terça-feira, 25 de fevereiro de 2020


Coliseu “Anfiteatro Flaviano

 Desde a sua construção, o Coliseu foi considerado como uma das maiores maravilhas arquitetônicas do mundo.

O seu verdadeiro nome é "ANFITEATRO FLAVIANO"(em latim: Amphitheatrum Flavium) foi chamado de Coliseu, devido à colossal estátua de bronze do imperador Nero que ficava perto deste edifício.

Situado num local onde existia um lago artificial que se estendia pelos jardins da DOMVS AVREA, a “Casa Dourada de Nero”, a sua construção teve início no ano 77 no reinado de Vespasiano e, no ano 79 aquando da  morte do imperador, o terceiro andar já estava concluído e podia receber 50 000 espectadores. 

O seu filho “imperador Tito”, acrescentou-lhe mais dois e, terá sido terminado e inaugurado no ano 80, ficando com 50 metros de altura, 524 metros de periferia, 80 fileiras de arquibancadas, e podia receber 80 000 ou 90 000, espectadores (há divergências).

Aquando da sua inauguração era conhecido como “Anfiteatro Flaviano”.
O grande objectivo era proporcionar à população momentos de distração com combates de gladiadores e animais.  

Ao contrário de outros anfiteatros situados na periferia das cidades, o Coliseu foi construído literalmente e simbolicamente no coração de Roma.
Escolas de gladiadores e outras dependências foram construídas nas proximidades.

Dion Cassius relata que 9 000 animais selvagens foram mortos durante os jogos inaugurais.

O edifício foi em seguida ampliado por Domiciano, imperador recém nomeado e filho mais novo de Vespasiano, que o dotou com um hipogeu (subsolo) para alojamento de animais e gladiadores e, acrescentou uma galeria no topo do edifício para aumentar o número de lugares.

(Hipogeu: Em latim “hipogeus”,usado principalmente nos jogos sangrentos. Jaulas, e animais ficavam ali guardados; assim quando começavam os jogos era aberto um alçapão e do “hipogeu”,  saiam jaulas e animais para completarem o show violento.
Com este sistema as pessoas não tocavam nos animais antes de começarem os jogos.)  

No ano 107, sob o reinado de Trajano 10 000 homens e 11 000 animais foram envolvidos durante  123 dias de festa.

Tecnicamente, 2 000 marinheiros foram necessários para manobrar por cima do Coliseu o imenso velarium que dava sombra aos espectadores.
Estes podiam então admirar durante o verão e cerca de seis vezes por ano, o combate de gladiadores cuja idade raramente excedia vinte e dois  anos.

O povo tomava consciência da sua classe na hierarquia romana e, do seu estado, constituído graças a esta organização estrita da repartição dos lugares, e das regras vestimentares.
O imperador tinha o seu lugar previlegiado e,  toda a gente o podia ver no seu camarim, sublinhado pela arquitetura nos três locais dos jogos.

A visão das multidões num Coliseu cheio, com o imperador ao centro, era certamente espetacular. As moedas cunhadas por ocasião da inauguração no ano 80, dão-nos uma pequena ideia.

Os imperadores utilizavam os teatros, o anfiteatro e o circo para fins políticos, e fizeram destes locais os melhores sítios para arranjarem novos adeptos à sua causa.
A presença do príncipe dava oportunidade às pessoas para expressarem coletivamente o seu entusiasmo, mas também a sua insatisfação . 

Ainda mais: o povo pela sua presença também participava no castigo dos inimigos públicos, ou na humilhação dos denunciadores caso o suposto inimigo fosse absolvido.
Como sempre no caso de suplício público o objectivo era a dissuasão.

Decerto de uma maneira muito concisa, podemos dizer que os imperadores queriam criar através desta organização das arenas, uma escola moral.
Os combates entre gladiadores privados, passaram a ser oficializados.

Alguns contemporâneos credíveis como Plínio o Jovém, observaram de uma maneira natural que os combates de gladiadores e a caça, tinham um impacto educacional  sobre a juventude  incentivando-os  à bravura e não temer a morte, mesmo que  fossem escravos ou criminosos que lutassem (Plínio, Panagyric, 33, 1)

As imagens mais antigas que temos do Anfiteatro Flaviano, são representadas em moedas do imperador Tito. Outros imperadores seguiram o seu exemplo; todavia, estas moedas mais ou menos raras (consoante o imperador), são muito procuradas e neste caso, valiosas.

Os bronzes de Tito dos anos 80 - 81 são muito interessantes, pois veêm-se os espectadores no interior do edifício.
À direita vê-se a  fonte "META SUDANS" onde se lavavam os gladiadores.
A estátua do colosso não se vê.
Diz-se que ela tinha a da altura do edifício, e teria sido levada para o local no reinado do  imperador Adriano, por ocasião de um espectáculo.
Terá sido puxada por 24 elefantes.

Tito-Sestércio cunhado em Roma 80-81
Anv. Tito à esquerda sentado numa cadeira curul,
IMP T CAES VESP AVG P M TR P P P COS VIII    S C
Rev. Coliseu, a Domus Áurea e a fonte Meta Sudans
(Ref. RIC-10 var., Cohen-400 var.)

No reverso podemos observar “pequenos pontos anónimos”, que representam as cabeças da multidão nas cáveas, os painéis alternados com ou sem “velarium” no quarto andar; as estruturas de madeira do telhado, e a quadriga por cima da entrada central.

(Cáveas, “em latim cavea”: na Roma antiga, eram secções de assentos da área dos espectadores nos teatros romanos, tradicionalmente organizada por três secções horizontais, correspondentes à classe social dos espectadores.
As celas subterrâneas dos anfiteatros onde os animais selvagens eram confinados antes dos combates, também eram denominadas por cáveas ou hipogeu.)
(Velarium: toldo para proteger os espectadores das intempéries)

Se observarmos com atenção, podemos ver a distribuição dos assentos na cávea, e a arquibancada.
O imperador, é o pequeno ponto no centro sentado no seu camarim.

No exterior à esquerda, uma parte da “Domvs Aurea” (Casa Dourada de Nero), à direita a fonte“Meta Sudans”, onde se lavavam os gladiadores.

Degradado no reinado de Macrino no ano 217, Heliogábolo mandou-o reparar em 218, mas será preciso esperar mais cinco anos, para que  possa ser inteiramente reutilizado.

Foi Gordiano III que lhe deu o toque final em previsão das festas do milénio da fundação de Roma.

No ano 250 sofreu novos estragos e novas reparações por Trajano Décio.
Os últimos combates de gladiadores no Coliseu, segundo alguns históriadores, tiveram lugar, no ano 404.

Nos anos 444 e 470, ficou degradado após a ocorrência de sismos,  e foi Basílio, cônsul, no ano 508, que o mandou restaurar.

Ainda foi alvo de reparações no ano 523.
Mais tarde, voltou a sofrer estragos com novo tremor de terra, e começou progressivamente a ser esquecido.

Como a maior  parte dos monumentos antigos, serviu de depósito de materiais, e grande parte das suas pedras foram usadas noutras construções.
A sua reabilitação começou verdadeiramente no princípio do século XIX sob as ordens do imperador Napoleão I.

O Coliseu foi utilizado durante aproximadamente 400 anos.
O último registo foi efectuado no século VI da nossa era, muito depois da queda de Roma no ano 476.

Deixou de ser utilizado para divertimento no início da idade Média,  mais tarde foi utilizado como habitação, sede de ordens religiosas, e templo cristão.

Uma série de áureos e bronzes emitida anos depois por Alexandro Severo, e Gordiano III, também mostram o Coliseu.

Alexandre Severo-Áureo cunhado em Roma em 223
Anv. Alexandre laureado à direita,
IMP C M AVR SEV ALEXAND AVG
Rev. Coliseu com estátuas no interior das arcadas, Colosso de Nero à esquerda e metade de um frontão e
coluna (talvez o templo de Júpiter Vitorioso?) Neste áureo veêm-se os mastros que serviam para fixar o
“velarium” toldo.
PM TR P II COS P P
(Ref. RIC-33, Calico-309, Sear II-7825)

Alexandre Severo-Sestércio cunhado em Roma, cerca do ano 223
Anv. A. Severo à laureado à direita,
IMP CAES M AVR SEV ALEXANDER AVG
Rev. Coliseu, à esquerda, a Meta Soudans,
à direita templo de Júpiter Vitorioso S C
PONTIF MAX TR PII COS PP  SC
Em exemplares do mesmo tipo bem conservados, do lado do templo veêm-se dois combatentes na
arena.
(Ref. RIC-410 (R4), Cohen-468, Sear-8008)

  
Gordiano III- Sestércio cunhado em Roma 238-240
Anv. Gordiano com couraça, uma lança na mão direita e escudo na esquerda,
IMP GORDIANVS PIVS FELIX AVG
Rev. Coliseu no qual se afrontam um touro e um elefante montado por um cornaca.
Ao centro, o camarim imperial ocupado por Gordiano
No exterior, à esquerda a estátua da Fortuna com um leme e, a Meta Soudans
À direita um templo com Júpiter Vitorioso no interior,
MVNIFICENTIA GORDIANI AVG 

Gordiano III-Sestércio cunhado em Roma 238-240
Anv. Gordiano laureado à direita,
IMP GORDIANVS PIVS FELIX AVG
Rev. Coliseu no qual se afrontam um touro e um elefante montado por um cornaca.
Ao centro, o camarim imperial ocupado por Gordiano
No exterior, à esquerda a estátua da Fortuna com um leme e, a Meta Soudans
Á direita um templo com Júpiter Vitorioso no interior,
MVNIFICENTIA GORDIANI AVG 

Gordiano III-Sestércio cunhado em Roma 238-240
Anv. Gordiano drapeado à esquerda, com uma vitória na mão direita e um cetro na esquerda,
IMP GORDIANVS PIVS FELIX AVG
Rev. Coliseu no qual se afrontam um touro e um elefante montado por um cornaca.
Ao centro, o camarim imperial ocupado por Gordiano
No exterior, à esquerda a estátua da Fortuna com um leme e, a Meta Soudans
Á direita um templo com Júpiter Vitorioso no interior,~
MVNIFICENTIA GORDIANI AVG 
(Ref. Doc. Num. Vet. vol.VII, pag.315)

Este sestércio do imperador Gordiano III, foi a última representação do Coliseu na numismática romana antiga.
Será preciso esperar mais 1.740 anos par vermos novamente este colossal edifício no estado atual, “degradado”no anverso da moeda de "cinco cêntimos de euro italiana".

Itália-Cinco cêntimos 2002 (Cobreada, aço banhada a cobre)
Anv. Reprodução do Coliseu de Roma rodeado pelas doze estrelas da União Europeia.
Na porção superior à esquerda a letra R=Roma; no campo superior direito, as letras R I (República
Italiana) sobrepostas.
No fundo, a data 2 002  e as iniciais do autor “ELF” (E. L. Frapiccino)
Rev. 5 EURO Cent, globo terreste situando a Europa no mundo, 12 estrelas e as iniciais LL do
gravador de cunhos, L. Luycx

No ano 2015, Niue ou Niuê, um dos mais pequenos estados independentes do mundo, também cunhou uma moeda de 2 dólares com a efígie da rainha Isabel II (do Reino Unido) no anverso, e o Coliseu no reverso.

Niue ou Niuê-2 Dólares 2015
Anv- Rainha Isabel II à direita,
ELIZABETH II . NIUE . 2 DOLLARS 2015
Rev. Coliseu,  The Colosseum Rome

 
À esquerda, Sestércio do imperador Tito cunhado em Roma 80-81
À direita, 5 EURO cents cunhado em Roma em 2 002

MGeada

Bibliografia

A.J.O´reilly; Os Mártires do Coliseu, editora CPAD, edição 2014
Cohen Henry; Description Historique des Monnaies Frappées Sous L’empire Romain-Num. 165,166.
Giovannoni (G); La zona del colosseo ed il suo aspetto definitivo-capitolium, 1937, pp.202-210
Rodocanachi Emmanuel Pierre ; Les Monuments Antiques de Rome Encore Existants : les ponts, les murs, les voies, ls enceintes, de Rome, les palais, les temples, les arcs. Paris Hachette, 1920.
Spinazzola Vitorino; L’Anfiteatro Flavio. Storia degli scavi ed ultime scoperte (1590-1895, Naples, R Marghieri, 1907

SPQR-Comuni di Roma Sotteranea ; a cura de Roberto Luciano, Fratelli Palombi-Editore Roma Cataloghi, 1985.
Wikipédia-Coliseu

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020



Heracles – Hércules dos romanos 
Os Doze Trabalhos de Hércules 

A mitologia grega atribui-lhe numerosas aventuras que o fizeram viajar em todo o  mundo conhecido na época, em todo o Mar Mediterrâneo e mesmo até ao inferno.
Ainda bebé afogou as serpentes que Juno enviou para o devorarem,( há várias versões deste episódio;  umas que as serpentes  foram enviadas por Hera porque Hércules a tinha mordido quando Hermes o pôs a mamar no seu seio, outras, que foram enviadas  pelo rei Anfitrião, esposo de Alcmena).  
  
Tebas - século V a.C., Estáter AR
Anv. Escudo
Rev. Hércules afogando as serpentes

As mais célebres das suas aventuras são sem dúvida os doze trabalhos que lhe foram impostos por Euristeu.
  
Este deus greco-romano meio homem meio herói, meio imortal, efectua os mais difíceis  trabalhos com o objectivo  de alcançar a imortalidade.
Nao é de admirar que tal personagem filho de Júpiter fosse modelo de alguns imperadores romanos, que com o passar dos tempos tiverem cada vez mais tendência a identificar-se com o semideus.
Esta identificaçao com Hércules era ainda mais perceptível, por este ser um semideus que aspirava à eternidade.
Alguns deles como Cómodo, ou Caracala, diziam serem  a reencarnação de Hércules.
Podemos ver no museu do Capitólio, em Roma,  um busto de Cómodo com a pele do Leão de Nemeia na cabeça, a moca (ou maça)  na mão direita, e as maçãs do jardim das Hespérides na esquerda.
Há um sestércio, em que o imperador é representado no anverso com a pele do leão na cabeça, e no reverso a moca de Hércules.
A imagem do imperador Maximiano cunhada no anverso dum aureliano, também representa o imperador com a pele do leão no ombro esquerdo, e a massa no ombro direito. Um exemplo de identificaçao bem expressiva entre o imperador e o semideus.

Caracala –AE 38 cunhado em Perinto-Trácia 196-217
Anv. Caracala drapeado à direita 
AVT K M AVR CEOVHR ANTΩNINOC
Rev. Caraca com bastião e Hércules com a maça  oferecendo um sacrificio.
No meio, um altar aceso.
ΠEPINϴIΩN  NEΩKOPΩN

Cómodo - Sestércio cunhado em Roma 121-122
Anv. Cómodo com a pele de leão na cabeça
AV.LAEL AUREL COMM AVG P  
Rev. Moca de Hércules 
LAEL AUREL COMM AVG P                                                
RV. HERCVL ROM ANO AVGV SC                            

Maximiano - Antoniniano cunhado em Lião em 287-289
Anv. Maximiano com coroa radiada e moca no ombro à esquerda
IMP MAXIMIANVS P AVG
Rev. Hércules Pacifero nu com um ramo na mão direita e moca na esquerda. 
HERCVLI  PACIFERO 

São muitas as moedas gregas e romanas que fazem referência a Hércules, não as podemos reproduzir todas, apenas mostramos alguns exemplares.

Cízico, Mísia – Héracles (Hércules) ainda criança.                    
Hecto cízico  em electro, século V a.C., (raríssimo)
                                 
Cízico, Mísia -  Héracles com barba
Estáter cízico em electro, século V a.C., (raríssimo)
(electro: liga natural de ouro e prata).

Paeonia – Perdicas I, Tetradracma cunhado em 359/340 
Anv. Zeus ou Apolo à direita.
Rev. Héracles lutando com o leão de Nemeia.

Heracleia Pôntica (tiranos)  cerca de 352/345 a.C., Tridracma AR 
Anv. Héracles à esquerda.
Rev. Hera à esquerda.

Lucânia Heracleia, cerca de 300 a.C., Estáter AR
Anv. Atena com capaceto corintio à direita.
Rev. Héracles de frente com a moca e a pele de leão.

Síria-Antioco I, 280/261 a.C., Tetradracma AR
Anv. Antioco I à direita.
Rev. Héracles sentado à esquerda, com a mão direita apoiada na moca.

OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES

Aquando duma crise de loucura, Hércules matou sua esposa e filhos. Para o punir por este crime, Eristeu impôs-lhe uma série de  trabalhos.

I

O LEÃO DE NEMEIA

O primeiro trabalho que Eristeu impôs a Hércules, foi matar o leão Neméia que matava muitas pessoas  e animais . O leão tinha a pele tão dura, que o ferro e o bronze não a conseguiam furar.

Maximiano Hércules – Antoniniano, cunhado em Lião em 289.

II

A HIDRA DE LERNA

Em seguida Hércules teve que matar A Hidra de Lerna.
A Hidra (serpente) tinha nove cabeças uma das quais era imortal.
O veneno que ela fabricava era tão forte que o seu hálito era fatal.

Geta AE 26 cunhado em  Andrinopola -Trácia.
(Hoje Edirme na Turquia)

III

O JAVALI DE ERIMANTO

O terceiro trabalho de Hércules foi o de apanhar vivo o  terrível Javali de Erimanto.
Era um animal selvagem e gigantesco que aterrorizava a região.
Quando Hércules avistou o javali, ficou aterrorizado e refugiou-se num vaso de bronze enquanto estudava a melhor táctica para o capturar.

Septimo Severo – AE 40 cunhado em Perinto(durante o império Bizantino Heracleia) Trácia.

IV
A CORSA CERINITA

O quarta tarefa de Hércules foi de capturar a Cerva (corsa) Cerinita, e de a transportar viva de Oensoé a Micenas.
Esta corsa consagrada a Diana, era muito rápida e tinha cascos de bronze e cornos de ouro.
Para a conseguir capturar, Hércules persegui-a sem descansar durante um ano.

Maximianus - Quinário, cunhado em Lião em 286

V

OS ESTÁBULOS DE AUGEIAS (ou  ÁUGIAS)

O quinto trabalho de Hércules foi limpar os Estábulos de Augeias só num dia.
O rei Augeias, tinha um numeroso rebanho que ocupava grandes estábulos que há muito tempo não eram limpos.
Para triunfar nesta tarefa, Hércules teve que desviar o curso do rio Alfeu, conseguindo assim limpar os estábulos.

Antonino Pio – Dracma cunhado em Alexandria 146/147

VI

OS PÁSSAROS DO LAGO ESTÍNFALO

A seguir Hércules teve que exterminar os pássaros do Lago Estínfalo.
Os seus bicos, patas e asas eram de bronze, e também devoravam homens.
Os seus excrementos venenosos destruiam as colheitas.

Antonino Pio – Dracma cunhado em Alexandria 140/141

VII

O TOURO DE CRETA

O sétimo trabalho impôsto por Eristeu  a  Hércules, foi a captura do Touro de Creta que tinha engendrado o Minotauro(Monstro, metade homem e metade touro, filho de Pasífaa, mulher de Minos, ao qual Atenas oferecia adolescentes em tributo anual, foi morto por Teseu).
Apezar de furioso e lançar chamas pelo nariz, Hércules decidiu capturá-lo só com as mãos.

Gordian III AE 27 Cunhado em Andrinopola -Trácia.

VIII

AS ÉGUAS DE DIÓMEDES

Para o seu oitavo trabalho Hércules teve que capturar as éguas selvagens de Diómedes rei da Trácia, que este alimentava com carne humana.
Após a sua captura, Hércules ofereceu-lhes em repasto o corpo do rei.

Antonino Pio – Dracma, Cunhado em Alexandria 141/142.

IX

O CINTURÃO DE HIPÓLITA

A missão do herói foi ir buscar o cinturão de ouro de Ares, que Hipólita rainha das amazonas detinha. Como Hércules não o podia obter pela  força, teve que recorrer à diplomacia e convencer  a rainha a oferecer-lho.
O cinturão destinava-se a Admeto, filha de Euristeu.


Antoninus Pius -Dracma cunhado em Alexandria 146/147

X

OS BOIS DE GIRIÃO

O décimo dos trabalhos de Hércules foi ir buscar a manada de bois de Girião, que tinha a reputação de ser o homem mais forte da terra.
Girião nasceu com três cabeças, seis mãos e três corpos, que se reuniam entre si na cintura.

Séptimo Severo- AE 40 cunhado em Perinto – Trácia

XI

OS POMOS DE OURO DO JARDIM DAS HESPÉRIDES

Hércules ja tinha efectuado os dez trabalhos, mas Eristeu não contou o segundo nem o quinto, e impôs-lhe mais dois.
O décimo primeiro foi ir buscar os frutos de ouro de uma macieira que Gaia tinha oferecido
a Hera e que esta plantou no seu jardim divino.
Ao aperceber-se que as Hespérides a quem ela tinha confiado a guarda da árvore lhe roubavam as maçãs, Hera acorrentou um dragão à macieira para que ninguém se pudesse aproximar.
Quando Hércules viu o dragão, pediu a  Ares que as colhesse, enquanto ele o substituia a suportar  o mundo.

Antonino Pio-Dracma cunhado em Alexandria146/147

XII

A CAPTURA DO CÉRBERO

O último e mais terrível trabalho de Hércules, foi descer ao inferno e trazer o terrível  Cérbero. Um cão com três cabeças que era o guarda do mundo interior.
Hércules  agarrou o animal pelo pescoço e só o largou quando ele consentiu
em acompanhá-lo.

MGeada

Bibliografia

Vigne ; Jean Bruno – La Vie des Monnais Grecques, J. D. Editions, Paris 1998.
Hélène Nicolet ; Pierre – Numismatique Grecque, Editions Armand Colise, Paris 2002.
Dominique Gerin, Catherine Grandjean, Michel Amandry, François de Callatay – La Monnaie Grecque, Ellipses Édition Marketing S.A., Paris 2001.
Babelon ; J.- La Numismatique Antique, Paris 1994.
Blanchet ; A.- Les Monnaies Grecques, Paris 1894.
Fréderic Weber – Monnais de L’Empire Romain.
Frédéric Weber – Monnaies Antiques.
Fréderic Weber – Monnaies Provinciales Romaines.
Cohen ; Henri -  Description  Historique des Monnaies Frappées sous L’Empire Romain,
tome II, Paris 1880-1892.
Vinchon ; Jean – Catálogo de vendas Maio 1995.
Vinchon ; Jean – Catálogo de vendas Maio 1998.
Vinchon ; Jean – Catálogo de vendas Outubro 2003.
Centre numismátique du Palais-Royale - Catalogo de vendas Março 1997
Centre numismátique du Palais-Royale-Catalogo de vendas Dezembro 1999
Elsen ; Jean – Cátalogo de vendas n°62, Junho 2000


segunda-feira, 30 de dezembro de 2019




Caduceu: um dos símbolos de Hermes (Mercúrio) na numismática romana.
Em latim Caduceus, é  composto por um bastão entrelaçado por duas serpentes. O corpo dos répteis constitui um semicírculo e as cabeças das cobras se enfrentam viradas  para o centro.
Era um atributo específico de Mercúrio.

A Prudência é suposto ser geralmente representada por duas serpentes entrelaçadas, e as asas que por vezes são adicionadas ao caduceu são o símbolo da velocidade, duas qualidades necessárias no comércio patrocionado por Mercúrio.
Era também o símbolo da paz e harmonia que essas divindades terão recebido de Apolo em troca da lira.

Podemos ver Caduceus em numerosas moedas romanas. incluindo as da família romana Cestia.
Sob a República em moedas das gens Claudia, Licínia, Plaetória, Sepullia.


M. Plaetorius M.f. Cestianus – Denário cunhado em Roma em 57 a.C.
Anv. Busto de Bons Eventos à direita
Rev. Caduceu alado  M. PLAETORI CEST. EX. S C
(Ref. Crawford-405/5, Sydenham-807)

Nas moedas imperiais os caduceus também são frequentemente representados. especialmente em moedas de Augusto. Marco António, Tibério, Nero, Vespasiano, Tito, Domiciano, Nerva ou Postúmio.


Marco António – Denário cunhado em Roma em 39 a.c..
Anv. Marco António à direita
ANTONIVS IMP
Rev. Caduceu alado
CAESAR IMP
(Ref. Crawford-529/3, Sydenham-1328)

Em moedas do imperador Tibério (moeda colonial), Antonino Pio, Marco Aurélio, Heurênio Etrusco, Hostiliano, Galiano, Postúmio ( MERCVRIO FELICI) Cáudio (o Gótico), Numeriano e outros.
Nas mãos de uma figura feminina, como as personificações da Felicidade  da Paz, Concórdia, Securitas, em moedas de imperadores  entre Júlio César e Constantino I o Grande.

O Caduceu entre duas cornucópias (em latin cornu copiae) é uma referência à Concórdia e podemos vê-lo em moedas de Augusto, Marco António, Vespasiano, Tito, Domiciano, Nerva, Antonino Pio, Marco Aurélio, Claudio Albino.
Entre duas espigas de trigo segurado por duas mãos direitas unidas é representado em moedas do Alto Império. Num sestércio de Druso junior e como uma instância da FIDES PVBLICA em moedas de prata do imperador Tito e bronzes de Domiciano.


Druso – Sestércio cunhado em Roma em 22/23
Anv. Caduceu entre duas cornucópias sobrelevadas por duas cabeças
Rev. DRVSVS CAESAR TI AVG F DIVI AV  N PONT TR POT II
(Ref. RIC I-Tibério 42, BMC Tibério-95)


Domiciano – Denário cunhado no ano 76
Anv. Domiciano laureado à direita
DOMITIANVS CAESAR AVG F
Rev. Caduceu alado
PON MAX TR P COS IIII
(Ref. RIC II-1496, BMCRE-484, RSC-369, RPC II-1469)


Tito como César – Denário cunhado em Roma em 79
Anv. Tito laureado à direita
IMP VESP CENS
Rev. Caduceu entre duas mão dadas, duas papoilas e duas espigas de trigo
FIDES PVBL
(Ref. RIC-1485, RPC-1459)


Vespasiano – denário cunhado na Ásia Menor em 69-79
Anv. Vespasiano laureado à direita
IMP CAESAR VESPASIANVS AVG
Rev. Caduceu alado
PON MAX TR P COS VII
(RPC II-1453, RSC-375ª)


Macrino – Denário cunhado em Roma no ano 217
Anv. Macrino laureado e drapeado à direita
IMP C M OPEL SEV MACRINVS AVG
Rev. Felicitas em pé à esquerda com um caduceu na mão direita e duas cornucópias na esquerda
PONTIF MAX P P P
(Ref. RSC-79, BMC-29v.)


Herênio Etrusco – AE 22 cunhado em 251
Anv. Herêrio laureado à esquerda
Q HER ETR MEV NOB DE DECIVAL
Rev. Mercúrio com chapéu em pé, caduceu na mão esquerda e uma bolsa na direita
PIETAS AVG  S C
(Ref. RIC-167b, Sear-9536)


Postúmio – Antoniniano cunhado em Tréveris em 266
Anv. Postúmio com coroa radiada à direita
IMP C POSTVMVS P F AVG
Rev. Caduceu alado
SAECVLO FRVGIFERO
(Ref. RIC-84, RSC-333ª, Sear-10984)

MGeada

Bibliografia
Casenave M.; Encyclopédie des Symboles, La pochothèque pag. 94/5 et 238/9.
Grimald P. ; Dictionnaire (1969) de la Mytologie Grecque et Romaine. PUF,  pag. 206/207.
Laurence Kahn ; Hermes passe ou les Ambiguités de la Comunication, Paris, Éditions Maspero, 1978.
Jean Pierre Bayard : Le Symbolisme du Caducée, Guy Trédanie, 1978, pag.175.
Pierre Lévêque : et Louis Séchan. Les Grandes Divinités de la Grecque, Éditions E. de Boccard, 1966.