domingo, 25 de novembro de 2018




Breve resumo das guerras romano-partas

Durante quase três séculos, Romanos e Partos guerrearam-se  pelo controlo  da Armênia, Síria e Mesopotânia.
O primeiro grande evento que marcou este conflito, foi a  derrota de Crasso contra os partos quando este ambicionava  conquistar a Mesopotânia na batalha de Carras no ano 53 a.C. (atual Harã na Turquia).

Esta foi uma das muitas batalhas entre a República Romana e o Império Parta, em que o comandante parta Surena, esmagou a força invasora romana comandada pelo general Marco Licínio Crasso.
Esta foi uma das maiores derrotas sofrida pelos romanos na qual o general perdeu as águias, símbolos das suas legiões.

Alguns anos depois no ano 40 a.C., Orodes II e seu filho Pácoro (que mais tarde governou como Pácoro I), juntamente com seu pai, invadiram a Síria, uma província romana após as conquistas de Pompeio e depois a Judeia.

O exército parta então dirigido por Pácoro I e Tito Labieno, (soldado professional romano), que se aliou com os partos e os serviu após o assassinato de Júlio César.

Quanto aos romanos, Marco António atacou a Arménia e Medos: uma das tribos de origem ariana que migraram da Ásia Cental, para o planalto iraniano.
No início vitorioso, a sua campanha virou desastre no ano 36 a.C..
Augusto que compreendeu que estava lidando com um adversário importante com os partos, preferiu desistir do confronto e escolheu a diplomacia.

No ano 20 a.C., ele assinou com Fraates IV um pacto de amizade que fixou o rio Eufrates como fronteira entre os dois impérios,  como sinal de boa vontade, restituiu as águias tomadas a Crasso na batalha de Carras no ano 53, e permitiu o regresso dos prisioneiros romanos.
Algumas moedas de Augusto comemoram este invento

Augusto – Denário cunhado em Roma pelo monetário Ferónia no ano 19 a.C.
Anv./-Ferónia busto drapeado, com diadema à direita,
TVRPILLIANS III VIR FERON  
Rev./-Parta de cabeça descoberta, ajoelhado à direita, segurando o vexilo marcado com um X
CAESAR AVGVSTVS SING RECE
(Ref. RIC I-288, BMCRE-14, RSC-484)

(Vexilo: em latin vexillum, era um objeto em forma de bandeira utilizado no período clássico do Império Romano como estandarte).

Em troca Augusto ofereceu a Fraates IV, uma escrava italiana, “Musa”, com a qual casou e teve um filho, “Fraates V”, mais conhecido por Fraataces que governou o império de 02 a.C. a 4 d.C..
Era o filho mais novo de Fraates IV. Em algumas moedas apresenta-se associado à sua mãe Musa.

Musa intriga e obtém que os outros filhos de Fraates sejam enviados para Roma.
Então afim de  não derrogar as tradições agora bem estabelecidas, Musa envenenou o seu esposo. e depois de casar com o seu filho Fraates V, instalou-se no trono e governou em seu nome.
Fraates V e Musa – Drachma, 03 a.C. – 02 d.C.
Anv./-Busto do rei à esquerda a ser coroado por duas Vitórias
Rev./-Busto da rainha à esquerda,
θEAC  OYPANIAC MOYCHC BACIΛICCHC
(Ref. BMC-25, Mitchiner-608)

Musa foi a única rainha parta a ser representada em raríssimas moedas de prata, muito procuradas pelos colecionadores.
Drachmas portadores da efígie de Fraates e Musa, também foram emitidos pelas cidades de Ecbátana Rhagae (ou Rhaganae) em número consideravelmente menor.
Tetradrachmas também muito raros foram cunhados em Selêucia e alguns pequenos bronzes em Ecbátana. 

Ao usar uma tiara ricamente decorada, Musa exibe inequivocamente sua qualidade de rainha.
ƟEAC  OYPANIAC MOYCHC BACIΛICCHC (Deusa Urânia - Rainha Musa) rodeia a imagem de Musa em drachmas de Ecbátana, (a titelature do drachma de Ray ou Rages também difere um pouco.
A alusão à musa Urânia pode surpreender, mas não é un caso único no mundo oriental nos nossos dias.

A irmã e esposa de Tigranes IV da Armênia, contemporâneo de Musa, identificou-se à musa Erato (musa da poesia românica), e a esposa do rei Bactriana Hermaios, tomou o nome de Calíope. (Esta foi a primeira das nove musas da mitologia grega, filhas de Zeus e Mnemosine).

Quando Vonones I, (também denominado Vonones I de Pártia) filho primogénito de Fraates IV, regressou de Roma (onde passou algum tempo para assegurar a sucessão ((após o reinado efémero de Orodes III)), o seu comportamento manifestamente  ocidentalizado, depressa desiludiu a aristocracia parta que o tinha chamado.

Nas suas moedas o rei é representado com cabelos curtos à moda romana, e uma legenda circular com o seu nome, exatamente como nos denários romanos.  
Mais, ao meter Nike no reverso da moeda, em vez do tradicional rei sentado com um arco na mão, Vonones I se desmarca completamente dos seus antecessores, uma decisão que não teve o sucesso que ele esperava!

Vovones 1 – Drachma cunhado em Ecbátana por cerca de 8-12 a.C.
Anv./-Busto do rei à esquerda de barba afilada e cabelo curto
BAΣIΛΣ ONΩNHΣ
Rev./-Niké à esquerda com uma palma na mão
BAΣIVEYΣ  ONΩNHΣ  NEIKHΣAΣ  APTABAN(ON)
(Ref. Sellwood-60-5, Shore-329

Romanos e Partos continuam a se disputar a Armênia que como Palmira desempenha um rolo principal entre as duas potências.
No ano 59, Cneu Domício “Córbulo” um general do imperador Nero, conseguiu devastar a Armênia, e ali instalou um príncipe para representar Roma.

Vologases que no início concordou, quando finalmente se envolveu no conflito, um acordo inesperado foi concluído entre vologases e Nero.
Foi o imperador Nero que coroou “Tirídates “, irmão de Vologases como rei da Armênia, seguido por um longo período de paz.

Nero – Áureo cunhado em Roma em 64-65
Anv./-Nero laureado à direita
NERO CAESAR AVGVSTVS
Rev./-Templo de Jano (deus representado com dois rostos) com as portas fechadas 
IANVM CLVSIT PACE P R TERRA MARIQ PARTA
(RIC-50, Cohen-114, BMCRE-64, CNB-211, RCTV-1929)

O templo de Jano só fechava as portas em raras ocasiões: “em tempo de paz com o resto do mundo”. As portas eram abertas em tempo de guerra, para que o deus pudessesse sair em socorro dos romanos.
Por ser representado com dois rostos, Jano também era considerado o deus das portas, porque também há duas possibilidades de abrir uma porta.

Entre o reinado de Numa Pompílio (segundo rei lendário de Roma, 715-672 a.C.,) e o reinado de de Augusto, 27 a.C.-14 d.C, as portas só foram fechadas duas vezes e apenas nove em mil anos.

Jano

No ano 114, o imperador Trajano lançou uma nova ofensiva contra os partos.
Começou por invadir a Armênia,depois em 116, depôs Cosroes I e emparou-se de Ctesifonte, a capital Parta.
Há um áureo com a legenda “PARTHIA CAPTA”, um exagero porque Trajano so controlou a Mesopotâmia.

Trajano – Áureo comemorativo cunhado entre fevereiro e setembro do ano 116
Anv./-Trajano laureado à direita
IMP CAES NER TRAIAN OPTIM AVG GER DAC PARTHICO
Rev. Dois cativos em atitude triste, sentados em cima de um escudo entre um troféu de armas composto por um capaceto, couraça, dois escudos e um globo. Em frente de cada prisioneiro um arco e aljava.
Legenda circular PM  TR P COS VI PP SPOR
Por baixo dos prisioneiros a legenda
PARHTIA CAPTA
(Rev. RIC II-325, Calicó-1037, Woytek-560t I var. BNC-864var.)

Os partos fiéis a Cosroes I, reuniram as suas forças contra Trajano que não conseguiu manter a sua posição durante muito tempo.
Antes de ser obrigado a recuar e ali perder a vida, Trajano colocou no trono da Pártia “Partamaspates”um rei fantoche escolhido por Roma.
Um sestércio cunhado cunhado por Trajano no ano116, com a legenda no reverso “REX PARTHIS DATHIS”, faz alusão a este evento).

Trajano – Sestércio cunhado em Roma no ano 116
Anv./-Trajano laureado e drapeado à direita
IMP CAES NERO AVG GER DAC PARTHICO PM COS VI PP
Rev/-Trajano sentado numa plataforma com um militar à sua direita coroando Partamaspates: um parto ajoelhado diante do novo rei.
REX PARTHIS DATHIS  SC
(Ref. RIC-667, Cohen-328, BMC-1046, sEAR-3191)


Partamaspates – Drachma cunhado (possivelmente em Ekbatana) no ano 216
Anv./- Partamaspates à esquerda com a tiara ornamentada com estrelas
Rev./-Arqueiro sentado num trono com um arco; legenda grega ilisível, no campo AΓT
(Ref. Sear-5848, BMC-23,201)

O imperador Trajano preferiu assinar a paz e abandonar as conquistas de Trajano.
A retomada das hostilidades ocorreu em 162, novamente com a Armênia como pretexto.
Vologases IV da Pártia, depois de se ocupar da Arménia invadiu a Síria
Marco Aurélio enviou Lúcio Vero para o Oriente
Entretanto uma epidemia de peste devastou o exército o exército Parta.
Mais uma vez a Ermênia se encontrou sob o domínio romano, e Avidus Cassius (um general de Lúcio Vero), aventurou-se até Ctessifonte que ele submeteu em 165

O imperador Adriano preferiu assinar a paz e abandonar as conquistas de Trajano.
A retomada das hostilidades ocorreu em 162, novamente com a Armênia como protexto
Marco Aurélio enviou Lúcio Vero para o Oriente.
Vologases IV da Pártia, depois de se ocupar da Arménia invadiu a Síria.

Entretanto uma epidemia de peste devastou o exército Parta.
Mais uma vez a Armênia se encontrou sob o domínio romano, e Avidus Cassius (um general de Lúcio Vero), aventurou-se até a Ctessifonte que ele submeteu no ano 165.

Os romanos por sua são afetados pela epidemia da peste quando atacavam medos, e foram obrigados a recuar.
Os partos muito afetados e fracos, resolveram abandonar a parte ocidental da Mesopotâmia aos romanos, Um enésimo tratado de paz foi assinado , e a calma manteve-se até 192.

Embora não tivessem participado pessoalmente nestas operações militares, Lúcio Vero e  Marco Aurélio foram recompensados com os títulos de Armenicus e Parthicus e, para comemorar este evento, um grandioso festejo foi celebrado em Roma em outubro de 166.


Lúcio Vero – Denário cunhado em Roma em 165
Anv./-Lúcio Vero cabeça nua a direita
L VERVS AVG ARM PARTH MAX
Rev./-Parta sentado à direita com as mãos amarradas atrás das costas,  aljava, arco e escudo
TR P V IMP III COS II
(Ref. RIC-514, RSC-274ª)


Marco Aurélio – Áureo cunhado em Roma em 166-167
Anv./-marco Aurélio laureado à direita
M ANTONINVS AVG ARM PARTH MAX
Rev./-Vitória caminhando para a esquerda com uma coroa na mão direita e ima palma na esquerda
TR P XII IMP V COS III
 (Ref. RIC-194, Sear-4871, BMC-471)

No ano 193, Pescênio Níger é proclamado imperador em Antióquia.
Ele tem o apoio das cidades sírias ricas, e obtém a aliança de Vologases V na luta contra Septímio Severo pelo trono romano.
Na verdade, esta aliança continua a ser uma mascarada, Niger foi excluído e Septímio Severo submeteu a Síria.


Vologases V – (191/208), Tetradrchma cunhado em Selêucia ?
Anv./-Vologases à esquerda
Rev./- Tique (ou Tiké) em pé, oferecendo um diadema ao rei sentado num trono
BACIΛEώC BACIΛEώN / APCAKOY OΛOΓACOY / AIKAIOY / EΠIФANOYC
(Ref. Venda CNG 94 Nº 827

Uma vez só a governar, Septímio utilizou o protexto dessa aliança com o seu rival para iniciar uma nova guerra contra os Partos.
Vologases V, ocupado com as brigas internas no seu império, não conseguiu impedir o progresso dos romanos.

Septímio Severo tomou e saqueou Ctesifonte em 198, mas foi obrigado a abandonar a cidade antes da ofensiva parta e, para evitar um combate incerto, foi forçado a restituir prisioneiros e o fruto do saque.


Septímio Severo – Àureo cunhado em Roma, 198-200
Anv./- Septímio laureado e drapeado à direita
L SEPT SEV AVG IMP XI PART MAX ;
Rev./-Vitória com uma grinalda e um troféu avançando para a esquerda: aos seus pés um cativo sentado
VICT P-AR-T-HI-C-AE
(Ref. RIC IV-142b, Cohen-741v)


Septímio Severo e Caracala – Áureo cunhado em Roma 201-202
Anv. Busto de Septímio e Caracala laureados e drapeados
IMPP INVICTI PII AVGG;
Rev. Vitória com uma grinalda e uma palma avançando para a eaquerda
VICTORIA PARTHICA MAXIMA
(Ref. RIC-311, Sear-6516, BMC-265)

Após a morte de Velogases V, os seus dois filhos Velogases VI e Artabano IV, querelam-se pelo poder. Esta nova disputa de sucessão anuncia a agonia da dinastia Arsácida  da Pártia.


Velogases VI (208-228) – Drachma
Anv. Busto do rei à esquerda
Rev./- Rei sentado, com um um arco na mão e legendas ilisíveis
(Ref. Venda Triskeles 9, Nº 42)


Artabano IV – Drachma, reinou de 213 a 224
Anv./- Busto do rei à esquerda
Rev, Rei sentado com um arco na mão, legendas partas ilisíveis
Artabano IV, foi o último rei dos partos da Dinastia Arsácida

No ano 216 Caracala que por sua vez sonha com sucessos fácies, aproveitou a oportunidade para iniciar uma campanha no Oriente.
Para poder entrar na Mesopotâmia com seu exército, Caracala simulou o desejo de selar a paz com os partos, com uma união com a filha de Artabano IV, aliança que este rejeitou.

Nesta contenda Caracala atacou à traição, e Artabano conseguiu escapar à morte, por pouco.
O Estado-Maior Romano para se livrar dum líder abominável e, para se proteger contra a  ira dos Partos, mandou assassinar Caracala e proclamou Macrino imperador.
Após a morte de Caracala, Artabano concluíu  um breve acordo de paz com o seu sucessor Macrino.


Caracala – Antoniniano de prata cunhado em Roma, cerca de 217
Anv./-Caracala com coroa radiada e drapeado à direita
ANTONINVS AVG GERM;
VICT PARTHICA
Rev./-Vitória sentada numa couraça à direita, segurando um escudo com a inscrição VO XX, en duas linhas
(Ref. RIC-314b, RSC-656c)
Artabano IV que esperava uma nova oportunidade. precipitou-se sobre Macrino, e os romanos só limitaram o desastre ao preço de uma capitulação e um pesado tributo.
No entanto, esta desfeita não impediu Macrino de proclamar a sua vitória sobre os Partos no reverso da suas moedas, o que relativiza um pouco a credibilidade da numismática! 


Macrino – Asse cunhado em Roma em 218
Anv./-Macrino laureado e drapeado à direita
IMP CAES  M OPEL SEV MACRINVS AVG
Rev./- Vitória à direita, sentada numa couraça com um escudo na mão esquerda
VICT PARTIE P M TR P  SC
(Ref. RIC-166, Cohen-140, BMC-135)

Para concluir estes conflitos entre romanos e partos, embora cidades importantes como Ctesifonte ou Cêleucia tenham sido várias vezes dominadas pelos romanos, todas as tentativas de se impor no Oriente fracassaram. Mesmo a simples questão da Armênia nunca foi resolvida de mode permanente.

Quanto aos partos, os sucessivos confrontos com os romanos aos poucos arruinaram a economia do Império, favorecendo as disputas dinásticas e minando o poder central em benefício das ambições dos príncipes locais.

Aproveitando a rivalidade entre os sucessores de Velogases V, Artaxes I (224-241), tornou-se mestre da província de Fars (ou Pars,  Perside).
Artabano IV, morreu em combate no ano 224, 3 anos depois Velogases VI foi destronado, facto que  ocasionou o fim da dinastia Arsácida.

MGeada

Bibliografia

André Verstanding; Histoire de l’Empire Parthe, Bruxelles, Le Cri de l’Histoire, édition 2001.
Diáo Cássio, Livro LXVI, capítulo 19.              
Dião Cássio, História Romana. Livro LXXX
Les Parthes; l’histoire d’en empire méconu, rival de Roma, Dossiers d’archéologie nº 271-, mars 2002. 
PlutarcoSula, 5. 3–6 (em inglês)

https://fr.wikipedia.org/wiki/Guerre_parthique_de_Trajan

domingo, 28 de outubro de 2018



Marco Júnio Bruto (Marcus Junius Brutus), um dos assassinos de Júlio César.

Bruto, nasceu em ? de junho de 85 a.C. em Roma (Itália), e faleceu dia 23 de outubro de 42 a.C. em Filipos (Macedônia).

Filho ligítimo de Marcus Junius Brutus (o Velho) (partisan ou partisante de Marius ) e de Servília Cepião meia-irmã de Catão Uticense.
Servília dita a Grande, foi amante de Júlio César, esposa de Décimo Júnio Silano e de Marco Júnio Bruto (o Velho), com quem teve este personagem, “Bruto”.

Além de Patrício, (originalmente eram os cidadãos que constituiam a aristocracia da Roma Antiga), Bruto foi jurista, político republicano conservador, e comandante  militar romano, tendo sido um de assassinos de Júlio César.
Casou e viveu com Cláudia Pulchra Major, entre 52 e 46 a.C., e com Pórcia (em latim, Porcia Cantonis) de 46 a 43 a.C..

Bruto pretendia ser descendente de Lucius Junius Brutus que no ano 509 a.C., após o viol de Lucrécia, destronou Tarquínio o Soberbo (Tarquinius Superbus) último rei de Roma, e assim fundou a República romana.

Bruto mandou gravar várias moedas com a sua efígie entre 44 e 42 a.C., todavia a mais conhecida é denário dos Idos de Março, cunhado em Roma em 43-42 a.C., que comemora o assassinato de  Gaivs Julivs Caesar (Caio Júlio César).

Esta moeda tem no anverso a efígie de Bruto à direita e a legenda   
BRVT IMP L PLAET CEST
O reverso mostra-nos um boné frígio “sinal de liberdade” que era dado aos escravos livres ladeado por dois punhais.
Isto assinala a intenção de Bruto de libertar Roma das ambições imperiais de Júlio César, e as armas destinadas a cluir este acto. Em baixo a data da morte de César: EID MAR – Idos de Março.
(Ref. RSC-15, Sear-1439, Sydenham-1301)

(O calendário romano regia-se por três datas fixas: calendas nonas e idos, com base nas fases da lua.
Os idos são a meio do mês, precisamente  15 de março, maio, julho e outubro, e dia 13 nos restantes meses).

Os assassinos ou “Partido da Liberdade”como eles se designavam, fugiram de Roma para a Macedônia, com a intenção de ali formarem um corpo de exército.

Eles serão vencidos pelos aliados de César liderados por Marco António e Octaviano (futuro Augusto) na Batalha de Filipos no ano 42 a.C..Bruto cometeu suicídio após esta derrota.
(Ao ter conhecimento do suicídio de Bruto, sua corajosa esposa Porcia (em latim Portia Cantonis), como exemplo de fidelidade ao seu esposo, também cometeu suicídio).

A decisão de fugir para o leste foi provavelmente influenciada pela riqueza das províncias a leste do Imperio Romano, porque para criar um exército fazia falta muito dinheiro: era necessário comprar provisões e pagar aos soldados.
Entre as moedas (poucas) cunhadas pelos conspiradores, está o denário dos “Idos de Março”.
Após a vitória de Marco António e Octávio, essas moedas foram fundidas, daí a sua raridade nos nossos dias.
Segundo algumas fontes, terão escapado entre 50 e 60 denários de prata e um ou dois áureos, (um aparenta ser falso).

Marco Júnio Bruto – Denário cunhado em Roma no ano 54 a.C.
Anv./- Bruto à direita,    BRVTVS
Rev./-Caio Servílio Aala (C. Servilius Ahala) à direita,  HAALA
(Ref. Crawford-433,2, Sydenham-907)

Neste denário são ilustrados duas figuras anti-monárquicas, Bruto um dos principais conspiradores contra Júlio César e Caio Servílio Aala que juntamente com Lucius Julius Brutus libertou Roma do rei Tarquinius Superbus que segundo Lívio, instalou a República no ano 509 a.C., e matou Espúrio Mélio (Spurius Maelius) no ano 439 a.C..

Marco Júnio Bruto – Denário cunhado em Roma no ano 48 a.C.
Anv./- Efígie de Aulo Postúmio Albino à direita. (Aulus Postumius Albinus cônsul no ano 99 a.C.)
A POSTVMIVS COS
Rev. dentro de uma coroa de espigas de milho a legenda,
ALBINV BRVTI
Ref. Sear-42, Crawford-450/3b, Sydenham-943ª, CRI-127)

Postúmio Albino nasceu por volta do ano 84 a.C. : pertencia à notável família Gens Porcia e era parente de Marcus Junius Brutus.
Enquanto jovem, era amigo de Públio Clódio Pulcro (Publius Clodius Pulcher) e Marco António. No ano 44 a.C. Bruto convenceu-o a juntar-se à conspiração contra Júlio César.
Nesse período Públio era um homem de confiança de César, e por este foi nomeado pretor  e governador da Gália Subalpina.
No dia 15 de março de 44 a.C., Júlio César foi assassinado pelos conspiradores no teatro de Pompeu, entre os quais Bruto e Caio Cássio Longino (Gaius Cassius Longinus). O testamento de César revelou que Bruto foi adotado por César no segundo grau, depois de Otaviano, para seu sucessor.

Marco Júnio Bruto – Denário cunhado em Roma em junho de 44  a.C.
Anv./-Netuno com tridente à direita
CASCA LONGVS (Publivs Servilivs Casca Longvs)
Rev./-Vitória à direita caminhando sobre um cetro quebrado ao meio
BRUTUS IMP
(Ref.Crawford-507/2, Sydenham-1298, RSC,3, Sear 5-1437)

Públio Sérvio Casca Longa, (84-42 a.C., também foi um dos assassinos de Júlio César. Ele e outros senadores conspiraram para matá-lo, um plano que eles realizaram no dia15 de março do ano 44 a.C..
Depois Casca Longa lutou contra os libertadores durante a guerra civil dos Libertadores. Acredita-se que terá cometido suicídio após a sua derrota na batalha de Filipos em 42 a.C..
                                                              
Marco Júnio Bruto – Denário cunhado em Esmirna, no ano 42  a.C.
Anv./- Instrumentos pontifícios: machado, simpulum e faca
BRVTVS
Rev./-jarra e lítuo (ou lituus)
LENTVLVS  SPINT, em duas linhas
(Ref. Crawford-500/7, Sydenham-1310)

Marco Júnio Bruto – Denário (militar) cunhado em junho de 42 a.C.
Anv./-Apolo com coroa de louro à direita
LEG(at) COSTA (Légat Pedanius Costa)
Rev./-Troféu militar com couraça, escudo e duas lanças
IMP BRVTVS
(Ref. Crawford-506/2, Sydenham-1296)

Embora a família Pedania não seja muito ilustre, a sua origem é muito antiga.
Tive Live, cita um centurião com o nome de T. Pedanius, que se destacou pela sua coragem durante a Segunda Guerra Púnica, em 212 a.C.. Este personagem foi conhecido durante o período republicano, assim como Pedanius Costa, que foi lugar-tenente de Quintus Caepio Brutus (pai adotivo de Bruto) na Ásia, aquando das guerras civis).                                                         

Marco Júnio Bruto – Denário cunhado em Roma em 48 a.C.
Anv./-Caio Víbio Pansa Cetroniano (Caius Vibius Pansa Caetronianus) à direita,     C PANS
Rev./-Duas mãos juntas em torno do caduceu
ALBINVS BRURTI F.
(Ref. Crawford-451/1, Sydenham-944)


Caio Víbio Cetroniano. nasceu em Roma (Itália) a 12 de fevereiro do ano 91 a.C. e faleceu em Módema (Itália) a 23 de abril de 43 a.C..
Partidário de Júlio César durante a guerra civil contra Pompeu, optou pela restauração da Républica após o assassinato do ditador.
Víbio Pansa morreu dos ferimentos recebidos na batalha do Fórum Gallorum
disputada contra Marco António durante a guerra de Mutina (ou Guerra de Modena), travada na Península Itálica entre 44 e 43 a.C., depois do assassinato de César, e liderada pelo seu principal general Marco António.

Marco Júnio Bruto – Quinário (quinarius) militar, cunhado na Trácia ou Macedónia?, no ano 42 a.C.
Anv./- Cadeira currule, entre as pernas da cadeira, um módulo (medida)
L. SESTI  PRO Q (Lucius Sestius Proconsul)
Rev. Tripé entre o simpulum e o ápice
Rev./-Q. CAEPIO BRVTVS PRO CON (Quintus Caepio Brutvs Procônsul)
(Ref. Crawford-502/4, Sydenham-1292, CRI-203, Sear-1441)

Marco Júnio Bruto – Denário cunhado em Roma no ano 54
Anv./- Efígie da Libertas (em latimLiberalitas) com colar e bricos à direita
LIBERTAS
Rev. O Cônsul Marco Júnio Bruto (o Antigo), caminhando para a esquerda, entre dois lictores,  precedido por um accensus. precedido por outro personagem?
BRVTVS
(Accensus: unidade de infantaria ligeira nos exércitos da República Romana).
Este tipo de revés refere-se aos antepassados de Bruto, assassino de Júlio César.
(Ref. Crawford-433/1, BMC-3861, RRC-433/1)


MGeada

Bibliografia
Anne Bernet; Brutus Assassin par Idéal, Éditions Perrin, 2001.
Bertrand Borie ; «Brutus le personage historique», Histoire antique & médiévale, nº 89, janvier- fevrier 2017, pp. 14-43.
Michael Parenti, O Assassinato de Júlio César, edições Record, 2005.
Roger Breuil ; Brutus, Éditions Galimar, 1945.
Marco Junio Brutus,  o assassinato de Júlio César.