terça-feira, 28 de agosto de 2018


Moedas antigas gregas, assinadas pelos gravadores de cunhos.

Depois do século VII a.C., foram cunhados milhões de tipos de moedas.
A maioria dessas peças não foram assinadas pelos seus autores; no entanto, este acto que consiste a assinar uma moeda com o seu nome, do mesmo modo que um grande mestre de pintura assina o seu quadro, começou a ser praticada muito cedo pelos gravadores de cunhos de moedas gregas.

Naturalmente, foi a qualidade excepcional do trabalho desses gravadores, que lhes deu a possibilidade de assinar as suas obras. Vamos mostrar aqui uma breve visão geral desta prática, e alguns exemplos de moedas gregas assinadas pelos seus autores.

                                            
Sicília – Tetradrachma assinado por Euthidamos e Euménes cunhado em Siracusa, 415-410 a.C.
Anv./- Quadriga galopando para a direita, Niké voando para a esquerda coroando o auriga: no exergo, Cila nadando para a direita e golfinho;
(Na mitologia grega segundo Homero e Ovídeo , Cila era uma bela ninfa que se transformou em monstro marinho).
Rev./- Aretusa à esquerda rodeada por quatro golfinhos, com o cabelo ornamentado com espigas de trigo, colar, brincos, e assinaturas.
(Ref. Tuder 46 (A/15 – R/28), MIAMG-4951)
(Filha de Néreu, e mãe de Abas  filho de Netuno, Aretusa faz parte do cortejo de Artemis. Deusa da primavera, também ligada à vida selvagem e à caça)

Sicília – Decadrachme assinado por Kimon, cunhado em Siracusa 405-400 a.C.
Anv./- Quadriga galopando para a esquerda, uma Vitória coroando o auriga e troféu militar;
Rev/-Ninfa Aretusa à esquerda, rodeada por quatro golfinhos, com uma fita nos cabelos com a assinatura do gravador KI(mon), brincos e colar de pérolas.
(Ref. exemplar do museu de Berlim)

Com um peso de + ou – de 43,13grs., e um diâmetro de 35mm, o decadrachma de Siracusa é a maior moeda de prata da antiga Sicília.
O decadrachma não era destinado ao uso diàrio mas, a grandes negócios como a compra de madeira para construção naval e outros.

As assinaturas nas moedas gregas recolhidas na sua apogeu, permite-nos levantar o véu sobre a vida tão obscura dos gravadores, mostrando-nos os mais famosos de entre eles concorrendo ao mesmo tema, como se um esboço oficial lhes fosse imposto préviamente para uma exposição pública.
Estes artistas por vezes eram chamados para longe da sua terra natal, pelas diversas cidades que competem pelo seu talento e solicitam o seu cinzel.

Por exemplo: de Siracusa Evenéte passou por Evanete (cidade), Catânia, Camarina e Régio (na Calábria). Kimon Siracusa, Procles, trabalhou para Catãnia e Naxos; Aristoxéne para Metaponte e Heracleia.
Aconteceu que por vezes dois artistas colaborassem na gravação da mesma peça exemplo: Frígilo e Euarchidas em Siracusa e outros .

Resumo: quando vemos num medalheiro essas jóias inestimáveis com os nomes de Kimon, Evenéte, Eucleidas, Eumenes, Frígilo, Exaskestida e muitos outros, é-nos permitido comparar e discutir o seu estilo, o seu mérito, exactamente como nós julgamos as obras que os artistas contemporâneos nos mostram nas suas exposições.

Decadrachma assinado por Evenéte cunhado em Siracusa cerca do ano 400 a. C.
Anv/-quadriga galopando para a esquerda, Niké voando para a direita coroando o  auriga; no exergo troféu de armas constituído por uma couraça entre duas grevas, um escudo e um capaceto;
Rev./- Ninfa Aretusa à esquerda, coroada com espigas, bricos, colar, rodeada por quatro golfinhos, e assinatura sob o golfinho por baixo do pescoço.

Na Grécia Antiga, o par de grevas que equipava o hoplita (soldado de infantaria da Grécia), para proteger as canelas, denominava-se cnémide, era fabricado em bronze ou latão para os soldados. Para reis e generais, podiam ser em prata ou ouro, e possuiam forro de couro ou feltro.

Contexto histórico

A emissão destas moedas de prestígio, terá sido motivada pela comemoração da vitória de Siracusa sobre Atenas no ano 403 a. C.. O troféu de armas depositado sob a quadriga ilustra essa vitória.
Elas foram presumivelmente concedidas aos vencedores dos chamados jogos Atléticos dos Assinaros, organizados para celebrar essa vitória mas, elas também teriam respondido aos objectivos hegemônicos (do tirano da colónia grega de Siracusa)  Dionísio I (o Velho), nascido em 431, e falecido em 367 a.C., que queria tornar Siracusa em capital do mundo grego, após a queda de Atenas no ano 404 a.C..

Desde sempre, o decadrachma de Siracusa tem sido considerado como a obra-prima da numismática desde os tempos antigos e, ainda hoje permanece uma peça mítica, cujo preço em vendas públicas alcança recordes, para os exemplares em bom estado de conservação.

Uma das mais belas e importante moeda do mundo grego, uma celebração da beleza feminina, o decadrachma gravado por Evenéte, foi rápidamente imitado por outros artistas que trabalhavam para outras cidades, mas poucos alcançaram esta perfeição.
O retrato da ninfa Aretusa representa, o apogeu grego da beleza e um magnífico símbolo da liberdade.

Filha de Néreu e Doris, Aretusa segundo a lenda foi perseguida por Alfeu loucamente apaixonado por ela. Socorrida por golfinhos, ela conseguiu escapar-lhe: chegada em frente da ilha Ortiga, nas proximidades de Siracusa, Aretusa pediu ajuda à deusa Artemis que a transformou numa nascente que desde então se tornou o símbolo da cidade.

Sicília - segunda democracia (466-405), Tetradrachma cunhado em Siracusa por cerca do ano 415 a.C., assinado no anverso por  Frígilo e no reverso por Euarchidas.
Anv./- Quadriga galopando para a esquerda, conduzida por um auriga, este a ser coroado por uma Vitória, espiga e assinatura;
Rev./- Ninfa Aretusa com diadema e brincos, rodeada por quatro golfinhos e assinatura.
(Ref. Tuder 49 (V I -6/R30, SNG ANS- -276, BMC-159, Boston MFA-409)  

Sicília –Tetradrachma assinado por Euménes, cunhado em Siracusa, 415-405 a.C.
Anv./- Quadriga galopando para a esquerda conduzida por um auriga, este a ser coroado por uma Vitória voando para a direita, golfinho perseguindo um peixe;
Rev./- Aretusa à esquerda com brincos e colar, rodeada por quatro golfinhos, e assinatura.
(Ref. SNG ANS-264, SNG Lokett-963, weber-1597)

Sicília – Tetradrachma assinado por Euthidamos e Euménes, cunhado em Siracusa, 415-410 a.C.
Anv,/- Quadriga galopando para a direita, Niké voando para a esquerda coroando o auriga; no exergo, Cila nadando para a direita e golfinho;
Rev./- Aretusa à esquerda rodeada por quatro golfinhos, o cabelo ornamentado com espigas de trigo, colar e brincos.
(Ref. Tudeer 46 (A/15, - R/28, ANS- 273, MIANG-4951)

(Uma das muitas versões diz-nos que Cila era filha de Fórcis e Hécate ou ainda de Lâmia. Tal como acontece com a maioria dos deuses marinhos, por vezes também dizem ser  filha de Tifão e Equidna; Higino diz que ela foi morta por Hércules).

Sicília – sob o reinado de Dionísio I, 405-367 a.C.
Tetradrachma “assinado duas vezes por Kimon”, cunhado em Siracusa no ano 405 a.C.
Anv./- Aretusa virada ligeiramente à esquerda, com colar de pérolas e diadema no qual está inscrito o nome do gravador, K(IMΩ)N, e três golfinhos:
Rev. Quadriga galopando para a esquerda, Niké voando para a direita coroando o auriga. No exergo, a assinatura completa do artista Kimon e espiga de trigo.
(Ref. Jameson coll.-1835, SNG-Oxford- 2004, Nanteuil coll.-358)
(Raríssimo, sómente 5 exemplares conhecidos).

Sicília – Decadrachma cunhado em Siracusa assinado por Evenéte, 400-380 a.C.
Anv/- Quadriga galopando para a esquerda conduzida por um auriga a ser coroado por uma Vitória vo ando para a direita. No exergo, troféu de armas constituído por duas grevas, uma couraça e capacete;
Rev/- Aretusa à esquerda com uma coroa de espigas de trigo, brincos colar, quatro golfinhos, e assinatura sob o golfinho da situado por baixo da cabeça da ninfa.
(Ref. MIANG-4845 var., Dewing-876 A/3-R2)

MGeada

Bibliografia 

Artur John Evans; Siracusa- Medalhas de Siracusa e seus gravadores, crónica numismática,1891, pag. 275-376.
Dominique Gerin, Catherine Grandjean; La Monnaie Grecque – Paris 2011.
François Rebuffat : La Monnaie dans l’Antiquité, Paris 1996
Hèlene Nicolet Pierre ; Numismatique Grecque – Paris 2002
Jean Bruno Vigne ; La Vie des Monnaies Grecques-collection et placement – Paris, 01-01-1998.
Internet



sexta-feira, 27 de julho de 2018


Um novo aspecto do simbolismo da emissão monetária do milénio de Roma, no reinado do imperador Filipe I, o Árabe.
Os jogos seculares foram comemorados inúmeras vezes, e deram origem a muitas  emissões monetárias.
Os imperadores, Augusto, Domiciano e Septímio Severo, comemoraram este evento baseando-se no “calendário etrusco”, que tinha a particularidade de ter 110 anos .
Cláudio, Antonino Pio e Filipe, comemoraram  respectivamente os 800, 900 e o milénio de Roma, que é o assunto destas páginas.
Neste artigo vamos tentar fazer um balanço sobre as hipóteses da simbologia nos  reversos utilizados. 

Filipe I-Antoniniano cunhado em Roma  no ano 248
Anv./- Filipe com coroa radiada à direita
IMP PHILIPPVS AVG
Rev./- Leão caminhando para a direita
SAECVLARES AVGG  I = primeira oficina
 (Ref. RIC-12, RSC-173, Sear-8956)

Filipe I-Antoniniano cunhado em Roma em 248
Anv./- Filipe com coroa radiada à direita
IMP PHILIPVS
Rev./- Loba amamentando Rómulo e Remo
SAECVLARES AVGG   II, segunda oficina
(Ref. RIC IV/15, Cohen-178)

Filipe I-Antoniniano cunhado em Roma em 248
Anv./- Filipe I com coroa radiada à direita
IMP P PHILIPPVS AVG
Rev./- Bode  caminhando para a esquerda
SAECVLARES AVGG  III, terceira oficina
(Ref. RIC IV/22, RSC- 189)

Otacília Severa (esposa de Filipe I)-Antoniniano cunhado em Roma em 248
Anv./- Otacília com diadema e drapeada à direita
OTACIL SEVERA AVG
Rev./- Hipopótamo com cabeça de leão caminhando para a direita
SAECVLARES AVG   IIII  (quarta oficina)
(RIC- 116 b. RSC-63)

Filipe I- Antoniniano cunhado em Roma em 248
Anv./- Filipe com coroa radiada à direita
IMP PHILIPPVS AVG
Rev./- Cervo caminhando para a direita
SAECVLARES AVGG  V, quinta oficina
(Ref. RIC IV/22, RSC- 189)

Filipe I- Antoniniano cunhado em Roma em 248
Anv./- Filipe com coroa radiada à direita
IMP PHILIPPVS AVG
Rev./- Antilope caminhando para a esquerda
SAECVLARES AVGG  VI, sexta oficina
(Ref. RIC IV/22, RSC- 189)

Filipe I-Antoniniano cunhado em Roma em 248
Anv./-Filipe com coroa radiada à direita
IMP PHILIPPVS AVG
Rev./- Veado caminhando para a esquerda, e marca da oficina
SAECVLARES 20, RSC-185)
(Ref. RIC- IV/ 

Philipe II-Sestércio cunhado em Roma em 248
Anv./- Philipe II drapeado e laureado à direita
IMP M IVL PHILIPVS AVG
Rev./- Alce caminhando para a esquerda (espécie de veado das regiões do norte)
SAECVLARES AVGG  (sem marca da oficina)
(Ref. RIC-264a, Cohen-73)

                                         
                                           Philipe I-Antoniniano cunhado em Roma em 248
Anv./- Filipe com coroa radiada à direita
PHILIPPVS AVG
Rev./- Cipo com a inscrição  COS III e legeda circular,
SAECVLARES AVVG

Filipe I-Antoniniano cunhado em Roma em 249
Anv./- Filipe com coroa radiada à direita
Rev./- Templo de Roma, hexastilo (com 6 colunas) com a deusa Roma ao centro
SECVLVM NOVVM -(Século novo)
(Ref. RIV-25 B, RSC-198) 

Esta  9 ͦ  emissão da oficina monetária de Roma, provavelmente teve início, em  abril do ano 248, por ocasião do milénio de Roma.
De notar, que RIC considera que esta é a 5 ͦ emissão da oficina  monetária de Roma, que teve início no dia 21 de abril  de 247.

Para esta emissão, as seis oficinas em actividade cunharam moedas que tinham todas a mesma legenda no reverso, SAECVLARES AVGG (Saeculares Augustorum).
Os jogos seculares dos Augustos, têm a representação de um animal diferente em cada oficina e no exergo, o seu número em algarismos romanos ou, uma marca.

Estas moedas foram cunhadas em nome de Filipe I e Filipe II seu filho que ele elevou ao título de Augusto em maio de 247, e de Octacília esposa de Philipe I.
A interpretação do reverso destas emissões, tem ligação com os textos antigos.

A história de Augusto dá-nos uma lista dos animais exibidos: encontramos o leão, o veado e hipopótamo, que figuram no reverso destas emissões.
A explicação mais comumente aceite, é que estamos na presença de uma emissão monetária, destinada a veicular no Império a imagem de um dos grandiosos aspectos destas  festividades.

Esta interpretação conforme aos textos é perfeitamente credível, e oferece uma visão impressionante do realismo das distrações oferecidas ao povo, nesta  grande ocasião. 
Este tipo de emissão monetária, também se encontra frequentemente para comemorar o triunfo do imperador, no regresso das suas campanhas militares.

Vejam  por exemplo este denário do imperador Caracala.

                                             Caracala-Denário cunhado em Roma em 212
Anv./- Caracala laureado à direita
ANTONINVS PIVS AVG BRIT
Rev./- Elefante com o corpo e pernas cobertas com uma rede, caminhando para a direita
P M/- TR P XV COS III P P
(Ref. RIC- 199, RSC-208, BMC-47)   

No entanto, devemos notar que entre essas moedas, a da segunda oficina difere das outras.
Com efeito, o tema escolhido “a Loba Romana” é uma  referência direta ao mito da fundação de cidade, enquanto outras emissões mostram outros animais.
Temos portanto uma emissão puramente descriptiva dos jogos, mas também com outra simbologia.
No entanto, podemos ter uma ideia que durante os desfiles, um carro tenha  transportado esta representação (estátua), ou mesmo que a cena tenha sido recontituída ao natural com uma loba domesticada e crianças.

O aspecto simbólico dessa representação, "o símbolo" do mito da fundação de Roma, obriga a interrogarmo-nos sobre o impacto dos outros reversos, presentes aquando desta emissão; porque o aspecto simbólico destes, era uma constante na numária de Roma desde a República e, seria surpreendente que os animais ilustrados  nestas moedas, fossem escolhidos ao acaso.

Nas moedas romanas, os animais são muitas vezes representados  seja como um símbolo de força “o leão”, eternidade ou longevidade “elefante ou cervo”, ou como símbolo de uma divindade: o leão, a cabra, ou a águia por Júpiter, (presente especialmente nas moedas de consagração), a serpente da Salus, a corça de Diana etc,.

Esta interpretação simbólica da 9 ͦ emissão faz todo o sentido no contexto, porque a moeda sendo o principal vetor da propaganda imperial, não há nada de surpreendente em que para exaltar o poder, as virtudes de Roma e do imperador, tenham esolhido animais representativos dessas qualidades.

Esta hipótese nos daria as seguintes simbólicas :
O leão=Júpiter=imperador
A loba romana=Roma eterna
O cervo=A longevidade do reinado

Para os outros três reversos, a simbologia é mais obscura; todavia podemos sugerir algumas suposições:

O hipopótamo=fecundidade: este animal na Antiguidade Tardia egípcia, ainda estava assimilado à mulher grávida e à Fecundidade (deusa Taouret).
Este simbolismo terá sobrevivido até ao século III, através do culto da deusa Isis, importado do Oriente e se espalhou em Roma?
Esta hipótese é interessante, porque é o retrato da imperatriz que lhe está associado no anverso da moeda.

Não faremos um grande  comentário sobre a relação entre o bode e Filipe II: a sua coragem nos combates? Ou outro ânimo longe dos campos de batalha, simbolizando a aspiração dinástica?

Em contrapartida, a associação cabra=Júpiter é mais explícito, porque foi uma cabra “Amaltea”que alimentou Júpiter na sua infância.
A cabra associada a Pilipe II, poderia  muito bem fazer  referência à infância de Júpiter e, ao mesmo tempo a Filipe tornando-o um jovem imperador.
Portanto é possível que não seja um bode, mas sim uma cabra como o consideram alguns autores.
A identificação do animal representado nesse reverso, foi recentemente motivo de muitos debates. Além disso, alguns anos mais tarde a representação de Júpiter montado na cabra Amaltea, será um dos reversos principais do jovem Valeriano II, filho do imperador  Galiano.

Valeriano II-Antoniniano cunhado em Roma em 257-258
Anv./- Valeriano com coroa radiada à direita
P LIC VALERIANVS CAES
Rev./- Júpiter montado na cabra Amaltea, levantando a mão direita e segurando um chifre com a esquerda,    IOVI CRESCENTI  (Júpiter Crescente/a crescer)
(Ref. RIC-13. C. 29, Sear-10732)

No que diz respeito ao antilope ainda não se encontrou  nenhuma simbologia  particular.

Os animais símbólicos (reais ou fictícios) associados à proteção de uma divindade, será retomada alguns anos depois pelo imperador Galiano, na sua emissão do “bestiário".

Essas interpretações simbólicas dos reversos, não vão contra aquelas utilizadas pelos imperadores anteriores: só é pena não ser aplicável a toda a série monetária.

Podemos enão presumir  uma outra interpretação simbólica, que não é contra o contexto histórico nem das  imterpretações  precedentes.

As festas do milénio, são a oportunidade de melhorar a imagem do Império que é atacado por todos os lados.
Os bárbaros já se encontranm às portas do Império Romano. Filipe conseguiu a paz com os persas, em troca de algumas terras e um vergonhoso tributo anual. Os Carpos e os Quados, devastaram a Dácia antes de serem derrotados e expulsos no ano 245.
Agitações rebentam continuamente nas fronteira norte e leste.
É necessário manter a ilusão que o mundo romano ainda é muito poderoso, e continua a ser o centro do mundo.
A escolha dos animais representados, estará em relação com essa ideia de universalidade?

Desde sempre os animais foram escolhidos para representar as províncias nas moedas: o leão, o escorpião e o elefante para representar a África. O crocodilo para o Egito, são alguns exemplos disso. 

Para representar a extensão do mundo romano da época pelas suas províncias, seria necessário quase um jardim zoológico! Para isso, as seis oficinas monetárias de Roma seriam insuficientes.

Geográficamente, o mundo romano apresenta-se como um rectângulo com o Mediterrâneo no seu centro, e pode ser dividido em vários subgrupos coerentes. 

A Itália é rodeada por:

1-«Velho Mundo romano». as províncias do oeste e noroeste, romanizado desde há muito tempo.

2-«As províncias Bálcâs» do nordeste (Dácia, Panónia etc,).

3-«Oriente Próximo» (ou Próximo Oriente) (Síria, Arábia, Mesopotâmia.)

4-«África do Leste» (Egito, Líbia,)

5-«África do Oeste» (Zona Sáariana e costeira.)

Partindo daqui vamos estudar os animais representados.

A gravura dos cunhos, é aproximadamente a mesma em todos os exemplares consultados.
Os artistas procuraram reproduzir um determinado animal, e não um animal qualquer, porque para um mesmo tipo, pode haver grandes variações dependendo da espécie e da sua origem geográfica.

Originalmente regrupados para o triunfo do imperador Gordiano III, lógicamente estes animais deviam ser originários ou representar aquela região. 

Na antiguidade, o leão era muito abundante na África e no Oriente Médio.

A cabra, animal comum domesticada há muito tempo, estava presente em todos os lados. No seu estado selvagem (cabra de angorá), encontrava-se em grande abundância nas regiões montanhosas no Nordeste da Turquia  (Asiática).

O hipopótamo, agora confinado nas regiões húmidas da África Central, naquela época o seu domínio chegava até à embocadura (ou foz) do rio Nilo.

O cervo: este animal foi predominante em todos os lados, mas com variações significativas no tamanho e nos chifres. O animal representado nas moedas, aparatado com numerosos esgalhos em conformidade  com a  espécie europeia, vive  em áreas florestais.

O antilope: este animal como o precedente, foi generalizado sob diversas formas na África, Ásia e mesmo na Europa do Norte. Os longos chifres em espirale e ligeiramente arqueados para trás, são uma reminiscência (ou recordação), de uma espécie africana (cudo, oryix ?).

Como podemos constatar, estes animais não são tipicamente “persas” e neste caso considerar a seguinte simbólica, dependendo da origem geográfica dos animais.

O leão: Oriente Médio, a Arábia terra natal do imperador.

A cabra: as regiões das Bálcâs.

Hipopótamo: Egito.

O cervo: as províncias do noroeste. 

O antilope: a  África subsariana.

Estes cinco animais estão associados com a Loba, símbolo  de Roma e da Itália.

A história de Augusto e outras fontes antigas não dão pormenores  sobre estas festividades.
Podemos imaginar que um desfile juntou delegações «dos cinco cantos do Império», que vieram a Roma para celebrar o evento, cada uma acompanhada por animais representativos dessas regiões.
Uma forma do triunfo de Roma sobre o resto do mundo; ou, considerar que estes reversos mostram que os animais reunidos para a ocasião, provinham de todo o “mundo romano”.
Em seguida, este cortejo triunfal dirigia-se para o templo de Roma para efectuar devoções e sacrifícios.
O templo de Roma será então representado nas moedas da emissão seguinte.

Filipe I-Antoniniano cunhado em Antioquia em 249
Anv./- Pilipe I com coroa radiada e drapeado à esquerda
IMP M IVL PHILIPPVS AVG
Rev./-Templo de Roma com seis colunas.
A Deusa figura ao centro com um cetro na mão esquerda e um globo na direita
SAECVLVM NOVVM
(Ref. RIC-86a, RSC-200)
(Antioquia:  foi uma cidade da antiga província romana da Pisídia. Foi uma das diversas cidades que receberam o nome de Antioquia, fundadas por Seleuco I).

Como a utilização de animais para representar o espaço geográfico,  já tinha sido utilizado no passado mas em pequena escala; exemplo, o denário do imperador Adriano aonde no reverso a África regrupa dois animais: o elefante e o escorpião.


Adriano-Denário cunhado em Roma em 149
Anv. Adriano laureado á direita
HADRIANVS AVG COS III P P
Rev./- A África semi deitada virada à esquerda, com uma pele de elefante na cabeça, um escorpião na mão direita, e uma cornucópia na esquerda.    AFRICA.
(Ref. RIC-299, RSC-138)

E, dado o estado do Império romano nesse momento, a necessidade de reforçar a ideia do seu poder e supremacia sobre o mundo através das moedas junto dos habitantes do Império, não pode ser negligenciada.
Estes pressupostos, no entanto permaneceram simples construções intelectuais; as fontes que temos não permitem afirmar a certeza.

A leitura do reverso  proposto, no entanto oferece a vantagem de fazer a 9 ͦ emissão homogénia sobre o plano simbólico, sem por em causa as outras leituras.
Esta foi uma das razões que nos levaram a interrogarmo-nos sobre o impacte simbólico do reverso desta emissão, a escolha destes animais, e diversidade  psicóloga destas imagens.

Estes animais podem ser apenas os atores de grandes caçadas recontituídas nas arenas. Explicação puramente descritiva, da qual o significado era evidente para os romanos  da Itália,  mas devia escapar a grande parte das  pessoas em outras  regiões do Império.

Porque utilizar animais pouco representativos (em questão de força,) para mostrar a grandeza de Roma?
A história de Augusto cita animais mais espetaculares: tigres, panteras, hienas ou mais exóticos, por exemplo, rinocerontes e girafas que seriam mais adequados para sugerir a  magnanimidade dos jogos, e marcar os  espíritos ou memórias.

Essas moedas muito divulgadas em todo o Império, porque privar-se de uma mensagem de propaganda em larga escala?
Explicação: «Roma organiza jogos magníficos, Roma é  poderosa» mas,  podemos considerá-la um pouco simplista.

Um vetor importante para difusão dessas moedas nas regiões distantes de Roma, era o soldo  dos legionários. Naquela época a maioria das legiões eram constituídas por soldados estrangeiros, muitas vezes oriundos de regiões perturbadas  do Império.
O facto dos soldados verem no reverso das moedas de Roma um animal familiar, podia significar que a sua terra de origem fazia parte do Império.

Esta mensagem federativa não parece ilógica, neste período turbulento onde a lealdade vai para aquele que paga melhor, e aonde as ameaças exteriores são cada vez mais frequentes.
Esta 10·ͦ emissão, também apresenta uma moeda interessante ligada às comemorações do milénio, mas apresenta outro animal: o elefante com a legenda AETERNITAS AVGG, (eternidade dos Augustos)

Filipe I-Antoniniano cunhado em Roma no ano 270
Anv./- Filipe drapeado e coroa radiada à direita 
IMP PHILIPVS AVG
Rev./- Elefante com o cornaca à esquerda
AETERNITAS AVGG
(Ref. RIC-58, RSC-17, Sear-8921)

Devemos primeiramente notar, que é a única moeda nesta emissão com este reverso.
Se for apenas para mostrar um animal que participou nas festividades, a sua presença nesta emissão pode surpreender, e ficaria  melhor na 9 ͦ  emissão no lugar da loba.
Simbólicamente esta também ficava bem na 10 ͦ emissão com o templo de Roma, ou na moeda onde figura o cipo, erigido para celebrar os consulados do imperador e do seu filho, durante as cerimónias do milénio.

Filipe I-Antoniniano cunhado em Roma em 244-249 (10 ͦ emissão, 5 ͦ oficina)
Anv./- Filipe drapeado e coroa radiada à direita
IMP PHILIPPVS AVG
Rev./-cipo com a inscrição   COS III,  SAECVLARES AVGG
(Ref.RIC-24C, RSC-193, Sear-8961)

Porque razão isolaram o elefante?
A legenda  refere-se  diretamente à noção da eternidade, da qual o elefante é um símbolo forte e poderoso.
Esta é uma mensagem clara: o Império é eterno representado na legenda do reverso ROMA AETERNAE, das precedentes emissões. 
Podemos aplicar a leitura «geográfica» a este reverso?

O elefante é tradicionalmente usado para representar a  Àfrica, tal leitura aqui parece impossível.
O elefante é também na história romana, o símbolo das guerras contra os cartagineses.
Uma referência a Anibal, aqui seria anormal.
Por isso não temos leitura «geográfica» perfeitamente adequada. 
Todavia os elefantes continuaram a ser utilizados muito além das Guerras Púnicas (como força de ataque ) por alguns exércitos, incluindo os persas.

A História de Augusto indica que na época dos jogos havia 32 elefantes em Roma, dos quais 12, enviados por Gordiano III, 10 por Alexandre Severo,  os outros 10 terá sido Filipe I que os trouxe da Pérsia? 
Teremos aqui uma alusão à “vitoria” do exército romano sobre os persas?

Embora a paz com a Pérsia fosse concluída com um tratado infame para Roma, a escolha do reverso desta moeda, pode ser visto como um aviso enviado aos ursupadores que apareceram no Império, exemplo: Pacaciano na Mésia.
Este imperador efémero, vai usar o mesmo tipo de propaganda cunhando no reverso, a deusa Roma com a legenda, Roma Eterna ano 2001, usando assim o simbolismo do seu adversário a seu favor.

Pacaciano-Antoniniano cunhado em Viminacium  em 248-249
Anv./- Pacaciano com coroa radiada e drapeado à direita
IMP TI CL MAR PACATIANS PF IN
Rev./- Roma sentada num escudo, com uma Vitória na mão direita e uma lança na esquerda
ROMAE AETER AN MIL ET PRIMO
(Ref. RIC-IV 6 var., Cohen-7 var., RSC-7 var.)

MGeada

Bibliografia

André Piganiol ; Jeux Séculaires, Revue des Études Anciennes.
Eric Lesueur ; Le Milenaire de Rome.
Jean-Gagé ; Les jeux séculaires de 204 ap. JC, e la dynastie des Sévères-Mélanges d’archeologie et h’istoire. t.51.1934, pag.33-78.
Jean Gagé ; Recherches sur les jeux séculaires. Ed. Les belles Lettres.1934.
Laurent Schmitt ; Les Monnaies romaines, Editions les Chevaux Légers.
Paul Petit, Histoire Générale de L’Empire Romain-Edi. Seuil,1974.
Pierre Brind’Amour ; «L’Origine des Jeux Seculaires», volume 2, 1978,  page 1334-1417.

quinta-feira, 28 de junho de 2018


Imagens da Liberalidade, “em latin Liberalitas” na numismática romana.

Na cultura da Roma Antiga, Liberalitas era a virtude  de oferecer  livremente (de liber, “livre”).
A Liberalidade é uma das princiais virtudes e, ao mesmo tempo uma alegoria que muitas vezes figura nas moedas imperiais romanas, sob a forma de legendas e tipos.
Muitas vezes essas moedas  foram cunhadas para atestar a generosidade dos imperadores para com o povo, através de distribuições de todos os tipos: dinheiro, produtos alimentares e outros. 

Adriano-denário cunhado em Roma  no ano 121
Anv/-Adriano laureado à direita;
IMP CAESAR TRAIAN HADRIANVS AVG
Rev/-Adriano numa plataforma sentado numa cadeira curul. Á sua direita Liberalitas  distribuindo moedas a um cidadão; por trás do imperador um atendente contador de moedas
P M  TR P COS III LEBERAL AVG III =3º donativo
(Ref. RIC-123ª, BMCRE-301, Cohen-913)

Durante os primeiros períodos do Império, essas distribuições são chamadas “Congiarium”, por vezes também chamadas de “congis óleo pleno” que significa que as pessoas receberam recipientes cheios de óleo.
Durante o período da República os Ediles (magistrados da Roma Antiga) estavam particularmente preocupados com essas distribuições; uma ocasião para adquirirem uma óptima popularidade.

Naturalmente os imperadores continuaram essas práticas, por isso encontramos ocasionalmente na legenda das moedas a palavra CONGIARIVM, mas o termo mais comum é LIBERALITAS.
Ao nome de Liberalitas, é muitas vezes anexado um número que corresponde ao número de oferendas (liberalidades) concedidas pelos imperadores.

Nero-Sestércio cunhado em Roma 64-66
Anv./-Nero laureado à direita;
NERO CLAVDIVS CAESAR AVG GERM P M TR P IMP PP
Rev./-Nero cabeça nua e toga, numa plataforma sentado numa cadeira curul: atrás dele um Perfeito,  em baixo à esquerda um atendente distribuindo moedas a um cidadão com a toga nas mãos para as receber. Em pano de fundo a estátua de minerva;
CONG(iarivm) II DAT POP S C
(Ref. BMC-139)    

Era na ocasião dessas  generosidades imperiais, que uma quantia de dinheiro era dada a cada pessoa e, quando grãos ou pão são distribuìdos era  para impedir a ação dos demónios de provocarem excassez de grãos, e fome. Neste caso falamos sobre Annone (=produção do ano, colheita do ano, alimentos para o ano).

Antonino Pio-Denário cunhado em Roma, no ano 154
Anv/-Antonino laureado à direita;
ANTONINVS PIVS AVG
Rev./Annone de frente a olhar para a direita com duas espigas de milho na mão direita e um módio cheio de espigas na esquerda; (antiga medida de capacidade entre os romanos que equivalia apxoximadamente ao alqueiro);
COS III
(Ref. BMCRE-809, RSC-291)

Antonino Pio-Denário cunhado em Roma, 140-144
Anv/-Antonino laureado à direita;
ANTONINVS AVG PIVS P P TR P COS III
Rev/- Módio com 4 pés contendo 4 espigas de trigo e uma papoula;
ANNONA AVG
(Ref. RIC III 62ª, BMCRE-180, Sear-4050)

Quando além do soldo o imperador dava mais alguma coisa aos soldados, fala-se de “Donativum”, um termo que não aparece nas moedas, mas que se pode  comparar à Liberalitas ou Congiarium.
Após o reinado de Marco Aurélio, a legenda CONGIARIVM deixou de aparecer nas moedas, e a expressão LIBERALITAS será a única a ser utilizada.

Nerva – Sestécio cunhado no ano 96
Anv./-Nerva laureado à direita;
IMP NERVA CAES AVG PM TR P COS II DESIGN III P P
Rev./-Nerva numa plataforma sentado numa cadeira curul, na qual dois magistrados oferecem donativos a um cidadão na escada . Em pano de fundo a estátua de Minerva.
CONGIARium P R S C
(Ref.RIC-71, BMC-97, Cohen-38CF, Sear 5-3043)

Nerva-Asse cunhado no ano 97
Anv./-Nerva laureado à direita;
IMP NERVA CAES AVG P M TR P COS III P P
Rev./- Liberalitas em pé à esquerda com cetro e píleo: (barrete)
LIBERTAS PVBLICA S C
(Ref. RIC-86, CNG-69, Sear-88, Cohen-115)

Marco Aurélio-Sestércio cunhado entre dezembro de 165 e agosto de166
Anv./-Marco Aurélio laureado à direita;
M AUREL ANTONINVS AVG
ARMENIACVS P M
Rev./-Marco Aurélio e Lúcio Vero sentados numa plataforma, por trás deles o perfeito, na sua frente um destribuidor oficial, dando um donativo a um homem nas escadas;
CONGiarivm AVG III TR POT XX IMP III COS III SC
(Ref. RIC-914, Sear-4964)

A Liberalidade é personificada sob a imagem de uma mulher segurando numa mão uma tessela ou tablete quadrada, na qual se vêem um certo número de pontos que mostram o tipo de distribuição feita pelo príncipe; dinheiro, trigo ou outros objectos.
Na outra  uma cornucópia símbolo da abundância de alimentos contidos nos celeiros públicos.

A Liberalitas preside todos os  donativos: dinheiro, azeite, ou vinho oferecido ao povo de Roma pelos magistrados.
Durante o período imperial, era frequentemente un donativo em dinheiro por ocasião das grandes vitórias, um nascimento na família imperiale, ou por ocasião de grandes festejos públicos.

A Liberalidade também chefia todos os Congiários.
As Liberalitas Augusti (= Liberalidades de Augusto) representam dois tipos: Liberalitas ordinárias et extraordinárias.
A primeira menção de Liberalitas, apareceu em moedas do imperador Adriano: nos seus sucessores, também aparece com muita frequência. 
Estas manifestações de generosidade imperial, são mais conhecidas pelas moedas, que pelas fontes tradicionais da história.

Em moedas de Adriano cunhadas durante o seu segundo consulado, podemos ver duas figuras sentadas num «sugestum» (=plataforma).
O imperador a Liberalidade e outra figura com uma pequena tocha: um cidadão sobe as escadas da plataforma, onde os presentes são distribuídos pelo imperador.

Adriano- Sestércio cunhado em Roma no ano 118
Anv./- Adriano laureado à direita;
IMP CAESAR TRAIANVS HADRIANVS AVG
Rev./-O imperador sentado numa cadeira curul, subalterno distribuindo donativos a um cidadão e estátua da Liberalitas com um ábaco na mão direita;
PONT MAX TR POT COS III, LIBERALITAS AVG
(Ref. RIC II-552, Cohen-914, Banti-488 (raríssima esta moeda)

Uma das  Liberalitas  mais notáveis do imperador Adriano, foi aquela durante a qual ele perdoou ao povo o atraso dos impostos acumulados durante 16 anos reclamados pelo Tesouro Publico.
Os reconhecimentos dessas dívidas foram queimados no Fórum de Roma.

Numa moeda de Antonino Pio assim como em moedas de Filipe Senior, vemos o imperador numa plataforma sentado numa cadeira curul. Á sua frente, a imagem da Liberalitas que despeja o dinheiro que ela continha, nas mãos do imperador.
Algumas moedas de prata deste imperador mostram-nos uma figura feminina com uma cornucópia na mão esquerda, na direita uma tessela (ou tablete), que indica a quantidade de comida distribuída a cada pessoa e a preço reduzido, graças à Liberalidade (ou generosidade) do imperador.

Antonino Pio-Sestércio cunhado em Roma no ano148
Anv./- Antonino laureado à direita;
ANTONINVS AVG PIVS PP TR P COS III
Rev./-Antonino sentado numa cadeira curul estendendo a mão a uma figura para entregar o donativo. Á sua esquerda a estátua da Liberalitas com uma cornucópia na mão esquerda, e um ábaco (antigo instrumento de cálculo) na mão direita;
LIBERALITAS AVG V
(Ref. RIC III-775, BMCRE-1693, Cohen-511)

Uma moeda de ouro do imperador Eliogábalo “que não consegui”, mostra o imperador sentado numa plataforma, com a Liberalidade ao seu lado, assim como o Prefeito do Pretório em que  um lictor (oficial que acompanha os magistrados), distribui o côngio (medida equivalente a seis sesteiros ou 1/8 de ânfora) aos cidadãos romanos.

(“Sesteiro”: ((em latim, sextarius)), era uma unidade básica de medida de volume para líquidos durante o Império romano, que correspondia  mais ou menos a 54 cl.
“Congio”: ((em latim congius)) segundo o sistema moderno, corresponde aproximadamente a 3,48 litros).

Temos ainda  moedas do imperador Adriano com a legenda LOCVPLETATORI ORBIS TERRARVM,  podemos ver que esta legenda refere-se às liberalidades deste imperador, que sob os auspícios  da Deusa distribui os seus presentes.

Adriano-Sestércio cunhado em Roma no ano 123
Anv./-Adriano laureado à direita;
IMP CAES TRAIANVS HADRIANVS AVG P M TR PCOS III
Rev. Adriano numa plataforma sentado num banco, à sua esquerda a Liberalitas segurando uma cornucópia com as duas mãos, distribuindo dinheiro a dois cidadãos;
LOCVPLETATORI ORBIS TERRARVM S C
("Para aquele que enriquece a terra inteira")
(Ref. RIC-585 b, BMC-1194, Hill-245

Uma moeda de Antonino Pio emitida no ano 161 (pouco antes da sua morte) na ocasião do seu quarto consulado,  tem a legenda LIBERALITAS AVG VIIII = IX, que significa que esta moeda foi cunhada durante a nona liberalidade deste imperador.

Antonino Pio – Sestércio cunhado em Roma, 159-160
Anv./- Antonino laureado à direita;
ANTONINVS AVG PIVS PP TRP XXII  SC
Rev./- Imperador sentado numa cadeira curul com um oficial a seu lado. Em frente dele Liberalitas com um escudo e cornucópia;  em baixo cidadão  segurando a dobra da toga (manto) para receber o donativo;
LIBERALITAS AVG VIIII (=IX) COS III
(Ref. RIC III-1044, Cohen-532)

Moedas dos imperadores Cómodo e Caracala, têm VIII Liberalitas - Marco Aurélio e Antonino Pio VII -  Septímio Severo e Geta VI - Alexandre Severo e Geta V -  Caracala e Alexandre Severo IIIIGordiano e Alexandre Severo III – Filipe I e Heliogábalo II.

Cómodo-Denário cunhado em Roma, 177-192
Anv./- Cómodo laureado à direita;
L AEL COMM AVG P FEL
Rev./- Liberalitas com uma cornucópia na mão esquerda e um ábaco (antigo instrumento de cálculo)na direita; 
LIB AVG VIII P M TR P COS VII P P
(Ref. RIC-325, 239)

Caracala-Denário cunhado em Roma, 210-213
Anv,/- Caracala laureado à direita;
ANTONINVS PIVS AVG BRIT
Rev,/-Liberalitas com uma cornucópia na mão esquerda e um ábaco na direita;
LIBERALITAS AVG VIII
(Ref. RIC-220, RSC-1356, RCVM-6816)

Marco Aurélio-Sestércio cunhado em Roma em 177
Anv./-Marco Aurélio laureado à direita;
M ANTONINVS AVG GERM SARM TR P XXXI
Rev./-Liberalitas com uma cornucópia na mão esquerda e ábaco na direita;
LIBERALITAS AVG VII COS III  SC
(Ref. RIC 1205, Cohen 422)

Antonino Pio-Denário cuhado em Roma, em 153
Anv,/-Antonino laureado à direita;
ANTONINVS AVG PIVS PP TR P XVI
Rev./-LIBARALITAS VII COS IIII esvaziando moedas de uma cornucópia;
(Ref.RIC III-228, BMCRE- PG.116, RSC-519)

Septímio Severo-Áureo cunhado em Roma em 209
Anv. Septímio laureado à direita;
SEVERVS PIVS AVG
Rev./-Liberalitas com uma cornucópia na mão direita e ábaco na esquerda;
LIBERALITAS AVG VI
(Ref. RIC-278ª, Cohen-297)

Geta-Denário cunhado em 210-212 (ateliê incerto)
Anv./- Geta laureado à direita;
P SEPTIMIVS GETA CAES
Rev./-Liberalitas com uma cornucópia na mão direita e ábaco na esquerda;
LIBERALITAS AVG VI
(Ref. RIC-44, RSC,69)

Alexandre Severo-Denário cunhado em Roma 231-235
Anv. /-Alexandre laureao à direita;
IMP ALEXANDER PIVS AVG
Rev./- Liberalitas com uma cornucópia na mão direita e ábaco na esquerda;
LIBERALITAS AVG V
(Ref. RIC-243, RSC-142, Sear-7879)


Geta-Denário cunhado em Roma em 211
Anv./-Geta laureado à direita;
P  SEPT GETA PIVS AVG BRIT
Rev./-Liberalitas com uma cornucópia na mão direita e ábaco na esquerda:
LIBERALITAS AVG V
(Ref. RIC IV-88, BMCRE-65)

Caracala-Denário cunhdo em Roma no ano 209
Anv. Caracala laureado à direita;
ANTONINVS PIVS AVG
Rev./- Liberalitas com uma cornucópia na mão direita e ábaco na esquerda;
LIBERALITAS AVG IIII = IV
(Ref. RIC IV-158, Cohen-128)

Alexandre Severo-Asse cunhado em 229
Anv./-Alexandre laureado à direita;
IMP SEV ALEXANDER AVG
Rev./-Liberalitas com uma cornucópia na mão direita e ábaco na esquerda;
LIBERALITAS AVGVSTI IIII  S C
(Ref. RIC-577 var., BMCRE-563, Sear-8064, Cohen-157)

Gordiano III-Antoniniano  cunhado em Roma no ano 239
Anv./-Gordiano com coroa radiada à direita;
IMP CAES GORDIANVS PIVS AVG
Rev,/-A Liberalitas com uma cornucópia na mão direita e ábaco na direita;
LIBERALITAS AVG III
(Ref. RIC-223, RSC-141)

Geta-Denário cunhado em Roma em 210-212
Anv./-Geta laureado à direita;
P SEPT GETA PIVS AVG BRIT

Rev/- A Liberalitas com uma cornucópia na mão direita e un ábaco na esquerda;

LIBERALITAS AVG III
(Ref. RIC-89, RSC-68ª)

Filipe I-Denário cunhado no ano 245
Anv./-Filipe laureado à direita;
IMP PHILIPPVS AVG
Rev./-A Liberalitas com uma cornucópia na mão direita e um ábaco na esquerda;
LIBERALITAS AVGG II
(Ref. RIC-38b, RSC-87var.)

Heliogábalo (também conhecido por Elagábalo) -Denário cunhado em Roma em 218-222
Anv./-Eleogabalo lauureado à direita;
IMP ANTONINVS PIVS AVG
Rev./-A Liberalitas com uma cornucópia na mão direita e um ábaco na esquerda;
LIBERALITAS AVG II
(Ref. RIC-106)

MGeada

Bibliografia
Christien Goudineau; Les Empereurs de Rome, d’Auguste a la Tetrarchie-Éditions Errance, 2004
François Zosso, Christien Zingo ; Les Empereurs Romains- 27 avant. J.C- 476 aprés J.C. Éditions Errance, Paris 1994.
George Depeyrot ; La Monnaie Romaine : 211 avant J. C.– 476 aprés J. C..
Henry Cohen, Monnaies tome 1, préface, p XI.
Jean-Paul Tuillier; Les Empereurs de la Rome Antique- Éditions Errance, 1996.
https://fr.wikipedia.org/wiki/Symboles_des_monnaies_romaines