou a Roma para se dedicar à vida incomparável com que sonhava : uma existência fastuosa e sensuale, cheia de festas e jogos, temperada com deboches sem precedentes, e uma luxura embebida de vinho e sangue.

Cómodo que portanto era duma ferocidade bestial, quando tinha que defender as suas prerrogativas perante um senado exasperado, deixava os seus favoritos governar : (Pérennis, Cléandro e outros...) que deu origem a que a  corrupção, precaridade e má administração se multiplicasse.

Embora não tenha sido confontado com nenhuma ameaça exterior ao Império, Cómodo cada vez mais desiquilibrado conseguiu nos dezoito anos do seu reinado, compremeter gravemente o pretigio militar e económico de Roma.

A peste despovoava regiões inteiras, havia fome em todo o Império, bandas de soldados sem comando nem soldo devastavam a Gália, enquanto em Roma o imperador perguiçoso pavaneava no anfiteatro disfarçado de Hércules, (do qual se pretendia ser a incarnação) e combatia as feras com uma moca enorme.
 
Cómodo-Denário cunhado em Roma em 180
Anv. Busto de Cómodo laureado à direita;
M COMM ANTON AVG PIVS FEL
Rev. Águia imperial sobre um globo;
CONSECRATIO
(Ref.RIC-93 ((raro)), RSC-1009)

No entanto o reinado desastroso deste louco, não teve consequências graves para os cristãos
que, segundo Santa Irene eram numerosos a trabalhar no palácio imperial.

Mais, Márcia a concubina preferida de Cómodo que ele adorava ver trajada de amazona,  (túnica curta e seio nu), era uma fervente cristã que recebeu o santo papa Vítor I no palacio imperial, para lhe entregar os decretos de amnistia assinados pelo imperador que dava liberdade aos cristãos encarcerados nas prisões de Sardenha.

Como ironicamente escreveu Edward Gibbon (História do Declínio e Queda do Império Romano), provavelmente não seria fácil a Márcia “a amiga de Deus” para “conciliar a prática do vício com os preceitos do evangelho”.
(Santo Hipólito de Roma chamou a Márcia, “Philotheos”, a amiga de Deus).


Cómodo-AE 41, Medalha de bronze  177-192
Anv. Busto de Cómodo com coroa radiada e Márcia com colar e capacete à direita,
L AVRELIVS COMMODVS AVG PIVS FELIX
Rev. Ao centro a Felicidade com cetro e cornucópia;
à direta Cómodo com véu e manto oferecendo um sacrifício;
à esquerda Vitimário com um boi.
P M TR P XVII IMP VIII
(Cohem-17, Gnecchi p. 64, 116 anv. / 113 rev.)

(À primeira vista podemos supor que o busto feminino ao lado de Cómodo com capacete na cabeça, poderia ser Minerva ou Roma, mas o “pelta” não deixa dúvidas, é bem a representação duma amazona, e neste caso Márcia a concubina por quem Cómodo estava loucamente apaixonado).
(Pelta :pequeno escudo ligeiro em forma de crescente de lua, era um símbolo exclusivo das amazonas).

No entanto, se Márcia era uma boa cristã, todavia ela não estava preparada para ser marterizada.
Quando um dia por acaso a curiosidade a levou a abrir algumas gavetas e consultar alguns documentos confidenciais do imperador, ela descobriu o seu nome numa lista de futuros condenados à morte, ela não perdeu tempo em oraçães que seriam inuteis, e decidiu passar imediatamente à ação.

Ainda o mesmo dia quando Cómodo terminou um dos seus sete banhos quotidianos, Márcia ofereceu-lhe a sua companhia bem voluptuosa, assim como um copo de vinho, “bem envenenado”.
Mas apesar de cansado de uma vida de deboche e libertinagem, o seu amante ainda era forte como um turco, e o veneno depois de provocar alguma sonolência, funcionou como um emético, e o imperador que ainda não queria morrer rejeitou a matéria tóxica!

Foi então que Márcia com o seu cúmplice e futuro esposo, subornaram um jovem robusto chamado Narciso que trabalhava no palácio, que conseguiu dominar e estrangular  Cómodo quando este tomava banho na noite de 31 de dezembro de 192.
Portanto Cómodo faleceu estrangulado na banheira e não no circo. a República também não foi restabelecida após a sua morte como nos mostra Hollywood no filme de Ridley Scott “Gladiador”.


Cómodo-BR cunhado em Roma, 180-192 
Anv. Busto de Comodo laureado à direita;
M COMM ANT P FELIX AVG BRIT
Rev. Sacerdote (Cómodo) velado e drapeado;
com uma junta de bois abrindo um sulco com a charrua,
COL L AN COM PA TR P XV IMP VIII  COS VI  SC
(Ref. RIC-570- Cohen-40)

Aquando da cerimónia da fundação de uma cidade e para marcar os seus limites, um sacerdote conduzindo uma charrua puxada por uma junta bois, cava um sulco que simbolizava as muralhas da cidade.
(Segundo Ovídeo, foi Rómulo o primeiro a efectuar este ritual). 
Um dia auspicioso era escolhido,  geralmente o dia da festa de Pales (divindade da mitologia romana relacionada com o pastoril) que marcava o início dos trabalhos do campo. 
Primeiro abria-se um buraco fundo que se enchia com grãos, frutos e terra dos campos vizinhos.
Neste buraco quando cheio, erguia-se um altar que acendiam ao mesmo tempo que o sacerdote com a charrua marcava os limites da nova cidade.


Cómodo AE 23 cunhado em Roma 190
Anv. Busto de Cómodo laureado à direita;
M COM ANT P FELIX AVG BRIT P P
Rev. Sacerdote (ou Cómodo) velado e drapeado,
com uma junta de bois abrindo um sulco com a charrua;
COL L AN COMM P M TR XV IMP VIII COS VI SC
(Ref. RIC-570- Cohen-40)

Este tipo com o sacerdote velado e a junta de bois, aparece com muita frequência em moedas coloniais, mas é raríssimo em moedas cunhadas em Roma.
A legenda deve sem dúvida ser interpretada como COLonia Lucia ANtoniniana COMModiana.

É interessante que o prenome de Lúcia fosse dado a Roma, num momento em que o próprio Cómodo se nomeava ele mesmo de Marcus.

Cómodo-AE 15 cunhado na Misia 180-192
Anv. Busto de Cómodo laureado à direita,
AD IMP C AV COMODO
Rev. Sacerdote (ou Cómodo) velado e drapeado,
com uma junta de bois abrindo um sulco com a charrua;
C G I H P
(Ref. BMC-101, SNG Cop-289)

Com estes reversos mostrando a cena da cerimónia da fundação duma cidade, temos provas de que a cidade Eterna, foi renomeada Colónia Comodiana pelo imperador Comodo.
Este facto foi relatado por Accius Lamprinius,  (autor não fiável da “História de Augusto”), e graças a este testemunho da moeda, temos  a prova  que é uma realidade histórica.

(Accius Lamprinius, um dos seis autores fictivos da coleção de biografias ditas da História de Augusto.
Ele terá sido o autor das biografias de Cómodo, Diadumediano, Heliogábalo e Alexandre Severo.)

O mesmo historiador também nos diz que ao mesmo tempo ele apresentou ao Senado o seu projeto de mudar o nome da cidade, e que o Senado se chamasse “Senatus Commodianus”.
Esta absurdidade foi mesmo ratificada por um Senatus Consultum, como podemos ver no mesmo reverso.
 O “S C” em moedas cunhadas em Roma, era unicamento destinado aos Dupôndios, Asses e Sestércios.


Cómodo-AE 43, Medalha cunhada na Lídia em 177
Anv. Busto de Cómodo laureado e drapeado à direita;
AVTO KAI L AVRH KOMODOC
Rev. Cómodo com um cetro na mão esquerda,
conduzindo uma biga, e uma Vitória a coroá-lo;
EPI ARXIEROC TATIONOV CILANDEWN ARX
(Ref. Assos Kraft, 88. 14c)

Cómodo-Sestércio cunhado em Roma em 183
Anv. Busto de Cómodo laureado à direita;
M COMMODVS ANTO NINVS AVG PIVS
Rev. A Pax sentada num trono, com uma
cornucópia na mão esquerda, e um ramo na direita;
P M TR P VIII IMP VI  COS IIII PP  PAX  S C
(Assos Kraft, 88. 14c)


Cómodo-Dupôndio cunhado em Roma 179/180
Anv. Busto de Comodo drapeado e com coroa radiada à direita;
L AVREL COMMODVS AVG TR P V
Rev. A Virtude com uma lança na mao direita
e parazónio (espada curta) na esquerda;
VIRTVS AVG IMP II COS II P P   S C
(RIC-292ª, Cohen-961-2, BMC-1724)

Accius Lamprinius (capítulo VIII) escreveu que Cómodo foi inspirado por Márcia (sua amante) que ele adorava ver disfarçada de amazona.

Para mostrar a obstinação  de Cómodo sobre este tema, Cassius Dion afirma que o povo foi obrigado  a chamar à cidade, Roma Comodiana e ao exército, Commodiani.
(Lucius Claudius Cassius Dio : historiador romano de origem grega).

Roma foi ainda apelidada pelo imperador, “a Eterna Afortunada Colónia do Mundo”, a sua intenção era que a cidade fosse considerada como a sua própria colónia, que ele não incendiou graças à intervenção de Quintus Aemilius Laetus, prefeito da guarda imperial romana.

Cassius Dion escreveu na (História de Roma, livro 72, XV ) que para os romanos, Cómodo era mais temido que todas as pragas, doenças e malefícios.

Entre outras razões, os decretos que os obrigava a prestar homenagem ao seu pai e homenageá-lo a  ele mesmo, e decretou que Roma passaria a chamar-se Comodiana e os exércitos Comodianos.

O dia em que Cómodo promulgou  estes decretos, ele mesmo tomou alguns sobrenomes, entre outros, o de Hércules.
Diz-se mesmo que na sua loucura, queria que a Cidade Eterna passasse a chamar-se Colónia Hercúlea Comodiana.

Cómodo-Denário cunhado em Roma 191-192
Anv.Cómodo com a pele de leao à direita;
L AEL AVREL COMM AVG P FEL
Rev. Moca de Hércules;
HER CULI RO MANO AVG (em três linhas)
(RIC-637, Cohen-192)

Comodo é aqui representado como Hércules com a pele do leão de Nemeia na cabeça; mais
um testemunho da sua legendária megalomania.

Cómodo-AE 24 cunhado em Topiros (Trácia)
Anv. Busto de Cómodo laureado à direita;
AV KAI MAVP KOMODOC
Rev. Hércules sentado num penedo, apoiado na moca;
EPI KAIKI CEPBEILI TOPEIREITWN
(Ref. CNG-90

Cómodo-Denário cunhado em Roma, 191-192
Anv. Busto de Cómodo com a pele de leão na cabeça à direita;
L AEL AVREL COMM AVG
Rev. Arco, Moca e Aljava com setas;
HERCULI ROMANO AVG
(RIC-253, Cohen-196, Calic-2260, Biaggi-990)

Cómodo-Denário cunhado em Roma em 192
Anv. Busto de Marco Aurélio  coroado à esquerda;
L AEL AVREL COMM AVG P FEL
Rev. Hércules de pé com a moca e a pele de leão
na mão esquerda, e um troféu na direita;
Rev. HERCVLI ROMANO AVG
202ª    (RIC-264c, RSC-202ª)

Cómodo pretendia que Roma tinha sido colonizada por ele, ao mesmo tempo que lhe atribuiu os sobrenomes de Imortal, Afortunada e Colónia Universal da Terra.

De 185 a 189, Cómodo confiou o poder a Cleandro, um antigo escravo promovido cavaleiro,
que para se enriquecer não exitou em vender as magistraturas : só no ano 189, houve vinte e cinco cônsules.

Cleandro também mandou executar ou originou que cometessem suicídio grandes personagens, mas a sua política de terror também lhe valeu a morte, porque Cómodo para acalmar os romanos afamados e revoltados mandou-o executar.

De 190 a 192, Cómodo apresenta cada vez mais sinais de demência, continuando a identificar-se  a Hércules, e a corte nas mãos dos seus favoritos e suas amantes, não é mais que um local de intrigas, conspirações e assassinatos.

Se Cómodo derramou o sangue e a morte em Roma, o império não sofreu muito da sua loucura porque a administração funcionava.

Cómodo-Sestércio cunhado em Roma em 183
Anv. Busto de Cómodo laureado à direita;
M COMMODVS ANTONINVS AVG PIVS
Rev. A Felicidade  com cornucópia e caduceu;
TR P IMP VI COS III P P  SC
202ª    (RIC-264c, RSC-202ª)

Os centros de decisões das províncias decidiam, e a  paz reinava no império.
As extravagâncias de Cómodo também não compremeteram as finanças públicas.
Apaixonado por religiões orientais, ignorou os cristãos que não sofreram qualquer perseguição, o contrário do que se passou no tempo de Marco Aurélio.

Se nos referirmos às muitas biografias, o reinado de Cómodo ainda é mal conhecido.
Ao examinarmos bem as acusações de que é alvo, elas repetem as listas dos defeitos dum Calígula, um Nero, um Domiciano; e se Cómodo  se comportou com a raiva sanguinária que lhe é atribuída, porque é que um imperador tão sensato como Septímio Severo se declarou seu irmão?

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Cómodo-Denário cunhado em Roma 177-192
Anv. Busto de Cómodo laureado à direita;
COMMODVS ANTON AVG PIVS 
Rev. A Pax com uma cornucópia e uma palma;
TR P VIII IMP VI COS IIII PP
(Cohem-832)

A sua morte marcou o fim da dinastia Antonina, assim como uma época de relativa paz, (PAX ROMANA), e deu inicío a um período de crise económica e política.

MGeada


Bibliografia
Bennet Julien ; Trajan: Optimus Princeps, 2ª. ed..
Christien Bonnet, Bertrand Lançon ; L’Empire romain de 192 à 325 : du Haut-Empire à L’Antiquité tardive, Ophrys-1997.
Gilber John ; mitos e lendas da Roma Antiga, 2ª ed, São Paulo.
Grndes Impérios e Civilizações. Roma-Legado de um Império, 11 ed. Madrid, ed. del Prado, 1999.
História de Agusto, vida de Cómodo, 1.3
História de Augusto, vida de Cómodo,1.2