sábado, 29 de junho de 2019


«FILIPES»: Estáteres de ouro de Filipe II da Macedónia

As moedas de tipo “Filipe” são frequentemente mencionadas na literatura antiga, mas também em inscrições lapidárias.
Diodorus da Sicília, Pollux, Plautus ou Titus Live, falam sobre sobre isso em suas obras.
Há também algumas moedas tipo “Filipes” mencionadas no Corpus das inscrições gregas, por exemplo nas contas  dos Hieros de Delos (ver Bull Corr Hell., Vol VI, 1882, pag.131), ou ainda nas contas do Templo de Eleusis, tome VIII, 1888, pag. 198)
Na verdade são estáres de ouro de Filipe II da Macedônia, pai de Alexandre o Grande.

Reino da Macedónia Filipe II 359-336, a.C.
Estáter de ouro cunhado em Pela (capital da Macedônia) por cerca de 340-328 a C.
Anv. Apolo com coroa de louro à direita
Rev. Biga galopando para a direita, sob os cavalos um escudo 
ΦIΛIΛППOY

Os de tipo Apolo de Icnas (antiga cidade da Macedónia) têm no anverso a cabeça de Apolo laureada, e no reverso a Biga que faz lembrar a vitória de Filipe nos jogos olímpicos do ano  356 a. C. . O seu peso é de 8.60 gramas, depassando de 20 centigramas o dárico (moeda de ouro com cerca de 8 grs. comum no Império Aquemênida, desde a sua introdução pelo rei Dário I, (reinou de 521 a 486 a.C.) à qual lhe deu o seu nome.

Mas o costume dos gregos de dar o nome de “dárico” às moedas de ouro era tão inveterado que o termo de “Filipe” não prevaleceu imediatamente, e as novas moedas de ouro eram às vezes chamadas de «dáricos de Pilipe», para distingui-las dos  dáricos asiáticos ligeiramente mais leves.

Reino da Macedónia Filipe II 359-336, a.C.- Estáter de ouro
Anv. Apolo com coroa de louro à direita
Rev. Biga galopando para a direita e tripode
ΦIΛΠΠOY
(Ref. VAE15-246)

Os gauleses imitaram abundantemente o Filipe e o duplo Filipe de ouro na sua cunhagem national, até perderem a sua independência com Vercingetórix, que por sua vez tinha cunhado estáteres de ouro ainda marcados com o cunho desta inspiração macedônia.
Sob o Império Romano, os Filipes designavam muitas vezes a moeda de ouro actual. O nome de Filipe de dois imperadores do terceiro século, contribuiu para relembrar uma apelidação que tinha caído no domínio exclusivo da literatura.

Reino da Macedónia Filipe II 359-336, a.C.
Estáter de ouro cunhado em Infípolis cerca de 340-328 ou 336-328 a.C.
Anv. Apolo com coroa de louro à direita
Rev. Biga galopando à direita, e tridente
(Ref. Pozzi-836, Muller-59, Le Rider-123)

Talvez tenham sido os poetas cómicos que começaram a popularizar em Roma o nome vulgar dos estáteres de Filipe de Macedónia, que ao traduzir para o latim as comédias atenienses, onde muitas vezes é questão dos verdadeiros Filipes, por exemplo, as comédias de Menandro e Filémon, estes cómicos inventaram um novo termo para designar a moeda de ouro. Isto aplicado às moedas de ouro contemporâneas, com uma efígie imperial, tomou outro sentido que acabou por dar o nome de “Filipus”a todos os tipos de moedas cunhadas nos três metais: ouro, prata e cobre.  

MGeada

Bibliografia

Diodora da Sicília: A vida de Pilipe da Macedónia
Vigne; Jean Bruno, La vie des Monnais Grecques-Editions Jean Bruno Vigne-1988.
https://www.numisbids.com/n.php?p=lot&sid=2180&lot=147
https://pt.wikipedia.org/wiki/Filipe_II_da_Maced%C3%B3nia

quinta-feira, 30 de maio de 2019

"ADVEVTVS” Chegada dos Imperadores  a Roma

As inscrições do tipo “ADVENTUS = “chegada” comemoram a chegada do imperador a Roma, seja no início do seu reinado ou quando de regresso de uma longa viagem. Estas inscrições também se referem à chegada dos imperadores às cidades ou províncias do Império.

Quando subiam ao trono, os imperadores não eram transportados  em biga ou quadriga nem outro tipo de veículo, mas a cavalo e por vezes mesmo a pé. Era assim que eles faziam a sua primeira entrada pública na capital do Império Romano.

Esta procissão equestre do imperador em Roma, mesmo que não seja autentificada por outras fontes, aparece cunhada em numerosas moedas romanas com o imperador a cavalo, e a legenda ADVENTVS AVGVSTVS (= “chegada de Augusto”).

Um outro costume, que consistia que o imperador chegasse até às portas da cidade a cavalo e depois entrar nela a pé, não é claramente estabelecido nas legendas das moedas. Portanto este costumo é relatado por Dião Cássio na sua descrição da entrada de Septímio Severo em Roma. 
Este imperador é mostrado a entrar em Roma a pé numa moeda em bronze de Caracala, cujo reverso o representa a caminhar, seguido por um soldado.

A legenda ADVENTVS aparece em moedas dos imperadores Nero, Trajano, Adriano, Caracala, Filipe I, Claudio II o Gótico, Constâncio II, Probo Caracala e outros.  
Os tipos destas moedas excepto as de Adriano com a legenda «ADVENTVI AVGVSTO», geralmente consistem de uma  imagem do imperador a cavalo, com a mão direita levantada, por vezes precedido por uma Vitória ou,  Roma em pé com uma lança na mão esquerda, e dando a direita ao imperador
Noutros casos, o imperador é precedido por soldados com estandartes ou insígnias militares.

Algumas moedas romanas nas quais é representado o “ADVENTVS”
com a legenda ADVENTVS

Adriano – Denário cunhado em Roma em 134-138
Anv. Adriano cabeça nua à direita
HADRIANVS AVG OS III P P
Rev. Roma em pé com uma lança na mão esquerda, e dando a mão direita a Adriano com  direita  - ADVENTVS
(Ref. RIC-225ª: RSC-84


Filipe I - Sestércio cunhado em Roma em 244-249
Anv. Filipe laureado e drapeado à direita
IMP M IVL PHILIPPVS AVG
Rev. Filipe drapeado e cuiraçado cavalgando para a esquerda
ADVENTVS AVG   S C
(Ref. RIC-165; Cohen 6)

Cláudio II o Gótico – Antoniniano cunhado em Roma em 268
Cláudio II com coroa radiada e drapeado à direita
 IMP C CLAVDIVS AVG
Rev. Cládio cavalgando ao passo à esquerda levantando a mão direita e um ceptro na esquerda
ADVENTVS AVG
(Ref. RIC-13 ; RCV-11314)

Probo – Áureo cunhado em Roma, 276-282
Anv. Probo laureado e drapeado à direita
IMP C M AVR PROBVS AVG
Rev. Probo a cavalo precedido por uma Vitória com um ceptro na mão esquerda e levantando a mão direita 
ADVENTVS AVG
(Ref. RIC-582 var. ; Calicó4138a)

Constâncio II – Medalhão equivalente a um sólido e meio, 
cunhado em Roma em 355-361
Anv. Constâncio diademado e drapeado à direita
FL IVL CONSTANTIVS PERP AVG
Rev. Constâncio cavalgando para a  esquerda, com o manto flutuando levantando a mão direita
FELIX ADVENTVS AVG  -  N R
(Rev. RIC-288; Sammlung Trau 4143)

Caracala – Denário cunhado em Roma em 202
Anv. Caracala laureado e drapeado à direita
ANTONINVS PIVS AVG
Rev. Galera vogando para a erquerda, na qual apercebemos Septímio Severo, Caracala e Geta sentados. A proa está ornamentada com um acrostólio e duas insígnias
ADVENTVS  AVGVSTOR/vm – Chegada dos Augustos
(Ref. RIC-121; RSC-8; BMC-268)

(Caracala, 27-05-196, 08-04-217
Co-imperador com seu pai Septímio Severo, 04/198-209, Caracala foi nomeado Augusto em abril de 198, antes da grande vitória  dos Partas.
No ano 202, casou com Plaucila filha do perfeito do Pretório Plauciano, que relegou três anos depois. Em 204 começou a celebração dos Jogos Seculares. Septímio Severo tentou impor a imagem de uma nova dinastia. Caracala comemorou as suas decenárias em 217, e acompanhou seu pai à África. No final do ano 208, juntou-se a seu pai na Bretanha quando os exércitos romanas alcançaram os primeiros sucessos.
A galera no reverso deste denário com a legenda ADVENTVS AVGVSTOR/vm, dá as boas vindas à chegada aos Augustos  à África).

MGeada

Bibliografia

Georges Depeyrot; La Monnaie Romaine – 211 a C.-476 d C. 
http://www.comptoir-des-monnaies.com/index.php/monnaies-romaines-c-89509_90027
http://www.sacra-moneta.com/Numismatique-romaine/EMPEREURS-ROMAINS-L-ENTREE-DES-EMPEREURS-DANS-ROME-L-ADVENTVS.html

sábado, 27 de abril de 2019


 PUTEAL ESCROBONIANO (OU POÇO DE ESCRIBÔNIO)

A origem desta construção é explicada por Babelon (1).
Segundo uma lenda, na Roma antiga os locais atingidos por relânpagos eram sagrados.
Lucius Scribonius Libo (Lúcio Escribônio Libão) terá sido mandatado pelo Senado para localizar e registar todos os locais atingidos por este fenómeno atmosférico.

O átrio do templo de Minerva também foi atingido por um raio.
Como então se pensava que os deuses proibiam a cobertura desses locais, Escribôrnio teve a ideia de aí mandar abrir um poço, para que mais ninguém lá pudesse edificar qualquer construção.

O poço de Escribônio foi redescoberto em 1950, aquando de escavações perto do Arco de Actiun.
Este poço foi cunhado em emissões monetárias de L. SCRIBONIVS LIBO e LVCIVS AEMILIVS LEPIDVS PAVLLVS
no ano 62 a.C..

Na sua representação, o poço está ornamentado com uma grinalda de folhas de loureiro ladeadas por duas liras, tenaz, ou martelo.
(1)Numismata e arqueólogo francês do século XIX).

República Romana - Denário cunhado em Roma no ano 62 a.C.
Anv. Bonus Eventus (Bons Eventos) com diadema à direita
BON EVENT LIBO
Rev. Poço de Escribônio ornamentado com uma grinalda de folhas de loureiro, duas liras e tenaz
PVTEAL SCRIBON
(Ref. Sydenham-928; Crawford 416/1b)

República Romana – Denário cunhado em Roma em 62 a.C.
Anv. Concórdia com diadema e véu à direita
PAVLLVS LEPIDVS CONCORD
Rev. Poço de Escribônio ornamentado com uma grinalda de folhas de loureiro, duas liras e martelo
PVTEAL SCRIBON LIBO
(Ref. Sydenham-927; Crawford-417/1ª)

M.Geada

Bibliografia

quarta-feira, 27 de março de 2019


Danúbio, segundo maior rio da Europa

Chamado Danuvius ou Danuvio pelos romanos, uma parte do rio no entanto foi chamada de Ister. Grande parte dos autores antigos discordam sobre o curso, o nome do Danúbio e do Ister. João Xifilino afirma que a ponte do imperador Trajano foi construída no Ister.

Venerado como uma divindade por Getas, Dácios,Trácios e outros, o Danúbio tem a sua nascente em Donauschingen, nas montanhas da Floresta Negra, território de Baden na Suábia, e a sua foz no Mar Negro, (conhecido na Antiguidade por Ponto Euxino).

Na Mésia ou Moésia (atual Sérvia), a Leste de Viminácio nas margens do rio encontra-se a cidade de Taliatis, ou Taliata. Perto deste lugar encontra-se o espectacular desfiladeiro rochoso chamado de “Portas de Ferro”.
É neste lugar que o antigo nome do Danúbio mudava; a Leste Ister e a Oueste, Danúbio. 

Um pouco a Leste das Portas de Ferro ficava a ponte de Trajano (ou Ponte das Portas de Ferro). Esta ponte construida no ano 101 d.C. tinha como objectivo facilitar a conquista da Dácia.
Para os romanos, o Danúbio foi sempre a  fronteira entre o Império e os povos bárbaros do Norte, (excepto o território da Dácia, entre a conquista de Trajano e o fim do século III). 

Um pouco a leste das Portas de Ferro ficava a ponte de Tajano. Esta ponte foi construida para pelo imperador Trajano para facilitar a conquista da Dácia (actual Romênia). Do ponto de vista romano, o Danúbio sempre formou a fronteira entre o Império e os povos bárbaros do Norte (excepto pelo território da Dácia  entre a conquista de Trajano eo final do século III. 

Apesar de algumas dificuldades especialmente durante o reinado de Marco Aurélio, que lutou contra os Marcomanos no Danúbio, ou durante o período conturbado dos anos 256 a 259), os romanos mantiveram o controlo do Danúbio graças a uma frota ali estacionada até ao reinado de Valentiniano I, 364-375.  

Do século III au século V, durante as grandes invasões vindas do Leste, (Vandalos, Visigodos, Hunos, Ávaros e Eslavos) utilizaram o vale do Danúbio para penetrarem de Leste a Oueste, até ao centro da da Europa.

Como muitas outras ideias ou coisas, os romanos representavam o Danúbio (assim como outros rios, como o Nilo), na forma de uma pessoa.
Esta personificação aparece especialmente nas moedas do imperador Trajano, conquistador da Dácia e para quem o Danúbio desempenhou um papel essencial.

Além disso, é também nas moedas de Trajano que se podem ver representações de uma ponte (ver moeda abaixo). A ponte que figura nesta moeda foi muitas vezes confundida com a ponte sobre o rio Danúbio.
Nas moedas a ponte aparece com um único arco e está coberta com uma dupla colunata e duas portas nas sua entradas, encimadas por estátuas. Na verdade, é uma representação da Ponte Sublicius em Roma.

Sob o tema da personificação do Danúbio, também o vemos representado em moedas de Marco Aurélio que também teve que intervir na região do Danúbio contra os Marcomans, e ainda em moedas  dos imperadores Marco Aurélio e Macrino, em moedas colonias romanas.

A representação do Danúbio é representada na forma de uma figura semi-deitada em rochas e apoiado num cotovelo, uma estofa voando por cima da cabeça.
Geralmente segura a proa de um navio com a mão esquerda, que talvez simbolize a frota romana. Numa moeda do imperador Trajano, vemos o Danúbio estrangular um Dácio bárbaro com um joelho.
De notar que os romanos consideram o Danúbio um rio fronteiriço com os bárbaros, e que este pertencia a Roma.

 Moedas representando o Danúbio


Trajano – Denário cunhado em Roma em 103-111
Anv. Trajano laureado à direita,
IMP TRAIANO AVG GER DAC P M
Rev. Danúbio deitado sobre uma rochas virado à esquerda, manto flutuando por cima da cabeça, braço esquerdo apoiado numa urna, e mão direita na proa de um navio,
COS  V P P SPQR OPTIMO PRINC
Por baixo da representação, DANVVIVS
(Ref. RIC – 100; BMCRE – 395; RSC -136)


Trajano – Sestércio oficina ?, cunhado em 103-111
Anv. Trajano laureado à direita,
IMP CAES NERVAE TRAIANO AVG GER PM TRP COS V PP  S-C
Rev. Danúbio de pé à esquerda, colocando um joelho sobre um Dácia, mantendo-o sentado no chão,
SPQR OPTIMO PRINCIPI  S C
(Ref. RIC II, var. – 556; Choen – 525;  BMCRE – 793)


Trajano – Sestércio cunhado em Roma por cerca de 106-111
Anv. Trajano laureado à direita,
IMP CAES NERVAE TRAIANO AVG GER DAC P M  TR P COS V P P
Rev. Ponte Sublicius em Roma, com um arco, dupla colonada encimadas por estátuas, e barco no rio.
SPQR OPTIMO PRINCIPI  S C
(Ref. RIC – 569; BMC – 847; Choen – 542

(Embora a representação desta ponte não corresponda à descrição dada por Dião Cácio, considera-se frequentemente que esta moeda representa a ponte construida sobre o Ister (Danúbio) durante a segunda expedição à Dácia).


Marco Aurélio – Asse cunhado em 175
Anv. Marco Aurélio laureado à direita,
M ANTONINVS AVG T R P XXIX S C
Rev. Personificação do Danúbio semi-deitado numas rochas, com a mão direita apoiada na proa de um navio
Rev. IMP VII COS III
(Ref. Foto Dr. Busso Peus Nachfolger)


Macrino – Asse de bronze colonial cunhado em Nicópolis em 217-218
Anv. Macrino encouraçado e laureado à direita,
K OППEΛ CEV MAKPEINOC
Rev. Ister = Danúbio semi-deitado olhando para a esquerda, com a mão direita pousada na proa duma galera, e a esquerda segurando um jarro de onde flui a água do rio,
LONGINOU NIKOPOLITWN
(Ref. Moushmov – 1273; Verbanof – 3464)

MGeada

Bibliografia
Etienne Robert; Le Siècle d’Auguste, Paris, Édittions Colin,1970.
François Zosso: Les Empereurs Romains – 27 a. C.-476 dC. Éditions Errance, Paris, 1994.
Grimal Pierre : Marc Aurèle – Paris, Éditions Fayard, 1991.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Dan%C3%BAbio
https://es.wiktionary.org/wiki/Danubio


terça-feira, 26 de fevereiro de 2019



Corno de Abundância (ou Cornucópia) em Moedas Antigas

Do latim "cornu copiae" ou “corno de abundância”, hoje mais conhecidos por cornucópia, segundo uma das muitas lendas é um dos chifres da cabra Amalteia que alimentou Zeus durante a sua infância.

Na versão da náiade Amalteia do Monte Ida, (na mitolgia grega ninfas aquáticas com o dom da cura),  esta teria escondido a criança no bosque.
Proprietária da dita cabra, quando Zeus brincava com ela,  quebrou acidentalmente um chifre contra uma árvore. Amalteia guardou-o, enrolou-o com ervas e levou-o cheio de frutos aos lábios de Zeus. 
Quando Zeus se tornou o mestre do céu,  transformou a cabra e o chifre na constelação do Capricórnio.

A cornucópia símbolo bem conhecido da abundância, fecundidade, fertilidade e da alegria, foi muitas vezes representada em moedas antigas. Neste trabalho vou apresentar uma série destas moedas nas quais estão representadas cornucópias.

Reino Lágida - Egipto
Ptolomeo III Evérgeta – grade bronze cunhado em Alexandria, 246-221 a.C.
Anv. Cabeça de Zeus Ámon com chifres e diadema à direita
Rev. Águia de pé sobre um raio, e cornucópia
PTOLEMAIOU BASILEWS
(Ref. Svoronos-965, Cop-173, BMC-59, GC-7816, MP-120)

Reino Ptolemaico do Egipto – Tetradracma 244/3-221 a.C.
Anv. Benerice II (esposa de Ptolomeo III) velada à direita
Rev. Cornucópia com frutos e pendentes entre dois pileus, =
(gorros dos Dióscuros) – BAΣIΛΣΣHΣ  BEPENIKHΣ
(Ref. Friedlaender e Von Sallet-522, Jamesson-1820, Pozzi-3237)

Ásia Menor – Jônia – Lébedos (ou Lébedo)
Magistrado Anaxipolis – Tetradracma 160-140 a.C.
Anv. Cabeça de Atena com capacete à direita
Rev. Coruja em pé entre duas conucópias com frutos,
dentro de uma coroa de oliveira,
ΛEBEΔIΩN    ANAΞI ПOΛI
(Crawford-2027)

Síria Seleucida
Alexandre II Zebina – Dracma cunhado em Antioquia 128-122 a.C.
Anv. Cabeça de Alexandre II com diadema à direita
Rev. Dupla cornucópia com frutos
(Ref. SNG Cop-363)

Podemos notar que estas cornucópias foram representadas em moedas de todas as origens geográficas: sêleucidas, ptolomaicas, partas, norte-africanas e judias, mas também em moedas gregas e romanas.

Reino Indo-Grego
Philoxene –Hemiobolo em bronze 100-95 a.C.
Anv. Deméter (na mitologia grega é a deusa das colheita
e da agricultura) com uma cornucópia à esquerda
Rev. Touro à direita
(Ref. Mitch-1960)

Quase sempre representada sózinha, a cornucópia também aparece dupla. Nas moedas da Répública e Império romano, elas são o atributo de diversas personificações e alegorias, nomeadamente a Abundância, a Fortuna e por vezes personificações mais surpreendentes como a Concórdia, que num sestércio de Aquília Severa detém uma dupla cornucópia.

L. Sulla – denário cunhado em Roma em 81 a.C
Anv. Venus com diadema e colar à direita
Rev. Dupla cornucópia com frutos
(Ref.Sear5- 303, Cornelia-33, Crawford-375)

Aquília Severa – Sestércio cunhado em Roma em 220-221
Anv. Aquília com diadema e drapeada à direita,
IVLIA AQVILIA SEVERA AVG
Rev. Concórdia de pé à esquerda com uma patera na mão esquerda sobre um altar aceso, dupla cornucópia e uma estrela no campo,
CONCORDIA  S C
(Ref. RIC-389, BMC-433)

Em termos de corno de abundância, a palma de originalidade é indiscutivelmente um sertércio de Druso filho do imperador Tibério, que mostra no anverso duas cornucópias cruzadas das quais saem duas cabeças de criança, e em pano de fundo um caduceu alado. Aqui os cornos de abundância representam os herdeiros da dinastia imperial. 

Druso – Sestércio cunhado em Roma em 22-23
Anv. Cabeças confrontadas de crianças dentro de cornucópias e caduceu.
Rev. DRVSVS CAESAR TI AVG F DIVI AVG N PONT II   SC
(Ref. RIC I (Tiberius) 42, BMC (Tiberius)-95, CBN (Tiberius)73).

Mais pragmática, uma moeda de Septímio Severo apresenta as três alegorias da casa da moeda, todas com uma cornucópia nos braços. Neste caso é uma abundância monetária.


Septímio Severo – Sestércio cunhado em Roma no ano 194
Anv. Septímio laureado com couraça à direita,
SETE SEV PERT AVG IMP III
Rev. As três Monetae (moedas) de pé, cada uma segurando uma cornuçópia e uma balança, MONET AVG COS II P P  SC
(Ref. RIC-670, Cohen-336, Sear-6416.)

O imperador Augusto, muito supersticioso, fez representar numa das suas moedas o seu signo astrológico, o Capricórnio, atrás do qual aparece um corno de abundância, uma referência à Fortuna que detém o destino dos homens nas suas mãos. Enquanto Tibério optou por cornucópias cheias de espigas.

Augusto – Denário cunhado em Emérita (actual Mérida) no ano 16 a.C..
Anv. Busto de Augusto à direita
Rev. Capricórnio à direita com uma cornucópia nas costas, um globo e um leme entres as pernas,  AVGVSTVS
(Ref. RIC-547ª, RSC-21, BMCRE-346)

Tibério – AE cunhado em Comagene ? em 19-20
Anv. Tibério laureado à direita,
TI CAESAR DIVI AVGVSTI F avgvsTVS
Rev. Dupla cornucópia cheia de espigas,
PONT MAXIM COS III IMP VII TR POT XXI
(Ref. RIC-89, BMC-174, RPC-3868)

O "corno de abundância" como elemento da tradicional mitologia greco-romana pagã, desapareceu das moedas quando o Império romano se converteu ao cristianismo.
No entanto o próprio Constantino era pagão antes de se tornar cristão, e as moedas do início do seu reinado representam todos os temas que então podiam ser vistos em moedas, incluindo o corno de abundância.

Constantino I – Follis cunhado em Alexandria em 308-310
Anv. Constantino laureado à direita,
FL VAL CONSTANTINVS FIL AV
Rev. Génio de pé à esquerda, com um módio na cabeça, patera na mão direita, clâmide e cornucópia na esquerda,
GENIO CAESARIS - No campo R à esquerda, AP à direita, em baixo na orla, ALE = Alexandria
(Ref. RIC VI Alexandria-99b)

MGeada

Bibliografia
Pierre Commelin; Mytologie grecque et Romaine, éditions Garnier Frères- 1960
Riordan RICK; Os Heróis do Olimpo – A Marca de Atena-Editora Intrísica 2ªedição. 2013.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019



Centauros na Numismática

Na mitologia antiga, os Centauros eram seres fabulosos com corpo de cavalo e busto de homem. Habitavam a Tessália, e eram famosos pela sua coragem e habilidade em domar e treinar cavalos.
Os antigos poetas e mitógrafos atribuem-lhes uma origem monstruosa.

Em certas moedas, o Centauro é representado só armado com um    arco  e  uma flecha; outras, a conduzir uma carruagem com algumas divindades do paganismo.
Num triente anónimo podemos admirar Hércules lutando contra um Centauro: um denário da Gens Aurélia, mostra-nos Hércules a conduzir uma biga ao galope puxada por dois Centauros com um ramo na mão direita.

República Romana

República Romana – Anónimo, Triente em bronze cunhado em Roma, cerca de 217-215 a.C..
Anv. Cabeça feminina (Belona?) à direita com capacete, cabelo amarrado em três tranças, 4 pontos.
Rev. Hércules lutando contra o Centauro, 4 pontos, ROMA
(Ref. Crawford-39/1, Sydenham-93)

República Romana – M. Aurelius Cotta – Denário cunhado em Roma no ano 193 a.C..
Anv. Cabeca de Roma com diadema e capacete alado à direita: por trás da cabeça X (= valor) COTA
Rev. Hércules conduzindo uma biga puxada por Centauros ambos com um ramo na mão direita. M/AVRELI  ROMA
(Em latim a palavra denário significa «dizaine» o seu valor inicial valia 10 asses).
(Ref. Crawford-229/1ª, Sydenham-429)

Império Romano

Galiano – Antoniniano cunhado em R
oma em 266/267
Anv. Galiano com coroa radiada à direita
GALIENVS AVG
Rev. Centauro caminhando para a  esquerda com um globo na mão direita e um ramo na esquerda.
APOLLINI CNS AVG  H
(Ref. RIC V-164H, Cohen-74, RSC-73, Sear-10177)

Num sestércio de Antonino Pio (do qual não consegui a foto) conservado no Gabinete das Medalhas em Paris, o sujeito é um dos combates de Hércules,
em que o herói se vinga do rapto de Halcyone, irmã de Eurystheus,  que o Centauro Homadus violentou e foi morto por Hércules por essa agressão.

Nesta representação clássica, também vemos o grande Alcides que já matou um Centauro que vemos no chão, e preciona o joelho noutro ao mesmo tempo que lhe bate com a moca, enquanto outro vem em seu socorro armado como seu companheiro com o ramo de uma àrvore.
Em pano de fundo vemos Homadus portando Halcyone nos seus braços, que Hércules depois socorreu. Autores relatam que foi após as bacanales (festas em honra do deus Baco) em que os Centauros haviam consumindo substâncias alogénias que terá acontecido o rapto des algumas mulheres, entre as quais Halcyone.
Diodoro Sículo (historiador, 90-30 a.C.), escreveu que os Centauros terão usado troncos de árvores para se defenderem durante o combate.
O templo que vemos no fundo da moeda é o de Hércules Vitorioso. 

Eratóstenes relata que o Centauro Quíron, figurava entre as estrelas na constelação do Sagitário. Segundo Higino e Plínio o Velho, ele foi o primeiro a usar as  plantas para curar.

As razões que levaram a que o Centauro personificasse  Apolo, é que este era o deus da morte súbita, da beleza, das pragas, das doenças, mas também o deus da cura e proteção contra as forças malignas. Era também o deus, da perfeição, da armonia, do equilíbrio e da razão.

Bitínia

Bitínia - Rei Prúsias II, AE 20 cunhado em Nicomédia, 180-150 a.C.
Anv. Busto juvenil de Dionísio (Baco) à direita, drapeado e coroado com folhas de vinha.
Rev. Centauro Quiron com a cabeça de frente, tocando lira, túnica flutuando para trás.
BASILEWS PROUSIOU  MTE (Do rei Prúsias)
(Ref. Laffaille-430, Aulock-RG.26, BMC-10)

Bitínia - Rei Prúsias II, AE 20 cunhado em Nicomédia, 180-150 a.C.
Anv. Busto juvenil de Dionísio (Baco) à direita, drapeado e coroado com folhas de vinha.
Rev. Centauro Quiron à direita com a cabeça de frente, tocando lira, túnica flutuando para trás.
BASILEWS PROUSIOU  MTE (Do rei Prúsias)
(Ref.Lafaille-430 var., Aulock-6886 var., RG-26, BMC-HGCS-7629)

Na mitologia grega, Quíron era um Centauro considerado superior por seus
pares. Ao contrário do resto dos Centauros que como os sátiros eram notórios por serem bebedores, indisciplinados, delinquentes, sem cultura e propensos à violência quando embriagados. Quíron era inteligente, civilizado, bondoso, e célebre por seu conhecimento e habilidade com a medicina.
A Quíron foi-lhe confiada a educação de muitos heróis que se tornaram seus discípulos, entre os quais Aquiles, Asclépio, e os Dióscuros.
malencontrosamente durante uma batalha contra outros Centauros: tendo recebido uma flecha envenenada com o sangue da Hidra de Lerne, Quíron pede aos deuses a retirada da sua imortalidade para deixar de sofrer.

Podemos afirmar que as representações de Centauros em moedas são raras. As representações mais comuns deste animal fantástico encontram-se nas moedas do imperador Galiano, e são quase sempre ligadas à mitologia de Hércules.

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Bibliografia

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Bibliografia
François Zosso et Chritien Zing: Les Empereurs Romains, 27 a.C. - 476 d.C. -Éditions Errance,1994.
Joel Schmidt: Dicionário da Mitologia Grega e Romana (Português) 1 janeiro 2012.
Wolkon Cédric: Catalogue des monnaies Romaines – Éditions B. Numis-Besançon 2017.