sexta-feira, 1 de novembro de 2019


  
 
                      Cipos na numismática Romana

CIPO (em latim "cippus") é um marco de pedra  com uma inscrição destinado a preservar a memória de um evento.

Diferentes das colunas por serem menores e geralmente redondos, os cipos foram utilizados para eventos religiosos e seculares, marcar sepulturas, e como marcos geológicos.
A forma e a decoração do cipo, especialmente os que estão representados em moedas romanas, dá origem a que sejam muitas vezes confundidos  com altares.
Podemos vê-los no campo das moedas com uma inscrição e, noutros casos colocados perto de uma divindade, que  muitas vezes aparecem apoiadas neste pequeno monumento.   

                                              
Augusto. 27 a.C.- 14 d .C. denário 3,82grs., cunhado em Roma no ano 16 a.C.,por L Mescinius Rufus.
Anv. Estátua equestre de Augusto à direita num pedestal com a inscrição S. P.Q. R.   IMP. CAES, em três linhas, frente ao mur (da cidade) com uma porta.
Rev. L VINICIVS  L. F. III. VIR., cipo com a inscrição S.P.Q.R.   IMP.CAES.  QVOD.V.   M.S.EX.   EA.P.QIS.   AD.A.DE, em seis linhas.
(Ref. RIC I 362; RSC 543; BMCRE 82-4 = BMCRR Rome 4472-3; BN 357-61)

Quando em Roma por  vote do Senado foi atribuíuda  a coroa cívica ao imperador Augusto, para  ser  colocada no portão do seu palácio, em agradecimento pelos serviços prestados ao Estado, um dos artificios monetários do  imperador, L. Mescinius Rufus, dedicou-lhe  alguns denários com cipos, com as inscriçoes. “SPQR” : "IMP CAES AVG COMM CONS" .

Augusto. 27 a.C.- 14 d .C. denário 3,73grs., cunhado em Roma no ano 16 a.C., por L Mescinius Rufus.
Anv. I O M S P Q R V S   PR. S. IMP .CAE .QVOD. PER .EV R. P.  IN. AMP AT. Q. TRAV S.E, em sete linhas, dentro de uma coroa.
Rev. L MES CINIVS RVFVS III. VIR, cipo com a inscrição IMP CAES AVGV COMM CONS, em cinco linhas, no campo S C .
(Ref. RIC I 358; RSC 462; BMCRE 91-3 = BMCRR Rome 4483-5; BN 345-6. Raro. Foto CNG)

Noutros denários de Augusto  do mesmo artifício monetário encontramos um cipo, com o deus Marte com capacete segurando uma lança e um parazónio,(espada curta com talabarte, acessório das estátuas de Marte e alguns  heróis), e a inscrição S P Q R V P RED CAES.

Augusto – Denário cunhado em Roma no ano 16
Anv. Augusto laureado à direita
Rev. Marte em pé num pedestal com a inscrição
SPQR V PR RE CAES
(Ref. RI-351, Sear-1616)

Num outro podemos ler CC AVG VS TI. E para terminar um outro com a inscrição "IMP CAES AVG LVD SAEC".

Augusto – Denário cunhado em Roma em 27-14 a.C.
Anv Augusto cabeça nua à direita
AVGVSTVS
Rev. L CANINIVS GALLVS III VS TI
Cipo com a legenda CC AVG VS TI
(Ref. RIC-418, BMC-384)

Augusto – Denário cunhado em Roma em 27-14 a.C.
Anv. Augusto laureado à direita
CAESAR AVGVSTVS  TR POT
Rev. L MESCINIVS RVFVS III VIR
Cipo com  a legenda
IMP CAES AVG LVD SAEC SAEC – XV SF

A cunhagem destas moedas por  Mescinius Rufus com os cipos,  foi para conservar  a memória dos acontecimentos sob Augusto e foi incluída nas moedas deste imperador e da família Mescinia.

As moedas com cipos comemorativas dos jogos seculares, também aparecem no reinado de  Domiciano. Um denário  de Domiciano tem um cipo com a inscriçao LVD SAEC FEC COS XIIII.
As moedas de bronze e prata de Filipe I e, as de  Otacília Severa têm cipos com inscrições que evocam os jogos celebrados  por Filipe, para comemorar o milénio de Roma  no ano 248 dC.

Domiciano – denário cunhado em Roma no ano 88
Anv. Domiciano laureado à direita
IMP CAES DOMIT AVG  GERM P M TR PVIII
Rev. Cipo com a incrição em cinco linhas
COS XIIII LVD SAEC FEC,
À direita um queimador de incenso, e arauto em pé com a vara mágica e escudo
(Ref. RIC-601, RSC-73)

Filipe I – Antoniniano de prata cunhado em Roma em 248
Anv. Filipe com coroa radiada à direita
IMP PHILIPPVS AVG
Rev. Cipo com a inscrição COS III,
legenda circular SAECULARES AVGG
(Ref. RIC-24c, RSC-193, Sear-8961)

Márcia Otacília Severa – Sestércio cunhado em Roma em 248
Anv. Otacília Severa com diadema à direita
MARCIA OTACIL SEVERA AVG
Rev. Cipo, legenda circular SAECVLARES AVGG, S C
(Ref. RIC-202ª, Cohen-68)

MGeada

Bibliografia
Franz Cumot; Les actes des jeux séculaires de Septime Severo, Les Belles Lettres vol.1, 1932.
Jean Bayet; La religion romaine , histoire politique, Paris, Editions Payot, 1999.
Jean Gagé ; Recherches sur les jeux séculaires : Les Belles Lettres, 1934.
Pierre Brind’Amour ; L’origine des jeux séculaires: vol.2, 1938.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019



Imagens  do Lábaro em Moedas  Romanas

Lábaro:  do latim labarum, era um vexilo «vexillvm» ou estandarte militar romano, em especial o que o imperador Constantino I mandou colocar o manograma de Cristo, após a sua vitória sobre Maxêncio durante a guerra civil no verão do ano  312, na batalha da Ponte Mílvia, que ficou conhecido como lábaro de Constantino ou «CRISTOGRAMA» .

Insígnia militar romana pertencente à classe especial des «vexillvm», eram os estandartes da cavalaria e objectos de veneração para os soldados que lhes prestavam honras divinas.

O Lábaro tinha  originalmente a forma de uma bandeira roxa com franjas de ouro, fixada numa grande lança, que só era exibida quando o imperador acompanhava as tropas.

Constantino I, depois de abandonar o paganismo, esteve na origem de uma mudança na aparência do Lábaro. Duas barras oblíquas foi adicionadas à lança para formar uma cruz.

Na parte superior por cima desta cruz, foi colocada uma coroa de ouro e pedras preciosas, no meio da qual foi colocado o manograma de Cristo, formado por duas iniciais gregas X e P unidas formando o Chi Rho e frequentemente  acompanhadas pela letras alfa e ômega, colocadas em ambos os lados.

Estas letras indicavam a crença na divindade de Cristo Salvador, tal como indicado na Apocalipse de São João sobre a vida de Constantino por Eusébio de Cesareia. Dos braços da cruz pendia uma  bandeira roxa ricamente ornamentada com jóias e bordados de ouro. No lugar da águia romana símbolo de Júpiter que constituía uma fonte de idolatria para os soldados romanos, Constantino colocou o manograma de Cristo Jesus destronando Júpiter.

No espaço situado entre a cruz e a bandeira, o imperador colocou o seu busto em ouro ou o dos seus filhos, mas esta característica não é representada em moedas.


Cinquenta homens escolhidos a dedo foram contratados por Constantino para transportar e defender o Lábaro estandarte sagrado, que era levado à frente do exército, quando o imperador o comandava pessoalmente.
A esses guardiões do Lábaro, chamaram-lhe “labariferos”.

Podemos ver o Lábaro com o manograma de Cristo em moedas de Constantino I o Grande, assim como de Joviano, Valentiniano, e seus sucessores.
De  notar que um vexilo parecido com o Lábaro, aparece antes da época de Constantino I, em moedas coloniais romanas, exemplo: moedas de Antióquia da Pisídia, moedas de Saragoça (Caesar Augusta),  Espanha e outras.


Exemplo de moedas representando o Lábaro

Constantino I – Follis cunhado em Lião em 308-309
Anv. Constantino laureado e encouraçado à direita
IMP C CONSTATINVS PF AVG
Rev. Constantino em pé à esquerda com um estandarte em cada mão
PRINCIPI IVVENTVTIS  CI  H
(Ref. RIC VI-Lião 299, Sear- 16016)

Constantino I – Follis cunhado em Arles em 335-337
Constantino laureado e encouraçado à direita
CONSTANTINVS MAX AVG
Rev. Lábaro com o Cristograma entre dois soldados
GLORIA EXERCITVS
(Ref. RIC VII- Arles 394)

Constâncio – Follis cunhado na Síscia, 337-341
Anv. Constâncio laureado, e encouraçado à direita
CONSTANS PF AVG
Rev. Lábaro com o cristograma entre dois soldados armados com lanças
GLORIA EXERCITVS    SIS
(Ref. RIC VIII-88, Lanz-102)


Vetrânio –Maiorina , cunhada na Síscia, em 350
Anv. Vetrânio laureado, e encouraçado à direita
DN VETRANIO PF AVG
Rev. Imperador com um  Lábaro com cristograma em cada mão, uma estrela por cima da cabeça
CONCORDIA MILITVM   SIS  A
(Ref. RIC VIII-281, Sear18903)


Joviano – AE I, cunhado em Salónia em 363-364
Anv. Joviano laureado, e encouraçado à direita
DN IOVIANVS  PF PP AVG
Rev. Joviano em pé, de face, virado à direita
com um Lábaro com cristograma na mão esquerda, e na direita uma Vitória sobre um globo
VITORIAE ROMANORUM  TESA
(Ref. RIC VIII-Salonia 235a, Sear-19213)


Valente – Síliqua cunhado  em Antioquia, 364-367
Anv. Valente com diadema, drapeado e encouraçado à direita
DN VALENS PER F AVG
Rev. Valente com armadura, com Lábaro com cristograma na mão esquerda, e na direita uma Vitória sobre um globo
RESTITVTOR REIP  ANT 
(Ref. 7b var., RSC-28N var.)


MGeada

Bibliografia
François Zosso- Christien Zingg- Les Empereurs Romains, 27 a C., 476 d C.- Edition Errance, Paris 1994.
Quinson, Marie Therese; Dicionário Cultural do Cristianismo,; Edições Layola-1999.
Urbano Zilles; Significação dos Símbolos Cristãos, Edipucrs 1994, pag. 146

domingo, 25 de agosto de 2019



QVO VADIS  “PARA AONDE VAIS”

Várias famílias compartilharam ao longo dos séculos, o destino de Roma.
Tanto a Républica como o Império, viram o dia graças ao carismo de alguns  indivíduos, exemplo: Augusto para a família Julius-Claudius (Júlio-Claudiana), ou Vespasiano para a dinastia Flaviana (ou dinastia dos Flávios) etc,.
A perda do renome e do poder dessas familias estão muitas vezes ligadas à arbitraridade, ao despotismo e à cupidez dos últimos membros da família que causaram a sua perda. O imperador Nero foi um desses exemplos.
Filho de Cneu Domício e de Agrippina a Jovem, Nero foi adoptado por Cláudio a quem sucedeu. Foi o quinto e último imperador da dinastia Júlio Claudiana, 27 a. C.-68 d.C.:governou do ano 54 a 68, e o seu governo foi marcado por intrigas, assassinatos e tirania.

Ambicioso, para poder governar só, no ano 59 mandou matar sua mãe, e no ano 62, a sua esposa Octávia.
Doze dias depois casou com a bela Popeia Sabina, que ele próprio matou no ano 65 com um pontapé no ventre, quando esta se encontrava grávida do segundo filho.
Nero também tinha o hábito de causar o declínio dos ricos, para se apropriar os seus bens.  
   
As suas despesas extravagantes contribuiram para esvaziar os cofres do Estado.
Ordenou a persecução e cruxificação de milhares de cristãos.
Diz-se que durante o seu reinado chegaram a ser cruxificados quinhentos cristãos por dia, e as arenas tornaram-se lugares sinistros onde a decapitação era constante.

A ele também foi atribuído o incêndio de Roma no ano 64, não só para acusar os cristãos, mas também para construir Néropolis, um ponto relevante de arte e cultura.
Séneca (filósofo) que caíu em desgraça no ano 62, diz que o exército foi obrigado a amontoar milhares de romanos no Fórum para ouvir os pseudos concertos de Nero, e ninguém podia sair do local antes do imperador terminar o seu recital. Cacofonia que podia durar muito tempo.
Séneca também escreveu que homens e mulhures com idade avançada morriam no local, e mulhers grávidas davam à luz nas arquibancadas.

Sob a sua liderança as províncias da Armenia, Judeia  e Britânia, revoltaram-se contra a sua política.
No ano 68, o exército de Galba revoltou-se e dirigiu-se para Roma. Nero que pressentiu que o seu fim estava próximo, cometeu suicídio.
Alguns historiadores acreditam que tenha sido assassinado pela sua guarda pretoriana.
O assassinato dos imperadores pela sua própria guarda, acontecia com muita frequência. De protectores passaram a ser carrascos, o que deu origem a um período de guerra cívil em todo o Império.

No reverso, a propaganda continua a ser sensivelmente a mesma utilizada por  Cláudio, no entanto: Minerva, Diana e a Fortuna foram substituídas pela Vitória que passou a ser muito divulgada.

Nero – Sestércio cunhado em Lião no ano 65.
Anv. Nero laureado à direita,
NERO CLAVD CAESAR AVG GER TR P IMP P P
Rev. Vitória segurando um globo com a incrição  S P Q R  - S C
(S P Q R=SENATVS POPVLESQVE ROMANVS,
que pode ser traduzido como, "O Senado e o Povo Romano") 
(Ref. RIC-477; Cohen-292)

Vesta , a deusa do fogo, também aparece com muita frequência nas moedas, assim como Jano, que por ser representado com dois rostos, também era considerado o deus das portas.

Nero – Denário cunhado em Roma em 65-66
Anv. Nero laureado à direita
NERO CAESAR AVGVSTVS
Rev. Templo de Vesta
(Ref. RIC-62; RSC-   335; BMC-104)

Nero - Sestércio cunhado em Roma no ano 65
Anv. Nero laureado virado à direita.
NERO CLAVD CAESAR AVG GER TR P IMP PP
Rev. Tempo de Jano, portas fechadas.
PALE PR TERRA MARIQ PARTA IANVN CLY SIT,  S C
(Ref. RIC-300; Sear-1973 var.; BMC-225)

Nero – Sestércio cunhado em Lião no ano 65.
Anv. Nero laureado à esquerda,
NERO CLAVD CAESAR AVG GER P M TR P IMP P P
Rev. Arco de Triunfo de Nero, sobrelevado por uma quadriga conduzida por Nero
acompanhado pela Pax à esquerda e uma Vitória à direita, ladeados por dois soldados.
Entre as colunas, a estátua de Marte nu com capacete.
(Ref. RIC-393; Cohen-306

Nero a tocar lira personificando o deus Apolo ; deus que patrocina o intelecto, a adivinação e as artes, brilha com todo o explendor num asse. 
O templo de Jano, o Arco de Triunfo de Nero, e montado num cavalo galopando, continuam a ser as moedas mais interessantes deste imperador.

Nero – Asse cunhado em Roma em 73-76
Anv. Nero laureado à direita,
NERO CAVD CAESAR AVG GERM P M TR P IMP P P 
Rev. Nero à direita com a capa de Apolo Citaredo, tocanco lira (ou citarra)
(Citaredo: designa uma estátua ou outro tipo de imagem de Apolo portando um dos seus atributos: uma lira). 
(Ref. RIC I-74 var.)

Nero-Sestércio xunhado em Roma no ano 63
Anv. Nero laureado virado à esquerda.
NERO CAESAR AVG GERM PM TR P IMP PP
Rev. Nero a cavalo, acompanhado por um segundo cavaleiro
DECVRSIO  S C 
(Ref. RIC-171; Sear-1957; BMC-145)

Por ser um dos imperadores mais conhecidos da história de Roma, as moedas de Nero são geralmente muito procuradas.

MGeada 

Bibliografia
Alain Decaux; La revolution de la croix : Nero et les cretiens, Éditions Perrin 2017.
Claude Aziza; Nero : Le mal aimée de l’Histoire, Gallimar collections, nº 493, 2006.
Eugen Cizek : Nero L’empereur Maudit, Éditions Fayar, Paris 1997.



sábado, 27 de julho de 2019


Templo de Minerva

Conhecem-se três templos dedicados à deusa Minerva, mas é provável que tivesse havido mais.
Um destes templos foi construído no monte Célio.
Tinha o nome  de Minerva CAPTA (Minerva cativa), e pensa-se que foi construído para hospedar  uma Minerva tomada em Falérios, aquando da conquista da cidade pelos romanos.

O segundo, terá sido construído no Aventino, em 263 a.C..
O terceiro, igualmente situado no Aventino, foi construído por Pompeio (106-48) a.C..

O denário do  imperador Adriano aqui reproduzido,  mostra-
-nos um templo com quatro colunas, construído num pódio com duas escadas.

A arquitrave e o frontão são decorados com frisos e molduras.
O cimo e os acrotérios, são decorados com folhas de palmeira.
Ao centro, entre as colunas, vê-se a estátua de Minerva em pé, com uma pátera (5) na mão direita e um ceptro na mão esquerda.

Adriano –117-138, denário, oficina incerta
Anv. Adriano laureado e drapeado à direita
HADRIANVS AVGVSTVS
Rev. Templo com quatro colunas, a deusa figura
ao centro com uma patera na mão direita  COS III

Minerva era a deusa romana do trabalho manual, das profissões, das artes e, posteriormente da guerra.
Identificava-se com a deusa grega Atena, e alguns histo-riadores pensam que o seu culto adoptado  por Roma, seja oriundo da Etrúria.

A Deusa era venerada em diversos templos romanos.
Uma "SELLAE" (sala) era-lhe reservada no templo de Júpiter Capitolino, onde juntamente com Júpiter, e Juno, formava a TRÍADE.

O culto de Minerva como deusa da guerra, superou o de Marte. A festa conhecida por QVINQVATROS, celebrada no quinto dia após os "ides" de Março (dia 15), e que, inicialmente era dedicada ao deus Marte, passou a ser em honra de Minerva.
(Ides de Março: no calendário romano designava o 15 março, Maio, Julho e Outubro, e o 13 dos 8 meses restantes).

O templo que Pompeio mandou construir em sua honra, com os despojos de guerra conquistados no Oriente, mostra que Minerva  era identificada com Atena Nice, que concedeu as vitórias. 

No reinado de Domiciano, o culto de Minerva atingiu o seu apogeu.
O imperador Adriano fundou o ATHENAEVM destinado a promover actividades intelectuais. A moeda com o templo acima reproduzida comemora esse evento).

Júlio César – Dupondio cunhado por cerca do ano 44
Anv. Vitória busto drapeado à direita
CAESAR DIC TER
Rev. Minerva em pé à direita com troféu, e escudo decorado
com uma Medusa; uma serpente aos seus pés
PRAEF C CLOVI
(Ref. Sear-1417, Sydenham-1025)

Vespasiano – Sestércio cunhado em Roma no ano 76
Anv. Vespasiano laureado e drapeado à direita
IMP CAES VESPASIAN AVG P M T P COS VII
Rev. Templo de Júpiter Capilolino com as estátuas
de Minerva Júpiter e Juno, S C 


Domiciano – denário cunhado em Éfeso em 76 no reinado de VespasianoAnv. Domiciano laureado à esquerda
CAESAR AVG F  DOMITIANVS
Rev. Minerva em pé à direita com uma lança na mão esquerda
e escudo na direita, uma coruja  aos seus pés  COS IIII (legenda invertida)
(Ref. RIC-1493, RPC-1648, SRC-45b)

Hadriano – Denário cunhado em 125-128
Anv. Adriano laureado à direita
HADRIANVS AVGVSTVS
Rev. Minerva em pé com uma lança na mão direita   COS III
(Ref. RIC II-160, Colline-302, SRC- 353)

Septímio Severo – cunhado em 194-195
Anv. Septímio laureado à direita
L SEPT SEV PART AVG IMP IIII
Rev. Minerva em pé com capaceto, escudo e lança
P M TRP III COS IIIIII P P
(Ref. RIC-53)

MGeada

Bibliografia

Manuel Félix Geada Sousa; História dos Monumentos Romanos Conata Através das Moedas pag.39/40, Edição Alma Azul 29-07-2006

sábado, 29 de junho de 2019


«FILIPES»: Estáteres de ouro de Filipe II da Macedónia

As moedas de tipo “Filipe” são frequentemente mencionadas na literatura antiga, mas também em inscrições lapidárias.
Diodorus da Sicília, Pollux, Plautus ou Titus Live, falam sobre sobre isso em suas obras.
Há também algumas moedas tipo “Filipes” mencionadas no Corpus das inscrições gregas, por exemplo nas contas  dos Hieros de Delos (ver Bull Corr Hell., Vol VI, 1882, pag.131), ou ainda nas contas do Templo de Eleusis, tome VIII, 1888, pag. 198)
Na verdade são estáres de ouro de Filipe II da Macedônia, pai de Alexandre o Grande.

Reino da Macedónia Filipe II 359-336, a.C.
Estáter de ouro cunhado em Pela (capital da Macedônia) por cerca de 340-328 a C.
Anv. Apolo com coroa de louro à direita
Rev. Biga galopando para a direita, sob os cavalos um escudo 
ΦIΛIΛППOY

Os de tipo Apolo de Icnas (antiga cidade da Macedónia) têm no anverso a cabeça de Apolo laureada, e no reverso a Biga que faz lembrar a vitória de Filipe nos jogos olímpicos do ano  356 a. C. . O seu peso é de 8.60 gramas, depassando de 20 centigramas o dárico (moeda de ouro com cerca de 8 grs. comum no Império Aquemênida, desde a sua introdução pelo rei Dário I, (reinou de 521 a 486 a.C.) à qual lhe deu o seu nome.

Mas o costume dos gregos de dar o nome de “dárico” às moedas de ouro era tão inveterado que o termo de “Filipe” não prevaleceu imediatamente, e as novas moedas de ouro eram às vezes chamadas de «dáricos de Pilipe», para distingui-las dos  dáricos asiáticos ligeiramente mais leves.

Reino da Macedónia Filipe II 359-336, a.C.- Estáter de ouro
Anv. Apolo com coroa de louro à direita
Rev. Biga galopando para a direita e tripode
ΦIΛΠΠOY
(Ref. VAE15-246)

Os gauleses imitaram abundantemente o Filipe e o duplo Filipe de ouro na sua cunhagem national, até perderem a sua independência com Vercingetórix, que por sua vez tinha cunhado estáteres de ouro ainda marcados com o cunho desta inspiração macedônia.
Sob o Império Romano, os Filipes designavam muitas vezes a moeda de ouro actual. O nome de Filipe de dois imperadores do terceiro século, contribuiu para relembrar uma apelidação que tinha caído no domínio exclusivo da literatura.

Reino da Macedónia Filipe II 359-336, a.C.
Estáter de ouro cunhado em Infípolis cerca de 340-328 ou 336-328 a.C.
Anv. Apolo com coroa de louro à direita
Rev. Biga galopando à direita, e tridente
(Ref. Pozzi-836, Muller-59, Le Rider-123)

Talvez tenham sido os poetas cómicos que começaram a popularizar em Roma o nome vulgar dos estáteres de Filipe de Macedónia, que ao traduzir para o latim as comédias atenienses, onde muitas vezes é questão dos verdadeiros Filipes, por exemplo, as comédias de Menandro e Filémon, estes cómicos inventaram um novo termo para designar a moeda de ouro. Isto aplicado às moedas de ouro contemporâneas, com uma efígie imperial, tomou outro sentido que acabou por dar o nome de “Filipus”a todos os tipos de moedas cunhadas nos três metais: ouro, prata e cobre.  

MGeada

Bibliografia

Diodora da Sicília: A vida de Pilipe da Macedónia
Vigne; Jean Bruno, La vie des Monnais Grecques-Editions Jean Bruno Vigne-1988.
https://www.numisbids.com/n.php?p=lot&sid=2180&lot=147
https://pt.wikipedia.org/wiki/Filipe_II_da_Maced%C3%B3nia

quinta-feira, 30 de maio de 2019

"ADVEVTVS” Chegada dos Imperadores  a Roma

As inscrições do tipo “ADVENTUS = “chegada” comemoram a chegada do imperador a Roma, seja no início do seu reinado ou quando de regresso de uma longa viagem. Estas inscrições também se referem à chegada dos imperadores às cidades ou províncias do Império.

Quando subiam ao trono, os imperadores não eram transportados  em biga ou quadriga nem outro tipo de veículo, mas a cavalo e por vezes mesmo a pé. Era assim que eles faziam a sua primeira entrada pública na capital do Império Romano.

Esta procissão equestre do imperador em Roma, mesmo que não seja autentificada por outras fontes, aparece cunhada em numerosas moedas romanas com o imperador a cavalo, e a legenda ADVENTVS AVGVSTVS (= “chegada de Augusto”).

Um outro costume, que consistia que o imperador chegasse até às portas da cidade a cavalo e depois entrar nela a pé, não é claramente estabelecido nas legendas das moedas. Portanto este costumo é relatado por Dião Cássio na sua descrição da entrada de Septímio Severo em Roma. 
Este imperador é mostrado a entrar em Roma a pé numa moeda em bronze de Caracala, cujo reverso o representa a caminhar, seguido por um soldado.

A legenda ADVENTVS aparece em moedas dos imperadores Nero, Trajano, Adriano, Caracala, Filipe I, Claudio II o Gótico, Constâncio II, Probo Caracala e outros.  
Os tipos destas moedas excepto as de Adriano com a legenda «ADVENTVI AVGVSTO», geralmente consistem de uma  imagem do imperador a cavalo, com a mão direita levantada, por vezes precedido por uma Vitória ou,  Roma em pé com uma lança na mão esquerda, e dando a direita ao imperador
Noutros casos, o imperador é precedido por soldados com estandartes ou insígnias militares.

Algumas moedas romanas nas quais é representado o “ADVENTVS”
com a legenda ADVENTVS

Adriano – Denário cunhado em Roma em 134-138
Anv. Adriano cabeça nua à direita
HADRIANVS AVG OS III P P
Rev. Roma em pé com uma lança na mão esquerda, e dando a mão direita a Adriano com  direita  - ADVENTVS
(Ref. RIC-225ª: RSC-84


Filipe I - Sestércio cunhado em Roma em 244-249
Anv. Filipe laureado e drapeado à direita
IMP M IVL PHILIPPVS AVG
Rev. Filipe drapeado e cuiraçado cavalgando para a esquerda
ADVENTVS AVG   S C
(Ref. RIC-165; Cohen 6)

Cláudio II o Gótico – Antoniniano cunhado em Roma em 268
Cláudio II com coroa radiada e drapeado à direita
 IMP C CLAVDIVS AVG
Rev. Cládio cavalgando ao passo à esquerda levantando a mão direita e um ceptro na esquerda
ADVENTVS AVG
(Ref. RIC-13 ; RCV-11314)

Probo – Áureo cunhado em Roma, 276-282
Anv. Probo laureado e drapeado à direita
IMP C M AVR PROBVS AVG
Rev. Probo a cavalo precedido por uma Vitória com um ceptro na mão esquerda e levantando a mão direita 
ADVENTVS AVG
(Ref. RIC-582 var. ; Calicó4138a)

Constâncio II – Medalhão equivalente a um sólido e meio, 
cunhado em Roma em 355-361
Anv. Constâncio diademado e drapeado à direita
FL IVL CONSTANTIVS PERP AVG
Rev. Constâncio cavalgando para a  esquerda, com o manto flutuando levantando a mão direita
FELIX ADVENTVS AVG  -  N R
(Rev. RIC-288; Sammlung Trau 4143)

Caracala – Denário cunhado em Roma em 202
Anv. Caracala laureado e drapeado à direita
ANTONINVS PIVS AVG
Rev. Galera vogando para a erquerda, na qual apercebemos Septímio Severo, Caracala e Geta sentados. A proa está ornamentada com um acrostólio e duas insígnias
ADVENTVS  AVGVSTOR/vm – Chegada dos Augustos
(Ref. RIC-121; RSC-8; BMC-268)

(Caracala, 27-05-196, 08-04-217
Co-imperador com seu pai Septímio Severo, 04/198-209, Caracala foi nomeado Augusto em abril de 198, antes da grande vitória  dos Partas.
No ano 202, casou com Plaucila filha do perfeito do Pretório Plauciano, que relegou três anos depois. Em 204 começou a celebração dos Jogos Seculares. Septímio Severo tentou impor a imagem de uma nova dinastia. Caracala comemorou as suas decenárias em 217, e acompanhou seu pai à África. No final do ano 208, juntou-se a seu pai na Bretanha quando os exércitos romanas alcançaram os primeiros sucessos.
A galera no reverso deste denário com a legenda ADVENTVS AVGVSTOR/vm, dá as boas vindas à chegada aos Augustos  à África).

MGeada

Bibliografia

Georges Depeyrot; La Monnaie Romaine – 211 a C.-476 d C. 
http://www.comptoir-des-monnaies.com/index.php/monnaies-romaines-c-89509_90027
http://www.sacra-moneta.com/Numismatique-romaine/EMPEREURS-ROMAINS-L-ENTREE-DES-EMPEREURS-DANS-ROME-L-ADVENTVS.html

sábado, 27 de abril de 2019


 PUTEAL ESCROBONIANO (OU POÇO DE ESCRIBÔNIO)

A origem desta construção é explicada por Babelon (1).
Segundo uma lenda, na Roma antiga os locais atingidos por relânpagos eram sagrados.
Lucius Scribonius Libo (Lúcio Escribônio Libão) terá sido mandatado pelo Senado para localizar e registar todos os locais atingidos por este fenómeno atmosférico.

O átrio do templo de Minerva também foi atingido por um raio.
Como então se pensava que os deuses proibiam a cobertura desses locais, Escribôrnio teve a ideia de aí mandar abrir um poço, para que mais ninguém lá pudesse edificar qualquer construção.

O poço de Escribônio foi redescoberto em 1950, aquando de escavações perto do Arco de Actiun.
Este poço foi cunhado em emissões monetárias de L. SCRIBONIVS LIBO e LVCIVS AEMILIVS LEPIDVS PAVLLVS
no ano 62 a.C..

Na sua representação, o poço está ornamentado com uma grinalda de folhas de loureiro ladeadas por duas liras, tenaz, ou martelo.
(1)Numismata e arqueólogo francês do século XIX).

República Romana - Denário cunhado em Roma no ano 62 a.C.
Anv. Bonus Eventus (Bons Eventos) com diadema à direita
BON EVENT LIBO
Rev. Poço de Escribônio ornamentado com uma grinalda de folhas de loureiro, duas liras e tenaz
PVTEAL SCRIBON
(Ref. Sydenham-928; Crawford 416/1b)

República Romana – Denário cunhado em Roma em 62 a.C.
Anv. Concórdia com diadema e véu à direita
PAVLLVS LEPIDVS CONCORD
Rev. Poço de Escribônio ornamentado com uma grinalda de folhas de loureiro, duas liras e martelo
PVTEAL SCRIBON LIBO
(Ref. Sydenham-927; Crawford-417/1ª)

M.Geada

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