domingo, 28 de outubro de 2018



Marco Júnio Bruto (Marcus Junius Brutus), um dos assassinos de Júlio César.

Bruto, nasceu em ? de junho de 85 a.C. em Roma (Itália), e faleceu dia 23 de outubro de 42 a.C. em Filipos (Macedônia).

Filho ligítimo de Marcus Junius Brutus (o Velho) (partisan ou partisante de Marius ) e de Servília Cepião meia-irmã de Catão Uticense.
Servília dita a Grande, foi amante de Júlio César, esposa de Décimo Júnio Silano e de Marco Júnio Bruto (o Velho), com quem teve este personagem, “Bruto”.

Além de Patrício, (originalmente eram os cidadãos que constituiam a aristocracia da Roma Antiga), Bruto foi jurista, político republicano conservador, e comandante  militar romano, tendo sido um de assassinos de Júlio César.
Casou e viveu com Cláudia Pulchra Major, entre 52 e 46 a.C., e com Pórcia (em latim, Porcia Cantonis) de 46 a 43 a.C..

Bruto pretendia ser descendente de Lucius Junius Brutus que no ano 509 a.C., após o viol de Lucrécia, destronou Tarquínio o Soberbo (Tarquinius Superbus) último rei de Roma, e assim fundou a República romana.

Bruto mandou gravar várias moedas com a sua efígie entre 44 e 42 a.C., todavia a mais conhecida é denário dos Idos de Março, cunhado em Roma em 43-42 a.C., que comemora o assassinato de  Gaivs Julivs Caesar (Caio Júlio César).

Esta moeda tem no anverso a efígie de Bruto à direita e a legenda   
BRVT IMP L PLAET CEST
O reverso mostra-nos um boné frígio “sinal de liberdade” que era dado aos escravos livres ladeado por dois punhais.
Isto assinala a intenção de Bruto de libertar Roma das ambições imperiais de Júlio César, e as armas destinadas a cluir este acto. Em baixo a data da morte de César: EID MAR – Idos de Março.
(Ref. RSC-15, Sear-1439, Sydenham-1301)

(O calendário romano regia-se por três datas fixas: calendas nonas e idos, com base nas fases da lua.
Os idos são a meio do mês, precisamente  15 de março, maio, julho e outubro, e dia 13 nos restantes meses).

Os assassinos ou “Partido da Liberdade”como eles se designavam, fugiram de Roma para a Macedônia, com a intenção de ali formarem um corpo de exército.

Eles serão vencidos pelos aliados de César liderados por Marco António e Octaviano (futuro Augusto) na Batalha de Filipos no ano 42 a.C..Bruto cometeu suicídio após esta derrota.
(Ao ter conhecimento do suicídio de Bruto, sua corajosa esposa Porcia (em latim Portia Cantonis), como exemplo de fidelidade ao seu esposo, também cometeu suicídio).

A decisão de fugir para o leste foi provavelmente influenciada pela riqueza das províncias a leste do Imperio Romano, porque para criar um exército fazia falta muito dinheiro: era necessário comprar provisões e pagar aos soldados.
Entre as moedas (poucas) cunhadas pelos conspiradores, está o denário dos “Idos de Março”.
Após a vitória de Marco António e Octávio, essas moedas foram fundidas, daí a sua raridade nos nossos dias.
Segundo algumas fontes, terão escapado entre 50 e 60 denários de prata e um ou dois áureos, (um aparenta ser falso).

Marco Júnio Bruto – Denário cunhado em Roma no ano 54 a.C.
Anv./- Bruto à direita,    BRVTVS
Rev./-Caio Servílio Aala (C. Servilius Ahala) à direita,  HAALA
(Ref. Crawford-433,2, Sydenham-907)

Neste denário são ilustrados duas figuras anti-monárquicas, Bruto um dos principais conspiradores contra Júlio César e Caio Servílio Aala que juntamente com Lucius Julius Brutus libertou Roma do rei Tarquinius Superbus que segundo Lívio, instalou a República no ano 509 a.C., e matou Espúrio Mélio (Spurius Maelius) no ano 439 a.C..

Marco Júnio Bruto – Denário cunhado em Roma no ano 48 a.C.
Anv./- Efígie de Aulo Postúmio Albino à direita. (Aulus Postumius Albinus cônsul no ano 99 a.C.)
A POSTVMIVS COS
Rev. dentro de uma coroa de espigas de milho a legenda,
ALBINV BRVTI
Ref. Sear-42, Crawford-450/3b, Sydenham-943ª, CRI-127)

Postúmio Albino nasceu por volta do ano 84 a.C. : pertencia à notável família Gens Porcia e era parente de Marcus Junius Brutus.
Enquanto jovem, era amigo de Públio Clódio Pulcro (Publius Clodius Pulcher) e Marco António. No ano 44 a.C. Bruto convenceu-o a juntar-se à conspiração contra Júlio César.
Nesse período Públio era um homem de confiança de César, e por este foi nomeado pretor  e governador da Gália Subalpina.
No dia 15 de março de 44 a.C., Júlio César foi assassinado pelos conspiradores no teatro de Pompeu, entre os quais Bruto e Caio Cássio Longino (Gaius Cassius Longinus). O testamento de César revelou que Bruto foi adotado por César no segundo grau, depois de Otaviano, para seu sucessor.

Marco Júnio Bruto – Denário cunhado em Roma em junho de 44  a.C.
Anv./-Netuno com tridente à direita
CASCA LONGVS (Publivs Servilivs Casca Longvs)
Rev./-Vitória à direita caminhando sobre um cetro quebrado ao meio
BRUTUS IMP
(Ref.Crawford-507/2, Sydenham-1298, RSC,3, Sear 5-1437)

Públio Sérvio Casca Longa, (84-42 a.C., também foi um dos assassinos de Júlio César. Ele e outros senadores conspiraram para matá-lo, um plano que eles realizaram no dia15 de março do ano 44 a.C..
Depois Casca Longa lutou contra os libertadores durante a guerra civil dos Libertadores. Acredita-se que terá cometido suicídio após a sua derrota na batalha de Filipos em 42 a.C..
                                                              
Marco Júnio Bruto – Denário cunhado em Esmirna, no ano 42  a.C.
Anv./- Instrumentos pontifícios: machado, simpulum e faca
BRVTVS
Rev./-jarra e lítuo (ou lituus)
LENTVLVS  SPINT, em duas linhas
(Ref. Crawford-500/7, Sydenham-1310)

Marco Júnio Bruto – Denário (militar) cunhado em junho de 42 a.C.
Anv./-Apolo com coroa de louro à direita
LEG(at) COSTA (Légat Pedanius Costa)
Rev./-Troféu militar com couraça, escudo e duas lanças
IMP BRVTVS
(Ref. Crawford-506/2, Sydenham-1296)

Embora a família Pedania não seja muito ilustre, a sua origem é muito antiga.
Tive Live, cita um centurião com o nome de T. Pedanius, que se destacou pela sua coragem durante a Segunda Guerra Púnica, em 212 a.C.. Este personagem foi conhecido durante o período republicano, assim como Pedanius Costa, que foi lugar-tenente de Quintus Caepio Brutus (pai adotivo de Bruto) na Ásia, aquando das guerras civis).                                                         

Marco Júnio Bruto – Denário cunhado em Roma em 48 a.C.
Anv./-Caio Víbio Pansa Cetroniano (Caius Vibius Pansa Caetronianus) à direita,     C PANS
Rev./-Duas mãos juntas em torno do caduceu
ALBINVS BRURTI F.
(Ref. Crawford-451/1, Sydenham-944)


Caio Víbio Cetroniano. nasceu em Roma (Itália) a 12 de fevereiro do ano 91 a.C. e faleceu em Módema (Itália) a 23 de abril de 43 a.C..
Partidário de Júlio César durante a guerra civil contra Pompeu, optou pela restauração da Républica após o assassinato do ditador.
Víbio Pansa morreu dos ferimentos recebidos na batalha do Fórum Gallorum
disputada contra Marco António durante a guerra de Mutina (ou Guerra de Modena), travada na Península Itálica entre 44 e 43 a.C., depois do assassinato de César, e liderada pelo seu principal general Marco António.

Marco Júnio Bruto – Quinário (quinarius) militar, cunhado na Trácia ou Macedónia?, no ano 42 a.C.
Anv./- Cadeira currule, entre as pernas da cadeira, um módulo (medida)
L. SESTI  PRO Q (Lucius Sestius Proconsul)
Rev. Tripé entre o simpulum e o ápice
Rev./-Q. CAEPIO BRVTVS PRO CON (Quintus Caepio Brutvs Procônsul)
(Ref. Crawford-502/4, Sydenham-1292, CRI-203, Sear-1441)

Marco Júnio Bruto – Denário cunhado em Roma no ano 54
Anv./- Efígie da Libertas (em latimLiberalitas) com colar e bricos à direita
LIBERTAS
Rev. O Cônsul Marco Júnio Bruto (o Antigo), caminhando para a esquerda, entre dois lictores,  precedido por um accensus. precedido por outro personagem?
BRVTVS
(Accensus: unidade de infantaria ligeira nos exércitos da República Romana).
Este tipo de revés refere-se aos antepassados de Bruto, assassino de Júlio César.
(Ref. Crawford-433/1, BMC-3861, RRC-433/1)


MGeada

Bibliografia
Anne Bernet; Brutus Assassin par Idéal, Éditions Perrin, 2001.
Bertrand Borie ; «Brutus le personage historique», Histoire antique & médiévale, nº 89, janvier- fevrier 2017, pp. 14-43.
Michael Parenti, O Assassinato de Júlio César, edições Record, 2005.
Roger Breuil ; Brutus, Éditions Galimar, 1945.
Marco Junio Brutus,  o assassinato de Júlio César.



quinta-feira, 27 de setembro de 2018


Júlio César
O homem que pretendia ser um deus

Caio Júlio César (CAIVS IVLIVS  CAESAR) nasceu em Roma a 13 de julho do ano 100 a C. e faleceu a 15 de março de 44.

César nasceu no seio de uma antiga família patrícia (IVLIVS)  romana  e enquanto jovem viveu em Suburra, naquela época bairro da classe média de Roma, mais tarde, o bairro dos pobres.
Segundo a lenda, a sua ascendência chegava a IVLVS, filho do príncipe troiano Eneias e neto da deusa Vénus.

No auge do seu poder, César iniciou a construção dum templo em Roma dedicado à Vénus Genetrix, em honra da sua divina antepassada, a deusa Vénus.
Seu pai Caio Júlio César, era um simples cidadão, enquanto sua mãe Aurélia pertência à ilustre família COTTAE.


Templo de Vénus Vitrix mandado construir por Júlio César no ano 46 a.C., no Fórum Romano, VIII região.

Júlio César – Denário cunhado em Roma em fevereiro ou março do ano 44 a.C.
Anv./- César velado à esquerda
CAESAR DICT PERFETVO
Rev./-Vénus Vitrix virada à esquerda com uma Vitória na mão direita, cetro na esquerda e escudo cima de um escudo
P. SEPVLLIVS (monetário)
(Ref. Crawford-480/13, CRI- 107d, RSC-39)

Patrício, líder militar e político romano, desempenhou um papel essencial na transformação da República Romana no Império Romano.
O seu destino excepcional marcou o mundo romano e a história universal.
Ambicioso e brilhante, apoiou-se na corrente reformista e demagogista para a sua ascensão política.
Chefe de guerra e hábil estrategista, alargou as fronteiras do Império até ao Reno e ao Atlântico, antes de utilizar as legiões para se emparar do poder e impor-se como  ditador à vida.

Júlio César – Denário legionário cunhado no ano 40 a.C.
Anv./- Busto de César laureado à direita  S C
Rev./-Estandarte legionário cetro e charrua
TI SEMPRONIVOS GRACCVS  Q DESIG
(Ref. Crawford-525/4ª, Sydenham-1129)

Endeusado, foi o seu filho adotivo Octávio (Augusto) que reformou a República Romana para dar lugar ao principado e ao Império Romano.
Suetónio que no início do século II da nossa era  escreveu uma das mais famosas biografias de Júlio César, relata que César faleceu com 56 anos de idade, e foi deificado (DIVINO JÚLIO) não só por decisão dos senadores, mas também segundo a firme convicção de Júlio César.

10-Augusto (Otaviano) e divino César – Duponduo cunhado na Itália no ano 38 a.C
Anv./- Busto de Augusto à direita
DIVI F CAESAR
Rev./-Busto de Júlio César laureado à direita 

Mais tarde a plebe mandou erigir no Foro uma coluna com cerca de 20 pés, em mármore da Numídia com a inscrição: Ao Pai da Nação.
Durante muito anos junto desta estátua, era hábito dos romanos oferecer sacrifícios, pronunciar votos e resolver alguns conflitos, jurando pelo nome de César. 

Não é fácil evocar os sentimentos religiosos de Júlio César, porque durante a sua vida já era considerado um verdadeiro mito literário e político.
A sua fama alcançou-a em grande parte graças aos seus comentários sobre a guerra das Gálias.

Denário em nome de Júlio César, cunhado por Octávio numa oficina móbil na Gália Subalpina no ano 43.aC.
Anv/-Busto de Vénus com diadema à direita
Rev./-Troféu de armas gaulesas composto por uma couraça, escudo e uma zorra na base à esqueda; à direita um escudo e duas lanças
(Ref. Carwford-480/1. Sydenham-1016)  

Foi Hirtius um dos seus tenentes. que  após a morte de César completou a sua obra inacabada, terminando o oitavo e último livro.
Do teste de César, ele disse que «era uma uma verdade admitida por toda a gente que não existe obra tão cuidadosamente escrita e, que ao bom estilo e à elegância natural da expressão, César juntou o talento para explicar os seus planos com uma exatidão absoluta».

Numerosos autores como Salústio, Virgílio, Horácio ou Suetónio, ficaram fascinados por César.
Os maiores biófragos gregos e romanos escreveram a sua vida.
César fascinou e irritou uns e outros. Lucan  aprecia pouco César por o considerar culpado pela guerra civil.

Quanto ao historiador grego Dião Cássio (Bitínia cerca de 155-aprox.229), no início do século III escreveu na sua História Romana o que ele pensa de César: «ninguém se decide  mais espontâneamente que César a cortejar e adular os homens menos considerados, e não recuava perante algum discurso nem qualquer ação para obter o que ambicionava.
Pouco lhe importava rebaixar-se um momento,  se esse gesto  mais tarde servisse a torná-lo mais forte.
Segundo este  historiador, César tem muitos defeitos: além de calculador, ambicioso, arrivista e cínico, também o tratou de populista. 

Como descendente de família patrícia, isto impunha a César uma série de consequência religiosas.
Aquando do funeral da sua tia ele terá pronunciado o seguinte discurso sobre a sua ascendência:
Do lado da minha mãe, a minha tia é descendente dos reis: Do lado do meu pai ela está relacionada com os deuses imortais.

Com efeito, é  de Ancus Marcius que são descendentes os Marcius Rex, e tal era o nome da sua mae; é de Vénus que os Jules são descendentes e nós somos descendentes desse ramo.
Ela junta ao carácter sagrado dos reis que são os mestres dos homens, a santidade dos deuses dos quais relevam mesmo os reis. 

Ignoramos se este discurso foi efetivamente pronunciado por Júlio César, ou se é apenas alguma invenção entre outras, de Suetónio que podemos recordar escreveu um século e meio após a morte de Júlio César.

De qualquer modo as moedas emitidas por César mostram efetivamente que ele assumia plenamente e plublicamente esta ascendência divina e real.
Numa moeda emitida em 47-46 a.C., vemos numa face a cabeça de Vénus, na outra Eneias trasnsportando (o pai) Anquises no ombro.

Júlio César – Denário militar cunhado na África do Norte em 47-46 a.C.
Anv./- Busto de Vénus com uma tira à direita
Rev./-Eneias com o pai Anquises ás costas e paládio na mão direita
(Ref. Crawford-458/1, Sydenham-1013)

No entanto ao considerarmos as suas origens mitológicas, notamos que todas as famílias patrícias da época tinham o seu próprio mito das origens.
A família de César não era nenhuma excepção.
Também se pode dizer que não existe nenhuma separação absoluta entre os fatos políticos religiosos. 

Quanto ao resto, primeiro parece que César terá seguido pelo menos durante algum tempo um caminho religiosamente correto ou seja conforme os deveres de um jovem aristocrata.

Aos 17 anos ele é Flâmine (sacerdote) de Júpiter.
Em 63 a.C., ocasião em que a sua carreira política já se encontra  bem avançada, tentou e obteve o cargo de Grande Pontífice que o propulsou a chefe da religião romana.

Sobre este sujeito, Plutarco e Suetónio, nas suas respetivas biografias concordam que César nao era um candidato iligítimo, mas que também não era o o candidato ideal para suportar este cargo.
Sobretudo as dois  biografistas afirmam que César superou os outros concurrentes, graças ás enormes quantidades de dinheiro que espalhou ao ponto que no dia da sua eleição disse à sua mãe: “Minha mãe, hoje vai ver o seu filho Grande Pontífice, ou então banido” .

Júlio César – denário cunhado em Útica no ano 46 a.C.
Anv./-Ceres com coroa de espigas e brincos à direita
COS TERT DICT ITER
Rev./- Insígnias Pontificaes, Simpulum, aspersor, vaso de sacrifício e lituus
AVGVR PONT MAX
(Ref. Crawford-4671/a, Sydenham-1023)

A crítica feita a César é a sua ambição sem escrúpulos, e o seu despreso pela religião que ele comprou ao preço do ouro.
Ao examinarmos as moedas de César, nada deixa parecer  um comportamento religioso anormal; César apresenta-se voluntariamente como chefe da religião tradicional romana: no reverso duma moeda emitida em 48/49, os elementos do culto, são simpulum, aspersor, vaso de sacrifício et litius são representados.
Este tradicional tema religioso aparece com muita frequência  nas moedas de César, nomeadamente nesta moeda emitida no ano 46 a.C., e muitas outras. 

Será que podemos culpar o Grande Pontífice, por qualquer que sejam  as condições da sua ascenção a esta função, e por ter assumido plenamente o seu papel?
Existe todavia nas moedas  Césarianas um aspecto menos conformista convencional.
Foi César o primeiro dirigente romano (enquanto vivo) a representar a sua efígie em moedas. 

Esta prática foi revolucionária; porque até a esta data só os deuses ou heróis, as figuras  mitológicas e excepcionalmente alguns mortais falecidos depois de um determinado  tempo, podiam ser representados.

César deu então um passo inovador,  mas não gozou muito do privilégio divino de ver o seu retrato nas suas moedas.
A reação republicana que o acusa principalmente de aspirar à realeza, lembrou-lhe a sua condição humana, apunhalando-o mortalmente nos ides de março do ano 44 a.C..
Após a sua morte César foi colocado entre os deuses e tornou-se  DIVIS JVLIVS, o «Divino Júlio».

Denário com a efígie de Julio César, cunhado por Augusto em 19-18 a.C.
Anv./- César laureado à direita
CAESAR AVGVSTVS
Rev./- Estrela com oito raios, um deles é um cometa
DIVVS IVLIV
A cometa de César é conhecida pelos autores antigos como sidus Lulium, (estrela Juliana) ou Caesaris astrum(estrela de César 
(Ref. Choen-98, RIC-253, Giard-1297)

Apesar de alguns sinais aparentemente fortes tais como: a representação do seu retrato em moedas, não temos a certeza se César queria realmente ser considerado como um deus enquanto vivo.
O historiador Velleius Paterculus (Marco Veleio Patérculo ca. 19 a.C.-ca. 31), relata que, quem mais o odiava foi Marco António seu colega durante o consulado, um homem pronto e disposto a qualquer ousadia.

Quando César estava sentado na rostra (rostrum, um pódio), aquando das celebrações das Festas Lupercais e Marco António lhe  colocou na cabeça a insignia da realeza na cabeça, ele empurrou-o mas não ficou ofendido. 

Júlio César – Denário emitido na Gália Subalpina por Marco António, no ano 43 a.C.
Anv./- Busto de Marco António à direita e lituus
M. ANTON
Rev./-Busto de Júlio César laureado à direita
CAESAR DIC
(Crawford-488/1, Sydenham-1165

Suetónio também evoca o mesmo episódio, e mostra que a opinião pública romana perante a ascenção de César, se interroga sobre os seus objetivos, e suspeitava que ele aspira ser rei de Roma.
Ele mesmo não consegue dissipar a suspeita da sua ambição; cependente um dia quando a multidão o saudou com esse nome, ele respondeu «que era César, não rei» e aquando das Lupercais na Tribuna da Arenga, ele rejeitou o diadema que o consul Marco António tentou várias vezes por-lhe na cabeça e pediu que o levassem à colina do Capitólio, ao  templo de Júpiter: o Bom, o Grande. 

A significação do diadema é política e religiosa: César ofereceu o diadema que recusou para ele mesmo  a Júpiter, um verdadeiro deus.
Além disso,  Suetónio escreveu sobre César que ele passa por ter abusado do poder e merecia ser assassinado.
Com efeito, na verdade não é suficiente aceitar as honras excessivas como aconteceu durante muitos consulados, que se seguiram a ditadura e a prefeitura dos costumos à vida, sem contar o prenome do imperador, o sobrenome de Pai da Pátria, uma estátua entre os reis, mas ele ainda permite atribuir-se prerrogativas que o elevam ao topo da humanidade.   

Júlio César – Denário cunhado em Roma em abril do ano 44 a.C
Anv./-Busto de César velado e laureado à direita
PARENS PATRIAE CAESAR
Rev./-C COS S SVTIVS AAR DIANVS, no campo, A A A F F
(Ref. Crawford-480/19, Sydenham-1069)

César tinha  no Senado e no seu tribunal um assento em ouro, uma biga e uma maca na procissao dos jogos do circo. Templos, altares, estátuas ao lado dos deuses, uma padiola de desfile , era Flâmine (em latim: Flamen)  na religiao romana, um sacerdote a quem era designado um dos deuses ou deusas patrocionados pelo Estado.), e deu o seu nome a um mês do ano, JULIU.

Além disso, não existiu nenhuma magistratura que ele não se atribuísse segundo a sua fantasia. (Suet., Caes 76).
Após tudo isto vemos que Suetónio pensava bem o que dizia, que César mereceu ser assassinado: que ele tivesse tido ou não a intenção de se fazer passar por um deus vivo, ele abusou de todas as formas do poder.

Finalmente os autores antigos também fazem a César censuras de ordem religosa.
César era agressivo e sacrilégio: como vimos, teria comprado o cargo de Grande Pontífice.
Em suma, ele terá instrumentalizado a religião para conseguir os seus objetivos políticos.
A prova de que César se serve da religião, Plutarco encontra-a na maneira como César se comportou perante os Germanos de Ariovisto (foi o chefe do povo germânico dos suevos), 101-cerca de 54 a.C.) durante a guerra das Gálias.

·                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      Júlio César – Denário cunhado em Roma  no ano 44 a.C.
Anv./-César laureado à direita, simpulum e litius
CAESAR IMP
Rev./-Vénus em pé à esquerda com uma Vitória na mão direita, lança e escudo na esquerda. no campo G
M. METTIVS
(Ref. Crawford-480/3, CRI-100)

Segundo Plutarco o ardor ao combate dos germanos é confuso devido às predicações das suas sacerdotisas que pretendem conhecer o futuro pelo barulho da àgua, pelos turbilhão que elas fazem nos rios, e dizem para que nao iniciem o combate antes da lua nova.

César ciente desta predição e vendo os bárbaros indecisos, pensou que a melhor maneira de ganhar a batalha era de os irritar com algumas pequenas incursõs  e não aguardar o momento que lhes seria favorável.
Esta provocação irritou-os  tanto que eles esqueceram os conselhos das sacerdotisas e desceram dos seus refúgios na montanha para afrontar os romanos.
César não respeitou nada, nem sequer a supertição dos bárbaros o que lhe valeu a vitória militar. 

Geralmente os autores antigos concordam que César  nao respeitava nem os preságios nem os muitos sinais enviados pelos deuses.
Os exemplos são muitos. Suetónio  conta que «nenhum escrúpulo religioso lhe fazia abandonar ou diferer alguma das suas empresas ideias».
Apesar de uma vítima ter fugido- Quando uma vítima fugiu- Ainda que a vítima figisse no momento em que ele se preparava para a imolar, ele nao adiou a sua expedição contra Cipião e Juba. Mais no momento do desembarque César caiu, e virando o presságio a seu favor disse: «África conquistei-te» (Suet., Caes., 59).

Mais César teve a insolência de dizer ao ouvir um dia  um Arúspice (nome dado aos antigos sacerdotes romanos que adivinhavam o futuro mediante o exame das entranhas das vítimas) anunciar que os presságios eram fatais e que a vítima não tinha coração: «eles serão mais favoráveis quando eu quizer  e que não se deve  ter como prodígio um animal que não tem coração. 
Esta citação refere-se a uma piada duvidosa e sacrilégio, no mais puro estilo Suetoniano.

Embora se possa duvidar da sua autenticidade, que, no entanto expressa uma ideia importante: César não respeitava as mensagens divinas.
Segundo Valleius Paterculus esta incredulidade, esta cegueira, causou mesmo a sua perca.

Os deuses imortais tinham-lhe portanto enviado bons presságios e sinais do perigo que o ameaçava, e os Arúspices avisaram-no para que desconfiasse dos ides de Março.
Calpúrnia sua esposa assustada com uma visão noturna, implorou-o para que ficasse em casa esse dia.
Enfim entregaram-lhe alguns bilhetes que ele não chegou a ler, para o avisar da conspiração.

Aconteceu o inevitável, a força que distorce o julgamento daquele que quer mudar o destino. 

Esta moeda tem no anverso a efígie de Bruto à direita e a legenda
BRVT IMP L PLAET CEST
O reverso mostra-nos um boné frígio “sinal da liberdade” que era dado aos escravos livres, ladeado por dois punhais.
Isto assinala a intenção de Bruto de libertar Roma das ambições imperiais de Júlio César, e as armas destinadas para concluir este acto. Em baixo a data da morte de César: EID MAR – Idos de Março.
(Ref. RSC-15, Sear-1439, Sydenham-1301)

(O calendário romano regia-se por três datas fixas: calendas nonas e idos, com base nas fases da lua.
Os idos são a meio do mês, precisamente  15 de março, maio, julho e outubro, e dia 13 nos restantes meses).

Plutarco e Suetónio não têm um discurso diferente: apesar de ter sido avisado pelos deuses, César morreu. 
Finalmente podemos ter a impressão que César grande estratégista  e grande político, tenha cometido grandes erros de apreciação quanto às crenças religiosas dos seus contemporâneos, o que acabou por ocasionar a sua morte.
Mas ao afirmar isto todavia não respondo à questão inicial.
“César queria realmente ser considerado como um deus vivo”?

Os autores antigos refletem essa desordem e eventualmente as suas próprias crenças; mas que sabemos nós exactamente  sobre as idéias religiosas de César?
Salústio e Cícero divulgam o pensamento de César que, aquando do julgamento da conjuração de Catilina (político romano) no ano 63 a.C. perante o Senado disse.

Há quem pense que os conjurados devem ser executados . César por sua vez  rejeita a pene de morte por estar convencido que os deuses não quiseram fazer da morte um castigo, mas, que porque ela é a lei da natureza, o termo dos trabalhos e da misérias.
Assim o homem digno sage nunca a rejeita e o corajoso vai muitas vezes ao seu encontro.
(Lúcio Sérgio Catilina, 108-62 a.C., homem político romano conhecido por duas conjurações para derrubar o Senado da República Romana).

Não há dúvida que os ferros foram inventados para castigar alguém que cometa qualquer injustiça.
Melhor ainda, Salústio cita diretamente o discurso de César no Senado contra a pena de morte e terá declarado o seguinte: quanto ao castigo eu tenho,  penso  o direito de dizer o que é.
O luto, a miséria e a morte põe fim  a todas as infortunas e depois não há espaço para a preocupação nem alegria, (Salústio, Conjuração de Catilina LI).
Salústio e Cícero tiveram o mesmo pensamento que podemos resumir assim.
Depois da vida nada, e assim compreendemos melhor as atitudes de César e as incertezas dúvidas dos seus contemporâneos.

Para aprofundar o pensamento de César dispomos  também dos seus próprios escritos, a Guerra das Gálias e a Guerra Civil.
É certo que nestas obras César não fala das suas opiniões religiosas, mas dá indiretamente alguns elementos do seu pensamento.

Júlio César – Denário cunhado em Espanha em 46-45 a.C.
Anv./-busto de Vénus com diadema e colar: Cupido no seu ombro direito
Rev./-Cativos gauleses sentados por baixo de um troféu de armas gaulês
CAESAR
(Ref. Crawford-468/1, Sydenham-1014)

Podemos observar um certo afastamento de César em tudo que diz respeito à religião.
Ele descreve a religião dos gauleses ou alemães tal como um etnógrafo sem nenhuma preferência. (BG, VI, 13-14-16-18-21).
Para ele as crenças religiosas nunca são um obstáculo ás suas ações: não é questão ter em conta os presságios e augúrios como já nos demos conta.

Aos temores supersticiosos dos homens, ele responde com discursos racionais e desmistifica tanto quanto ele pode.   
Eventualmente César que conhece a facilidade dos homens a crerem no que eles querem (BG, III, 18,) utiliza estas crenças a seu favor. Em assuntos religiosos César é partidário do ceticismo. 
Assim quando Dunorix se recusa a embarcar com César para a Bretânia alegando razões religiosas, César que não acredita riu-se.
César cético, distante, e por vezes cínico, acreditará em deus, ou nos deuses do panteão romano?
Ele evoca raramente os deuses imortais e, quando o faz é para animar  o moral dos soldados após alguma desfeita, porque eles creem na existência dos deuses imortais .

Aqui mais uma vez César se serve da religião para seu interesse.
Os deuses imortais também aparecem na descrição da  religião gaulesa ou ainda como estátuas nos templos. 
César ao que parece não é politeísta. Será que ele acredita em deus?
Ele não acredita num deus único tipo judaico-cristã. O seu deus é uma mulher: a Fortuna cujo a nome aparece com muita frequência nos seus escritos.

A religião de César é um sentimento do destino que podemos resumir assim.
«Ajuda-te a ti mesmo e a Fortuna te ajudará... ou não».
Quanto à vida após a morte, César não acreditava o que explica a sua perseverança para obter de bons resultados políticos ou outros enquanto vivo.

À questão se César quis mesmo ser un deus, não podemos dizer nada, porque na sua «religião» pessoal nada se opunha.

Tempo de Júlio César
Otaviano – Denário, (oficina ambulante) cunhado em 39 a.C.
Anv/- Otaviano cabeça nua à direita
IMP CAESAR DIVI F III VIR ITER RPC
Rev./-Templo tetrastile encimado por uma estrela, na arquitrave com a legenda, DIVO IVL, ao centro figura a estátua de Júlio César. À esqueda altar aceso
Ref. Crawford-540/2, Sydenham-1338, Babelon-139, Sear-1545)

MGeada

Bibliografia
Bello Gallico; a Guerra das Gálias; edição digital-50.
Henri Plon, imprimeur éditeur: Histoire de Jules César, vol. 1 et 2, 1865.
Jean Malye ; La Véritable Histoire de Jules César, edition les Belles Lettres Paris 16-02-2017.
Jérôme Carcopino; Caio Júlio César, edição: Publicações Europa América.
Jesus Maeso de la Torre; Las Lágrimas de Júlio César (em espanhol)– outubro 2017
Joel Schmidt, (tradutor Neves Paulo); Júlio César, editora L & PM- Brasil 2006.
Luciano Canfora; Júlio César, um dictador democrático, impressão digital- 07-11-2000.
Victor Raquel; A guerra das Gálias, “Júlio César” - edições Silabo – 04-2004

Dião Cássio – L37.
Plutarco – Caes – 7, Caes – 21.
Suetónio Caes – 6, Caes - 77, Caes – 79, Caes – 85,  Caes – 87: (Caes = César).
Victor Raquel; A guerra das Gálias, “Júlio César” - edições Silabo – 04-2004

https://fr.wikipedia.org/wiki/Jules_C%C3%A9sar
https://www.iletaitunehistoire.com/genres/documentaires/lire/jules-cesar-bibliddoc_001

terça-feira, 28 de agosto de 2018


Moedas antigas gregas, assinadas pelos gravadores de cunhos.

Depois do século VII a.C., foram cunhados milhões de tipos de moedas.
A maioria dessas peças não foram assinadas pelos seus autores; no entanto, este acto que consiste a assinar uma moeda com o seu nome, do mesmo modo que um grande mestre de pintura assina o seu quadro, começou a ser praticada muito cedo pelos gravadores de cunhos de moedas gregas.

Naturalmente, foi a qualidade excepcional do trabalho desses gravadores, que lhes deu a possibilidade de assinar as suas obras. Vamos mostrar aqui uma breve visão geral desta prática, e alguns exemplos de moedas gregas assinadas pelos seus autores.

                                            
Sicília – Tetradrachma assinado por Euthidamos e Euménes cunhado em Siracusa, 415-410 a.C.
Anv./- Quadriga galopando para a direita, Niké voando para a esquerda coroando o auriga: no exergo, Cila nadando para a direita e golfinho;
(Na mitologia grega segundo Homero e Ovídeo , Cila era uma bela ninfa que se transformou em monstro marinho).
Rev./- Aretusa à esquerda rodeada por quatro golfinhos, com o cabelo ornamentado com espigas de trigo, colar, brincos, e assinaturas.
(Ref. Tuder 46 (A/15 – R/28), MIAMG-4951)
(Filha de Néreu, e mãe de Abas  filho de Netuno, Aretusa faz parte do cortejo de Artemis. Deusa da primavera, também ligada à vida selvagem e à caça)

Sicília – Decadrachme assinado por Kimon, cunhado em Siracusa 405-400 a.C.
Anv./- Quadriga galopando para a esquerda, uma Vitória coroando o auriga e troféu militar;
Rev/-Ninfa Aretusa à esquerda, rodeada por quatro golfinhos, com uma fita nos cabelos com a assinatura do gravador KI(mon), brincos e colar de pérolas.
(Ref. exemplar do museu de Berlim)

Com um peso de + ou – de 43,13grs., e um diâmetro de 35mm, o decadrachma de Siracusa é a maior moeda de prata da antiga Sicília.
O decadrachma não era destinado ao uso diàrio mas, a grandes negócios como a compra de madeira para construção naval e outros.

As assinaturas nas moedas gregas recolhidas na sua apogeu, permite-nos levantar o véu sobre a vida tão obscura dos gravadores, mostrando-nos os mais famosos de entre eles concorrendo ao mesmo tema, como se um esboço oficial lhes fosse imposto préviamente para uma exposição pública.
Estes artistas por vezes eram chamados para longe da sua terra natal, pelas diversas cidades que competem pelo seu talento e solicitam o seu cinzel.

Por exemplo: de Siracusa Evenéte passou por Evanete (cidade), Catânia, Camarina e Régio (na Calábria). Kimon Siracusa, Procles, trabalhou para Catãnia e Naxos; Aristoxéne para Metaponte e Heracleia.
Aconteceu que por vezes dois artistas colaborassem na gravação da mesma peça exemplo: Frígilo e Euarchidas em Siracusa e outros .

Resumo: quando vemos num medalheiro essas jóias inestimáveis com os nomes de Kimon, Evenéte, Eucleidas, Eumenes, Frígilo, Exaskestida e muitos outros, é-nos permitido comparar e discutir o seu estilo, o seu mérito, exactamente como nós julgamos as obras que os artistas contemporâneos nos mostram nas suas exposições.

Decadrachma assinado por Evenéte cunhado em Siracusa cerca do ano 400 a. C.
Anv/-quadriga galopando para a esquerda, Niké voando para a direita coroando o  auriga; no exergo troféu de armas constituído por uma couraça entre duas grevas, um escudo e um capaceto;
Rev./- Ninfa Aretusa à esquerda, coroada com espigas, bricos, colar, rodeada por quatro golfinhos, e assinatura sob o golfinho por baixo do pescoço.

Na Grécia Antiga, o par de grevas que equipava o hoplita (soldado de infantaria da Grécia), para proteger as canelas, denominava-se cnémide, era fabricado em bronze ou latão para os soldados. Para reis e generais, podiam ser em prata ou ouro, e possuiam forro de couro ou feltro.

Contexto histórico

A emissão destas moedas de prestígio, terá sido motivada pela comemoração da vitória de Siracusa sobre Atenas no ano 403 a. C.. O troféu de armas depositado sob a quadriga ilustra essa vitória.
Elas foram presumivelmente concedidas aos vencedores dos chamados jogos Atléticos dos Assinaros, organizados para celebrar essa vitória mas, elas também teriam respondido aos objectivos hegemônicos (do tirano da colónia grega de Siracusa)  Dionísio I (o Velho), nascido em 431, e falecido em 367 a.C., que queria tornar Siracusa em capital do mundo grego, após a queda de Atenas no ano 404 a.C..

Desde sempre, o decadrachma de Siracusa tem sido considerado como a obra-prima da numismática desde os tempos antigos e, ainda hoje permanece uma peça mítica, cujo preço em vendas públicas alcança recordes, para os exemplares em bom estado de conservação.

Uma das mais belas e importante moeda do mundo grego, uma celebração da beleza feminina, o decadrachma gravado por Evenéte, foi rápidamente imitado por outros artistas que trabalhavam para outras cidades, mas poucos alcançaram esta perfeição.
O retrato da ninfa Aretusa representa, o apogeu grego da beleza e um magnífico símbolo da liberdade.

Filha de Néreu e Doris, Aretusa segundo a lenda foi perseguida por Alfeu loucamente apaixonado por ela. Socorrida por golfinhos, ela conseguiu escapar-lhe: chegada em frente da ilha Ortiga, nas proximidades de Siracusa, Aretusa pediu ajuda à deusa Artemis que a transformou numa nascente que desde então se tornou o símbolo da cidade.

Sicília - segunda democracia (466-405), Tetradrachma cunhado em Siracusa por cerca do ano 415 a.C., assinado no anverso por  Frígilo e no reverso por Euarchidas.
Anv./- Quadriga galopando para a esquerda, conduzida por um auriga, este a ser coroado por uma Vitória, espiga e assinatura;
Rev./- Ninfa Aretusa com diadema e brincos, rodeada por quatro golfinhos e assinatura.
(Ref. Tuder 49 (V I -6/R30, SNG ANS- -276, BMC-159, Boston MFA-409)  

Sicília –Tetradrachma assinado por Euménes, cunhado em Siracusa, 415-405 a.C.
Anv./- Quadriga galopando para a esquerda conduzida por um auriga, este a ser coroado por uma Vitória voando para a direita, golfinho perseguindo um peixe;
Rev./- Aretusa à esquerda com brincos e colar, rodeada por quatro golfinhos, e assinatura.
(Ref. SNG ANS-264, SNG Lokett-963, weber-1597)

Sicília – Tetradrachma assinado por Euthidamos e Euménes, cunhado em Siracusa, 415-410 a.C.
Anv,/- Quadriga galopando para a direita, Niké voando para a esquerda coroando o auriga; no exergo, Cila nadando para a direita e golfinho;
Rev./- Aretusa à esquerda rodeada por quatro golfinhos, o cabelo ornamentado com espigas de trigo, colar e brincos.
(Ref. Tudeer 46 (A/15, - R/28, ANS- 273, MIANG-4951)

(Uma das muitas versões diz-nos que Cila era filha de Fórcis e Hécate ou ainda de Lâmia. Tal como acontece com a maioria dos deuses marinhos, por vezes também dizem ser  filha de Tifão e Equidna; Higino diz que ela foi morta por Hércules).

Sicília – sob o reinado de Dionísio I, 405-367 a.C.
Tetradrachma “assinado duas vezes por Kimon”, cunhado em Siracusa no ano 405 a.C.
Anv./- Aretusa virada ligeiramente à esquerda, com colar de pérolas e diadema no qual está inscrito o nome do gravador, K(IMΩ)N, e três golfinhos:
Rev. Quadriga galopando para a esquerda, Niké voando para a direita coroando o auriga. No exergo, a assinatura completa do artista Kimon e espiga de trigo.
(Ref. Jameson coll.-1835, SNG-Oxford- 2004, Nanteuil coll.-358)
(Raríssimo, sómente 5 exemplares conhecidos).

Sicília – Decadrachma cunhado em Siracusa assinado por Evenéte, 400-380 a.C.
Anv/- Quadriga galopando para a esquerda conduzida por um auriga a ser coroado por uma Vitória vo ando para a direita. No exergo, troféu de armas constituído por duas grevas, uma couraça e capacete;
Rev/- Aretusa à esquerda com uma coroa de espigas de trigo, brincos colar, quatro golfinhos, e assinatura sob o golfinho da situado por baixo da cabeça da ninfa.
(Ref. MIANG-4845 var., Dewing-876 A/3-R2)

MGeada

Bibliografia 

Artur John Evans; Siracusa- Medalhas de Siracusa e seus gravadores, crónica numismática,1891, pag. 275-376.
Dominique Gerin, Catherine Grandjean; La Monnaie Grecque – Paris 2011.
François Rebuffat : La Monnaie dans l’Antiquité, Paris 1996
Hèlene Nicolet Pierre ; Numismatique Grecque – Paris 2002
Jean Bruno Vigne ; La Vie des Monnaies Grecques-collection et placement – Paris, 01-01-1998.
Internet